Olho-me no espelho. Cabelo, ok! Maquiagem, ok! Roupa, ok! Desço as escadas com cuidado excessivo, não quero que ninguém me veja saindo. Um grande desafio com esses sapatos...

– Lauren? Filha!

DROGA! DROGA!

– Sim mãe?

– Onde você pensa que vai?

Vejo minha mãe no final do corredor, olhos acusadores...

– Mãe, estou indo a festa de despedida da Cíntia, esqueceu? Ela vai embora para a Alemanha...

– Eu sei bem, você falou nessa festa a semana toda mas, pensei ter deixado bem claro que não quero você fora de casa a noite! Lauren você esta se esquecendo que estamos prestes a uma terceira Gerra Mundial? Não é...

–MÃE! Eu já ouvi mais de mil vezes essa história que o mundo não é seguro, pessoas somem, mas... Olha, eu só tenho 18 anos e eu quero viver! Não tenho culpa se o mundo é a merda que é mais eu realmente quero viver e não há nada que a senhora fale que me fará mudar de ideia... Ok! — Estou indo, não tenho hora para chegar!

Amo minha mãe, respeito ela e até entendo sua preocupação porém eu realmente quero viver. Meu pai trabalha todas as noites e meu irmão é um pirralho de 13 anos que dá mais trabalho que um time de basquete... Preciso sair. Estudo a semana toda, carrego nas costas o peso de estudar para ter um futuro melhor para mim e minha família. Preciso viver, preciso descansar.

Pego a chave do carro, saio sem olhar para trás.

Meia hora depois estou em frente ao prédio de Cíntia. A festa será no condômino dela mesmo, minha mãe ficou nervosa e preocupada a toa. Pego o celular e decido ligar para minha mãe, deixa-la tranquila, não custa nada... Saio do carro e faço a ligação enquanto aguardo o porteiro liberar minha passagem.

E então...

Dois homens altos e fortes com capuz se aproximam de mim, puxam meu braço e me deixam imobilizada. Estou em pânico!Estou em pânico!Estou em pânico!Estou em pânico! É a única coisa que penso.Estou em pânico!

– Solte-me! Solte-me!

Eles mal olham para mim! É como se eu não fosse nada, apenas um monte de merda! Sinto-me enjoada, minha mãe! Meu pai! Quero eles, preciso deles!

–Solte-me! Por favor, não tenho dinheiro, levem o carro, levem qualquer coisa mais me deixem, não tenho dinheiro!

–Cala a boca! Ou eu vou estourar seus miolos e não to nem ai para as consequências!

Sinto uma dor horrível na cabeça, queimando, gritando. Levo um soco no estomago e fico sem ar... Penso que esse deve ser meu ultimo minuto, não sobreviverei a isso. Sinto o gosto de sangue na minha boca, eles me puxam para frente e eu consigo ver meu reflexo na cabine da portaria. Uma garota magra, com olhos aterrorizados e muito muito muito sangue saindo do corte profundo em minha testa... E de repente o mundo inteiro se foi.