Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Esse capítulo está cheio de fortes emoções. Eu espero de verdade que vocês gostem e sintam a adrenalina enquanto leem. Eu quero agradecer imensamente a AndreaNeves e a Mari que sempre me dão muito apoio e me inspiram cada vez mais a continuar. Obrigada mesmo. Vocês são perfeitas! Espero que gostem do que o capítulo reserva. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO XXI – VINGANÇA

Meus sentimentos estavam à flor da pele e eu não conseguia parar de tremer tanto de raiva por ter permitido que Vandal fosse embora para ir atrás da bomba implantada na suíte Regent quanto de medo por não ter tanta confiança em mim nesse momento para desarmar essa bomba que eu nem mesmo sabia onde ela estava.

Assim que entro no quarto, vasculho pelos cômodos da suíte em busca do explosivo, temendo que o tempo acabasse antes que eu o encontrasse. No entanto, assim que entro na varanda da suíte, encontro uma maleta preta escondida atrás da mesa de vidro que havia para tomar café da manhã com a vista privilegiada para o oceano.

Se eu não estivesse diante de uma bomba prestes a explodir, eu provavelmente passaria algumas boas horas ali, assistindo o sol que já estava se pondo no horizonte. No entanto, o tempo estava passando e não era hora de me distrair com paisagens bonitas.

Temerosa, puxo a maleta com cuidado e a estudo com cuidado. À primeira vista, ela era apenas uma maleta usada para ir trabalhar, mas eu sabia que ela estava longe de ser algo tão inofensivo quanto uma valise de mão. Com extrema cautela, abro a maleta e prendo a minha respiração ao encontrar uma espécie de cronometro mais tecnológico ligado a vários tubos de um líquido incolor de odor pungente e relativamente familiar para mim.

E como um clique, minha mente parece lembrar de minha conversar com tio Clint e da única vez em que ele mostrou para meus primos e eu uma substância altamente inflamável. Segundo tio Clint, considerada como a substância química mais explosiva já criada, a azida de azidoazide é composta por moléculas com 14 átomos de nitrogênio, a maioria deles ligados entre si por meio de ligações sucessivas extraordinariamente instáveis. Na verdade, é impossível encontrar esse tipo de molécula na natureza, justamente devido à sua instabilidade. Ou seja, ela é uma das substâncias mais poderosas que o homem já criou em laboratório.

Qualquer tentativa de manusear ou tocar a azida de azidoazide pode fazer com que as ligações que existem entre os átomos de nitrogênio se quebrem em várias moléculas de nitrogênio gasoso, isso fará com que se expanda rapidamente, liberando uma enorme quantidade de energia.

Quando eu era criança, tio Clint fez um teste com uma quantidade minúscula desse material para que meus primos e eu pudéssemos ver essa substância e o resultado foi impressionante. Um dos equipamentos mais caros de tio Clint acabou completamente destruído no processo e se não tivéssemos todos com os equipamentos de segurança, nós teríamos gravemente nos machucados.

Agora, diante dessa enorme quantidade de azida de azidoazide, eu sentia o desespero me consumir. No momento em que o aparelho estranho que estava ligado a substância com o cronômetro – que marcava menos de quatro minutos -, chegasse ao zero, esse navio explodiria com tanta intensidade que dificilmente seria possível encontrar algum resto mortal das pessoas que estão a bordo.

Eu também não poderia arriscar. Quase qualquer estímulo, como calor, radiação ou choque físico, fará com que a azida de azidoazide detone. Por fazer parte da família de compostos de nitrogênio de alta energia, onde os átomos de nitrogênio não têm ligações triplas fortes e ficam presos em um estado de alta energia até a detonação e depois mudam para um estado menos energético, ela também pode detonar de forma imprevisível e sem razão aparente.

Qualquer movimento errado poderia fazer com que as moléculas da substância se agitassem e a explosão se adiantasse antes do horário marcado. Arfo, tentando saber como desarmar aquela bomba sem acabar com as mais de mil vidas inocentes que estavam nesse navio e nem mesmo imaginavam o perigo que corriam.

Ao contrário das bombas com as quais eu havia sido treinada pela CIA para desativa, essa possuía uma tecnologia muito mais avançada. O aparelho com o cronômetro não possuía fios aos quais eu poderia cortar ou qualquer outro indicativo além da caixinha com o relógio digital onde o tempo corria mais rápido do que eu gostaria que me ajudasse a entender como desarmar a bomba.

Com cuidado, toco no cronômetro e a caixinha digital revela um teclado digital onde eu deveria digitar uma senha. Bufo e meu coração se acelera ainda mais. Como eu poderia adivinhar qual a senha mestre para desativar a bomba em dois minutos? Eu não poderia fazer várias tentativas. Isso também poderia resultar em um cronômetro ainda mais acelerado.

É então que eu me lembro que dentro de minha mala estava o aparelho descodificador que tio Clint havia desenvolvido e me dado em nosso último encontro. Afasto-me com cautela da bomba para não acabar mexendo no líquido altamente explosivo e corro até o quarto. Assim como eu havia deixado quando saí, minha mala continuava intacta no closet.

Angustiada, entro rapidamente no lugar e busco pelo aparelho que eu havia escondido entre minhas roupas. Sorrio nervosa ao encontrá-lo e sem perder tempo, retorno para a varanda da suíte. Com os nervos à flor da pele, as mãos suando quase como se eu tivesse hiperidrose e coração acelerado ao ponto de senti-lo querendo sair pela minha boca, toco novamente no detonador da bomba e encaixo o descodificador em uma pequena entrada USB que havia ao lado da caixinha.

Cometo o erro de encarar o cronômetro e vejo que faltavam apenas quarenta segundos para a bomba explodir. Esse fato me apavora, dificultando minha linha de raciocínio. Minhas mãos tremem e eu passo a mexer no descodificador, buscando descobrir o código para desativar o detonador. Sinto o suor descer pela minha testa, enquanto observo o aparelho em minhas mãos trabalhar.

O barulho agudo do descodificador me causava ainda mais ansiedade. O cronômetro se aproximava do seu tempo final. Cada segundo deixado para trás me deixava mais desesperada. O medo causava um frio na minha espinha e fazia minhas mãos tremerem ainda mais. E então, chegamos aos dez segundos finais. O aparelho ainda não havia conseguido descodificar o detonador. Ouço barulho de tiros vindo do lado de fora da suíte.

Meus pensamentos recaem em Leonard e meu coração se aperta, enquanto eu apenas orava para que ele estivesse bem. Cinco segundos para a explosão e eu já não sabia mais o que fazer. Eu queria chorar. Pela segunda vez em minha vida, eu estava diante da morte e não tinha mais para onde fugir. No entanto, ao contrário da vez em que eu estava diante do severo câncer em meu sangue, dessa vez eu não tenho tio Clint ao meu lado para me salvar.

Dessa vez, eu estava prestes a tirar a vida de trabalhadores e pessoas influentes com famílias e amigos esperando por seu retorno, por ser incapaz de desativar a bomba que foi colocada nesse navio após a HYDRA descobrir a minha identidade. Eu nem mesmo havia conseguido deter Vandal, Batroc, Von Strucker e Zola de escapar impunes de todos os crimes que eles cometeram. Eu não fui capaz de vingar o estado em que minha melhor amiga e parceira se encontra.

E agora, quem continuará visitando Ava? Quem vai lutar para que não desliguem seus aparelhos? Quem vai comemorar o aniversário dela com soverte e contar sobre as loucas missões nas quais eu participava pela S.H.I.E.L.D? Como eu vou acompanhar sua melhora e a sua luta para permanecer viva? E quem contaria a Ava que eu finalmente encontrei o amor que ela me prometeu que um dia eu viveria?

Leonard sempre foi o meu catalisador. No início, ele despertava a forma mais intensa e sólida da minha raiva. Depois de três anos, ele passou a me fazer rir como nenhuma outra pessoa e quando eu menos percebi, ele me inspirava a ser corajosa, a enfrentar meus fantasmas do passado e medos infantis. Leonard se tornou meu ponto de equilíbrio em um tempo tão curto que ainda era difícil de acreditar. Ainda assim, mesmo diante dos cinco segundos finais de minha vida, ele era o meu principal pensamento.

Sinto as lágrimas chegarem aos meus olhos. Eu me arrependia tanto de não ter voltado para a minha família, de não ter estado com eles nos últimos dez anos. Eu deveria ter ouvido tia Tasha, tio Clint e Leonard. Eu deveria ter retornado e contado a verdade a eles. Eles são os Barton. Mesmo que ficassem chateados, eu sei que uma hora eles aceitariam o meu retorno. Agora é tarde demais para apresentar o amor da minha vida a eles, para acompanhar cada um deles conhecendo suas outras metades e de ouvir suas experiências malucas, porque eu sei que eles possuem muito mais para contar do que eu tenho conhecimento. Era o fim. O detonador seria ativado em poucos instantes.

E quando eu vejo o cronômetro chegar aos dois segundos finais, fecho os olhos e levo minha mão ao relicário em meu pescoço, pedindo silenciosamente pelo perdão de minha família. No entanto, ao contrário do que eu estava esperando, a dor dilacerante e corrosiva do explosivo não me vem. Permaneço mais alguns segundos parada até voltar a abrir os olhos e encarar o descodificador, que continuava a apitar.

Encaro o cronômetro do detonador e ele havia parado no último segundo. Olho em volta para ter a certeza de que eu não estava morta, mas ainda consigo ouvir mais tiros vindos do lado de fora da suíte Regent, as gaivotas voando próximas ao luxuoso navio e o lindo sol se pondo no horizonte, tocando as águas do oceano em uma linda paisagem de céu aquarela.

Suspiro aliviada e respiro fundo sem conseguir explicar como eu me sentia fraca depois do susto intenso. Ainda não estávamos totalmente seguros, uma vez que essa substância é um explosivo extremamente sensível, mas era inevitável não me sentir mais calma após ter a certeza de que minha vida não estava mais nas mãos de um cronômetro detonador.

Apenas para ter certeza de que o relógio não voltaria a sua contagem, decido que era melhor cortar o vínculo do detonador com os tubos de azida de azidoazide. Assim, levanto-me, sentindo as pernas bambearem um pouco, ainda sentindo a adrenalina correr intensamente pelas minhas veias e retorno para ao closet para pegar meu canivete suíço.

Sorrio ao encarar o descodificador de tio Clint em minhas mãos. Mais uma vez, ele havia me salvado, ainda que indiretamente. Se não fosse por sua tecnologia e genialidade, eu jamais teria conseguido desativar essa bomba. Na verdade, eu também jamais teria identificado a azida de azidoazide se não fosse por ele e sua excentricidade em ensinar para os sobrinhos todos os tipos de informação estranha possível.

Guardo o aparelho descodificador com carinho dentro de minha mala, fazendo uma nota mental para ligar para tio Clint assim que retornasse para Hawkins. Eu teria que agradecer a ele por salvar minha vida novamente. E conhecendo-o como eu conheço, tenho certeza de que ele apenas vai rir e dizer que ele é meu anjo da guarda, assim como ele brincou dez anos atrás, quando eu acordei, após ter recebido o Mirakuru em meu corpo e despertado sem qualquer indício da leucemia.

Procuro pelo canivete suíço e puxo a adaga que ele também havia me dado de presente em meu último aniversário do bolso da mala. Mesmo feliz pelo sucesso da missão de desativar a bomba no navio, eu ainda não poderia descansar, sabendo que Ophelia Sarkissian ainda estava viva e ameaçando a vida de meus amigos no lado de fora do quarto.

Eu a faria pagar pela traição a CIA, por ter machucado Leonard, desdenhado de Ava e por ter me desafiado. A minha vingança aconteceria a qualquer custo. E já que eu tive que abrir mão de destruir Vandal para salvar as pessoas presentes no navio, ao menos eu descontaria minha raiva desfigurando o rosto maldito da ex-agente da CIA.

Assim, como canivete suíço para cortar o detonador dos tubos da substância explosiva em mãos e a adaga em minha cintura, fecho minha mala e me preparo para retornar a varanda do quarto. No entanto, assim que deixo o closet, me deparo com o sorriso convencido de Ophelia e suas inseparáveis espadas de lâminas douradas envenenadas.

— Parece que você sobreviveu. – Comento, apertando o pomo de minha adaga com firmeza.

— O quê? Achou que aquelas duas amebas seriam o bastante para me matar? – Ironiza Ophelia, gargalhando daquela maneira irritante que me fazia querer cortar sua garganta. – Eles não são páreos para a melhor, mais bonita e inteligente agente que a CIA já teve o prazer de ter.

— Está falando da agente Natasha Romanoff? Tem razão. Nenhum de nós é páreo para ela. – Provoco e posso ver uma veia sobressair em seu pescoço, enquanto ela trava os dentes em fúria. – Nem mesmo você, Víbora.

— Cala a boca! Aquela russa idiota não tem nem metade do meu talento. – Responde Ophelia com a respiração mais pesada que o normal. Sorrio, confirmando o que tia Tasha havia dito. O orgulho de Ophelia havia ficado bastante ferido desde a última luta das duas.

— É mesmo? Não é o que parece. Porque pelo que eu saiba, ela te derrotou todas as vezes em que vocês lutaram e ela até mesmo foi responsável por essa cicatriz no rosto que você tenta esconder com maquiagem junto com as suas rugas, mas é incapaz. – E novamente posso ver a fúria pura e o desejo por sangue em seus olhos. Ela definitivamente tentaria me matar, mas eu tinha que confessar que era realmente estava me divertindo ao ver o quão afetada ela estava.

— Aquela vadia marcou meu rosto perfeito e ainda teve a audácia de dizer que pouparia a minha vida. – Confessa Ophelia com o tom de voz carregado de ódio. – Eu juro que eu assim que eu colocar minhas mãos naquela russa desgraçada, eu vou ter o prazer de me vingar de forma lenta e muito, muito dolorosa. Primeiro, irei realizar uma longa sessão de chicoteamento, até que ela fique com o corpo inteiro cortado e irei marca-la com ferro quente exatamente como a vaca que ela é. Em seguida, suas feridas serão untadas com mel e lambidas por uma cabra, porque eu sei que ela tem traumas de infância com esse animal. E então, eu farei com que ela durma com as mãos e pés atados juntos, enquanto aguentar um peso de duzentos quilos amarrado nos dedões dos pés.

"E quando todos os ossos dela nos membros inferiores estiverem quebrados, ela vai calçar sapatos pequenos de pele de cachorro que, quando colocado em frente ao fogo, o calor faz com que os sapatos encolham e assim esmague seus pés. O restante da pele queimada dela será arrancada.

Depois eu farei como seus desgraçados antepassados faziam para torturar os espiões americanos. Com todo o prazer e calma do mundo, irei queimar com ferro quente e a obrigar a vestir uma camisa embebida de álcool para intensificar a dor. Ah, também derramarei gordura quente sobre seu corpo.

Depois colocarei pregos entre a carne e as unhas das mãos e dos pés. Em seguida, sua mão direita será queimada com ferro em brasa e sua carne arrancada de seus ossos com pinças em lugares diferentes. É claro que a todo momento irei aplicar adrenalina em seu corpo para que ela continue consciente enquanto toda a tortura acontece, que deve durar dias. Ela também não irá comer e nem beber nenhum líquido além da minha urina e fezes. Por fim, ela será estripada viva, esquartejada e seus restos serão jogados para os cachorros comerem." – Ophelia descreve seu plano de vingança de maneira eufórica.

— Você é doente. – Comento, horrorizada. Era doentia a forma como ela parecia feliz ao visualizar todas as suas ações descritas como se aquilo não fosse nada demais. De repente, eu entendia o motivo dela ter sido a fundadora do Projeto MKULTRA.

— Você ainda não viu nem metade do que eu sou capaz de fazer, garotinha. Natasha pode ter marcado meu corpo e ferido meu orgulho, mas isso não vai ficar assim. Eu soube que você é a pupila preferida dela e é uma das sobrinhas do desgraçado do Clint, então até entendo que possa ter algumas habilidades melhores que aqueles pirralhos irritantes que foram facilmente nocauteados, mas você nunca será capaz de me vencer. – Ophelia se aproxima com passos lentos e perigosos. – Além disso, se eu machucar muito você, eu tenho certeza de que o maldito Gavião Arqueiro vai sair do esconderijo dele de uma vez por todas e a vadia da Viúva Negra finalmente vai parar de se esconder atrás dos agentes de merda dela.

Gavião Arqueiro e Viúva Negra eram os codinomes de tio Clint e tia Tasha quando eles trabalhavam juntos. Apesar de não fazer parte da CIA, FBI ou qualquer outra agência de segurança máxima, tio Clint possuía habilidades tão incríveis que estava sempre sendo contratado pelo governo dos Estados Unidos e de outros países como Inglaterra, Japão e Hungria para trabalhar em missões que eles consideravam impossível. Assim, ele conseguiu não apenas se tornar um dos homens mais rico do mundo como também ganhou poder e influência em vários países.

Era por isso que mesmo criminosos pequenos tremem ao ouvir o nome de tio Clint ser proferido. Sua genialidade, habilidades físicas acima da média e poder poderia acabar de diversas formas com a vida de quem ele quisesse. Mas ao contrário do que as pessoas geralmente fariam, tio Clint possui o dom de cativar as pessoas, então ao invés de usar sua fama para conseguir o que quer, ele sabe como conquistar as pessoas para fazerem o que ele quer por vontade própria.

Em outras palavras, o maior inimigo da HYDRA não é a CIA ou o FBI e sim Clint Barton. Durante esse último ano, tentaram o matar diversas vezes e por isso ele teve que se afastar da família Barton. Seus seguidores ficaram responsáveis por garantir a segurança de seus sobrinhos e impedir que a HYDRA descobrisse suas identidades, no entanto, os planos de tio Clint foram por água abaixo no momento em que Aaron Moon se tornou membro da perigosa organização criminosa.

Respiro fundo e procuro controlar todas as minhas emoções. Não era hora de me deixar abalar pelas ameaças de Ophelia. Eu sou uma Barton. De maneira teimosa e inteligente, eu enfrentei a leucemia, renasci como uma agente da CIA e instantes atrás eu fui capaz de impedir que uma bomba de impacto nuclear explodisse. Depois de tudo o que vivi, não será essa megera rancorosa e invejosa que me matará.

Deixo o canivete suíço cair e puxo minha adaga, segurando-a com firmeza de frente ao meu corpo. Não seria fácil lutar com uma arma tão pequena, quando ela tinha duas grandes espadas envenenadas e um excelente domínio de luta. Mesmo ela já tendo os seus cinquenta anos, eu sabia bem que eu não poderia subestimar suas técnicas que se tornaram referências nos treinamentos da CIA.

Ophelia é a primeira a atacar. Com agilidade, ela avança em minha direção com as duas espadas, descendo-as contra mim assim que me alcança. Por muito pouco consigo desviar da espada da mão esquerda e uso minha adaga para interceptar a da mão direita. A mulher me encara de forma intimidadora e eu quase conseguia ver a insanidade em seus olhos.

Ela ergue a espada esquerda e ataca, mas novamente consigo desviar. Em um movimento repentino, jogo meu corpo contra seu ombro esquerdo e a imobilizo. Com ferocidade, Ophelia me empurra contra a cama do quarto e se afasta com as duas espadas erguidas.

Caio sobre a cama e ela se aproveita para avançar novamente. Giro meu corpo no momento em que ela abaixa as duas espadas em minha direção e acabo indo ao chão. Ao ver a forma como a colcha de cama derreteu em contato com as espadas, percebo que a substância nas lâminas de Ophelia na verdade era uma espécie de ácido.

Ophelia sorri de maneira diabólica e passa a mexer suas espadas de forma perigosa e ágil. Sem encontrar brechas para revidar, desvios dos ataques da Víbora, enquanto a mulher destruía toda a decoração do quarto.

Eu continuo a dar passos para trás, desviando de suas espadas até o momento em que minhas costas se chocam contra a estante de livros do quarto. Ophelia esboça um sorriso convencido como se já soubesse qual seria o resultado de nossa luta. Ela então lança a espada direita em minha direção. Jogo meu braço direito e bloqueio seu ataque com a minha adaga. Com a mão livre, puxo um dos livros grossos da estante e jogo contra Ophelia lança sua espada da mão direita.

Continuo jogando os livros e objetos da estante freneticamente, enquanto permaneço bloqueando sua espada da mão direita com minha adaga, até que jogo uma estátua de porcelana contra Ophelia, que se quebra em sua mão e faz um corte profundo. Imediatamente ela solta um grito de dor e deixa a espada cair, afastando-se de mim.

— Desgraçada! — Urra Ophelia, encarando o corte em sua mão.

Ignoro seu olhar fulminante e puxo a espada que ela havia derrubado, colocando-me em posição de ataque. Agora estávamos em um cenário justo. Eu ainda estava fraca pela droga que ela aplicou em mim enquanto ela sangrava com o corte em sua mão esquerda. Ambas com uma espada com lâmina de ácido e um forte desejo de vingança.

— Eu vou acabar com você, sua maldita! — Esbraveja Ophelia, recompondo-se.

— Não será tão simples como você imagina. — Garanto, dando um sorriso desafiador. Isso parece deixar Ophelia ainda mais furiosa.

Os olhos da mulher focam em mim por alguns bons segundos e sem qualquer aviso, ela ergue a espada e me ataca. Recuo, bloqueando os golpes de Ophelia, que se tornavam cada vez mais agressivos e falhos. Nossas espadas se chocavam de maneira ensurdecedora e a força dos seus golpes me empurrava para trás.

Eu bloqueava o mais rápido que podia, mas a espada dela continuava a vir em minha direção como um borrão de aço. Sem aviso prévio, a lâmina passou pelo meu ombro, cortando a manga de minha blusa e machucando violentamente a minha pele. Antes mesmo de eu tirar os olhos do corte, a espada de Ophelia corta superficialmente os nós dos meus dedos como cortes de papel.

O sangue escorre pelo meu pulso e eu preciso morder meus lábios para controlar o grito de dor que vinha do fundo de minha garganta. Sinto o sangue quente pingando do meu braço e o ácido queimar a pele em volta dos cortes. Felizmente, os ferimentos não eram profundos, então, mesmo machucada, ainda sou capaz de me defender dos golpes covardes que vieram logo em seguia.

Eu tinha que admitir. Ophelia era diferente de todos os outros criminosos que eu já havia enfrentado. Ela tinha uma força impressionante, era ágil e muito habilidosa com as armas. Mesmo machucada, ela conseguia me atacar com tanta intensidade que era até mesmo difícil de acompanhar. Eu precisava de um plano para me livrar de seus ataques que não cessavam. Sem conseguir atacar, eu me protegia da melhor forma possível.

E então relembro de uma luta que tive com tio Clint assim que estava aprendendo a lidar com a minha força depois de receber o Mirakuru. Em um de seus treinamentos, tio Clint me ensinou que os melhores lutadores aprendiam a ler os movimentos de seus adversários antes que seus golpes fossem executados, por isso, a melhor forma de ganhar de pessoas com mais habilidades do que eu seria fazendo meu adversário acreditar que eu realizaria determinado movimento e acabar executando outro.

Assim, olho para a direita e ataco. Ela bloqueia o movimento. Repito o processo mais algumas vezes para fazer com que seu cérebro se acostumasse com o meu padrão de ataque. E quando ela começa a ficar mais confiante, olho para a direita novamente. Ela levanta a espada para me bloquear, mas dessa vez, ao invés de erguer a minha, golpeio-a por baixo. Ela grita de raiva e de dor, olhando para o próprio pulso. A espada havia acertado seu braço direito.

Então, em um movimento desesperado, Ophelia lança a espada de maneira desajeitada contra mim. Bloqueio seu ataque e posiciono-me para trás dela, que tenta virar a cabeça rapidamente, mas, antes que pudesse me bloquear, encosto a lâmina no pescoço de Ophelia.

Ela estava ofegante e sangrava com intensidade pelos braços. Sua pele estava queimada pelo ácido e seu corpo inteiro tremia de dor. Com a espada próxima a sua garganta, ela me encarava de maneira exausta. Se ela se movesse sequer um milímetro, a espada afiada e envenenada lhe cortaria o pescoço.

De repente, Ophelia sorri com escárnio. Sinto seu corpo tremer enquanto ria. Ela se vira para tentar me golpear, mas minha espada lhe corta de leve a pele de sua garganta. A mulher sorri malignamente. Seus olhos brilhavam como os de um louco. Ela sabia que poderia morrer, mas não parecia ligar para isso. Na verdade, Ophelia até mesmo se divertia com a situação.

— Você é igualzinha ao seu tio. – Comenta Ophelia, estralando a língua. – Eu odiava Clint. Ele era tão metido e sempre sabia como me enganar. Babaca! Bom, pelo menos você pode dizer para a vadia da Natasha que a aprendiz dela conseguiu fazer o que ela não fez a vinte anos atrás.

— Renda-se, Ophelia. As coisas não precisam ser tão extremas. Você já foi longe demais. Precisa saber a hora de parar. – Respondo, seguindo o protocolo da CIA. A minha vontade era se enfiar a minha espada na garganta de Ophelia, no entanto, eu tinha que seguir as regras.

— Não seja estúpida! Eu nunca vou me entregar a CIA. E se você não enfiar essa espada agora em minha garganta, eu matarei você. – Afirma Ophelia com os olhos brilhando com determinação.

— Ophelia...

Antes que eu terminasse minha sentença, Ophelia pega sua espada e ameaça me atingir. E assim, sem hesitação, enfio minha espada em seu pescoço. A força da pancada cortou as artérias do pescoço da ex-agente da CIA e sangue jorrou da ferida como um dilúvio. Puxo minha espada de volta e a vejo cair sem vida. Aquela luta finalmente tinha chegado ao fim.

Notas finais
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