Esplendor Hialino

3 Viver só por viver


- Fazia muito tempo que eu não via meu reflexo nessas panelas. – Ethan comentou com certa alegria na voz, apesar de não esboçar nenhum sorriso. O rapaz estava analisando o trabalho que Hialina havia feito ao lavar as panelas no riacho com o cascalho. A Arqueira encarou-o incrédula.

- Elas nem estavam sujas! – A menor apertou os punhos com certa força depois do que o Atirador de Elite falara. Ela quase nem dormira direito à noite depois do que o rapaz dissera, sobre o castigo. Ficara imaginando inúmeras crueldades que Ethan poderia lhe submeter. Mas, até agora, apenas varrera a casa, tirara o pó do tapete e limpara a lareira. E, agora, terminara de lavar as panelas.

- Ah... É que fazia tempo que eu também não as usava. – O moreno falou com certo sarcasmo. Isso foi o suficiente para que a garota corasse de raiva mais uma vez. Porém, antes que ela pudesse dizer alguma coisa, o Atirador de Elite levantou-se da cadeira de vime, levando as panelas para dentro. – O que você sabe cozinhar, garota?

- Tenho cara de sua cozinheira particular agora? A escravidão já acabou. – Hialina o seguiu, tomando cuidado com o estranho mensageiro dos ventos pendurado na varanda. E fuzilou o objeto com o olhar. Se não fosse por ele, não teria derrubado a maçã.

- Não, mas faz parte do castigo. – Ethan deu de ombros, colocando as panelas em seus respectivos lugares. A Arqueira encarou-o sem acreditar no que ouvia. A cólera estava atingindo o seu limite, o que era certamente perigoso. Para o rapaz, é claro.

- Por Hell, o que isso tem a ver com o meu treinamento?! – A menor esbravejou, tentando ainda controlar o tom de voz, sem muito sucesso. Estava frustrada, abatida e enraivecida. Não fizera mais do que serviços domésticos e sabia que os castigos, no fundo, tinham um propósito maior. E, com certeza, não era deixar uma casa limpa.

- Exceto o almoço, o resto do castigo foi feito para melhorar a sua resistência. Mesmo que não agüentemos muitos golpes, nossa resistência física para atirar uma flecha e fazer caminhadas por horas é importante. E eu quero ver como você cozinha. Será importante quando estiver acampando. – Ethan sentou-se no sofá, deixando que a Arqueira decidisse o que preferia fazer. Hialina ficara visivelmente constrangida por não ter percebido o propósito daquele castigo. É claro que o Atirador de Elite, apesar de rude, não seria tão cruel ao ponto de escravizá-la apenas para fazer as tarefas domésticas. Por isso a menor dedicou-se em preparar o almoço com o que tinha: carne seca, legumes e água.

~*~

- O que você está fazendo?! – A garota teve um sobressalto com o grito repentino de Ethan.

Depois de dois dias limpando a casa – que não era tão suja assim – e aprendendo sobre conceitos básicos de batalha de cada profissão, a menor iria finalmente treinar com arco e flecha. O Atirador de Elite resolveu deixá-la ainda com o Arco Composto e flechas comuns. Era um pouco cedo para entregar à garota uma Gakkung ou um Arco Grande. Ele dizia que aquelas eram armas que precisavam de mais equilíbrio e força para puxar a corda. É claro que Hialina mostrou um pouco de curiosidade com a menção de Bestas, mas não fora longe com aquilo. Era uma Arqueira, portanto, usaria Arcos.

- Qual é o problema? Eu nem atirei ainda! – A garota virou-se para Ethan, desfazendo a tensão na corda do arco. O mais velho apenas revirou os olhos e puxou a sua Gakkung, colocando uma flecha em riste e puxando a corda até a mesma quase tocar sua orelha. Mas não atirou.

- Esse é o problema! Por isso que você não consegue acertar nada nem que o alvo esteja a dez metros de distância. Falta energia na hora de soltar a corda, que não está toda esticada. – O rapaz então desfez a tensão, guardou a flecha e pendurou o arco no ombro. Então sinalizou com a cabeça para que a menor tentasse.

Hialina afirmou com a cabeça e voltou a preparar a flecha. Começou a puxar a corda do arco. Quando estava chegando ao queixo, pensou que o arco fosse se partir de tanto que os limbos se curvaram. Mas isso não aconteceu. Continuou puxando até que a mão chegasse perto da orelha. E então soltou, devagar, como Ethan dissera para fazer.

Se a corda for solta com muita rapidez, a tensão vai se acumular, podendo causar danos ao arco e não chegar nem perto do alvo.” Isso fora o que ele disse, com precisão.

O som sibilante típico de uma flecha cortando o ar pôde ser ouvido claramente. O alvo era um pedaço de papel com dois círculos pintados em preto no centro. O projétil nem raspou no tronco em que o alvo estava fixado, mas atingiu uma árvore logo atrás. O Atirador de Elite passou a mão no queixo, analisando o tiro. Já a Arqueira estava feliz demais. Nunca chegara tão perto assim de atingir o alvo – e nem com tanta potência.

- Foi um péssimo tiro, garota... – Ethan resmungou, depois de um suspiro desanimado.

- Foi um ótimo tiro! – Hialina retrucou, lançando um olhar incrédulo para o mestre. Ele já havia visto como ela era ruim quando enfrentou o Lobo. Uma melhora como aquela era simplesmente estonteante.

- Bom, eu comentaria isso quando a Atiradora de Elite Cecil colocasse uma flecha no meio da sua testa. – O rapaz lançou-lhe um olhar sugestivo, indicando que realmente não estava brincando. Logo ele repetiu o aceno de cabeça. – Continue treinando até conseguir acertar pelo menos um dos círculos.

A garota gemeu desanimada com aquilo. Escolheu outra flecha e atirou. E assim o dia passou, todo, com pausa apenas para almoçar e tomar água.

~*~

- Ain... Para... Tá doendo... – Gemeu a garota.

- Só mais um pouco, garota... Está quase acabando... – Ethan murmurou ríspido.

- Por favor... Para!!... Isso não estava i-incluso no castigo... – Depois de um soluço, veio um grunhido.

A cama rangeu com o movimento da Arqueira, que pareceu querer fugir do corpo maior do Atirador de Elite. E o móvel rangeu mais uma vez quando Ethan avançou em Hialina bruscamente, fazendo com que ela soltasse um grito abafado de dor. O rapaz ofegou.

- Viu? Se ficasse quietinha... Isso não aconteceria... – O mais velho gemeu baixo com certo desânimo.

- T-Tá ardendo... – A menor choramingou, apenas ouvindo o suspirar pesado do moreno à sua frente. – A-Ah! Tá s-saindo sangue! – Ela ainda completou, com a voz trêmula.

- Você limpa a cama quando terminarmos aqui. – Ethan respondeu seco, aproximando-se mais uma vez de Hialina. Que soltou outro gemido ao mesmo tempo em que a cama rangeu.

- Va-Vai demorar m-muito? – A pequena tentou engolir o choramingar, sem muito sucesso. O rapaz apenas resmungou baixo.

- Já terminei. Troque os lençóis, amanhã você os lava. – O Atirador de Elite levantou-se da cama, jogando a toalha por sobre o ombro e jogando o resto do algodão dentro da cesta de remédios.

- Tenho mesmo que lavá-los com a mão assim? – A Arqueira choramingou, fazendo um biquinho magoado. As pontas dos dedos da garota estavam enfaixados e um pouco de sangue manchava o lençol ao lado de sua coxa.

Hialina havia treinado tanto naquele dia que ganhara bolhas nos dedos. E essas bolhas eventualmente estouraram quando ela não parou de lançar flechas até atingir um dos círculos. O que não aconteceu. E Ethan estava lá apenas para cuidar dos ferimentos, que ardiam com o álcool colocado sobre eles. O rapaz sentiu-se cansado e desanimado. Teria um longo caminho pela frente para conseguir fazer com que a garota fosse uma Arqueira de verdade, com velocidade e precisão.

~*~

Quase três meses se passaram. A jovem já conseguia acertar o centro do alvo com perfeição usando seu Arco Composto, mas o moreno ainda sentia-se apreensivo. Ela demorara bastante para aprender a balancear o equilíbrio e a força do tiro, além da direção do mesmo. E o alvo não se mexia e nem poderia machucá-la enquanto treinava. O único aspecto bom de seu treinamento era que a Arqueira realmente tinha um tiro rápido. O resto viria com o tempo. Muito tempo. E alvos menores.

Logo Ethan trocou o pedaço de papel por uma maçã pendurada em uma corda. Além de aumentar a distância entre Hialina e o alvo. Poucos dias depois aumentou o número de alvos, e a garota foi pegando o jeito. Atirava no centro das maçãs com perfeição, e nunca repetia a mesma seção de tiros. Sempre os deixava alternados e rápidos. O rapaz tinha que admitir que ela poderia vir a ser uma ótima Caçadora.

A última parte do treino poderia ser a mais difícil. Aulas práticas, com alvos que se movimentavam e que atacavam. Como não queria que ela se machucasse, entregou um arco melhor para a pequena. Um Arco Grande e Flechas de Prata. Iria levá-la para a famosa Caverna de Payon. Mas isso só veio a acontecer dois meses depois.

~*~

- Esse lugar me dá arrepios. E fede... Zumbis fedem tanto assim? – A garota torceu o nariz com o cheiro pútrido do lugar. Era uma mistura de carne morta com terra úmida e plantas tão mal-cheirosas quanto a carniça.

- Sim, mas quando chegar a Glast Heim ou aos calabouços da Torre do Relógio vai ver que aqui é cheiroso... – Ethan resmungou mal-humorado. Passara tanto tempo treinando naquele fim de mundo que se acostumara com o cheiro de Zumbis e Esqueletos. Por hora a Arqueira estava se saindo bem, matando Familiares com um tiro certeiro, sem risco algum. O treino havia valido a pena. O estranho era que não haviam encontrado nenhum Zumbi. Ainda.

- Acho que vi alguma coisa se mexendo ali naquele corredor... – Hialina sussurrou para seu mentor, armando uma flecha no arco, mas ainda deixando-o em repouso. O Atirador de Elite concordou. Ela estava ficando cada dia melhor, principalmente para encontrar inimigos nas sombras. Ela realmente tinha Olhos de Águia.

A Caverna de Payon era um labirinto de corredores escuros e úmidos, habitada por inúmeros monstros mortos-vivos. Muitos aventureiros diziam que, ao fim da caverna, havia uma escadaria que descia para o Palácio da Antiga Payon, que foi completamente destruída depois de um incêndio e nunca mais fora reconstruído graças ao fantasma melancólico da princesa Sohee. Hoje, até mesmo o Gato de Nove-Caudas usufruía das dependências das ruínas. Ethan confirmou a história e disse que muitos guerreiros evitavam ir tão longe por tão pouco.

- Está vindo... Fique preparada, garota. – O Atirador de Elite havia levado a Arqueira para treinar com Zumbis, por isso nem se preocupou em armar a Gakkung, não seria necessário. Aquele foi um erro que ele com certeza não cometeria de novo. O que os esperava não era um Zumbi. E sim pelo menos três Esqueletos Arqueiros. Os monstros não perderam tempo. Assim que mestre e aprendiz entraram em seu campo de visão, lançaram a primeira saraivada de flechas.

O rapaz praguejou baixo. Hialina não estava preparada para desviar daquilo. Ela era rápida, mas nem tanto. Antes mesmo de a menor preparar seu arco, os Esqueletos já tinham atirado. O moreno não pensou duas vezes. Ele apenas jogou-se em cima da menina, fazendo com que ambos caíssem atrás de uma rocha. Duas flechas passaram raspando pelo cabelo do jovem. A outra encontrou um alvo diferente da Arqueira.

- Droga... Você está bem? – O mais velho perguntou, sentando-se com dificuldade. Como resposta, recebeu o olhar assustado da aprendiz, que parecia quase traumatizada. Mas ela não olhava para ele diretamente. Seguindo o olhar de Hialina, Ethan viu uma flecha quase atravessando o seu braço. Foi então que ele pareceu sentir a dor e grunhiu. Agora eles estavam perdidos. Ele não podia lançar flechas e havia deixado o seu falcão em Payon, para não o cansar. E a Arqueira não daria cabo de todos aqueles monstros de uma só vez. Até que a voz tremida da menor o tirou de seus devaneios.

- E-Eu vou distrair eles... Você corre... – A jovem de cabelos verdes segurou firme o seu Arco Grande, levantando-se. A rocha era grande o suficiente para ainda proteger o corpo da Arqueira mirrada. Mas o moreno segurou o pulso dela, puxando-a para baixo novamente, resmungando mal-humorado.

- É mais fácil eu distrair eles e você correr. Morta não fará nenhum bem. – O Atirador de Elite disse, simplesmente. E dessa vez recebeu um sorriso melancólico.

- Nem viva o faço... – E com essas palavras, Hialina levantou-se mais uma vez. Ela tremia, estava fedendo a medo. Porém fora puxada novamente para baixo, recebendo um sonoro tapa no rosto. A menor ficou um tempo estática, até repousar a mão lentamente sobre a bochecha avermelhada.

- Então é isso? Vive só por viver? Até Zumbis fazem isso... Eu não ensinei nada para uma fracassada. – Ethan estreitou os olhos, quase cuspindo as palavras cruéis. Mas aquilo pareceu ter tido um efeito melhor do que o tapa. A Arqueira arregalara os olhos com a verdade.

Hialina tomou uma postura mais séria. Sem pedir, pegou a Gakkung do mais velho. E antes que ele pudesse impedi-la agora, ela saiu detrás da rocha. Sua sorte fora que, logo que deixara o ‘esconderijo’, esbarrara em um dos Esqueletos Arqueiros, impedindo que este arremessasse sua flecha. Ao mesmo tempo, o monstro serviu de escudo para as flechas lançadas pelos outros dois, a pouco menos de dois metros dali. Sem esperar mais, a menor enroscou seu arco em um dos braços do Esqueleto, impedindo-o de arremessar flechas. Ao mesmo tempo, pôde lançar as suas tranquilamente nos outros dois. Ethan tinha razão. Mortos-vivos viviam por viver. Não pensavam.

Mas a Arqueira enganara-se. Os Esqueletos Arqueiros pensavam sim. Apenas demoravam para analisar a situação. Quando a menor terminou o serviço com os dois mais distantes, aquele que estava enroscado na Gakkung apenas puxou o braço com força, perdendo assim a escápula*, o que fez com que os ossos do resto do braço fossem ao chão. Mas, para um morto-vivo, aquilo não seria necessário. Com o puxão, Hialina foi ao chão, batendo com a testa em uma pedra saliente. A última coisa que vira fora o Esqueleto Arqueiro desmontando poucos segundos depois de receber um golpe do Stilleto de Ethan. Em seguida, mergulhou na escuridão.

~*~

A menor acordara com uma dor de cabeça intensa. Iria levar a mão até a testa, mas a voz baixa do Atirador de Elite fez-se presente.

- Nem pense em tocar aí. Foi difícil fazer um curativo decente com tanto sangue. – Ethan, que estava perto da janela, aproximou-se e sentou-se na cadeira ao lado da cama. Em seguida suspirou pesadamente, visivelmente mal-humorado. Como sempre. – No que estava pensando? Poderia ter morrido!

- Eu sei... Só não queria parecer fracassada para você... – Hialina murmurou envergonhada, desviando o olhar para a sorte do Atirador de Elite, que pareceu surpreso com as palavras dela. Mas ele logo retomou a compostura.

- Bom, pelo menos, com isso, você termina seu treinamento... Não há mais nada que eu possa fazer por você... Descanse por hoje e amanhã. – O moreno murmurou baixo.

Por um segundo o coração de Hialina pareceu querer saltar do peito de tamanha felicidade. Ela não era uma fracassada. E havia completado seu treino. Assim que o Atirador de Elite saiu, ela pareceu dar-se conta. Os últimos meses foram perfeitos ali. E ela não sabia nem por onde começar, caso fosse embora. Lágrimas vieram aos seus olhos e ela passou o resto do dia chorando, sem saber por quê.

~*~

A noite era chuvosa. Os ventos fortes pareciam querer arrancar as árvores do chão. A água batia contra o vidro da janela. Sua última estadia naquela cabana estava sendo bem melancólica. O treino havia acabado com o embate entre ela e os Esqueletos Arqueiros.

- Boa noite, Ethan... – Hialina murmurou para o rapaz sentado no sofá da sala.

- Igualmente Hialina. – O Atirador de Elite resmungou baixo. Com o sucesso em seu treino, o mais velho pareceu adquirir um pouco de respeito pela menor, pois a chamava pelo nome, e não somente “garota”.

A Arqueira recolheu-se. Na manhã seguinte perguntaria ao ex-mentor se estava apta para prestar o teste de Caçadora, apesar de saber que o rapaz diria que não. Ela adormeceu com o som da chuva batendo no vidro da janela de seu quarto.

Enquanto isso, Ethan terminava sua xícara de café. Tinha que admitir que a vida voltaria à monotonia depois da partida da menor. Uma batida forte e desesperada na porta o tirou de seus devaneios. Praguejou baixo, antes de levantar-se para abri-la. Um vulto vestido em uma capa ensopada e verde vivo adentrou apressado, deixando para trás o séquito de lanceiros embaixo da chuva. Aquilo só indicava uma coisa.

- Em que posso ajudá-lo, meu lorde, senhor de Payon? – O rapaz murmurou polidamente, curvando-se para o ser encapuzado.

- Fiquei sabendo que sua nova aprendiz tem o verdadeiro dom do arco e tem habilidades muito parecidas com as suas... – O ser baixou o capuz, mostrando não ter muito mais do que trinta anos, cabelos castanho-avermelhados e olhos escuros. Apesar de jovem, tinha um olhar severo para cima do Atirador de Elite.

- De fato. Se bem treinada, pode melhorar suas escaladas, seu caminhar de gato tão silencioso quanto dos Algozes e se camuflar no ambiente como os Mercenários. Ela seri... – O moreno teria continuado, mas um erguer de mão do Senhor de Payon fez com que ele se calasse.

- Basta. Você irá treiná-la para que isso se realize.

- Senhor?

- A Guilda dos Mercenários e aquele maldito castelo de Morroc está de olho nela. Sabe o quanto nos custaria se a sua lealdade se voltasse para aqueles ratos do deserto? Não! Não posso permitir. Você, Ethan de Luna, irá treiná-la e cuidar dela até que ela fique tão boa quanto você!

- Isso levaria anos, mesmo com a agilidade e destreza dela! – O moreno bateu com a mão no balcão, indignado.

- Não importa o tempo. Isso é uma ordem. – O senhor murmurou rispidamente.

- Não é você quem decide isso. Se ela quiser ser leal aos Mercenários, então assim será. – O Atirador de Elite deu um passo adiante, na direção do homem à sua frente, que nem se mexeu. Trincava os dentes de raiva.

- Decido toda a vida dela desde que ela tornou-se uma Arqueira da minha Payon.

- E se ela decidir ser uma Odalisca depois? Ela, legalmente, seria leal à Cômodo. – O moreno murmurou seco.

- Farei com que ela se torne Caçadora, não se preocupe. – O senhor deu as costas para Ethan, e colocou o capuz. Deu alguns poucos passos e parou em frente à porta. – Ah, tenha certeza de que ela não saiba, isso seria bem desastroso. Afinal, ela tem só treze anos, você está na flor dos vinte. Não faça besteiras, de Luna. – E então saiu. O Atirador de Elite apenas fechou os punhos com força, antes de também recolher-se para tentar dormir. Sua sorte fora que a chuva abafou os “ânimos” das vozes e Hialina não acordara. Pelo menos, não ainda, para o seu verdadeiro pesadelo.

Notas finais
Escápula* - É o osso que liga o osso do braço (úmero) e a clavícula. Obs: Exijo saber quem de mente poluída achou que a cena entre Ethan e Hialina era hentai. =D'