Espírito das Sombras
1 Novo Emprego
Notas iniciais
Nova fic.
Deixem reviews xx
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Toda história tem um começo, um meio e um fim. Menos a minha. A minha tem um começo, um meio... e um limbo.
Meu nome é Charles Madison, e eu sou um semi-vivo.Não, eu não sou um vampiro. Nem um zumbi, isso seria realmente ridículo. Eu apenas estou em coma e virei um espírito. Agora eu fico vagando pelos corredores do bendito Hospital Clínico de Sacramento.Como espírito, devo dizer que vagar sozinho é uma tarefa árdua e solitária. Como humano, com corpo físico, devo dizer que é sombrio, assustador e sem noção.É sério, as pessoas te atravessam e sequer pede desculpas, então você vai reclamar e BUM! Elas não te ouvem, sequer vêem você. Absurdamente deprimente.Um dia, durante o tempo em que não estava com minha família, que vinha periodicamente me visitar, fui até o telhado para observar a vista. Então, uma mulher que aparentava no máximo uns 30 anos, com pele pálida, cabelos brancos e olhos negros aproximou-se e sentou.- Olá, Charles. – Arregalei os olhos e a encarei em choque. – Ah... Você não me reconhece? Significa que vai viver... Isso é bom. Eu acho.- Como você pode me ver? – Perguntei, ainda em choque e tentando entender que diabos ela estava dizendo.- Eu tenho várias facetas, garoto. Para você, eu sou a Morte. – Arqueei uma sobrancelha, esquecendo do meu choque momentaneamente.- Morte? Tipo, A Morte? Aquela dos desenhos?- Essa aí mesmo.- Não. Não mesmo. Impossível.- Se fosse impossível, você não estaria nesse telhado, mas preso no seu corpo. Agora cale a boca e me escute.- Grossa... – Resmunguei, mas ao sentir o olhar gélido da... mulher ao meu lado, calei-me e a encarei esperando.- Bem, como eu já mencionei, sou a Morte. A Morte. E tenho um acordo a fazer com você. — assenti e ela continuou, desta vez mais cautelosamente. – Eu tenho vários... Assistentes, por todos os lugares. Sabe como é, tem muita gente morrendo, muitas viagens temporais para recolher as almas... qualquer dia abro um buraco de minhoca que vai destruir o mundo. – ela murmurou alguma coisa pra si mesma e suspirou. – Enfim, eu quero que você seja meu assistente enquanto está em coma. - Por quê? Quero dizer, tem pelo menos mais umas cinco pessoas em coma aqui. – Ela fez uma careta, mas logo disfarçou e seu rosto voltou a ficar impassível.- Porque eu quero você. Agora, se você aceitar, deve saber: a maioria dos humanos não vê você, mas existem algumas exceções, e estes são extremamente perigosos. Eles têm essa coisa de temer a morte e blá blá blá. Enfim, eles acharam um jeito de se livrar de nós. - Eu tenho uma escolha? – Perguntei, considerando a hipótese. Seria áalido poder sair dali... – Se eu conseguir acordar...- Não vou te prender, Charles. Se você puder voltar, volte, não posso privar ninguém da vida, embora tenham privado a minha tantos anos atrás. Não sou um espírito vingativo, afinal.- E como funciona? Eu simplesmente apareço nos lugares? – Ela deu uma risadinha e balançou a cabeça.- Você será designado para uma região. Por exemplo, Califórnia, Nevada e Arizona. Então, quando alguém morre, você se sente atraído por aquele lugar e em questão de segundos, aparece lá. É muito simples, apenas não resista. Então, você aceita sair daqui?Eu respirei profundamente. Alguma coisa me dizia que era o certo, apesar de que eu não conseguia me imaginar recolhendo... Pessoas? Almas? O que quer que seja. Mas a vida é uma aventura e...- Pare de ponderar e responda, garoto; estou recebendo chamados no Brasil. Alagamentos, deslizamentos, atropelamentos, tiroteios... por Deus, se é que posso nomear o cara lá de cima – zombou – bem que o governo daquele país podia tomar jeito. - Tudo bem, tudo bem. Eu aceito. – Ela sorriu alegremente. - Ótimo, ótimo. Agora, vá pra San Diego, acabaram de assassinar uma mulher lá. Agora, lembre-se. Você tem que ser rápido, senão o espírito se desprende e se torna rebelde e nós não gostamos disso, porque eles infernizam os vivos. Cuidado com os que tem visão. Ah, se um espírito escapar, você vai precisar de uma arma de balas infernais. Já esta no seu bolso. Não a perca de maneira nenhuma. Agora vá, menino, temos mortos para recolher.Com um mínimo estalido, ela sumiu. Eu me encontrava sozinho novamente. Seria plausível até dizer que foi tudo um sonho, se eu não fosse imaterial. Suspirei e deixei um puxão quase desconfortável me levar. Por alguns segundos, me vi rodando aleatoriamente como um pneu desgovernado até que de repente tudo parou. Me vi em um beco sem saída perto de um bar. Uma poça de sangue grande o suficiente para colocar os dois pés em cima me indicou onde encontrar a moça. Cabelos castanhos curtos e olhos azul escuro vidrados, a boca aberta em uma tentativa de grito. A bolsa estava rasgada, os objetos pessoais jogados de qualquer jeito ali por perto. Primeiramente, senti náuseas. Então tive ânsia e me toquei de que não poderia vomitar. Respirei fundo, porém o fétido cheiro de sangue preencheu minhas narinas, coisa que não ajudou em nada. Então, prendi a respiração e parei para pensar o que deveria fazer.Estender a mão e esperar que algo flutuasse em minha direção? Colocar a mão dentro do corpo dela esperando encontrar algo além de órgãos?
- Me lembre de reclamar com ela depois... – Murmurei para ninguém. – Certo então, moça, não posso me demorar muito mais. Você vai vir até mim ou o que? – Nada. Certo, eu realmente me senti estúpido depois disso.Me abaixei lentamente, esperando não me sujar de sangue. Realmente não queria aquele cheiro em mim. Coloquei a mão em cima da barrigada da pobre moça. Ela passou direto para o chão e logo me vi até afundando no chão. Afastei-me rapidamente e ofegante sentei no chão. Escondi o rosto nas mãos.- Certo... Chamar não, tentar pegar a alma não... – Aproximei-me novamente do corpo e deixei minha mão suspensa sobre a testa dela e imaginei um fio de prata indo para minha mão.Foi com surpresa que constatei que a tentativa estúpida havia dado certo. Sorri, e achei em meu bolso um pequeno pote de prata onde hospedei a alma da moça.Fiz uma breve saudação para o corpo, mesmo que desta vez realmente não houvesse mais nada lá, e deixei que o puxão me levasse até minha próxima vítima.
Notas finais
Reviews, não custa nada.
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