Esposa De Mentira
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Os outros dias passaram tranquilamente, mentira! Não havia um minuto que eu não odiasse o fato de ter cometido a maior burrada da minha vida. O que seria de mim nos próximos meses? Iria mentir para todos da família dele, fingir ser a esposa perfeita, ser trocada por uma vadiazinha que não valia um centavo, e claro... eu não iria me preocupar com nenhuma conta. Calma Isabella, mantenha a calma!
Eu não via o Edward desde o dia que nos encontramos, o que era ótimo diga-se de passagem. Combinamos de nos encontrar ao final da tarde para discutir o contrato e irmos conhecer a tão adorável família.
O dia passou rápido, havia acordado quase no horário que ele viria, então me mantive ocupada assistindo televisão.
Começaram a bater na porta, ainda era cedo para ser o Edward. Mais batidas. Respirei fundo várias vezes para não matar a pessoa insistente que me atrapalhava.
Era o Edward, ele estava muito bem vestido, seu perfume me dava ânsia, mas essa parte a gente pula. Não pude deixar de reparar o tanto de sacola que ele carregava. Ele não tinha que aparecer só oito horas? Ainda eram seis.
— O que faz aqui?
Não me respondeu, passou por mim, deu uma olhada rápida na casa e colocou as sacolas no chão. Procurou um espaço entre o lixo e o sofá e sentou-se.
— Vim ter certeza que minha adorável noiva não fugiria.
— Como se fosse possível. – Me sentei ao seu lado.
Ele olhou as sacolas e deu um sorriso. Começou a tirar. Roupa, muita roupa, alguns sapatos e o melhor, comida.
— Toma, acho que nem comeu hoje. – Jogou o saco do Mcdonald’s na minha cara.
Tá desculpado, trouxe comida.
— E aqui está o contrato, nada que já não conversamos, somente acrescentei que se você desistir em menos de nove meses, terá que pagar uma multa, nada que você possa pagar. – Me olhou. – Sim, eu fiz de propósito.
Revirei os olhos.
— Você é patético.
Não nos falamos mais, Edward assistia um jogo, Brooklyn Nets vs. Nova York Knicks. Ele vibrava alto a cada cesta. Quando já estava chegando próximo de irmos, tratei de me vestir, mas não sei se falei não sou uma garota que costuma usar maquiagem, era um evento importante. Merda.
Tentei ligar algumas vezes para Jessica, nem sinal. Encarava a maquiagem na minha frente, o que fazer? Edward deu um grito na sala. Era isso, a ideia surgiu dele, ele que tinha de se preocupar.
— EDWARD! – Gritei.
— Ah, agora não, tá no meio da partida.
Bufei batendo o pé. Fui birrenta mesmo. Me sentei do lado dele e fiz a melhor cara de inocente do mundo.
— Então não vamos né?
Edward parou tudo, me analisou tentando entender.
— Quero que me ajude a fazer a maquiagem. – Me levantei. – Só para avisar, temos quarenta e cinco minutos.
Edward mais do que depressa me seguiu até o banheiro. Na verdade, eu não sabia quem era pior, eu ou ele.
— Lembro te maquiado Emm uma vez. – Preferi não perguntar nada sobre o assunto. – Acho que isso aqui passa nos pelinhos do olho.
Como confiar em alguém que nem sabia o que era cílios. Eu ia me arrepender.
— Passa aqui. – Melou quase meu olho todo.
Já estava arrependida.
— Idiota! – Praguejei. – É no olho, não na cara.
— Ora, sou homem Swan, você é menina.
— Se duvidar sou mais macho que você.
Bufou.
— Sem dúvidas.
Edward e eu demos um pequeno jeito na maquiagem, assistimos uns três tutoriais no youtube, não precisa lembrar que brigamos várias vezes.
Ele tentou passou um tal de batom matte em mim, o problema não era esse, o problema é que era forte, o batom era um vinho chegando ao roxo, e como previsto, Edward não tinha ideia de como passar. Eu avisei, mas ele era teimoso que nem uma mula, então puxou da minha mão e passou mesmo assim. Resultado? Tinha batom dos meus dentes até meu nariz.
— Inacreditável como consegue se superar. – Mantive a calma. – Pega aquela água mágica que tira isso.
Edward me olhou espantado.
— A gente gastou tudo.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ USOU 500 ML TUDINHO NA MINHA CARA. – Gritei.
— NÃO ERA CULPA MINHA SE VOCÊ PRECISAVA DE UM REBOCO.
Filho da puta, minha mente gritava. Eu queria desistir de tudo, e acabar com o merdinha que estava na minha frente.
— REBOCO VAI PRECISAR VOCÊ E SUA EX. – Me olhei no espelho, minha cara estava toda vermelha. – Vai tirar isso com seu cuspe.
Era um xingamento, eu juro, mas aí não percebi que a frase tinha um dom de sacanagem, e se engana quem acha que ele deixaria escapar.
— Seria um prazer.
O olhei com fúria, ele se encolheu na parede.
— Edward, me espera lá fora. Sai daqui, vou arrumar sua merda.
Ele se retirou. Não foi fácil tirar o batom, e como esperava minha boca ficou toda marcada. Parecia que tinha beijado alguém e não havia limpado depois. Ótima maneira de chegar na casa dos “futuros falsos sogros” e dizer “acabo de transar com seu filho, nada de mais”
Sai do quarto me equilibrando no salto. Edward ria baixinho no sofá. Cerrei os olhos o encarando. Era evidente que ele morria de medo de mim, e isso era bom, o mantinha longe.
— Uau. – Falou ainda rindo.
— Sem piadinhas. – Apontei o dedo.
Quem achar que ele ficou calado, errou. Quando íamos descendo, soltou outra risadinha.
— Sua bunda fica bem empinadinha quando você usa salto. – Soltou uma gargalhada.
Realmente minha situação era um tanto cómica. Eu me segurava pelas paredes para não rolar escada a baixo, sem contar que Edward errou feio meu número e trouxe um vestido estupidamente apertado onde todo o ar era mínimo, eu estava literalmente me sentindo sufocada.
Virei-me com todo o esforço possível e mostrei o dedo, dando margem para ele soltar uma gargalhada. Como eu pude entrar nessa? Charlie deve estar olhando do céu e vendo o quando eu sou uma merda de pessoa.
O volvo chamava atenção no estacionamento, os carros do subúrbio de Nova York não chegavam nem na metade daquela raridade.
Edward entrou primeiro no carro, e eu esperando que ele fosse abrir a porta e ser um ótimo cavalheiro. Que nada, ele era um ogro apaixonado, nada mais que isso.
— O que foi? – Me olhou espantado. – É que...
— Dirigi, quero acabar logo com isso.
O caminho demorou horrores, e onde tem Isabella e Edward no mesmo lugar, tem briga. Brigamos por causa do ar-condicionado que estava o deixando com frio, depois brigamos porque ele ia atropelando um gato, outrora por causa da música, quem é que quer ouvir jazz em pleno século XXI? Edward o prezador de cultura como ele mesmo havia dito. Brigamos até por causa de uma placa, que eu tinha visto retorno e ele batia o pé dizendo que não.
A casa era muito linda e grande, a garagem só havia carrões, que nem se eu trabalhasse minha vida todo poderia parcelar. Isso era claro, a família Cullen tinha muito dinheiro.
O nervosismo começou a bater, minhas mãos suavam e minha barriga retrocedia o big tasty de bacon que Edward havia me dado.
— Não precisa ficar assim, vai entregar o jogo.
Dei de ombros. Eu ia ficar nervosa sim.
— Edward temos tempo de desistir, serio, você vai se arrepender. – Cobri o rosto com as mãos. – Eu nunca fiz isso, e eu não sou com a Tanya.
Ele segurou minhas mãos e beijou.
— Eu sei que não, por isso estou apaixonado por ela e não por você.
Como alguém pode ser tão estupido como ele?
— Vamos logo Swan, pare de bancar a garotinha com medo, você é capaz.
Bufei saindo do carro. Fiz questão de bater a porta com toda a força. Ouvi ele chamar um palavrão.
Eu ia conseguir, eu ia conseguir, eu ia conseguir. Já havia virado um mantra na minha cabeça.
Não, eu não ia conseguir. Aquilo sim era meu fim.
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