Esquecimento

5 A Lembrança Que Uma Frase Trás


Notas iniciais
Queria agradecer as pessoas que estão favoritando e comentando. Sério, fico muito feliz e mais apta a escrever. Obrigada seus lindos. Ficou um pouco longo, então peço desculpas. hoho

Esquecimento

Escrito por Kohana

Capítulo Cinco: A Lembrança Que Uma Frase Trás

Uma pessoa entra em sua vida e, de repente, sua vida muda para sempre.

Demi Lovato — Heart by Heart

Quando achou que nada poderia piorar, o causador de todos seus problemas apareceu. Não pessoalmente, que era o que ela mais desejava. Mas apareceu suficientemente para fazer ela sentir-se nervosa e pronta para matar alguém. Se não fosse por causa dele, essa hora, estaria em Nova York assistindo um belo filme ao lado de seus pequenos. E isso a fazia odiar ele mais do que nunca, se é que era possível. Aquilo era puro capricho de um serzinho egoísta, ou melhor, narcisista. Ele só queria lhe trazer dor e lhe persuadir a fazer o que ele tanto desejava, a atender seu capricho de moleque mimado.

Respirou fundo, queria controle. Queria não desmoronar de novo, não naquele momento. Não estava bem, o dia não fora bem. Cada segundo queria chorar. Ter que ouvi-lo não ajudaria.

Se afastou, pois já sabia o que aconteceria e não queria presentes.

– O que você quer? — Indagou. Estava irritada, queria o ver pessoalmente, mas não por uma causa boa.

Ora, é assim que trata o pai de sua filha?– Como sempre, irônico.

– Eu já disse para não ligar para mim — Repetiu, de várias vezes, sua frase habitual quando falava com ele.

– Eu sou obrigado ligar, temos uma ligação. — ele riu. Apertou o celular, buscando mais ar...

– Nossa ligação é somente o processo, não me ligue. — disse por fim. Estava perdendo as sobras de controle que tinha.

Ah Sakura, pare de ser egoísta. Amenina é mais filha minha do que sua. Ela tem meu sangue, não o seu.– Mais uma vez ele riu, mostrando assim o quanto era bom torturá-la com aquelas palavras.

– A Mia é minha, só minha. — Gritou. Buscar ar não calmaria ela. Estava desesperada, como somente ficava quando ouvia-o dizer aquilo.

A Menina é nossa... — gargalhou

Depois de lhe direcionar uma última frase desligou. Estava doendo, mais uma vez. Não tinha sossêgo, parecia que todos queriam atingi-la. Estava cada vez mais cansada.

Deixou suas lágrimas banharem seu rosto. Caiu sobre o chão. Estava perdendo... Estava perdendo Mia como havia perdido Sasuke. Mesmo que não fosse fugir, não iria. Mas ignorar a dor era pedir demais. Tinha medo. Estava triste, cansada. Tudo estava a perfurando, a matando aos poucos.

Ela só parou de chorar quando sentiu a pequena mão sobre seu ombro. Sorriu para ele, mas não conseguiu parar de chorar. Entretanto, quando o viu, secou suas lágrimas. Se levantou e sentiu-se nervosa com sua presença. Iria pedir-lhe desculpa pela cena, aquele Sasuke não podia lhe ver naquele estado. Mas deixou as palavras morrerem em sua boca quando ele mesmo falou.

Não chore. É doloroso vê-la chorar.

E, mesmo que ainda doesse, não conseguiu mais chorar.

[...]

Correu até ela, mas a mesma parecia não ter o visto, ou fingia não ver. Continuou a andar ao lado dela tentando puxar assunto, mas ela estava calada olhando para outro canto oposto ao seu rosto, com suas mãos cruzadas envolvendo seus dois cadernos sobre seu peito.

– Por que não fala comigo? — Decidiu perguntar emfim. Aquele silêncio estava o incomodando.

Ela não disse nada. Ele parou, fazendo-a parar a sua frente. Notou, quando olhou seu rosto, o vermelho por detrás das lágrimas.

– Por que está chorando? — Indagou. Odiava quando ela chorava.

– Tsc, você faz muitas perguntas. — ela revirou os verdes de seus olhos. Estava irritada com algo, assim ele concluiu.

– Ok, me fale quem é o desgraçado, vou matá-lo — Se irritou.

– Então mate você mesmo, idiota — marmurou. Mas ele pôde escutá-la perfeitamente. Arqueou uma sobrancelha, ficou confuso.

– Como assim, Sakura? — Perguntou depois de uma pausa. Não lembrara de nada de errado que pudesse ter feito.

– Quê? — fingiu-se de desentendida. Ele sabia, pois a conhecia muito bem.

– Por que disse isso? Eu não fiz nada. — ignorou sua cena. Estava mais preocupado com seu comentário do que entrar em uma discussão..

– Como você consegue passar do nível normal da idiotice? — se irritou de vez — Você me surpreende a cada dia mais. — fechou os olhos cerrando os punhos como se quisesse socá-lo.

Se indignou.

– Ei, você que fala coisas estranhas — cruzou os braços.

– Eu? — o olhou incrédula — você que é um... argh... idiota. — deu continuidade aos passos, sendo parada por ele em seguida.

– Ei, você vai ter que dizer o que eu fiz de errado. — a encostou em uma parede que estava perto

– Nunca — virou seu rosto levemente corado.

– Sakura... deixa de ser besta. — apertou-a mais contra aquela parede fria — Eu não fiz nada, e já que não quer me contar, que se dane. — ainda sim, não a soltou.

– Já que é pra eu me danar, por que não me solta? — o olhou com raiva.

– Porque... porque... tsc.. — desistiu. Não sabia o que lhe responder, mas sabia que não queria a soltar. Porém dizer a ela, não era uma opção.

– Me diz — Gritou, sem muito se importar com quem passava.

– Porque... porque dói ver você chorando. — disse por fim. Desviou seu olhar do dela, estava sentindo-se ridículo.

Ela ficou atônita. Não esperava aquilo. Suspirou por fim.

– Você aceitou — disse enfim.

Ele a olhou, mais confuso do que antes.

– Aceitou o que? — indagou a soltando lentamente

– Aceitou o bilhete daquela garota idiota — revirou os olhos se odiando por falar o motivo de seu choro.

A soltou por completo, rindo após isso. Era hilário seu motivo e ao mesmo tempo lhe trazia alívio.

– Desculpa — se recompôs vendo a carranca que ela tinha sobre a face — É que você... — deu uma pausa para rir de novo — Você está com ciúmes?

Ruborizou. Estava envergonhada, era óbvio.

– Tsc — revirou as bagues verdes — Não é isso. Só acho que você merece coisa melhor.

– Eu também acho — Sorriu, voltando a se aproximar dela. — Por isso joguei o bilhete dela fora. — Olhou-a de soslaio, satisfeito pela cor vermelha que tinha sobre seu rosto. Afinal, ela não poderia assustá-lo assim e sair em pune.

– Tudo bem — disse vendo que estava tão envergonhada que não conseguia falar. — É até aceitável você sentir ciúmes, somos amigos. — Sorriu de canto. — Mas, por que chorou?

Não sabia o que responder. Ficou parada, assustada. Sabia que resposta tinha que dar para ele, só não queria a dar.

–Eu... — começou, mas não conseguiu continuar.

– Diga Sakura — a incentivou, porém só pelo seu prazer. Queria ouvi-la dizer, queria escutar o som doce de sua voz dizendo o que ele tanto queria escutar.

– Eu... s-só fique triste... — admitiu e se odiou por isso. Porém, ao contrário do que achou, ele ficou quieto e não demonstrou nenhuma expressão debochadora em seu rosto.

– Você... — pigarreou — gosta de mim? — O olhou nos fundos dos olhos, que estavam pouco arregalados. Aquilo a havia pegado de surpresa. — Diga, ou eu irei entender seu silêncio como um sim.

– Não! — Mentiu sem pensar. Tinha medo da rejeição, tinha medo do não que seus lábios poderiam proferir.

– Ok. — se afastou dela. Não era bem isso que queria ouvir.

O viu se afastando. Tremeu. Olhou ao redor. Quis ignorar a sensação de abandono que sentiu. Mas era inevitável.

– Se... — Começou, tirando coragem sabe se lá de onde. — Eu dissesse outra coisa, o que diria? — Fechou seus olhos, sentindo a tremedeira tomar conta de seu corpo.

Ele parou e, ainda de costas, disse:

– Te chamaria de idiota. — Riu, imaginando como estava seu rosto. — Perguntaria o porque de nunca ter me contado. — Virou-se, vendo-a a figura aflita a sua frente. — E, por fim, diria que também gosto de você.

Se viu atônita. Sonhou muitas vezes com ele lhe dizendo isso, porém nenhum sonho foi tão bom quanto a realidade. A tremedeira foi embora. O nervosismo se esvaiu. Era correspondida afinal.

– Desde quando? — perguntou por fim. Ele sorriu e se aproximou mais dela.

– E isso importa? — tocou-lhe o rosto — O importante, não para mim, é que sou um homem rejeitado. — Ela sabia o que ele queria. E, depois de revirar os olhos, deu-lhe a honra de dizer em voz alta:.

– Eu gosto de você, Sasuke.

Sua mão, até então no rosto dela, desceu até sua nuca, á puxando contra seus lábios. Sorriu quando sentiu a textura deles. Sonhou com o gosto, mas senti-los não tinha comparação.

Sentiu sua língua averiguar sua boca. Sorriu, como ele havia feito. Era inebriante a sensação de puxar-lhe os lábios, de sentir seus lábios mordidos, de dançar com a língua dele.

Uma sensação única. Algo aquecia no peito de ambos, era delicioso.

– Eu também gosto de você. — Disse a ela, após o ar faltar-lhe.

– Eu já sei. — riu, voltando a beijá-lo. Sentindo de novo, a sensação de seu primeiro beijo.

Seu primeiro beijo com Sasuke.

[...]

– Mãe? — lhe chamou seu filho. Acordou, enfim, de suas lembranças.

– Daisuke... — murmurou olhando-o. Subiu seu olhar de volta e encontrou o par de ônix a olhando também. — Sasuke?

– Vejo que não se esqueceu do meu nome. — ele sorriu galanteador.

Nunca esqueceria.– quis dizer. Mas se limitou apenas sorrir, se recompondo enfim.

Estava indiscreta, sabia disso. Mas queria olha-lo mais, gravar sua fisionomia. Vê-lo era tão... relaxante.

– Eu... você está bem? — Ele perguntou. Ela sorriu extasiada. Ele estava preocupado. Não que ela não soubesse, afinal era de sua natureza ficar preocupado com estranhos.

E ela era um estranha

Estava bem? Não sabia. Estava tudo misturado dentro dela. Vê-lo era bom, mas ele não a conhecia e isso era ruim. Lembrar disso fazia a dor voltar. Entretanto, vê-lo ali, sorrindo de um jeito discreto, camuflou um pouco desse sentimento. Ainda que soubesse que ela estava ali dentro, em algum lugar. E isso, ela não pôde ignorar.

– Sim. — mentiu. — Daisuke, porque não vai ver se sua ir irmã acordou? — olhou para seu pequeno príncipe. Não queria ficar sozinha com Sasuke, mas também não queria preocupar seu filho.

Ele assentiu, ainda que não estivesse seguro se ela estava mesmo bem. Antes de correr ela ainda lhe beijou o rosto.

– Seu filho vai ser um grande homem. — Ouviu ele dizer.

Seu filho

Repetiu aquela frase na sua mente. Respirou, aos poucos o nó formava-se de novo. Virou seu rosto para o outro lado, não queria olhá-lo. Iria chorar, tinha consciência disso, afinal, desde que chegou ali, era só o que fazia. Era inevitável, aquela frase doeu-lhe profundamente. Afinal, era do filho dele que ele falava.

– Sim, ele será. — suspirou pesada.

Virou seu rosto para ele novamente, ele a observava. Ficou presa em seu rosto, notando como o tempo lhe fizera bem. Era um homem, enfim. Um homem lindo que, se nada tivesse acontecido, estaria ali como seu marido. Mas não, ele não estava ali como tal. Estava ali como Sasuke: Filho de seus tios, cujo era a primeira vez que o via. E ela era Sakura: filha dos tios de consideração dele. Sendo também, a primeira vez que a via.

Admitir àquilo era tortuoso. Pensar naquilo e em como isso estava em sua cabeça era, em si, tortuoso e doloroso.

– É melhor eu ir. A gente se vê depois. — Falou, andando a diante, sem ao menos pensar em olhar para trás. Fez isso uma vez, não era mais difícil do que ter que ficar em um mesmo lugar com ele, ainda por cima sozinha. Todavia, parou quando a voz firme e viril dele se fez presente.

– Quer dizer que verei você de novo? — perguntou com um sorriso, pouco se importando se estava sendo indiscreto ou inconveniente. Queria vê-la de novo. Era quase desesperador sua vontade.

Fechou os olhos. Apertou o vestido branco que usava. Quis esquecer ou fingir que ele disse aquilo. Mas, enfim, sua mente sabia muito bem que era real, pois não cansava de repetir aquela frase monótona.

– Talvez. — Fora tudo que disse, ainda de costas. Não ousou a se virar. Se o fizesse, correria para seus braços em busca da cura de sua dor que, afinal, estava em seu colo. Andou novamente, antes que perdesse o controle. E, sobre tudo, não ousou a olhar para trás.

Não ousou a olhar para ele.

Sorriu minimamente. Não queria que ela fosse embora, queria que ficasse ali. E não era de fato a resposta que queria, mas, ainda sim, ficou feliz pela gota de esperança que sentiu.

Realmente espero te ver de novo.