Esposa De Um Estranho
4 Ele é Completamente Louco
Notas iniciais
Quando Sakura ouviu as últimas palavras “seu marido”, a primeira coisa que lhe passou pela cabeça é que ele é completamente louco e que os jornalistas deixaram essa importante informação passar, a reação dela foi gargalhar até a sua barriga doer, porém, quando observou o homem sério a sua frente, ficou séria rapidamente e perguntou debochada.
—Você... é o meu marido?
—Sim, Sakura. Sou o seu marido. – ele respondeu a encarando. Ele observou que a expressão animada do rosto dela sumiu e começou a ficar em pânico. Ela começou a balançar a cabeça em negativo, não aceitando isso. Não podia ser verdade.
—Não... isso é impossível, eu não sou casada, nunca me casei. – ela disse balançando os dedos em negativo.
—Sakura, que brincadeira de mal gosto é essa? Já acabou! Não tem como escapar, eu finalmente achei você. – Sasuke disse se aproximando dela.
—Eu não estou brincando com você, eu sinto muito, mas você deve estar me confundindo com outra mulher e causando um mal entendido. – ela disse nervosa e tentando de alguma forma achar alguma desculpa que tente pelo menos apaziguar o mal entendido que aquele homem estava causando, ela casada? Oras, desde quando?
Sasuke On
Não podia ser brincadeira, não podia ser mentira. É impossível isso, ela está nervosa demais, se ela realmente me conhecesse iria dizer quem é, se explicar, mas ela não fez nada disso, continuou ali. Eu a ouvia dizer que nunca se casou, que eu não era casado com ela, que ela não se lembra de mim. Ela tinha que entender que ela era sim e ela tinha que se lembrar, me aproximei dela e a peguei pelos ombros.
—Não, Sakura Uchiha, eu sei bem quem você é, você é a minha esposa, que me abandonou a três anos atrás. – eu disse a chacoalhando. – Se você desistiu de mim no primeiro ano, tudo bem, eu entendo, porém eu mereço uma explicação.
—Eu não sei... eu não me lembro. – a ouvi sussurrar, seus olhos verdes brilhando olhando para mim.
—Foi por outro? Você se apaixonou por outro e me largou? – perguntei e não sabia se queria saber disso. – Por favor, me responda.
—Não, eu jamais o enganaria, jamais o faria de tolo... eu não me lembro de você!
—Por que, Sakura? Por que? – perguntei sussurrando, ela me encarava, ela inclinou a cabeça para o lado e olhava a minha boca e depois para os meus olhos, os olhos dela encheram-se de lágrimas e ela parecia estar triste.
Alguém abriu a porta bruscamente, quando olhei as três pessoas, só conhecia um. O homem loiro da recepção, tinha uma mulher ao lado dele, de olhos perolados e uma loira de maria-chiquinha de olhos castanhos. Aquela mulher, eu me lembro dela. No meu casamento com a Sakura, era a tia dela. Soltei Sakura e olhei para a mulher.
—Sasuke. – ela pronunciou o meu nome.
—O que é que está acontecendo, Tsunade? – perguntei a ela, consegui me lembrar do nome dela pois a Sakura sempre me dizia dessa tia, ela me encarava, triste e surpresa. Ela sabia o que estava acontecendo.
—Tia, ele está dizendo que é o meu marido, isso não é verdade, não é? – Sakura passou por mim, parando na minha frente, ela encarava a mulher. Observei que ela fechou os olhos e abaixou a cabeça. Por favor, diga a ela que eu disse a verdade.
—Ele disse a verdade, Sakura. Ele é o seu marido, minha querida. – ela respondeu, ouvi um soluço vindo da minha esposa, ela cambaleou pra trás e caiu diretamente na minha direção.
—Sakura! – a peguei, assustado. Me agachei no chão, segurando ela nos meus braços. Coloquei a cabeça dela no meu peito e acariciei o rosto dela. Aquele rosto que um dia fez me apaixonar.
—Isso é verdade? – ouvi o homem loiro dizer. Peguei a minha esposa no colo e a levei para cama, depositei ela com cuidado e coloquei a coberta por cima das pernas dela.
—Sim. – respondi, quando me virei. Tsunade estava sentada na cadeira, me encarando.
—Como você a encontrou? – ela me perguntou.
—Eu não a encontrei, foi tudo por acaso, não sabia que o hotel pertencia a ela. – respondi me sentando na beirada da cama, suspirei fundo. – Ela não se lembra de mim, não sabe que é casada comigo, por que?
—Eu não sei ao certo, mas...
—Tsunade, se você sabe de algo, é seu dever me contar por que acho que a minha esposa não tem condições nenhuma de me revelar nada, afinal de contas, ela não se lembra de nada. – a mulher fechou os olhos, depois pediu para o homem e a mulher que se chamavam Naruto e Hinata sair.
—Tudo bem. Irei contar a você. – ela me respondeu. Tsunade limpou a garganta e começou a falar, me olhando. – Na época, vocês tinham 2 anos de casados. No dia 24 de fevereiro de 2014, os pais de Sakura viajaram para Suna.
—Eu acho que me lembro de algo desse tipo, que ela havia comentado comigo. – respondi tendo uma pequena lembrança em fragmentos que ela havia comentado comigo, feliz, que os pais em breve estariam em Suna.
—Creio que sim, ela nunca te escondeu nada. – ela disse, suspirou e continuou.- O que ela não te contou é que eu já estava lá, acho que ela iria comentar contigo depois, na época, eu e você não nos dávamos bem. – acho que ainda não nos damos, por que não gosto de você, velha assanhada. – Ela teve a ideia de esperar os pais no aeroporto, ela me chamou e então fomos juntas. Quando o avião pousou e estava andando lentamente, a Sakura estava no saguão de desembarque, na sala de vidros que dá direto para a pista, lá ela dava bem para ver todo o trajeto do avião. Ficamos nós duas, coladas na janela, esperando minha irmã e meu cunhado desembarcar, até que aconteceu a tragédia.
—O avião... – inacreditável isso, não conseguia terminar de falar, observei que lágrimas rolaram pela face dela.
—Explodiu. – ela deu um soluço e engoliu o choro, as mãos se esfregando uma na outra, nervosa com a lembrança. – Eu, Sakura e mais algumas pessoas presenciamos o acidente. A minha sobrinha entrou em desespero, gritava, chorava, pedia para que as autoridades que estavam lá chegassem o mais rápido possível. Mas mesmo assim não adiantou, as chamas estavam altas, há quem dizia que quem estava perto podia ouvir as pessoas gritarem e o cheiro de carne, muito forte. Quando as chamas foram controladas e as autoridades chegaram... todos da tripulação já se encontravam mortos e carbonizados. Sakura teve um surto, assim como as outras pessoas que perderam seus entes queridos. Ela foi controlada com uma injeção que a fez apagar completamente, eu estava mais calma, pois havia tomado um calmante forte que a enfermeira me deu, em uma das ambulâncias que foi enviada ao local, fomos levadas ao hospital, depois de 11 horas dormindo a Sakura finalmente acordou, tomou um calmante, mas ela estava totalmente inconsolável, não falava nada, só chorava, pedia para ver a mãe e o pai.
—E onde eu entro nessa história? – perguntei curioso.
—Eu falei de você, que tínhamos que te avisar... – ela me encarou, triste.
—O que aconteceu?
—Ela não sabia quem era você. Tinha perdido uma parte da memória. Foi feito exames nela, tive que tirar tudo dela, aliança, colar, brinco. Tudo, ela só ficou com o roupão. Quando fizeram os exames nela, no lobo direito do cérebro, uma região da memória havia sido afetada pela tragédia, e ela acabou perdendo pouco mais de três anos da memória...
—Era a parte da vida dela comigo.
—Sim.
—Por que você não me ligou? Por que não me procurou? – perguntei, desesperado.
—Eu até poderia, mas iria piorar a situação dela. Imagina acordar de um choque e saber que é casada e ainda sem saber quem é. Seria demais para ela. Na época, vocês estavam em crise.
Droga! Isso é verdade, estávamos começando a nos desentender, brigas constantes. Sakura me pedia na época para ficar mais em casa, passar mais tempo com ela, porém eu não a escutava, trabalhava mais que podia para dar uma vida cheia de luxos para ela, mas eu sabia que desde o começo ela nunca era assim, sempre foi simples e nunca se importou com joias ou presentes caros. Mas o fato de ter perdido a memória, não dava direito da tia dela afasta-la de mim, eu poderia ter cuidado da minha esposa.
—Durante seis meses, depois que consegui traze-la para cá, frequentávamos médicos, especialistas, até hipnotismo para tentar ver algo que pudéssemos tentar resgatar, mas sem sucesso.
—Como conseguiu esconder ela de mim por três anos? – perguntei. Minha cabeça doía com tudo isso.
—Eu proibi que ela usasse o cartão dela, tudo que pudesse revelar o nome dela, eu a proibi, ela acatou, mesmo sem entender o porquê. Apenas usava o meu. – então foi assim.
—Você disse sobre hipnotismo? Nem assim conseguiu trazer alguma lembrança?
—Usar o hipnotismo nela foi pior, pois ela não conseguia trazer as lembranças passadas, durante esse tempo que ela perdeu a memória, ia direto no acidente. Então, o psicólogo a trazia de volta. Mas...
—Mas? – ainda tinha mais?
—Ela depois da última seção de hipnotismo começou a ver fragmentos de uma festa, pessoas bem vestidas, ela não conseguia ver os rostos e nem o que acontecia, apenas várias pessoas ao redor, ela não sabia quem estava ao centro, mas descreveu com detalhes um vestido branco, provavelmente de noiva.
—E o que tem o vestido? – o que um vestido poderia me ajudar a recuperar a memória da Sakura? Poderia ser qualquer coisa.
—Era o vestido de noiva dela, Sasuke.
Fale com o autor