Esquecimento

15 Desconfiança e Descoberta


Esquecimento

Escrito por: Kohana

Capítulo Quinze: Desconfiança e Descoberta

O dia para ela já havia começado há muito tempo, antes mesmo do sol raiar ela já estava com a mente acordada, apesar de seus olhos estarem fechados e de não ter movido um músculo para fora do quarto, a não ser para ir ao banheiro ficar olhando o reflexo no espelho.

Afinal, quem nunca fez isso?

Como se fosse te ajudar em algo, você se olha na frente do espelho, passa a mão com água no rosto e apóia a mão na pia. Como se todas as suas perguntas fossem ser respondidas somente porque você pergunta ou que seus problemas fossem ser resolvidos só porque você quer. O desespero era tanto que ela até chorou pedindo a Deus por um milagre.

E o medo havia voltado, ou na verdade nunca tinha ido. Ficava martelando na cabeça dela, no coração dela... mostrando várias possibilidades do que podia acontecer, e até do que não podia.
Não conseguia nem ao menos se sentir uma adulta, séria e mãe de duas crianças. Sentia que era uma criança também, frágil, triste e emocionalmente abalada. Como se qualquer coisas pudesse afetar ela ou a derrubar.

Contudo, ela ainda aceitou que deveria contar a verdade. Aceitou que deveria ser sincera e ao menos se livrar do sentimento de traição. Mas com certeza alguém estava conspirando contra ela.

E ela podia cogitar a ideia de ser ele...

Flash Back On

Estava feliz, radiante e enfim iria contar a verdade. Sim, ela estava pronta, ao menos para enfrentar que não podia mais esconder tudo aquilo dele.

E ele estava confuso, esperando apenas uma continuação.

– Sakura, o que exatamente quer me falar? — pergunta e ela começa a andar para um lado e para o outro, mexendo uma mão na outra, o que demonstrava nervosismo.

– Sobre nós — ela para encarando ele.

– Sobre nós no passado? — ele anda um pouco a direção dela, com uma sobrancelha levemente arqueada. Não estava entendo nada.

– Sim Sasuke... — diz depois de um longo suspiro. Queria terminar tudo aquilo naquela frase. — Sasuke, — ela começa a tremer, repirando pesado — eu e você, — Não estava pronta, mas sabia que era o certo — no passado...

Todavia, não pode terminar sua frase. O som ensurdecedor do celular tocando a interrompeu. Sasuke passou as mãos pelos cabelos, respirando fundo. Queria ouvir o que ela tinha a dizer, mas aquele som só o irritava.

E ela estava travada e perdida em pensamentos, sem escutar nem mesmo o toque do celular que vibrava em seu bolso.

– Sakura — ele a tirou de seus desvaneios — Atende.

– Não! — disse, disposta a ignorar o som que agora a incomodava — Vou ignorar. — Sasuke deu de ombros, mas aquele som alto ainda o incomodava. — Sasuke, nós dois fomos...

Respirou fundo, não dava com aquele som. E o pior que ela estava tão atordoada que nem havia pensado em desligar. Colocou a mão no bolso, com certa raiva e agressão, tirando seu celular de lá. Porém, se viu sem ar quando reconheceu o numero que ela havia apagado de sua agenda.

– Só um minuto — disse sem olhar para Sasuke, dando a volta na mesa e sentando na cadeira.

– Eu não sei porquê estou te atendendo. — tombou sua cabeça no encosto da cadeira, já irritada.

– Talvez seja saudade — ele riu do outro lado da linha.

– Quer me importunar mais uma vez não é? — apertou o telefone.

– Não amorzinho, vou ser direto hoje — Suspirou e Sakura pode ouvir o barulho alto que aquilo causou, a irritando mais do que devia — Eu sei que voltou. E olha, você não voltou sozinha eim. Trouxe seu Uchiha não é? Vou ter que confessar, você jogou bem essa partida, mas ela não está terminada. Eu vou conseguir esse processo, por ser pai biólogico da pirralha. — Sakura segurou mais firme o celular, rangindo os dentes de raiva. — Ah Sakura, sabe que eu vou ganhar — dizia mais alto — A garota é minha filha.

– Cala a boca! — esbravejou, levantando da mesa e deixando um Sasuke confuso — Você tem noção do que você se transformou? Ela tem nome desgraçado! Mia... Mia! O nome dela é Mi-a! — Ela estava tão transtornada que nem reparou no tom alto que sua voz estava. Mas não podia evitar, estava com raiva, triste, irritada... tudo o que só ele consegue fazer ela sentir — Você não gosta dela. Só está sendo egoísta, só quer tirar ela de mim — sua voz já estava cortada e as lágrimas desciam por sua face.

– Sem dramas Sakura — disse friamente — Você sabe o que eu quero. E pensa em como nós dois podíamos ser felizes com ela? Ela poderia ser importante para mim, se você estivesse ao meu lado. Seríamos os pais perfeitos. — Sakura não conseguia controlar sua respiração. — Então, vou dizer mais uma vez: Para eu desistir do processo, você só precisa se casar comigo.

– Para... para de dizer isso — disse em meio a fungados e lágrimas, colocando uma mão no rosto — Eu... nunca... me deixa em paz... a Mia é minha...

Ela caiu de joelhos no chão, deixando seu celular cair também. Ainda sim, antes de sentir dois braços lhe pegar por trás, ela pôde sentir a dor em seu coração, a tristeza e o medo.

E então tudo estava escuro.

Flash Back Off

Suspirou mais uma vez, sentada em sua cama observando o teto branco do quarto. Se levantou indo até seu guarda-roupa. O abriu e observou as peças de roupas, todas organizadas.

Tudo o que precisava agora era um banho.

...

Suspirou colocando sua xícara de café na mesa do escritório. Definivamente não estava com cabeça para prestar atenção em tantas papeladas. Passou a mão pelo cabelo e tirou o óculos que ele usava só para ler, o colocando do lado da xícara.

Cada palavra dela ecoava em sua mente e não só naquele momento, foi assim a noite inteira. Mal dormiu pensando em como ela estava. Sabia que ela só precisava de uma boa noite de sono, mas não podia evitar, quase desmaiou junto com ela ao vê-la cair sobre, por sua rapidez, seus braços.

E, ainda que soubesse como era antiético se intrometer na vida alheia, não pôde ignorar o visor do celular de Sakura, onde indicava que a chamada não tinha sido encerrada.

Não pôde, muito menos, evitar pegar aquele celular e quase o quebrou quando ouviu gargalhada alta do outro lado da linha.

Dizer umas verdades e colocar pra fora sua raiva amenizou a dor de ver Sakura naquele estado. Já tinha a visto em um estado assim antes, mas naquele momento foi pior. Pois, além de ela estar mais nervosa, irritada e estar tão frágil, ele podia sentir a dor dela. Podia não ser de fato a dor dela, mas doeu mais do que ele imaginou vê-la daquele jeito.

Contudo, as palavras daquele homem não saía de sua cabeça também.

Talvez eu não conheça ela tão bem quanto você. Afinal, o passado de vocês a marcou. Porém, eu a farei esquecer.

E desligou, deixando um homem confuso com uma mulher desmaiada.
De alguma forma, aquele homem sabia de algo. E Sasuke sabia, tinha certeza aliás, que não era da "paixão platônica" que Sakura nutria que ele falava. Não tinha como ser, a frase dele era direta.

E então, todas as coisas que o intrigavam sobre Sakura vieram a tona. O perfume, a cor da casa dela, a cor da casa dele, os sonhos, o sentimento forte que sentia por ela...

Tudo parecia, de alguma forma, ir para o mesmo ponto. E ele tinha certeza que não era mais só algo da cabeça dele.

E pra finalizar, ela tinha algo a dizer sobre o passado de ambos.

Só um burro não notaria que tinha algo de errado.

Mas ainda sim, algo o confundia. Tal como o sentimento de que ela era muito importante para ele e, como já percebeu, ele era importante para ela.

Então, com esses pensamentos, ele saiu do escritório indo em direção ao corredor a frente, onde no final, atrás da porta, ela estava.

Respirou fundo antes de bater na porta e depois de bater três vezes e não ser atendido, ele a abriu e adentrou o quarto, se deparando com uma Sakura de toalha, sentada na cama, parecendo estar em outro mundo.

Todavia, quando pareceu acordar, ela se levantou assustada por ver ele ali, parado a sua frente.

– Sasuke! — segurou a ponta da toalha.

– Sakura... — suspirou tentando ignorar o fato de uma simples toalha ser a pedra no caminho que ele tanto queria caminhar — Er... desculpa! Eu não deveria entrar assim — apontou para a porta ainda de frente para ela — Mas eu preciso dizer algo, e tem que ser agora. — firmou a voz e ela engoliu em seco temendo o que ele iria dizer. — Sakura... — se aproximou — Vamos aceitar de que algo está errado aqui. — Sakura sentiu seu coração acelerar e sua respiração descompensar. — Eu não sou idiota. Desde que conheci você que eu sei que algo está errado.

– Sasuke...

– Não — a interrompeu — eu falo. — Andou mais ficando a centímetros dela. Ela levantou um pouco o rosto, ainda segurando a toalha. Ele colocou a mão em um lado de seu rosto e a olhou com ternura. — Sakura... você está me escondendo algo, não é? — Os olhos dela marejaram, formando uma linha de água. Suas íris não ficavam quietas, do mesmo modo que seu coração estava.

– Sim. — Suspirou depois de pensar um pouco, limpando as lágrimas que já desciam. No final, ela não poderia negar nada. Não com ele a perguntando diretamente.

– Então... — ele olhou pro lado, voltando seu olhar no dela. — Então, me prometa algo.

– O que? — ela perguntou confusa.

– Prometa que... — suspirou fechando os olhos lentamente e abrindo-os do mesmo jeito — você me contará tudo, exatamente tudo, quando o processo da Mia acabar. — ele disse firme, tanto nas palavras quanto no olhar direcionado ao dela.

– Sasuke...- disse em um fio de voz. Na verdade, o que ela queria mesmo era contar tudo naquela hora. Acabar de vez com aquilo. Mas de fato, não era tão fácil.

– Não Sakura. — a interrompeu — Nós precisamos focar na Mia. Eu preciso focar nela. Saber que você me contará tudo me deixa tranquilo. Então só prometa que quando isso acabar e a Mia não correr mais nenhum risco de ser tirada de você, você me contará tudo.

Sakura ficou surpresa, quase sem conseguir pensar no que falar. Contudo, a felicidade, depois de entender tudo o que Sasuke disse, a pegou em cheio. Ela o abraçou, o abraçou forte sendo retribuída com carinho.

– Eu prometo — sorriu ainda chorando, sentindo mais uma vez, Sasuke curar suas dores. Se sentindo aliviada e anestesiada. Coisa que só ele conseguia fazer.

– Agora é melhor eu ir — disse sessando, tentando não encará-la.

– Por quê? — ela pergunta arqueando uma sobrancelha.

– Preciso de um banho gelado. — se afasta medindo ela, mordendo levemente o lábio inferior.

– Ah, sim — ela sorri despreocupada enquanto ele sai fechando a porta.

Deixando um sorriso bobo e uma mulher feliz.

...

O frio de Nova Iorque tinha o pegado de jeito novamente. Ainda que tivesse tomado café e se trocado, não resistiu voltar para a cama. Ela estava tão mais atraente e de um modo apetitosa, que era impossível dizer não. Tanto que ele mal escutou quando a empregada bateu em sua porta lhe trazendo o telefone.

Se sentou na cama, respirou fundo e colocou o telefone no ouvido, escutando uma voz que até mesmo se não quisesse reconheceria.

– Eu só vou pedir para ele fazer isso. — ela dizia meio irritada, provavelmente falando com seu avô — Ora, uma hora ele vai saber. — Daisuke olhou pro telefone, meio intrigado mas fez o menor silêncio que pôde, escutando atentamente o que sua avó dizia.

– Você acha mesmo que vai demorar para o Daisuke descobrir que Sasuke é o pai dele?

O pequeno se viu paralisado, perdido na frase de sua avó. O telefone caiu no chão e seus olhos marejaram. O pequeno coração de Daisuke começou a bater mais forte do que o normal, enquanto ele tentava raciocinar o que sua avó Kushina dizia.

– Meu... O Sasuke... — abriu a boca algumas vezes, sem acreditar no que ouvira. Ainda que, no fundo, algo parecia estar na lugar. Como se o que a sua vó havia dito fosse uma peça final de um quebra-cabeça.

– O Sasuke é meu pai. — ele ainda estava atordoado mas, em meio a toda confusão que sentia, pode-se ver um sorriso de canto em sua face, aquele que só ele e mais alguém tinha.

– Agora tudo faz sentido!

...

Um pouco longe dali...

A ruiva olhava pro telefone intrigada, percebendo que o mesmo mostrava que a ligação havia caído.

– O que foi Kushina? — indagou Minato ainda mexendo em seu guarda-roupa.

– A ligação caiu — disse ela meio pensativa — Ou...

– Kushina... — ele se virou já temendo o que ela diria

– Ah não — sorriu aliviada — Não pode ser nada. Ele não tinha atendido e se tivesse ouvido algo teria perguntado, não acha?

– Verdade — o loiro suspirou — Se algo assim acontecesse...

– Não iria nem querer imaginar o que podia acontecer.

Notas finais
Vesh, será que Daisuke irá contar algo? E agora tem prazo em minha gente e.e Já era meio previsível que eu faria algo assim, pois ainda não está na hora de ele saber de fato tudo. Porém, para não rolar tijolada, digo que a hora está perto. Já até escrevi esse momento u.u Bem, quero pedir a vocês, que dêem uma passadinha em Winter, minha nova fic SasuSaku. Ela é mais comédia e leve, então comentem e me digam se devo continuar. http://fanfiction.com.br/historia/595299/Winter/