Espionagem de Outubro
8 Festa
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO VII — FESTA
Eu sabia que esse momento chegaria. Depois de conviver alguns anos com minha família nada tradicional e trabalhar desde os treze anos na CIA, em algum momento, minha sanidade quase inexistente se esgotaria de vez. Essa era a minha única explicação para simplesmente ter confiado em Leonard e revelado sobre meu passado complicado.
Simplesmente aconteceu. Sem uma razão plausível ou circunstâncias incontroláveis. Ao ouvir a história sobre a sua família, eu me lembrei da dor que sinto por ter abandonado aqueles que tanto amo e então, as palavras fluíram sem que eu pudesse me conter. Quando eu percebi, já havia contado a Leonard os meus maiores segredos. E o pior de tudo. Eu não me arrependia de ter contado.
Eu enlouqueci. É isso. Porque não faz sentido algum eu revelar meu segredo que demorei três anos para contar a Ava e ainda não me importar com as perguntas que Leonard fazia. Logo eu, a pessoa que detesta falar sobre si mesma.
— Então vocês são doze primos no total? – Questiona Leonard e eu assinto, concordando. – Por que doze? Existe algum motivo específico ou foi um número aleatório que Clint Barton escolheu?
— Nada do que tio Clint faz é aleatório. Todas as duas ações tem algum motivo. – Respondo, encarando o colar que ele havia me dado. Suspiro e retiro o relicário do meu pescoço para mostrar a Leonard. – A família Barton é composta de duas gerações. Na verdade, três, se levarmos em conta que Oliver já tem um filho. Enfim, tudo começou com tio Clint sendo abandonado em uma igreja apenas com uma carta dizendo que o nome dele seria Clint Barton.
“Depois disso, ele foi parar em um orfanato católico. Como você já sabe, tio Clint é um homem excêntrico e de uma inteligência acima da média. E isso o fazia ser ignorado pelas outras crianças, que tinham medo de se aproximar e lidar com sua personalidade singular. E era exatamente por isso também, que mesmo sendo adotado com frequência, as famílias sempre acabavam o devolvendo ao orfanato por nunca saberem como lidar com a maneira como ele encarava o mundo.
Mesmo sendo tão diferente, tio Clint apenas queria fazer parte de uma família. Ser amado e se sentir acolhido, algo que ele nunca conseguiu, não importava onde ele fosse. Não importa o quão inteligente e independente ele fosse, tio Clint se sentia triste e deslocado. Ele não sabia o que era amor. Ainda que lesse em diversos livros, assistisse diversos filmes e tivesse passado por pelo menos quinze famílias, ele não entendia o que era ter uma família. E foi por isso que ele jurou a si mesmo que um dia criaria uma família que se amasse e compartilhasse de laços muito mais fortes do que os sanguíneos.
E foi aos doze anos que ele conheceu Joseph e Linda Hopper, uma família amorosa que sonhava em ter uma família grande. Infelizmente, depois da gravidez complicada do meu pai, eles não conseguiram ter mais filhos. Então quando meu pai já tinha dezesseis anos, eles decidiam adotar mais um filho. Foi então que eles visitaram o orfanato de tio Clint e se encantaram por ele.
Pela primeira vez na vida, tio Clint entendeu o que era fazer parte de uma família. Ao contrário das outras pessoas, a família Hopper não tinha medo de sua genialidade. Pelo contrário, todos o incentivavam e eram fascinados pelas invenções e modo de pensar de tio Clint. Meu pai amava o irmão mais novo e fazia questão de leva-lo para todos os lugares que iria com seus quatro amigos inseparáveis Robert Queen, Kyle Puckett, Adam Florian e Henry Allen. Todos o adoravam.
E foi nesse momento que a primeira geração da família Barton foi criada. Tio Clint amava tanto os amigos do irmão que sugeriu que eles fizessem uma própria família, onde todos seriam irmãos de coração. Estranhamente, os cinco adolescentes adoraram a ideia. Na época, com exceção de tio Kyle, todos já estavam namorando e as futuras esposas de meus tios também gostavam muito do tio Clint. Então mesmo depois de casados, eles ainda se autonomeavam como família Barton. No entanto, foi somente na segunda geração da nossa família que as ações de tio Clint começaram a fazer sentido.
A primeira pessoa a fazer parte da família foi a enteada de tio Kyle, Beth Greene. Ela era filha de sua esposa e era uma criança bem inteligente. A segunda criança foi o enteado de tia Mirela, irmã mais nova de tio Robert. Aaron Moon era filho de Mikael Moon, dois anos mais novo que Beth, e também parecia ter habilidades incomuns.
E então vieram Elena Gilbert, Oliver Queen, eu, Nancy Wheeler, Damon Salvatore, Sam Puckett, Barry Allen, Ben Florian, Austin Moon e Thea Queen. No caso de Elena e Damon, eles eram filhos de amigos próximos de tio Clint e crianças que também se destacavam por algum dom único. Nancy entrou para a família porque foi salva por tio Clint e ele se apegou a ela. Completando assim, a família com as doze crianças superdotadas. O mesmo número da idade que ele tinha quando foi adotado pela família Hopper.” – A minha explicação parece surpreender Leonard.
— Isso é mesmo... impressionante. Toda a sua história é tão surreal que... – Leonard suspira e me entrega o relicário com a foto da minha família. Ele passa a mão pelo rosto, completamente atordoado. – Eu devo estar ficando louco, porque eu realmente acredito em você e em toda essa história maluca que mais parece um roteiro de um filme de ação.
— Não é fácil entender a minha família, mas nós temos uma ligação tão forte e única. Eu amo meus primos como se eles fossem meus irmãos. Até mesmo Eleven, a garota que meu pai adotou há três anos, e que eu nunca tive contato. Todos são genuinamente importantes para mim. Ao ponto de ter sido mais difícil deixar a família Barton para trás do que meus pais. – Confesso, encarando o relicário em minhas mãos. – Esse relicário foi um presente de tio Clint para eu sempre sentir que estou com os meus primos. É o meu amuleto da sorte.
— Você deve sentir muita falta deles. – Comenta Leonard, dando um fraco sorriso. Suspiro e levo o relicário contra meu peito.
— Você não faz ideia. Mesmo Aaron sendo um babaca que acabou de ser preso por envolvimento com a HYDRA, eu ainda sinto falta de estar com ele também. Sinto falta da minha amizade com a Nancy, sinto falta de estar com a minha família. Tem dias que sinto meu coração se comprimir tanto de dor que preciso visitá-los, ainda que seja apenas para observá-los de longe. Como autênticos Barton, eles estão sempre envolvidos em problemas ou se relacionam com pessoas problemáticas. – Comento, rindo ao lembrar das loucuras da minha família.
— Então o seu nome verdadeiro não é Sara Lance? – Questiona Leonard, confuso. Sorrio e o encaro.
— Sara Lance Hopper. Lance é o sobrenome da família da minha mãe. – Respondo, colocando o relicário de volta em meu pescoço. – Eu não queria me separar totalmente da minha família, então apenas abri mão do sobrenome pelo qual eu era conhecida. Ironicamente, meu primeiro namorado foi o Oliver Queen. Depois da minha suposta morte, ele começou a namorar com a minha prima, Laurel Lance. Um relacionamento tóxico que durou dez anos. Nós duas nunca nos demos bem e ela era completamente psicótica. Felizmente, Oliver conheceu de forma um pouco estranha, a mãe do filho dele, que tinha feito uma inseminação artificial com o sêmen dele que deveria ter sido descartado. A criança precisou de um transplante de fígado e somente nesse momento foi que Oliver descobriu que era pai. Com a convivência, eles acabaram se apaixonando e se casaram recentemente. Laurel foi presa depois de sequestrar e quase matar o filho de Oliver, quando ele não a quis mais e passou a namorar com a Felicity.
— Parece uma história complicada. – Leonard parece confuso e eu acabo rindo, porque realmente não era algo fácil de entender.
— Eu te disse. Minha família tem o dom de se envolver em problemas. – Respondo, dando uma piscadela para Leonard. Ele me encara surpreso. – Nós somos os Barton. Teimosos e inteligentes. Fomos treinados para sobreviver a qualquer situação e sermos os melhores no que fazemos. Podemos lutar, cantar, dançar e nos infiltrar em qualquer lugar. E quando juntos, nós podemos ser ainda mais perigosos.
— Vocês são estranhos. – Comenta Leonard com um sorriso divertido. Dou de ombros, porque não poderia argumentar contra isso. – Mas parecem ser pessoas divertidas. E tendo Clint Barton e Natasha Romanoff como exemplos parentais, não é difícil de entender o motivo de vocês serem assim, mesmo que eu ainda ache estranho o fato de vocês serem treinados como se fossem se tornar espiões ou algo assim.
— Bom, sendo sincera, eu não sei ao certo o motivo de termos sido treinados dessa forma. As únicas pessoas que sabem são tio Clint, tia Natasha e os membros da primeira geração da família Barton. Mas como eu disse, tudo o que tio Clint faz tem uma razão para isso. E eu sou muito grata pelos seus treinamentos, que me tornaram a agente habilidosa que eu sou. – Respondo com orgulho. No entanto, ao mesmo tempo, sinto a tristeza me atingir, enquanto encaro o relicário em meu pescoço.
— Você deveria contar a todos eles que está viva. – Recomenda Leonard e eu o encaro, sem acreditar na bobagem que ele estava dizendo. – Se todos eles forem tão bons de luta e tão inteligentes como você, eu tenho certeza de que eles podem lidar com o perigo de você ser uma agente especial da CIA. Quer dizer, Sam e Barry já sabem, não é mesmo?
— Não diga bobagens. Minha família jamais me perdoaria pelo que eu fiz. Já foi difícil para Sam e Barry, que eram os mais novos e conviveram menos tempo comigo. Os mais velhos não aceitariam a situação. E tem os meus pais também. Eu conheço bem Jim Hopper. Ele acabaria culpando tio Clint do que aconteceu e eu não quero que eles briguem. Eu não conseguiria lidar com a rejeição deles. – Confesso, suspirando.
— Pensei que fosse mais corajosa do que isso, Lance. – Provoca Leonard e eu o encaro frustrada. – Você mesma disse que o lema da sua família é seja teimoso e inteligente como um Barton, que vocês nunca desistem e sempre encontram a melhor maneira de conseguir o que querem. Você quer voltar para a sua família. Posso ver nitidamente isso.
— Mas e se eles me odiarem? – Sussurro, apavorada com o pensamento.
— Então você luta para fazer com que eles entendam os seus motivos e te perdoem. Eu tenho certeza de que sendo uma agente de um programa especial da CIA, você já passou por situações muito mais complicadas do que essa. Então acredite mais em si mesma e mude seu destino, exatamente como você fez dez anos atrás. – Aconselha Leonard, dando um sorriso encorajador.
— Obrigada, Leonard. – Agradeço, sentindo-me um pouco mais confiante. – Mas acho que ainda não me sinto pronta para enfrentar todo meu passado de uma vez. Vou me concentrar em nossa missão primeiro e consertar o erro que cometi três anos atrás. E somente então, vou tentar enfrentar o meu maior medo.
— Bom, se as coisas ficarem difíceis demais para você suportar sozinha, pode contar comigo para rir de você e jogar na sua cara que você não é tão Girl Power como gosta de se amostrar. – Brinca Leonard e eu acabo rindo.
— Você é mesmo um idiota. – Resmungo, sem conseguir controlar o riso.
— Mas agora falando sério, acho que está na hora de agirmos como adultos e superar nossas diferenças. Não vou deixar de implicar com você e com certeza irei te provar em algum momento que o FBI é muito melhor que a CIA, mas sou homem o suficiente para reconhecer que você é uma agente incrível. A sua inteligência é mesmo impressionante. E acho que nunca conheci alguém tão forte quanto você antes. Em todos os sentidos. – Responde o rapaz, dando um sorriso sincero. Surpreendo-me com sua declaração. Ele então respira fundo e estende a mão. – O que eu quero dizer é... Amigos?
— Amigos. – Concordo, apertando sua mão. Trocamos sorrisos e nesse instante posso ver os primeiros raios solares invadirem o quarto. Rio, sem acreditar que passamos a noite inteira conversando. – Você realmente não me deixou dormir essa noite.
— É o que as mulheres sempre reclamam de mim. – Provoca Leonard, dando uma piscadela, enquanto sorri de forma maliciosa.
— Você definitivamente é um idiota. – Respondo, rindo.
Mas de alguma forma, eu estava feliz por ter me acertado dessa forma estranha com Leonard. Mesmo não querendo admitir, ele também é um agente incrível e eu sinto que juntos seremos capazes de prender Vandal, honrar a memória de nossos parceiros e finalmente conseguiremos seguir em frente, assim como eu tenho certeza de que Mick e Ava gostariam.
[...]
— Uau. Está mais movimentado e intenso do que eu imaginava. – Comenta Leonard próximo ao meu ouvido, enquanto andávamos pelo salão onde ocorria a festa à fantasia. Eu sabia que ele fazia isso, porque a música estava alta demais para conseguirmos nos ouvir, mas nada disso impede meu corpo estremecer pela proximidade e choque de sua respiração contra a pele sensível do meu pescoço.
— Ricos em uma festa onde se pode usar máscaras para esconder o rosto? É claro que eles não perderiam a chance de extravasar. – Respondo, encarando-o por cima do ombro.
Leonard pressiona mais seu corpo contra o meu quando passamos a nos aproximar da pista de dança. Respiro fundo tentando controlar meus instintos. Sinceramente, por que de todas as fantasias, ele tinha que escolher a de bombeiro sexy?
O homem usava uma calça parda com suspensórios pretos, coturnos pretos, capacete vermelho e uma camiseta que marcava bem os músculos definidos de Leonard. Seu perfume estava ainda mais forte que o normal, fazendo meus sentidos se aguçarem intensamente. O maldito havia ficado incrivelmente sexy e isso atraía a atenção de todas as mulheres para cima de si, que faltavam o comer com os olhos.
Enquanto isso, eu usava uma fantasia de mágica. Em minha cabeça, uma cartola vermelha com uma faixa de cetim preta combinava com o casaco de rabo vermelho com detalhes pretos. Eu vestia um short curto preto, meias arrastão, uma blusa social com uma cinta cinza na cintura, uma gravata borboleta e salto alto preto. Comparada a muitas mulheres na festa, eu estava bastante comportada e discreta.
— Eu não consigo ver nada no meio dessa multidão, jogos de luzes e fumaça. Por acaso você já encontrou algum dos membros da HYDRA? – Questiona Leonard, olhando em volta.
— Não. Mas acho que não vai demorar muito para eles aparecerem. Vamos para o bar tomar alguma coisa e observar. Uma hora devemos encontrá-los, já que eu tenho certeza de que eles devem estar a nossa procura. – Respondo e Leonard assente, pegando em minha mão para me conduzir até o bar que estava no outro lado do salão.
No entanto, antes que alcançássemos o bar, noto a presença de Ophelia sentada sozinha no balcão com uma taça de dry martini em mãos. Puxo a mão de Leonard para trás e o impeço de continuar em frente. Por não esperar minha reação, ele se vira surpreso para mim e novamente seu corpo se choca contra o meu. Como reflexo, sua mão livre segura a minha cintura e seus olhos se encontram com os meus.
— O que houve? – Sussurra Leonard com o rosto próximo ao meu.
— Ophelia está sozinha no bar. É o momento certo de colocarmos nosso plano em ação. – Respondo e ele olha disfarçadamente para o ponto que eu encarava. – Vá pegar bebidas para nós. Eu ficarei aqui, dançando. Aparecerei em uns dez minutos e irei questionar a sua demora. E como nós combinamos, farei a cena de ciúmes.
— Está bem. – Concorda Leonard, afastando-se. Seus olhos recaem sobre mim e vejo um sorriso divertido em seus lábios. – Tem certeza de que vai ficar bem aqui sozinha, mágica sexy? Se estiver com muito calor, posso ficar aqui e ajudar a amenizar a situação.
— Vai logo, idiota. – Resmungo, dando um tapa de leve em seu ombro. Ele ri e me lança uma piscadela antes de sair em direção ao bar onde Ophelia estava. Acabo rindo de suas brincadeiras idiotas. No entanto, não demoro a suspirar, sentindo meu coração apertado. – Boa sorte.
Observando-o de longe, começo a dançar sozinha, tentando não atrair atenção e agir o mais naturalmente possível. Assistindo Leonard se aproximar de Ophelia, nem mesmo noto quando acabo esbarrando em alguém que era muito maior do que eu. Ao olhar para trás, surpreendo-me ao reconhecer Lex Luthor com um sorriso que faz minha espinha arrepiar.
O homem de quase dois metros de altura, ombros largos, careca, olhos azuis, boa postura, olhar intenso, maxilar marcado e boas vestimentas usava uma fantasia de alta qualidade de Drácula, que estranhamente combinava muito bem com ele.
— Oh, eu... eu sinto muito. – Lamento, tentando me fazer de atrapalhada. – Eu não tinha visto o senhor. Sinto muito mesmo.
— Está tudo bem. – Garante o homem de voz grossa e postura aristocrata. Ele me encara fixamente, estudando minha expressão. Eu não sabia como deveria agir. Com a chegada repentina de Lex, eu não havia me preparado para investir em uma conversa. No entanto, o homem abre um sorriso educado e estende a mão, aproximando-se mais para que eu conseguisse o ouvir em meio ao alto som da música. – Eu sou Lex Luthor.
— Stacy Baumann. – Respondo, entregando minha mão. Assim como os outros membros da HYDRA, ele beija o topo da minha mão, encarando-me com atenção. Tento falar mais alto. – É um prazer conhecê-lo, sr. Luthor. E lamento mais uma vez ter pisado em seu pé. Esse lugar está tão agitado que acabo ficando um pouco desnorteada para onde estou indo.
— Não se preocupe com isso. Eu também estou bem atordoado com essa multidão. – Responde Lex, dando um sorriso divertido. – E pode me chamar de Lex. Não gosto muito de formalidades.
— Então pode me chamar de Stacy. Eu também sou uma não adepta a formalidades. – Afirmo, rindo. Ele também sorri e me encara com um brilho diferente em seus olhos. – O que foi?
— Nada. Eu apenas estava me questionando onde está o seu marido. – Comenta Luthor, encarando-me com curiosidade. Finjo estar surpresa por ele saber que eu supostamente era casada e ele ri, parecendo se divertir com o meu jeito atrapalhado. – A aliança em seu anelar esquerdo entregou seu estado civil.
— Ah... – Rio, encarando a aliança que Leonard havia me dado. Mesmo sendo estranho, assim como o colar em meu pescoço, desde que Leonard a colocou em meu dedo, eu não havia a tirado. – Ele foi ao bar pegar algumas bebidas para nós. Já deve estar voltando.
— Não me parece muito certo permitir que uma mulher tão bonita quanto a senhora fique sozinha em meio a essa multidão. – Responde Lex Luthor e eu preciso segurar o riso. Apesar de tudo, eu tinha que admitir que ele era bastante charmoso e sabia usar isso a seu favor.
— Ele sabe que eu gosto de dançar e que eu não estava a fim de ir ao bar buscar bebidas. – Respondo, ajeitando o chapéu em minha cabeça que estava começando a me incomodar.
Nesse momento, a música eletrônica para, dando lugar a um som latino de salsa. A pista de dança começa a se abrir, dando lugar a alguns poucos casais que se arriscavam em uma das danças de salão mais difíceis. Sorrio para Luthor e faço sinal de que iria atrás de meu marido, mas ele segura meu pulso com delicadeza e sorri.
— Já que gosta de dançar, você me concederia a honra dessa dança? – Pergunta Luthor, estendendo a mão.
Pondero sobre isso. Olho para trás e Leonard estava entretido conversando com Ophelia. Ele parecia estar se saindo bem, pois a mulher até mesmo ria, dando alguns batidas em seu peito e colocava o longo cabelo ondulado para trás da orelha, nitidamente interessada. Por algum motivo, ver como ela parecia tão interessada em Leonard me incomodou.
Sinto o aperto em meu pulso e Lex me encarava com aquele ar charmoso e sedutor dele. Decido então entrar em seu jogo. Aquela poderia ser uma oportunidade única de me aproximar de Luthor e descobrir sobre os planos da HYDRA. Assim, sorrio e coloco minha mão sobre a dele.
— Por que não? – Aceito o convite, permitindo que ele me conduzisse para o centro da pista de dança. – Mas já aviso que faz um bom tempo que não danço salsa. Posso estar bastante enferrujada.
— Ainda assim, tenho certeza de que será uma dança memorável. – Afirma Lex, segurando minhas mãos com firmeza.
Sorrio e não demoro muito a ser conduzida por Lex, que devo admitir, ser um excelente dançarino. Mexendo meu quadril com o máximo de sensualidade possível, entrego-me a dança e posso ver que isso o deixa satisfeito. O homem então acelera os passos, para frente e para trás, girando meu corpo diversas vezes e me jogando para diversas direções.
Conforme nos mexíamos ao ritmo quente e envolvente da salsa, Lex se animava, deslizando a mão pelas minhas costas, cinturas e até mesmo me jogava para o ar, fazendo os movimentos se tornarem ainda mais complexos e sensuais. Eu me deixava ser levada. De fato, fazia um bom tempo que eu não tinha um parceiro de dança tão desafiador e que soubesse dançar a salsa cubana.
Mesmo com os passos mais básicos da dança, Lex conseguia transformar a em algo de tirar o fôlego com seus movimentos fortes e expressões sedutoras. Até mesmo as pessoas que nos assistiam pareciam impressionadas com o seu talento.
E em um momento onde nossos corpos se encontram, após ele me girar algumas vezes pelo salão, sinto o meu braço ser puxado. Surpreendo-me ao me deparar com Leonard, encarando Lex com seriedade. A música acaba e uma eletrônica se inicia, no entanto, todos encaravam a cena com a espera do que iria acontecer.
— Luke? – Chamo, surpresa com a forma possessiva com a qual Leonard me segurava e me afastava de Lex.
— Não vai me apresentar o seu novo amigo, querida? – Ironiza Leonard, sem desviar o olhar de Lex Luthor.
— Parece que seu marido chegou, Stacy. – Comenta Lex, ajeitando a sua capa de Drácula, que havia se entortado com a nossa intensa dança.
— Ah, bem, Lex, esse é o meu marido, Luke Baumann. Luke, esse é Lex Luthor. – Respondo, soltando meu braço do aperto desnecessário de Leonard. Ele me encara com seriedade e eu já não sabia dizer se ele estava atuando extremamente bem ou se ele estava de fato com ciúmes de minha dança com Lex. – Enquanto eu esperava você voltar com nossas bebidas, ele me convidou para dançar.
— E tenho que destacar que você é uma péssima mentirosa, Stacy. Você me disse que estava enferrujada e se mostrou uma das minhas melhores parceiras de dança. Eu nunca havia dançado com alguém tão habilidosa quanto você. Foi bem divertido. Você é uma excelente companhia também. Espero conseguir repetir a dose mais vezes. – Comenta Lex e posso ver o corpo de Leonard ficar ainda mais tenso. – Algum problema, sr. Baumann?
— O que você acha, sr. Luthor? – Retruca Leonard e o encaro surpresa.
— Luke! – Repreendo o homem, que apenas me lança um olhar repreendedor. Suspiro e me viro para Lex, dando um sorriso envergonhado. Apesar de não estar entendendo a cena de Leonard, eu precisava entrar na atuação ou a HYDRA jamais acreditaria que nós éramos um casal. – Eu sinto muito pelo meu marido, Lex. Eu não sei o que está acontecendo com ele. Acho que acabou exagerando na bebida.
— Não se preocupe com isso. Eu no lugar dele também ficaria arisco se encontrasse minha bela esposa dançando salsa com um desconhecido. – Responde o homem, dando uma piscadela.
— Já que sabe disso, por que não me deixa aproveitar o restante da noite com a minha esposa, sr. Luthor? – Sugere Leonard, estufando o peito de uma maneira que me fazia querer rir. Por mais que ele tentasse, Lex Luthor era tão alto e possuía uma postura tão invejável, que Leonard jamais o alcançaria na altura. – Agora que eu estou aqui, ela não vai mais precisar de uma companhia e um parceiro de dança.
— Luke! – Repreendo Leonard mais uma vez, mas sua atitude parece deixar Lex ainda mais interessando em mim. Eu realmente tinha que dar o braço a torcer. Leonard sabia mesmo como interpretar o papel de marido com ciúmes da esposa.
— Tudo bem. Nós nos vemos depois, Stacy. – Despede-se Luthor, acenando.
— Até mais, Lex. E lamento mais uma vez pelo meu marido. – Digo, olhando feio para Leonard, enquanto Lex sorri e maneia a mão, como se dissesse que não tinha problema algum.
As pessoas voltam a dançar ao ver que não teria mais discussão e eu preciso me segurar para não rir. Leonard ainda estava com a cara fechada, tornando a atuação realmente incrível. Aproximo-me dele como se fosse brigar pela sua atitude – afinal, tínhamos que manter a pose -, e me apoio em seu ombro para conseguir alcançar seu ouvido.
— Você foi incrível. Pareceu mesmo que estava com ciúmes. Foi uma mudança de estratégia repentina, mas acho que podemos usar isso para... – Antes que eu continuasse a falar com ele, Leonard passa a mão pela minha cintura com firmeza e me traz para perto, fazendo com que nossos corpos se chocassem com uma brutalidade inesperada. Encaro-o, confusa. – O que foi?
— Vamos dançar. – Resmunga e eu fico ainda mais perdida com seu comportamento estranho. E então, uma música lenta começa a passar. – As pessoas vão desconfiar de nós se não dançarmos e agirmos como um casal.
— Certo. – Concordo, ainda incerta. Permito que ele me conduza na dança lenta, encostando minha cabeça em seu ombro. – E como foi com a Ophelia? Ela pareceu ficar bastante interessada em você.
— Ela foi legal. – Responde, apertando-me ainda mais contra si. Afasto-me para o encarar em dúvida.
— E...? – Insisto por mais informações.
— E o quê? – Pergunta Leonard, parecendo perdido. E novamente eu não conseguia entender o que se passava na mente daquele idiota.
— O que você conseguiu, Leonard? Foca aqui, por favor! Qualquer informação pode ser a chave para descobrirmos o que a HYDRA está aprontando. – Resmungo, impaciente. Ele bufa e me gira, antes de voltar a me trazer para perto de si.
— E você? Conseguiu alguma coisa enquanto se esfregava no gigante do Luthor? – Questiona Leonard e posso sentir um pouco de sarcasmo em seu tom de voz. Encaro-o, revirando os olhos. – Você parecia estar com a mente bem distante da missão naquele momento.
— É claro que eu não consegui nada. Antes que eu pudesse conversar com ele, você me puxou. – Respondo, suspirando. – Bom, ao menos isso serviu para conseguir convencer a HYDRA que somos um casal.
— Eu acho que eles ainda não estão totalmente convencidos. – Afirma Leonard e eu encaro seu rosto, tentando entender o que se passava em sua mente. Ele parecia tão confuso e tenso. Era quase como uma criança perdida.
— O que há de errado com você? Você está tão estranho. – Comento, preocupada com o comportamento do homem. – O que foi que a Ophe...
Antes que o questionasse sobre o que havia acontecido em sua conversa com a ex-agente da CIA, Leonard mais uma vez me surpreende ao me puxar para mais perto e chocar nossos lábios com brusquidão. Sem qualquer aviso ou explicação, ele me beija, tomando por completo o controle do meu corpo e de minha mente.
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