Esquecer você

11 Parte II - Plano


Notas iniciais
Será que a ideia da Molly vai dar certo? Se acalmem, meninas... Sherlock voltará em breve... hahahahaha Nos próximos capítulos ele fará uma participaçãozinha... O bicho está pegando em Londres, ele anda ocupado... u.u

Algumas semanas após a formulação de seu plano, Molly foi até o banco referente à conta que Mycroft abrira para ela e solicitou cheques. Iria dar início a sua ideia, que parecia completamente capenga. Mas ela não conseguia mais ficar parada, era a melhor chance que tinha.

Observou seu vizinho por um longo período. Ela era habilidosa em observar pessoas. Não era só Sherlock que tinha certas qualidades. O que viu durante todo esse tempo a animou. Ele era jovem, jovem demais. Parecia inexperiente e talvez um pouco ganancioso. Molly descobriria hoje.

Tinha retirado pequenas quantias de dinheiro de sua conta nas semanas que passaram. Tinha um valor razoável em mãos. Seria útil para comprar sua passagem e reservar um hotel quando saísse do país.

Voltando do banco, foi direto até a casa do seu vizinho e tocou a campainha. Ele pareceu surpreso ao vê-la ali e foi até o portão recebê-la.

– Oi, bom dia.

– Bom dia.

– Aconteceu alguma coisa? – Ele estava curioso. E com medo. O que ela poderia querer ali? Calma, ela é só sua vizinha.

– Posso entrar... Hum... Eu não sei o seu nome.

– É Marcos. Você... Quer entrar? – Molly notou com uma alegria crescente que ele esquecera-se de perguntar seu nome. Outra falha.

– Sim, preciso conversar com você.

Ele deixou que ela entrasse. Cada vez mais desconfiado. Não conseguia decifrar o que raios a mulher que ele devia vigiar estava fazendo ali em sua casa. E sorridente ainda por cima.

“Cuidado com Kate Hastings.” Mycroft o tinha avisado. “Ela dobrou meu irmão, e isso o prova o quanto ela pode ser inteligente.”

Quando já estavam na sala da casa, Molly virou-se para ele, ainda sorrindo.

– Vamos direto ao assunto. Eu sei que você é pago para me seguir. – Se estivesse enganada, faria papel de louca. Mas, pela expressão de Marcos, ela tinha acertado.

– Você está passando bem?

– Por favor, não tente mentir. Estou há nove meses observando você quando você acha que me segue sem que eu saiba. – Mycroft tinha razão sobre essa maluca.

– Eu realmente não sei do que você está falando.

Marcos era um morador local. Molly não sabia qual exatamente era sua função e porque Mycroft o contratara. Devia ter um cargo importante e ser confiável. Mas algo dizia a ela que ele cederia. Precisava acreditar nisso.

– É uma pena que você não saiba. – Ela disse enquanto tirava um cheque já preenchido de sua bolsa. – Esse é o valor que eu pagaria para que você fechasse os olhos e a boca.

Molly divertiu-se ao vê-lo engasgar e prender a respiração quando olhou o valor. Talvez o dinheiro de Mycroft não tinha vindo em tão má hora. Isso porque era só a metade.

– Então, Marcos, podemos ser melhores amigos?

Marcos sabia que ela tinha mesmo o dinheiro. Era de conhecimento dos envolvidos em vigiá-la que Mycroft depositou um enorme valor em uma conta pra ela. Mas nunca imaginou que Kate usaria o dinheiro daquela forma.

– Você não vai conseguir escapar deles por muito tempo. Você sabe disso, não sabe?

Ela assentiu devagar. Até que enfim ele assumiu o que fazia ali.

– Sim. Eu sei. Mas não me importa. Qualquer tempo serve pra mim. Preciso que você fique nessa mesma casa e comunique-se como se eu estivesse aqui. Imagino que seja uma missão bastante chata essa sua, de me vigiar. Então, continue com ela só por mais algum tempo. Quando descobrirem tudo, você pode partir. Terá dinheiro suficiente para se aposentar.

Sabia que estava sendo totalmente insensata em quebrar seu acordo com Mycroft. Mas não pretendia voltar a Londres. E também não iria atrás de Sherlock ou dos seus amigos para anunciar que estava viva.

Molly iria para uma cidade próxima a Londres e se candidataria para ajudar no hospital local. Queria se sentir útil, salvar vidas das pessoas que podiam ter feito parte de sua vida. Não aguentava mais o sentimento de impotência. Precisava fazer algo. Sabia que seria descoberta rapidamente, mas qualquer coisa valeria a pena. O que não poderia fazer era continuar vivendo como estava.

– E o que você vai fazer quanto ao casal que cuida de você? Vai pagá-los também?

Marcos a tirou de seus devaneios. A pergunta dele também era uma preocupação para ela. Com eles, iria arriscar mais do que um dinheiro que não era dela. Para eles diria a verdade.

– Não é da sua conta. Temos um acordo? – De novo essa palavra. Seu coração dava um salto toda vez que a ouvia.

– Sim. Nós temos um acordo, Kate.

Ela suspirou ao ouvir esse nome, como sempre fazia. Mesmo passado um ano, ainda era totalmente estranho ser chamada assim.

– Eu volto com o cheque quando tudo estiver arranjado. E se eu desconfiar que algo falhou porque você abriu a boca, uso todo o dinheiro para contratar alguém para te matar.

Dito isso, Molly virou às costas e saiu com elegância da residência de Marcos. Deixando-o de boca aberta.

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Até que fora fácil. Molly pensava enquanto ia para a sua casa. Mas não era pra menos, aquela quantidade de dinheiro seduziria a maioria das pessoas. Agora vinha a parte mais difícil. Dinheiro não funcionaria com aqueles dois. Eram pagos para cuidar dela, mas não aceitariam ser comprados por ela dessa maneira.

Ela poderia inserir algo na bebida deles para que dormissem. Mas isso só daria tempo para que ela pegasse o avião. Mal desembarcaria e Mycroft já estaria atrás dela. Fora que a ideia de trai-los afundava seu coração.

Não, teria que dizer a verdade. Era um risco alto. Eles poderiam virar as costas e contar para Mycroft. Mas que escolha tinha? Se ela estivesse certa, eles gostavam dela da mesma forma que ela gostava deles. E a tinham como uma filha. Tinha que funcionar.

Chamou-os para jantar e cozinhou para eles. Ao contrário de como foi com Marcos, onde se sentia segura e confiante, agora estava com medo e nervosa.

Jantaram em harmonia, mas Molly reparou que eles perceberam que alguma coisa estava errada. Quando sentaram-se na sala, eles ficaram no aguardo de que ela contasse o que tanto a preocupava.

Ela respirou fundo quando começou a dizer:

– Peço que me escutem antes de me julgarem, por favor. E tentem compreender o meu ponto. – Eles assentiram, aflitos. Então ela continuou.

– Quando fazia mais ou menos três meses que eu estava aqui descobri que o meu vizinho me vigiava. – Eles arregalaram os olhos. – Sim, eu sei que vocês sabiam o tempo todo e não podiam me contar. Não estou cobrando nada, vai fazer sentido quando eu terminar de contar.

Ela bebericou do suco que tinha trazido consigo antes de continuar.

– Fiquei quieta e continuei observando-o, eu nada podia fazer quanto a isso, mas achei que poderia ser uma informação importante para o futuro. Tenho acompanhado os noticiários da Inglaterra e sei que as coisas por lá estão cada vez piores. Pessoas estão morrendo todos os dias e, enquanto isso, eu estou aqui. Confortavelmente instalada em uma casa perfeita, vivendo uma vida segura, longe das bombas e tiros que estão matando a todos. – Nesse momento lágrimas começaram a surgir nos olhos dela e Molly tentou afastá-las com a mão. Robert e Fran continuavam a olhar para ela com compaixão.

– Eu não aguento mais isso. Não quero estragar o acordo que fiz com Mycroft, mas não posso mais ficar aqui sem fazer nada. Tem um hospital em Doncaster que está aceitando médicos e enfermeiros para ajudar com os pacientes feridos nos atentados. Eu quero me inscrever e ir para lá. Sei que Mycroft não me dará muito tempo, mas não me importo. Eu só quero me sentir útil pelo menos por um dia. – Ela fez uma longa pausa, com os olhos fixos na pequena estátua do Big Ben.

– Eu comprei o rapaz que deveria me vigiar. Ofereci metade de todo o dinheiro que Mycroft colocou naquela maldita conta. Ele aceitou. Mas eu não podia fazer o mesmo com vocês. Sei que vocês são pagos para virem me visitar e me ajudarem. Mas agora é que eu realmente preciso de ajuda. Preciso que vocês não avisem a ninguém quando eu partir. Mais cedo ou mais tarde me encontrarão. Mas tudo que eu peço é que não me entreguem antes do tempo. – Molly chorava copiosamente agora, abaixou a cabeça e tampou o rosto com as mãos.

– Kate... – Fran a chamava pelo nome que ela odiava e ela não respondeu. Sentia que seu plano ia por água abaixo. – Molly?

Isso a surpreendeu. Fazia tanto tempo que não ouvia seu próprio nome. Levantou os olhos e viu que Fran estava agachada perto dela.

– Molly... Esse nome combina mais com você. – Fran sorria docemente para ela. – Mycroft nos pagou sim. E pediu informações de como você se adaptava ao país quase que todos os dias. Mas ele nos dispensou, querida. Ele parou de nos pagar já faz mais de quatro meses. Achou que você já podia caminhar sozinha e que só Marcos daria contar de vigiar você. – Ela riu abertamente nesse ponto. – Você foi tão esperta. Nós nunca imaginamos... Estou orgulhosa de você!

Molly a encarava embasbacada. Atrás de Fran, Robert sorria e concordava com o que a esposa dizia.

– Mycroft pediu para não contarmos que nós não éramos mais empregados dele. Mas, agora, já estou de saco cheio de receber ordens também. Nós teremos o maior prazer em encobrir você, amor. Não é, Robert?

– Sim, você é como uma filha para a gente, Molly. – Os olhos deles brilhavam.

– Desde que você em contou sua história, tudo que eu mais quero é vê-la sorrir de verdade novamente. Quero que você seja feliz. E se ir para essa cidade fará isso por você. Então, vá!

A surpresa de Molly foi tanta, que por um momento ela desconfiou de sua audição. Por fim, soltando a respiração, se jogou nos braços de Fran.

– Obrigada! Meu Deus, obrigada!

Correu e deu um abraço também em Robert. Como estava grata a eles e tudo que fizeram por ela até agora. Fazia tempo que não chorava lágrimas de felicidade. Seu coração parecia querer saltar de seu peito.

– Nós estaremos aqui quando Mycroft mandar você de volta. – Fran ria, dando outro abraço em Molly, que riu também. Sentia-se verdadeiramente feliz depois de um ano se martirizando. Finalmente ela tinha esperanças.

Notas finais
Próximo capítulo é dos meus queridinhos... Aguardo reviews para postá-lo... hauahauahau