Espionagem de Outubro

24 Explicações


ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO XXIII – EXPLICAÇÕES

Duas semanas se passaram desde que a missão no navio Seven Seas Explorer chegou ao fim e eu ainda não conseguia acreditar como minha vida havia mudado tanto em um tempo tão curto. Quer dizer, até o mês passado eu odiava Leonard com todas as minhas forças e planejava formas de acabar com a vida dele e o fazer pagar por ter me atrapalhado a ir atrás de Vandal em Londres a três anos atrás. E agora, estou andando de mãos dadas com ele pelos corredores da sede da CIA em Hawkins, seguindo para o quarto de Ava, a quem eu o apresentaria apropriadamente como meu namorado.

Eu sabia que isso nem mesmo fazia sentido. Qualquer um que ouvisse que eu planejava apresentar formalmente o meu namorado a minha parceira em coma, provavelmente riria de minha loucura. No entanto, Leonard concordou em me acompanhar no mesmo instante em que ouviu meu desejo e até mesmo havia feito questão de comprar flores para colocar no quarto de Ava.

E sendo sincera, eu não poderia estar mais apaixonada. Leonard é a pessoa mais divertida e amável que eu conheço. Ele me anima, me encoraja e me inspira todos os dias a me tornar uma pessoa melhor. É claro que nós temos nossas briguinhas e implicâncias. Não era porque havíamos deixado de sonhar com nossa vingança que meu desejo assassino se extinguiu. Ele ainda sabia como fazer para me tirar do sério.

No entanto, assim como ele tinha o dom de despertar o demônio em mim, Leonard sabia como me desarmar. Ele sabia onde me tocar para me fazer perder o ar e como me beijar para fazer minhas pernas ficarem bambas ou como acariciar minha nuca de forma a me fazer perder a razão e esquecer até mesmo qual é o meu nome.

Observo-o pelo canto do olho, enquanto andávamos e ele me contava sobre seu dia com animação. Com suas mãos entrelaçadas a minha com tanta delicadeza e carinho, eu me sentia protegida e amada, algo que eu nunca fui capaz de sentir desde que abandonei a minha família.

Era impressionante como ao mesmo tempo em que tudo estava tão diferente, havia coisas que continuavam iguais, mesmo depois de tudo aconteceu. Eu havia retornado para Hawkins, permanecendo como uma agente do comando especial da CIA e recebendo medalha de honra ao mérito por ter arruinado os planos da HYDRA e salvado a vida dos mais de cem líderes políticos. Continuava morando com Cait Snow, minha colega de quarto e namorada de um de meus primos.

Pensar sobre isso faz meu coração se apertar. Depois de viver a experiência de estar de frente para a morte pela segunda vez, eu sabia que estava na hora de voltar para a minha família e contar a verdade. Eu não posso continuar tendo medo da reação de meus primos e de meu pai, a pessoa que eu tenho certeza de que terá maior dificuldade para aceitar a situação.

— Um beijo pelo que se passa em sua mente. – Brinca Leonard, mas posso ver a preocupação em seus olhos. Sorrio e deixo um selar demorado em seus lábios. – O que aconteceu?

— Eu estava pensando em como nossa vida mudou e de como eu estou feliz por isso. – Comento e dessa vez é Leonard quem dá uma risada anasalada e deixa um beijo em minha testa.

— Eu também estou feliz com as mudanças em nossas vidas. – Garante o rapaz, dando um sorriso sincero. Suspiro apaixonada e aperto mais nossas mãos, guiando-o pelo corredor até a porta do quarto de Ava.

Com cautela, abro a porta e dou espaço para que ele entrasse. Leonard dá um sorriso nervoso e entra com cautela no quarto. Entro em seguida, fechando a porta, e me aproximo da cama onde a mulher estava. Ouço Leonard arfar e quando me viro para ele, vejo seus olhos arregalados, surpresos com a visão de minha parceira.

— Vem cá. Pode vir. Está tudo bem. – Chamo, estendendo minha mão para ele assim que alcanço a cama. Leonard me encara receoso. – Ava Sharpe, esse é Leonard Snart. Leonard essa é a Ava, a melhor parceira que alguém poderia ter na vida.

— Certo. – Ele respira fundo e pega em minha mão, aproximando-se devagar de Ava. Seus olhos ainda parecem demorar para se acostumar com o choque de ver o rosto de Ava deformado. Ainda mais para ele, que havia conhecido a mulher quando ela ainda estava bem. – Oi, Ava. Espero não estar te incomodando. A Sara me falou muito sobre você as aventuras que vocês viveram juntas. Eu me tornei parceiro de Sara temporariamente algum tempo atrás. Espero que não tenha ficado chateada.

— Ela jamais ficaria. Na verdade, acho que se ela pudesse, estaria rindo de minha cara nesse momento, jogando alguns “eu avisei” ou brincando, dizendo que de todos os homens no mundo, como eu fui escolher logo um agente do FBI? Ava era uma pessoa muito responsável e sempre colocava o bem da missão acima de qualquer empecilho, mas também era muito divertida e adorava rir de minhas loucuras. Era ela quem me freava quando eu perdia o controle. Ava também era uma romântica incurável. Ela vivia dizendo que um dia eu encontraria um amor avassalador que me faria perder o ar, mexeria com a minha cabeça e me faria fazer coisas que jamais pensei que um dia iria fazer. – Conto e abraço a cintura de Leonard, encarando a garota com um sorriso emocionado. Viro meu rosto para Leonard e sorrio. – Como sempre, ela tinha razão. Demorou algum tempo, mas eu encontrei você.

Leonard sorri e encosta a testa na minha. Nossos narizes se encontram e ele me dá um beijinho de esquimó, antes de se virá para Ava, encarando-a por alguns minutos. Observo-o estudar cada detalhe do rosto desfigurado pelas queimaduras de terceiro grau.

— Ela ficou bastante machucada. – Comenta Leonard, mordendo o lábio inferior. – Quer dizer, eu sabia que ela não estaria bem, mas isso... foi mais forte do que eu esperava. Ela é mesmo uma mulher muito forte.

— Você não tem noção. – Afirmo, pegando na mão de Ava. Suspiro e encaro os aparelhos que estavam ligados ao seu corpo para garantir a sua sobrevivência. – Mesmo com os medicamentos que ela toma para dor, ainda há muito órgãos que foram afetados, então nem mesmo a morfina é o bastante para mantê-la acordada sem sentir as fortes dores. Então os médicos preferiram deixá-la em coma até que os ferimentos possam se cicatrizar mais, o que deve ocorrer em breve.

— Eu tenho certeza de que ela vai se sair muito bem. – Garante Leonard com um sorriso confiante e eu acabo dando um sorriso agradecido.

Permanecemos em silêncio por mais um tempo. Cada um perdido em seus pensamentos. Minha mente trabalhava incessantemente no que eu estava querendo fazer, mas que ainda estava criando coragem para colocar em prática. Suspiro e fecho os olhos, odiando esse sentimento de insegurança que me atinge todas as vezes que penso sobre o assunto.

— O que foi? – Questiona Leonard e eu volto a abrir os olhos, encarando-o. – Você parece preocupada. O que houve?

— Estou pensando em me encontrar com a minha família. – Confesso e ele parece feliz com a informação. – Desde que passamos pela experiência de quase morte, eu senti que me arrependo muito de ter ido embora sem dar nem mesmo um adeus a minha família. Eu quero voltar a ver meu pai. Quero conhecer minha irmã adotiva e reencontrar meus primos que eu tanto sinto falta. Sinto falta de compartilhar momentos com eles e brincar como se fossemos crianças, para logo em seguida conversarmos sobre assuntos sérios e importantes com naturalidade. Quero sentir de novo que posso enfrentar qualquer problema porque os tenho ao meu lado. Mas mais do que isso, eu sinto que devo isso a meu pai, que sofreu tanto para superar a minha suposta morte.

— Sara! Isso é ótimo! – Afirma Leonard, sorrindo animado. – E quando pretende fazer isso? Quer dizer, quando pretende se encontrar com a sua família? Vai fazer isso com todos reunidos ou separadamente?

— Eu quero me encontrar com meu pai primeiro. Ele merece uma explicação completa e eu sei que ele vai ficar furioso com tio Clint e tia Tasha. Então é melhor estarmos sozinhos para impedir que ele faça uma loucura. Quero explicar meus motivos e o que levou tio Clint a concordar em me ajudar a fazer algo tão insano quanto forjar minha própria morte para entrar na CIA. Não quero causar mais problemas para tio Clint e tia Tasha do que já causei nos últimos anos, menos ainda uma briga familiar. Meu pai ama muito o tio Clint e com certeza vai se sentir traído por ele ter escondido algo tão importante dele. – Respondo e suspiro ao pensar na confusão que isso pode gerar. – Mas farei o meu melhor para acalmá-lo.

— Bom, não podemos o julgar se ele ficar chateado. Qualquer um em seu lugar também ficaria furioso em saber que seu irmão mais novo não só escondeu que sua filha está viva como ajudou uma criança a forjar a própria morte para entrar em uma agência perigosa e ainda experimentar um soro tão arriscado quanto o Mirakuru. – Leonard acaricia meus braços e me abraça por trás quando acabo mostrando-me vulnerável com esse assunto. – Mas no fim, o amor de pai e irmão vai falar mais alto e vocês irão se resolver. Que pai não gostaria de reencontrar com a filha por quem tanto sofreu com sua suposta morte? Tenho certeza de que se você for sincera com seus sentimentos, ele irá entender.

— Obrigada. – Agradeço, aconchegando-me melhor em seus braços. Suas palavras me acalmavam e me traziam um pouco de esperança para a situação que eu tinha certeza de que seria muito mais complicada do que eu imaginava.

— Sendo você, eu tenho certeza de que você vai se sair bem. – Afirma meu namorado e eu acabo sorrindo, sabendo do que ele estava falando.

— É claro que sim. Eu sou uma Barton. Teimosa e inteligente como uma. Não importa o quão difícil seja a situação, eu não vou desistir de ter o perdão de minha família. Mesmo que eu tenha que esperar anos para que isso aconteça, eu vou lutar com todas as minhas forças para fazer com que eles entendam minhas razões. – Digo com determinação e Leonard abre um largo sorriso orgulhoso. Sorrio e fecho os olhos, aproveitando-me do calor de seu corpo que me envolvia. Inspiro seu perfume que eu tanto amava e que tanto me traz paz. – Enquanto isso acontece, pode prometer ficar ao meu lado ou isso seria pedir demais?

— Eu não pretendo ir a lugar algum sem você. – Garante, deixando um beijo em minha têmpora. – Eu te disse antes, quando ainda estávamos naquele cruzeiro luxuoso. Não importa o que aconteça, eu ficarei ao seu lado e segurarei a sua mão a todo instante e farei o que for preciso para que você nunca mais se sinta sozinha. Por mais difícil que seja a situação, eu quero ser o seu porto seguro, assim como você é o meu. E quando tudo estiver difícil demais para suportar, eu quero ser aquele que te dar forças e coragem para continuar.

— Você já é. – Afirmo, olhando em seus lindos olhos. – Eu te amo, Leonard Snart.

— Eu também te amo, Sara Hopper. – Declara e meu sorriso se alarga ainda mais ao ouvir o nome pelo qual há muito tempo não era chamada.

Eu não sabia exatamente o que esperar de meu reencontro com a minha família e ainda estou temerosa por sua reação que com certeza será intensa e deve gerar muitas exigências e acusações, mas saber que teria Leonard ao meu lado era o bastante para eu saber que tudo ficaria bem.

[...]

A noite já havia caído pela cidade quando estacionamos em frente a casa que marcou toda a minha infância. Eu estava nervosa. Mais do que até mesmo no momento em que eu estava desarmando a bomba do navio. Eu realmente estava muito nervosa. Leonard me encarava do banco do motorista, sorrindo com doçura.

Minhas mãos estavam geladas e úmidas. Até mesmo minha respiração havia se tornado pesada. Eu estava a poucos metros de distância da casa onde nasci e vivi com meus pais até os treze anos. Estar de volta depois de dez anos parecia surreal demais, ainda mais quando a fachada permanecia a mesma. Era como se o tempo não tivesse passado naquela casa que presenciou tantos acontecimentos.

— Está pronta? – Pergunta, estendendo sua mão. Eu a pego e beija a minha mão, observando-me com carinho.

— Acho que não. Eu acho melhor voltarmos outro dia. – Digo com minhas emoções a flor da pele. Ele ri e balança a cabeça em negação.

— Não senhora. Você já chegou até aqui. É tarde demais para voltar atrás. – Responde Leonard, apertando mais a minha mão. – Já que estamos aqui, vamos entrar e conversar com seu pai. Ele tem o direito de saber que a filha está viva e você sabe disso.

— Tudo bem. – Concordo, sabendo que não adiantaria em nada argumentar contra Leonard. Suspiro e encaro a fachada da casa mais uma vez. – Eu só não sei se estou preparada para ser odiada pelo meu pai.

— Ele não vai te odiar, Sara. Pode ser que ele fique um pouco surpreso e decepcionado por ter perdido tanto tempo de sua vida, mas jamais te odiaria. Você apenas precisa ser paciente para explicar a ele tudo o que aconteceu. Claro, não espere que ele solte fogos de artifício e comemore como se tivesse ganhado o Super Bowl no momento em que ele te ver, afinal, ele tem acreditado que sua amada filha está morta há dez anos. Então dê um tempo para que ele se acostume com a ideia de ter você de volta. Aos poucos, eu tenho certeza de que ele vai entender seus motivos. – Afirma meu namorado, acariciando meu rosto.

Respiro fundo algumas vezes e assinto, concordando. Leonard tinha razão. Era tarde demais para voltar atrás. Eu já tinha esperado dez anos por esse momento. Não poderia enrolar mais. Meu pai merecia saber a verdade e por mais que a reação dele pudesse não me agradar, eu teria que lidar com as consequências de minhas escolhas, assim como tio Clint havia me ensinado. Era hora de enfrentar o meu passado.

Assim, reunindo toda a coragem que eu tinha, retiro o cinto de segurança e encaro Leonard com determinação. Desço do carro, encolhendo-me contra minha blusa de frio ao sentir o vento gelado de outono bagunçar meus cabelos e acariciar minha face. Não demora muito para que Leonard se colocasse ao meu lado. Ajeito minha bolsa no ombro e observo a casa de minha família.

— Seja teimosa e inteligente como uma Barton, Sara. Não envergonhe o nome de sua família com atitudes covardes. Você já enfrentou coisa pior. – Digo para mim mesma, respirando fundo algumas vezes. Sinto a mão de Leonard apertar a minha e sorrio com determinação. – Tudo bem. Eu estou pronta. Vamos lá.

Leonard assente e trava o carro. Seguimos a passos lentos até a porta de entrada da casa. Vez ou outra eu encarava a casa ao lado, temendo que Nancy aparecesse e descobrisse da pior maneira possível que eu estou viva. Eu estava louca para reencontrar a pessoa que mais me apoiou durante a minha luta contra o câncer, mas queria me concentrar primeiro em conversar com meu pai. O reencontro com a família Barton ocorrerá em uma data e em um momento mais importante.

Suspiro e toco a campainha assim que alcançamos a porta. Meu coração batia forte e a minha ansiedade não havia diminuído, mesmo com a determinação em só sair dessa casa depois de ter certeza de que meu pai entendia meus motivos e que não culparia meus tios pelo que aconteceu. Ou pelo menos, que tentaria não ser tão cruel com aqueles que só queriam o meu bem e fizeram o seu melhor para me dar uma chance de viver.

E então, depois do terceiro toque da campainha, a porta da casa não demora a ser aberta. Surpreendo-me ao encontrar uma garota de cabelos castanhos curtos e olhos gentis cor de chocolate. Ela nos encara com curiosidade e de repente perco a fala. Eu estava diante de minha irmã mais nova pela primeira vez e nem mesmo sabia o que dizer.

— Sim? – Fala a garota de voz doce. Seus olhos recaem sobre mim, encarando-me com intensidade. Isso me deixa ainda mais nervosa. Eu não queria decepcionar a garotinha que eu nem mesmo conhecia, mas que já tinha um carinho muito grande por ter sido a responsável por fazer meu pai seguir em frente depois de minha morte.

— Olá. Eu me chamo Leonard Snart e essa é a minha namorada, Sara. Por acaso o xerife Hopper se encontra? – Pergunta Leonard, vendo que eu não conseguia proferir nem mesmo uma palavra.

— Ele ainda não chegou. Seria só com ele? – Questiona a garota, voltando sua atenção para Leonard.

Era nítida sua desconfiança e como ela mantinha a guarda levantada, não dando oportunidade para vermos o que tinha dentro da casa. E eu tinha quase certeza de que ela estava com algum objeto que pode ser usado como uma arma para nos atacar caso fosse necessário. Tenho vontade de rir. Meu pai ensinou a garota a como se defender e eu não poderia estar mais orgulhosa dela ser tão esperta e atenta.

— Bom, de certa forma sim. – Responde Leonard, um pouco perdido sobre o que deveria falar. Sorrio e retiro o distintivo da CIA de minha bolsa.

— Não se preocupe. Nós somos da polícia. Eu sou a agente especial Sara Lance. – Mostro meu distintivo a menina, que o pega de minha mão e o analisa, procurando sinais de que fosse falso. Ela então me devolve, mas continua a encarar Leonard com desconfiança.

— E eu sou o agente Leonard Lance. FBI. – Leonard exibe o distintivo dele e assim como fez com o meu. Ela o devolve e fecha a porta. Tenho certeza de que ela guarda o que quer que segurava e volta a aparecer.

— Tudo bem. Querem entrar para esperar? Meu pai já deve estar para chegar. – Minha irmã mais nova abre a porta e dá espaço para que entrássemos na casa.

— Obrigada. – Agradeço, ainda me sentindo emocionada por estar diante da garota de quinze anos.

Jane Hopper, ou simplesmente Eleven, como gosta de ser chamada, foi adotada há três anos pelo meu pai, após resgatá-la do Hawkins National Laboratory, onde foi usada pelo próprio pai para realizar experimentos perigosos na garota. Ironicamente, ela passou a namorar o irmão mais novo de Nancy, filho do ex-presidente do laboratório que permitiu que ela se tornasse um instrumento de estudos em sua empresa.

Depois de ter sido libertada das torturas que sofria no laboratório e foi adotada pelo meu pai, Eleven passou a se isolar do mundo e nem mesmo tinha amigos. Tia Tasha me contou que por causa disso, ela nunca havia interagido de verdade com os primos da família Barton, que resolveram respeitar a vontade da garota quando foram visitá-la. Mas tudo mudou quando ela conheceu Mike Wheeler e passou a cuidar da irmã caçula de Nancy, Holly. Desde então, a garota passou a sorrir mais e até mesmo fez amigos incríveis.

— Vocês aceitam água, suco, refrigerante? – Pergunta Eleven de forma educada, enquanto nos guia para a sala.

— Ah, não se preocupe com a gente. Nós estamos bem. Obrigado. – Garante Leonard, sorrindo gentil.

— Tudo bem. Por que não se sentam? – Eleven aponta para o sofá da sala e nós assentimos, fazendo o que ela pede.

— Obrigado... – Leonard encara a garota em dúvida e sorri educada.

— Pode me chamar de Eleven. – Responde a garota e Leonard assente.

— Certo. Muito obrigado por nos receber, Eleven. – Leonard agradece a garota, que balança a cabeça em negação.

— Não foi nada. – Afirma Eleven, dando de ombros.

Observo a decoração do cômodo. Com exceção das fotos que estavam expostas pela sala, nada havia mudado desde que fui embora. Era como se o tempo não tivesse passado nesse lugar. Eleven continuava a me encarar com intensidade e eu me perguntava se ela sabia quem eu era.

— Como você disse que se chamava mesmo? – Questiona a garota, sentando-se de frente para mim.

— Sara. Sara Lance. – Respondo e ela assente vagarosamente, como se estivesse processando a informação.

Seus olhos astutos me estudavam com cuidado e eu não sabia se ela estava apenas desconfiava que fossemos algum inimigo de nosso pai. O fato era que a reação dela era no mínimo curiosa. Eu me questionava sobre o que ela sabia sobre mim e o que se passava em sua cabecinha. Ela se ajeita no sofá em que estava sentada e eu quase posso sentir que a partir daquele momento nós iniciaríamos um interrogatório à moda de Jim Hopper.

No entanto, antes que Eleven pudesse abrir a boca para falar o que se passava em sua mente, a porta da casa é aberta, chamando a nossa atenção. Prendo minhas respiração e aperto a mão de Leonard, sentindo o medo invadir meu coração como um tiro em meu peito.

— El, querida! Cheguei! – Grita meu pai da porta.

Sinto minhas pernas tremerem e o peito se apertar. Eu não tinha ideia da intensidade de minha saudade até ouvir sua voz. Como eu sentia falta de meu pai. Como eu queria correr em sua direção naquele momento e sentir seus braços me acolherem, assim como fazíamos quando eu era criança. Respiro fundo e encaro Leonard, que sorri, assente e aperta a minha mão, dando-me apoio. Estava na hora de rever meu pai.