Notas iniciais
Queria agradecer a todo mundo que leu, acompanhou, criticou (esses nem tanto... kkkkkkkk), deu ideias, apoiou, vibrou, etc, etc, etc... Vocês todos me fizeram uma pessoa feliz! o/ Agradecimentos a todas que estiveram sempre comentando por aqui, do começo ao fim: WeepingAngeldb Juliana Leite Irene Beauregard Ingrid Andressa ER Martha Hudson Roswell Bloodstained Mariana De Castro GabrielaGQ Gaby Potter Winchester Leeila Diva heynanyyyyyyyyy Cah E especialmente a Nanny e Suellen Regina, pelas horas no chat, cobranças e pressões infernais! Love you two. Ou melhor, Sherlock is actually a girls name...

Estamos na sala do apartamento em Baker Street. Faz apenas duas semanas que voltamos. Passamos mais de seis meses em viagens por todas as praias que sejam possíveis de imaginar. Tudo financiado pela generosidade do meu querido irmãozinho.

Molly está sentada na poltrona que um dia foi de John, mas que agora conta com uma decoração peculiar. A observo, em silêncio. Faz frio, a lareira está acesa e ela está analisando qual peça mover em nosso jogo de xadrez. Eu já sei qual vai ser a jogada dela, mas finjo que não. Assim posso olha-la por mais tempo.

Nós partimos da casa em que ela morava no nordeste do Brasil dias depois. Ela aceitou abrir mão do emprego, disse que não fazia mais sentido ficar ali. Acho que se ela quisesse ficar, eu teria ficado. Não consigo mais enxergar minha vida sem ela.

Ok, isso está ficando meio piegas demais.

Fomos para outras cidades, outros estados. E antes de sairmos do país, nós fomos para a cidade onde ela tinha morado logo que se mudou para o Brasil. Molly me apresentou para Robert e Fran. E, devo assumir, eu estava extremamente grato por tudo que fizeram por ela.

Nós ficamos por poucos dias e partimos. Agora, definitivamente, seriamos só nós dois.

Eu recebia diariamente uma tonelada de mensagens de John ou de Mary. Mycroft tinha decidido que era hora de manter a boca aberta e contou para todo mundo que Molly estava viva. Então, me transformou em vilão por deixá-la afastada de todos. Não que eu tenha me importado muito. Não estava mantendo em segredo que a queria só para mim.

Mas, para provar que eu era bonzinho, deixei que ela conversasse com eles pelo telefone uma vez. Enquanto aguardava ao lado com impaciência, é verdade.

Passamos por diversos países, diversas culturas, diversas línguas. E me surpreendi quando percebi que não fiquei entediado nem por um segundo. Minha vida tinha se transformado a níveis profundos. Agora, tudo que passou parece fazer parte de um mundo diferente, de um tempo diferente.

Quando finalmente voltamos a Londres, vi que Molly ficou emocionada já no aeroporto. Ela apertou minha mão com tanta força que chegou a doer. Claro que eu nunca assumiria isso, mas doeu.

Ao chegar no 221B ela o olhou com tanta adoração que por um segundo pensei que ela estivesse olhando para o Taj Mahal. Podia passar o tempo que fosse, Molly sempre me surpreenderia.

Mal pisamos no apartamento e ele foi invadido por John e Mary. Invadido mesmo. Como se estivesse pegando fogo e eles precisassem nos salvar. Enquanto Mary pulava nos braços de Molly, John olhava me repreendendo. Como se ficar com a mulher que eu amo fosse algum tipo de crime. Tive que esperar longas horas para que eles finalmente fossem embora e eu pudesse levar Molly para o meu quarto. O que foi? Ela que me transformou nisso, não posso fazer nada.

Aliás, devo corrigir a informação. Agora é nosso quarto. Convenci Molly que ela poderia morar comigo enquanto não achasse um novo apartamento. Não sei se ela realmente acredita que a deixarei partir algum dia. Acho que estamos só fingindo que acreditamos um no outro para não oficializar que estamos morando juntos definitivamente.

Ela conseguiu o emprego no St. Barts de volta. Disse que salvar vidas dava muito mais trabalho que analisar os mortos. Mas eu sei, e ela também, que trabalhar ali nos manterá mais próximos. Somos mais que um casal agora. Somos cúmplices.

Por sinal, isso me lembra outra coisa...

Dias depois que voltamos, Mycroft veio até o apartamento para trazer os documentos oficiais de Molly. Ela tinha ficado bem ressentida por ter feito todas as viagens como Kate Hastings. Péssima escolha de nome por parte de Mycroft, devo acrescentar.

Quando vi meu irmão, confesso que não senti a raiva que esperava. Meus últimos meses tinham sido tão bons que ver a cara de Mycroft era como ver um mosquito. Sempre irritante, mas não o suficiente para fazer eu me mexer muito.

Enquanto ele explicava todos os procedimentos necessários, tudo que eu ouvia era um grande “blablabla”. Molly serviu chá para todos nós enquanto ouvia atentamente tudo que ele dizia. A encarei espantado, não esperava essa amabilidade vindo dela.

Quando ele foi embora, vi a expressão até então serena de Molly se transformar em algo perverso. Parecia uma criança que tinha acabado de aprontar.

Sentei em minha poltrona, de frente para ela. Silenciosamente indagando “o que?”. Ela sorriu abertamente e me jogou um frasco. E então, quando li o invólucro, eu ri. Ri tanto que minha barriga doeu.

Como não amá-la? Molly tinha colocado laxante no chá de Mycroft!

Uma vingança resolvida de um modo bem adulto. Eu podia ter encontrado cúmplice melhor? Com certeza não.

Volto ao presente. Ainda admirando-a. Ela morde o lábio enquanto pensa em qual peça mover. Isso mexe comigo. Acho que ela sabe o efeito que causa e está fazendo de propósito.

Molly. Minha doce, esperta, sedutora e envolvente Molly. Poderia citar mais tantos outros elogios. Às vezes penso que poderia ficar o dia pensando em palavras para defini-la e nunca seria o bastante.

Ela ergue os olhos em minha direção e vejo aquela explosão de sentimentos vindo dela sempre que me olha com esses olhos castanhos que fazem com que eu perca o chão.

– Eu sei que você vai ganhar de mim, Sherlock. Não pense que não sei que você lê minhas jogadas antes que eu as faça.

Inteligente. Eu sorrio de volta para ela. Um sorriso que espero ter sido inocente. Ela revira os olhos e se inclina para mover a peça. É o suficiente para que a pequena gargantilha dourada que ela está usando caia para fora da blusa. O pingente é um pequeno violino. Um presente meu para ela. Nunca mais a vi tirar a gargantilha desde que a presenteei.

Essa imagem é o bastante para mim. Com um rápido movimento derrubo todas as peças do xadrez. Não quero mais saber desse jogo. Puxo-a para mim e caímos no chão. Ela ri. E seu riso é o meu maior combustível.

A lareira nos mantém aquecido enquanto lentamente nos livramos de todas as peças de roupa.

– Você estragou o jogo. Justo agora que eu achava que ia ganhar, Sherlock.

Ela suspira quando diz isso, fingindo estar chateada por eu ter estragado o jogo. Começo a beijar seu pescoço e sei que isso vai fazê-la desmoronar em meus braços. Sussurro em seu ouvido.

– Se você quiser, a gente continua jogando.

Ela me beija. Com calor. Suas mãos correm pelas minhas costas, parando em meus cabelos.

Então eu sei, com toda certeza, que não voltaremos ao jogo por longas e prazerosas horas.

Notas finais
Momento despedida... Dorzinha no coração... :'( A boa notícia é que "Perder Você" ganhou uma continuação, que começa HOJE: http://fanfiction.com.br/historia/484443/Nunca_Perderei_Voce/ Espero que acompanhem e gostem tanto quanto essa! o/ Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!