Passei o ano desenhando O Espírito do Instinto, aquele que só deduz o alvo pra acertar a caça, sem planos ou técnicas, no puro instinto. Não é de pensar muito, é mais de ação. Animalesco, como a pele que cobre o seu corpo e os ossos adornando o topo da cabeça com chifres, as orelhas com brincos e o pescoço com um colar.

A tinta retirada de uma semente específica. Desenhos peculiares que te faz pensar mais em ser de outro mundo, são formados sobre a pele coberta com arranhões de arbustos. De outro mundo, porque talvez Instinto saiba que pertence a algo muito maior.

No interior de uma baleia, percebeu o quanto era pequeno.

E ainda pensou

que algo menor podia estar dentro de si.

O vento cortante da madrugada, balançando as árvores, subindo pó e areia; a voz d'O Espírito da Natureza lhe dizendo que seu raciocínio estava certo.

E até mesmo a sua mãe Natureza, que era o mais infinito que o Instinto poderia imaginar, fazia parte de algo maior.

Eu, que sou um mero mortal, me desdobrei nesse ano e agora eu só consigo pensar que sou uma pessoa capaz de se adaptar com o inadaptável. O mundo pode mudar de clima, o sistema educacional reformulado ser mais rígido, os líderes sendo trocados, as guerras acontecerem e cessarem e acontecerem de novo, uma nova pandemia surgir — de repente um apocalipse zumbi. Eu estou pronta.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!