Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Como vocês estão? Espero que bem. E vamos ao capítulo do dia. Espero de verdade que gostem. Quero agradecer demais a AndreaNeves e a Mari pelos comentários maravilhosos no capítulo passado. Vocês são minha fonte de inspiração. Obrigada! Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO X — INTERESSE

A grande noite do cassino havia chegado e a tripulação do luxuoso cruzeiro Seven Seas Explorer não poderia estar mais eufórica. Para todo lado que olhasse era possível encontrar pessoas apostando, jogando e consumindo uma quantidade absurda de álcool. Era um ambiente fascinante e brilhante, estrategicamente construído para inspirar jogadores a apostarem e perderem seus dinheiros em jogos de azar.

Sara e eu andávamos pelo lugar cumprimentando alguns conhecidos que fizemos durante as atividades do cruzeiro, enquanto procurávamos pelos membros da HYDRA. E eu não poderia estar mais encantado pela beleza de Sara do que naquela noite. Ela naturalmente já é uma mulher radiante, mas usando o vestido longo vermelho de fenda que exibia suas belas pernas e um decote generoso que destacava suas belas curvas, acrescentando seus cabelos loiros ondulados e jogado todo para o lado, exibindo a pele macia e convidativa de seu ombro e as costas nuas, ela parecia uma verdadeira deusa.

Observo-a pelo canto do olho, conversando com o barman, fazendo seu pedido, completamente indiferente aos olhares de desejo que recebia dos homens ao seu redor e de incômodo das mulheres que os acompanhavam. E de alguma forma, eu me sentia orgulhoso por saber que era o único que poderia desfilar pelo salão do cassino de braços dados a linda mulher.

Sorrio discreto e bebo um pouco do meu drink. Eu não podia exagerar. Na noite anterior, eu havia cometido muitos erros e sabia que boa parte da minha incapacidade para controlar meus sentimentos e impulsos era por culpa do meu exagero ao consumo das bebidas alcóolicas oferecidas durante o baile à fantasia.

Ao pensar sobre o dia anterior, eu não sabia bem como descrevê-lo. As lembranças invadiam a minha mente de maneira caótica. Eu nem mesmo sabia como definir tudo o que havia acontecido. Como um adolescente descobrindo o mundo, eu me sentia confuso, despreparado e inseguro.

A primeira vez que eu beijei Sara havia sido impulsivo e sem qualquer explicação. Eu simplesmente estava irritado e frustrado com a dança provocante da loira com o idiota do Lex Luthor, e me deixei levar pelo desejo que eu sentia naquele momento para experimentar os lábios da agente da CIA que tanto confundia meus pensamentos.

Na segunda vez, foi Sara quem tomou a atitude. Tudo para garantir a segurança da missão. Como esperado da agente incrível que ela, a garota conseguiu ler o ambiente e, mesmo sob efeito do álcool, criou um cenário onde Ophelia não nos interrogaria nem mesmo desconfiaria de que estávamos espionando sua conversa com Lex Luthor.

Assim como Sara planejou, enquanto nos beijávamos intensamente, quase como animais famintos, Ophelia nem mesmo perdeu tempo em ficar nos encarando e seguiu seu caminho em direção a seu quarto que ficava do outro lado do navio. E sendo sincero, eu nem mesmo prestei atenção no que acontecia ao nosso redor.

Foi Sara quem percebeu primeiro que Ophelia já havia ido embora e interrompeu aquele beijo que começou a ficar mais quente que o necessário. E assim, envergonhados demais para conversar sobre o que havia acontecido, seguimos para o nosso quarto, conferimos a segurança da suíte, tomamos banho e formos dormir.

Talvez fosse o cansaço pelas noites mal dormidas ou o efeito do álcool em excesso, mas o fato é que há três anos eu não dormia tão bem como noite passada. Não houveram pesadelos ou lembranças da morte de Mick. Nem mesmo ao acordar, o sentimento de perda ou culpa assumiu meu coração, algo que acontecia desde aquela maldita noite em Londres.

Por causa disso, eu passei o dia com a mente perdida em pensamentos, tentando organizar as ideias e meus sentimentos. Talvez por achar que eu estava sofrendo com a ressaca – algo que contribuiu e muito para que eu passasse o dia quieto -, Sara permaneceu mais afastada, concentrando-se em observar os membros da HYDRA de longe. Novamente, eles se mantiveram presentes nas atividades do cruzeiro, mas a maior parte do tempo separados, evitando mais contato que o necessário.

— Obrigada. – Sara agradece, pegando o martini que o barman oferecia a ela. A loira toma um gole e sorri, virando-se para mim. – Vamos?

— Claro. – Concordo, oferecendo meu braço para conduzi-la pelo cassino. Ela sorri e passa o braço pelo meu, bebendo mais um pouco de seu martini.

Começamos a andar pelo cassino, saboreando nossas bebidas, enquanto éramos alvos das atenções dos jogadores pelos quais passávamos. Novamente, sinto os olhares de admiração e inveja sobre nós e acabo rindo discretamente dessa situação.

— O que foi? – Pergunta Sara com curiosidade.

— Nada. Apenas estou achando divertindo receber tantos olhares de reconhecimento e inveja enquanto ando ao seu lado pelo cassino. – Revelo e ela dá uma risada anasalada. – Você está realmente deslumbrante essa noite. De longe, a mulher mais bonita desse cassino.

— Desde quando você sabe elogiar uma mulher? – Provoca Sara, mas posso ver suas bochechas levemente coradas. Acabo rindo por notar sua timidez. Apesar de toda a pose de atrevida, no fundo, Sara é uma mulher tímida e que não sabe lidar com elogios.

— Nesses momentos nós devemos agradecer pelo elogio. – Retruco e ela bufa, mas acaba abrindo um bonito sorriso, enquanto seus olhos me encaram com intensidade.

— Obrigada. – Agradece, dando um gole em sua bebida em seguida. Ela suspira e desvia o olhar para observar o cassino. – Algum sinal de Vandal e companhia?

— Não. – Respondo e bebo meu drink, olhando em volta. – Mas eles já devem ter chegado. Esse lugar é enorme e a aglomeração em torno dos jogos não ajuda muito a localizá-los.

— Felizmente, Ophelia não deve demorar a aparecer. Dessa vez, você precisa conseguir alguma informação dela. Agora que sabemos que ela está interessada em se aproximar de nós, devemos ter cautela em nossa abordagem, mas não podemos deixar a oportunidade passar. – Alerta Sara, encarando-me com seriedade.

— Não se preocupe. Eu vou manter o foco. – Garanto, sentindo-me culpado por ter me comportado de forma imatura na noite anterior. Sara assente e se aproxima de mim, observando-me com atenção.

— Ótimo. Assim que a avistarmos, vamos fingir discutir. Eu te deixarei sozinho e ela deve aproveitar a oportunidade para se aproximar de você. Levando em consideração o interesse que Lex mostrou ter em mim, ele deve se aproximar também. Tentarei conseguir alguma informação sobre a presença dele nesse cruzeiro e o que ele planeja fazer em Londres. – Sussurra Sara, virando-se para mim. Assinto, incomodado.

— Tenha cuidado. – Digo e ela se aproxima de mim, estudando meu rosto, como se tentasse desvendar o que se passava em minha mente. Desvio o olhar, porque sentia que acabaria revelando a ela mais do que eu deveria e estava pronto para lidar. Sara suspira. De repente, o clima fica desconcertante entre nós.

— Olha. – Ela bebe um pouco de seu martini e puxa meu queixo para que eu a encarasse. Sara se aproxima mais e seu rosto fica perigosamente próximo ao meu, enquanto seus olhos estavam fixos nos meus. – Eu não sei explicar o que está acontecendo, mas nós temos que nos focar na missão. Não podemos cometer o mesmo erro de três anos atrás. Essa é a oportunidade que tanto esperamos para nos vingar por Ava e Mick, além de ser o mais próximo que chegamos de nos infiltrar na HYDRA e descobrir o que eles estão planejando. Não podemos cometer erros por estarmos colocando as nossas emoções em frente a razão.

— Eu sei disso. – Afirmo, frustrado.

— Então não torne isso ainda mais complicado do que já está sendo. – Responde Sara, suspirando cansada. Ela se afasta e desvia o olhar, encarando o grupo de pessoas eufóricas que jogavam em uma roleta. – Eu também... bem, vamos deixar para conversar sobre... sobre nós quando a missão chegar ao fim. Até lá, vamos nos manter firmes e focados no que precisamos fazer para cumprir com os nossos objetivos.

Não a respondo. Observo-a de costas para mim. Por alguns instantes, posso ver como ela se sentia sobrecarregada. Pela forma como ela parecia apertar seu relicário no pescoço e segurava sua taça com firmeza, eu conseguia sentir como ela estava incomodada e imersa em sentimentos intensos. Suspiro e tento pensar em algo para dizer, mas me controlo ao ver Ophelia descer as escadas do cassino, vindo na direção em que estávamos.

Respiro fundo e balanço a cabeça, tentando afastar qualquer pensamento desnecessário. Sara estava certa. Estava na hora de termos nossos pensamentos voltados totalmente para a missão. Assim, puxo o braço de Sara com mais brutalidade com que gostaria, virando-a para mim. Seu corpo se choca contra o meu e ela me encara como se fosse quebrar meus dentes. Mantenho a pose séria, ainda que por dentro temesse acabar com a minha mão destroçada.

— Ela está vindo. – Sussurro e felizmente, Sara parece entender.

Ela bufa e puxa o braço de volta. Assumindo uma expressão furiosa, a loira pressiona o dedo em meu peito, erguendo a cabeça para mostrar que ela não aceitaria aquela situação.

— Você é realmente um babaca! Eu me casei com você, idiota! Por que continua a se deixar levar por seu ciúme exagerado? Por que você não pode confiar em mim pelo menos uma vez na vida? – Questiona Sara e eu bufo, entrando em sua atuação.

— Você nem mesmo esconde que está feliz pelos olhares que está recebendo. Que merda, Stacy! Que tipo de homem ficaria feliz ao ver que sua esposa está sendo devorada pelos outros homens? Eu não tenho sangue de barata! – Retruco e termino de beber o meu drink como se estivesse furioso. Quando volto a encarar Sara, noto Lex Luthor olhando para nós. Infelizmente, ele percebe meu olhar e acena. Dou um uma risada irônica e coloco meu copo sobre a bandeja de um dos garçons que passava. Retiro o blazer que eu usava e passo pelos ombros de Sara. Sussurro Lex para ela e a garota me encara com mais intensidade, parecendo entender o meu recado. – Vista isso!

— Você não pode controlar o que eu visto, Luke! – Retruca Sara, jogando o blazer contra mim. – Quer saber, você estragou a minha noite. Divirta-se sozinho! Eu vou voltar para o quarto.

— Stacy! Volte já aqui! – Exijo, dando alguns passos em direção a loira, que sai do cassino batendo os pés, fazendo questão de bater o ombro contra Ophelia que estava próxima de nós.

Bufo, fingindo estar indignado, e me viro para retornar ao bar. Pelo canto do olho posso ver Lex Luthor ir atrás de Sara, provavelmente para usar seu charme barato e o sorriso patético para consolá-la e envenenar sua mente, falando mal de mim e se gabando sobre como ele a trataria diferente se estivesse casado com ela em meu lugar.

Por algum motivo, isso me irrita ainda mais e me faz apressar os passos até o bar. Mesmo sem olhar para trás, eu sabia que Ophelia estava vindo atrás de mim. Sento-me em um dos bancos mais afastados e jogo meu blazer sobre o balcão do bar. O barman me encara, mas termina de servir um dos clientes, antes de se aproximar de mim.

— O que deseja, senhor? – Pergunta o homem negro de meia idade com cabelos grisalhos curtos e óculos de grau quadrados.

— Absinto Hapsburg Gold Label. – Respondo, fingindo estar furioso, enquanto encaro as minhas próprias mãos. Não demora para sentir o perfume doce de Ophelia, que se senta no banco ao meu lado.

— E um dry martini para mim. – Pede a mulher e eu nem mesmo me dou ao trabalho de encará-la.

— Um instante, por favor. – O barman se afasta, deixando-nos sozinhos. Por alguns minutos, nós permanecemos em silêncio, até que o homem retorne com as nossas bebidas.

— Sua esposa deixou o cassino furiosa. Quer me contar o que aconteceu ou eu devo usar meus dons sobrenaturais para adivinhar? – Brinca Ophelia, mexendo na azeitona com palito que havia dentro de sua bebida.

— Dons sobrenaturais? – Repito, dando uma risada irônica e amargurada, e bebo um pouco de minha bebida, sentindo-a descer pela minha garganta como se estivesse em chamas.

De repente, questiono se eu havia feito uma boa escolha. Tudo bem que eu queria convencer Ophelia que estava furioso e que descontaria minha frustração na bebida, mas eu havia escolhido uma das bebidas com o maior teor alcóolico do mundo. Eu sempre tive vontade de experimentar o absinto com quase 90% de álcool, mas se eu acabasse bebendo demais, poderia acabar fazendo besteira.

— Agora que você duvidou de meus dons, eu terei que os usar para provar que eu estou falando a verdade. – Afirma Ophelia, dando um sorriso convencido. Ela bebe um pouco de seu martini e apoio o rosto sobre o cotovelo que estava apoiado no balcão. – Você não gostou da roupa que sua esposa vestiu, mas teimosa como ela, acabou vindo para o cassino do mesmo jeito. Você não gostou do modo como todos os homens a encaravam e vocês discutiram. E agora, você está aqui furioso, se segurando para não ir atrás dela e acabar fazendo alguma besteira ou prolongando ainda mais a briga.

A mulher de longos cabelos negros com mexas esverdeadas, que ia até abaixo de sua bunda e batom metalizado verde escuro, sorri e desliza o dedo pela boca de seu copo. Remexo-me no banco em que eu estava sentado, expressando meu suposto incomodo por ela tocar no assunto. Seu sorriso se amplia ainda mais e posso ver seus olhos verdes brilharem em animação por ver que acertou suas suspeitas.

— Eu não estou furioso, mas por que ela tem que ser tão geniosa? – Resmungo, bebendo mais um pouco de minha bebida. Faço uma careta e respiro fundo, depois de sentir mais uma vez a sensação de estar sendo queimado vivo por dentro. – Eu faço de tudo para ser um bom marido, mas ela nunca me valoriza. Tudo tem que ser exatamente como ela quer. Nada do que eu faço parece ser bom o bastante para ela. Ela nunca está satisfeita, não importa o quão absurdamente cara seja a joia que eu lhe dê ou o sapato que ela tanto deseja. No fim, ela nunca sentirá nenhum sentimento de gratidão ou respeito por mim. E logo agora que eu irei assumir a diretoria de uma das filiais da empresa da minha família nos Estados Unidos e podermos construir um império muito maior que o que meu pai fundou, ela continua a exigir cada vez mais de mim. Ingrata! Exibicionista! Aposto que ela estava adorando receber toda essa atenção desses filhos da puta que estavam a devorando pelos olhos.

— Para alguém que não está furioso, você parece bem alterado. – Ironiza Ophelia, ajeitando sua postura.

A mulher era alta e possuía seios fartos. Seu rosto também era muito bonito, além de seus cabelos de cor única atraírem a atenção de todos que passavam por nós. Ela termina de beber seu martini e faz sinal para que o barman preparasse um novo para ela.

— De qualquer forma, você não precisa ficar aqui, srta. Sarkissian. É a noite do cassino. Deveria aproveitar para se divertir e não fazer companhia para alguém não furioso, mas alterado como eu. – Respondo e ela ri, parecendo achar graça de minha resposta.

— Nós já conversamos sobre isso, Luke. Nada de senhorita Sarkissian. Pode me chamar de Ophelia. E na verdade, você parece muito mais interessante do que essa multidão espalhada pelo cassino. Eu já joguei um pouco, mas parece que não estou com muita sorte hoje. – Comenta Ophelia, suspirando. Encaro-a e ela sorri com doçura. – Você é divertido, Luke.

— Obrigado, Ophelia. – Agradeço, observando a mulher com um sorriso pequeno. Ela nega e recebe o martini do barman, voltando a beber. – Por que você está sozinha mesmo? Quer dizer, por que veio sozinha para o luxuoso cruzeiro Seven Seas Explorer? Não me leve a mal, por favor. Mas você é uma mulher muito bonita e de ótima personalidade.

— Isso é muita bondade da sua parte. Obrigada. – Ophelia sorri e parece pensar sobre o assunto. – Na verdade, eu vim para resolver alguns negócios importantes e descansar. Nada melhor que unir o útil ao agradável.

— Tem razão. – Concordo, encarando meu copo. Desvio o olhar para Ophelia e a observo com curiosidade. – E que negócios importantes foram esses? Eu não sei se você sabe, mas eu sou empresário. Gosto de estar sempre por dentro das modernidades e nas novidades no mundo dos negócios.

— Está interessado em meus compromissos? Por quê? Minha beleza foi tão forte que acabou conquistando seu coração? – Brinca Ophelia, mas posso ver que ela está ponderando se deveria conversar sobre a HYDRA comigo ou apenas me enrolar até que eu ficasse bêbado o bastante para escapar.

— Droga! Você acabou descobrindo o maior segredo que guardo desde que coloquei meus olhos em você pela primeira vez. – Respondo e Ophelia ri ainda mais. – É verdade, Ophelia, na verdade eu estou interessado em você e queria propor que você se tornasse minha amante.

— Que proposta encantadora. – Ophelia usa do sarcasmo e bebe mais um pouco de seu martini. – Mas falando sério agora. O que você faria se tivesse o poder para controlar o mundo?

— Falando sério? – Ironizo e ela ri, dando de ombros. – Depende. Estamos falando de um controle poderio bélico ou algo mais emocional, como ser adorado como um Deus?

— E tem diferença? – Questiona Ophelia, observando-me com curiosidade.

— Maquiavel se perguntava se, para um príncipe, era melhor ser amado ou ser temido. E dado que ambas as qualidades são mutuamente excludentes, era preciso escolher apenas uma delas. Mas qual seria a melhor? O pensador renascentista concluiu que ser temido é muito mais seguro do que ser amado. Isso porque, segundo ele, dos homens pode-se dizer que geralmente são ingratos, volúveis, dissimulados e ambiciosos. É claro que, enquanto se lhes faz o bem, tudo isso fica oculto sob a pele. Enquanto se está provido abundantemente, não há dificuldade em se lhes comprar o amor e o apoio. No entanto, aquele líder que subitamente se vê em grandes dificuldades, não demora até que também se veja abandonado por seus outrora fiéis colaboradores, ou até mesmo traído por eles. Porque, dizia Maquiavel, os homens têm menos escrúpulo em ofender a alguém que lhes dedica amor do que a quem lhes inspira temor. Pois toda amizade é mantida por um vínculo muito tênue, dada a natureza egoísta do homem. Já o temor, por sua vez, é mantido pelo receio de castigo, e esse não desaparece tão facilmente. É isso o que acontece, por exemplo, com aquele funcionário que, por contar sempre com a compreensão e indulgência de seus superiores, não sofre qualquer hesitação de consciência ao faltar ao trabalho ou cometer qualquer outra falha deliberadamente. No outro extremo, no entanto, aquele trabalhador cujos superiores despertam-lhe temor busca guiar-se sempre pela prudência. Ele toma decisões cautelosamente. Busca honrar os compromissos que assume. E esforça-se tanto quanto pode para evitar erros. Isso tudo porque ele teme as consequências dos seus atos. – Respondo e bebo um pouco de minha bebida. – Em outras palavras, se tiver o controle do poder bélico, eu seria temido e dificilmente seria desafiado. Agora, tendo o controle emocional dessa sociedade distorcida, seria apenas uma questão de tempo até que eu fosse tirado do poder por alguém que não aceitaria a minha imposição. Mas é claro que para isso, é necessário ter um certo cuidado. Despertar o ódio daqueles que estão sendo dominados nunca é uma boa ideia, já que isso pode ocasionar em futuras revoltas.

— Interessante. – Comenta Ophelia, encarando-me com um sorriso discreto nos lábios. Aparentemente, eu havia dado a resposta correta. – Sendo assim, o que você faria se tivesse controle do poderio bélico do mundo?

— Bom, essa é uma pergunta difícil. Provavelmente daria fim aos meus inimigos e faria de tudo para transformar o mundo em um lugar menos ordinário do que ele é. – Respondo, dando de ombros.

— Eu não sabia que tinha tantos inimigos assim, Luke. – Ophelia me encara com interesse.

— Eu sou um homem de negócio, Ophelia, e sou casado com uma mulher que desperta mais atenção nos homens do que eu gostaria. Ainda há muitas pessoas que eu adoraria acabar com as minhas próprias mãos, mas que por motivos legais, eu não faço. – Conto a mulher e, imediatamente, as memórias de Vandal e Lex Luthor invadem minha mente. Bebo mais do meu absinto e encaro Ophelia. – Ter o poderio bélico do mundo me daria uma certa vantagem. Por que não aproveitar?

Ophelia sorri e termina de bebe seu martini. Por alguns instantes, ela encara a taça a sua frente, pensativa. Finjo também estar perdido em pensamentos, ainda que esperasse que minhas respostas convencessem Ophelia de que eu seria de grande ajuda para a HYDRA.

— Você é um homem interessante, Luke. – Comenta Ophelia, voltando a apoiar o rosto sobre a mão, enquanto me encara com um sorriso divertido nos lábios. – Sabe, eu irei me reunir com alguns amigos depois de amanhã. Eles são um grupo de pessoas bem divertida. O que acha de se juntar a nossa diversão?

Estudo a expressão relaxada de Ophelia e sinto as esperanças me atingirem. No entanto, eu sabia que não poderia demonstrar muitos sentimentos naquele momento, por isso, permaneço neutro quanto ao convite e bebo um pouco, como se estivesse ponderando sua proposta.

— O que vocês fazem? – Pergunto, fingindo estar entediado.

— Você vai descobrir em breve. Até lá, não pode comentar com ninguém sobre essa reunião. Nem mesmo com a sua esposa. Será seu primeiro teste para provar que você é quem nós procuramos para completar a nossa equipe. – Responde Ophelia, aproximando-se mais de mim para que apenas nós dois escutássemos a conversa.

Observo-a por mais alguns instantes. Preciso fazer um grande esforço para não rir do que estava acontecendo. Por fim, suspiro e termino de beber a forte bebida em meu copo, batendo-o contra o balcão em seguida. Eu já estava começando a ficar tonto. Estremeço ao sentir o absinto praticamente rasgar a minha garganta.

— Por que não? Não tenho nada a perder mesmo. – Respondo Ophelia e ela abre um sorriso satisfeito. – Mostre-me seus amigos.

Notas finais
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