Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Antes de mais nada, quero me desculpar pelo tamanho do capítulo. O dia foi bem complicado e acabei não tendo tanto tempo para escrever. Eu sinto muito mesmo. Ainda assim, eu realmente espero que gostem. Eu quero agradecer a AndreaNeves e a Mari pelos comentários maravilhosos no capítulo passado. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO XVI – ESCOLHAS

O corredor que levava ao quarto de Arnim estava vazio e não havia nenhum sinal de que eu estava sendo vigiado. Ainda assim, eu me sentia ansioso, como se tudo estivesse fácil demais para ser verdade. Eu precisava me concentrar, mas a calmaria que me cercava naquele momento me causava a sensação de que isso era um mau-presságio de que uma forte e avassaladora tempestade estava para me atingir.

Ainda assim, sigo pelo corredor, observando com cautela cada porta pela qual eu passava que me levava ao quarto de número cento e dois. Quando alcanço a porta do quarto de Arnim, olho em volta e, ao constatar que não havia ninguém por perto, aproximo o aparelho de quebra de código do FBI da fechadura digital.

Ativo o aparelho e não demora muito para que ele descobrisse a senha da porta de Arnim. Envio uma mensagem para Sara, informando que eu havia conseguido abrir a porta do quarto e volto a guardar o aparelho em meu bolso, antes de cautelosamente entrar no quarto. Respiro fundo e fecho a porta para eu não tivesse surpresas indesejadas como de uma possível camareira vindo para arrumar o quarto.

Deslizo minha mão pela parede ao lado da porta em busca dos interruptores e ligo as luzes do quarto escuro. No entanto, o que eu não esperava encontrar era Lex Luthor sentado no sofá da pequena sala, segurando uma arma, enquanto me encarava com um sorriso divertido em seus lábios. Sinto os músculos de meu corpo tensionarem e o ar faltarem momentaneamente em meus pulmões, tanto pelo susto de encontrar Luthor, quanto pelo fato de estar sob a mira de sua arma, sem estar usando um colete à prova de balas.

— Agente Leonard Snart. Eu estava a sua espera. Sente-se, por favor. – Pede Lex, usando a arma em sua mão para indicar o sofá a sua frente em que eu deveria me sentar, dando um sorriso gentil.

Meu sangue gela ao ouvir meu nome ser pronunciado por Lex. Sua postura confortável também não me agradava em nada. Ele novamente aponta para o lugar onde queria que eu me sentasse e eu não tenho escolha além de fazer o que ele está pedindo. O homem observa eu me sentar de frente para si com um sorriso presunçoso em seus lábios.

— Você está tão quieto, Leonard. O que foi? O gato comeu a sua língua? – Provoca Lex, depois de ficarmos em silêncio por alguns minutos, apenas nos encarando intensamente.

— Como você descobriu? – Pergunto com a voz saindo mais rouca e afetada do que eu gostaria. Lex me observa com uma expressão neutra por alguns instantes, como se estivesse estudando meu rosto, e sorri com satisfação. Ele estava amando fazer aquele maldito jogo psicológico.

— O quê? O seu teatro com a agente Sara Lance? – Lex suspira e fingi me dar um tiro com sua arma. Engulo em seco com a naturalidade com a qual ele falava. – Não muito tempo, na verdade. Eu tenho que admitir que vocês fizeram um papel e tanto. Em especial, sua parceira da CIA. Sabe, eu não te julgo por ter se apaixonado por ela. É bastante compreensível, na verdade. Ela é linda, divertida, habilidosa, inteligente e uma atriz excepcional. Eu provavelmente nunca teria descoberto a identidade de vocês se não fosse por minha curiosidade em saber mais sobre Stacy Baumann.

Ele se levanta e vai até ao bar da suíte de Arnim, que apesar de não ser tão luxuoso quanto o que havia em meu quarto ainda era bastante surpreendente. Lex coloca um pouco de whisky em um copo e bebe. Ele então enche um novo copo e se aproxima de mim, colocando-o na mesa de centro que havia entre os sofás, sempre apontando sua arma em minha direção. Luthor se senta e me observa por alguns instantes.

— Assim como seu marido, Stacy não tinha nenhuma rede social. E as poucas informações que era possível encontrar na internet era sobre sua família, a fábrica de perfumes que os pais dela cuidam em Blanco, cidade do interior do Texas, e sobre o avô materno que é dono de diversas lojas em Montgomery. Isso fez minha curiosidade aumentar ainda mais. Foi então que eu entrei em contato com um amigo que cursou arquitetura no mesmo ano que Stacy em Harvard para saber se ele a conhecia. Felizmente, ele afirmou que sim e que, coincidentemente, haviam feito parte da mesma fraternidade na universidade.

“Eu enviei uma foto de Sara e ele negou que aquela fosse a Stacy Baumann. Depois disso, meu amigo me enviou uma foto na qual ele havia tirado junto com ela. Apesar da semelhança física, ele tinha razão. Não havia como essa mulher com quem eu tenho conversado tanto e que tem me encantado mais a cada encontro ser a mesma com que meu amigo havia tirado foto.

E foi então que surgiu a dúvida. Se essa mulher não é Stacy Baumann, então quem é ela? Felizmente, Ophelia ainda mantém contato com alguns amigos da CIA e pediu que descobrissem sua identidade. Imagine a nossa surpresa ao descobrir que aquela linda e divertida mulher é na verdade Sara Lance, a primeira agente da unidade de comando especial da CIA e o experimento de sucesso com o Mirakuru...

— Ela não é um experimento! – Interrompo Lex, indignado com as suas palavras. Ele gargalha, parecendo se divertir com a minha reação.

— Você sabe que é verdade. Ela já deveria estar morta há dez anos. Os anos que ela viveu a partir disso foi um milagre. – Responde Lex, brincando com a arma em sua mão. Seu olhar era desafiador, como se estivesse esperando que eu avançasse contra ele. – Mas tenho que admitir que Sara pode ser uma arma e tanto para a HYDRA. Com a sua força física, sua superinteligência e desenvoltura social, ela pode ser o que nós precisávamos para dominar o mundo.

— Sara não é um objeto e vocês nunca serão capazes de controlá-la. – Afirmo e mais uma vez Lex gargalha. Cerro meus punhos, sentindo uma vontade incontrolável de quebrar aquele sorriso presunçoso em seus lábios. – Do que você está rindo?

— Da sua ingenuidade. Por que acha que você ainda está vivo? Se não precisássemos de você para usar como moeda de troca com Sara, você já estaria a muito tempo com uma bala no meio de sua testa ou teria sido destroçado, assim como seu amigo, Mick. – O comentário de Lex me faz perder a compostura e avanço contra o homem, que tenta me dar uma coronhada, mas consigo desviar e dou um soco em seu rosto.

Ele tenta se levantar, mas eu estava tão cego pelo ódio que continuo a bater no maldito, sem dar chances de Lex revidar. Eu queria fazê-lo pagar pelo que aconteceu com Mick, pelas palavras munidas de veneno e provocações, pela forma como ele se referia a Sara e todos os olhares maliciosos lançado a mulher que amo.

No entanto, no meio de meu ataque de fúria, Lex soca minha virilha e, se aproveitando de minha guarda baixa pela dor que sinto, bate o cabo da arma em minha cabeça, fazendo com que eu faço ao chão, completamente desorientado. Ele se levanta e chuta minhas costelas duas vezes. Encolho-me, tentando proteger meu corpo e recebo mais um chute na cabeça.

Sinto o mundo rodar e uma quentura no local onde recebi a coronhada. Lex cospe em mim o sangue de sua boca e se afasta, resmungando frustrado. Tento me vira e o vejo mexendo no celular, antes de se voltar para mim, apontando a arma em minha direção.

— Você tem sorte de precisarmos de você. Já faz algum tempo que eu sinto o desejo de encher esse seu rostinho irritante de balas, mas eu teria problemas com Ophelia se assim o fizesse. Por algum motivo, ela parece gostar de você. – Lex bufa e passa a mão pelo nariz, limpando o sangue que descia. Levanto-me com dificuldade e me sento, apoiando minhas costas no sofá onde ele estava sentado antes. – De qualquer forma, assim que Ophelia colocar as mãos em Sara, colocaremos nosso plano em ação.

— Vocês... nunca vão... – Arfo, sentindo o ar faltar pelo esforço, depois de todos os golpes que recebi. Passo a mão pelo rosto, limpando o sangue que descia do ferimento na cabeça. – Nunca vão conseguir... colocar as mãos... em Sara. Ela é... forte demais para isso.

— Eu odeio ser o estraga prazeres, mas Ophelia é uma ex-agente da CIA. Todos os truques que a sua namoradinha sabe, foi ela quem desenvolveu. O treinamento da S.H.I.E.L.D foi todo feito com base no conhecimento de lutas de Ophelia. Além disso, Sara pode ter o Mirakuru em seu corpo, mas nem mesmo ela é capaz de resistir ao sedativo produzido pelo dr. Zola. É só uma questão de tempo até que ela esteja completamente a mercê de nossas forças. No entanto, é adorável que você tenha tanta confiança assim na força de sua namorada. – Ironiza Luthor e novamente sinto a raiva me atingir. – E quando ela estiver em nossas mãos, usaremos você como nossa moeda de troca para fazê-la trabalhar para nós.

— Ela nunca... irá trabalhar... para vocês... Não importa... o que... vocês façam. – Respondo entre ofegos, enquanto tentava me levantar.

— Será mesmo? – Encaro o sorriso presunçoso de Lex, que se aproxima de mim e se abaixa para ficar na altura de meu rosto. O homem então leva a arma a minha cabeça e me encara com seus olhos cheios de maldade. – Há muitos séculos atrás, em uma região marcada pela guerra, as dinastias Yue e Wu travavam batalhas sangrentas por território. Ao ver que suas forças estavam perdendo força e que se não fizesse nada, seu povo acabaria sendo derrotado, o imperador Yue mandou que procurassem a moça mais bela e patriota do reino. Ela seria enviada em uma missão para se infiltrar na Dinastia Wu e conquistar o imperador Wu, que era um perfeito mulherengo e dizia que jamais se apaixonaria.

“Os soldados descobriram Xi Shi perto do riacho e ficaram tão impressionados com sua beleza, que a levaram imediatamente para o imperador Yue. Depois de ser treinada nas artes de canto, dança, música, foi enviada para o reino de Wu.

Xi Shi precisava fazer o imperador confiar em si e, pelo bem de seu povo, deveria matar ele a família dele antes que as tropas inimigas fossem enviadas para dominar a região onde ela e todas as pessoas que ela amava viviam. Esse era o dever de sua vida e ela sabia que todos da Dinastia Yue contavam com ela para garantir a paz de seu reino e o fim da guerra que ocorria há anos.

No entanto, assim que conseguiu se infiltrar no castelo do imperador Wu, Xi Shi conheceu Fan Li, o filho do imperador, e se apaixonou perdidamente por ele. Eles começaram um romance proibido e cheio de uma paixão intensa, algo que Xi Shi nunca havia sentido antes. Ela sabia que ele era o amor da sua vida e que jamais amaria alguém como amava Fan Li.

Para piorar a situação, a família Wu a recebeu como uma filha em seu castelo e mesmo que ela, para todos os efeitos, tivesse vindo de uma família pobre, e Fan Li fosse filho dos imperadores da região, todos esperavam ansiosos pelo casamento do casal. Xi Shi se apaixonou também por aquela família e pelas pessoas que viviam naquele reino, que até então era descrito em sua terra como seres cruéis e diabólicos.

E foi então que a nossa espiã se viu dividida entre o amor e o dever. Se ela matasse o imperador Wu e cumprisse com a sua missão, assim como sua família e seu povo esperava, despertaria o ódio do homem que amava e o veria ser morto pelo imperador Yue, que, para evitar que houvesse uma retaliação inimiga por vingança, pretendia matar o imperador Wu e todos aqueles que carregavam o sangue de seu inimigo.

Por outro lado, se Xi Shi escolhesse o amor, a guerra entre as duas dinastias continuaria e poderia acabar vendo seu povo se tornar escravos do império Wu. E era exatamente por isso que ela sabia que não poderia falhar com seu povo. Xi Shi sabia que precisava cumprir com o seu dever. Ela tinha plena consciência disso, mas todas as vezes que olhava para seu amado e vivenciava momentos incríveis ao lado da família Wu, Xi Shi hesitava.

Como poderia matar o homem que ama? Como ela poderia assassinar a família que a acolheu e passou a tratá-la como um membro importante da família? Como ela poderia trair a confiança das pessoas que aprendeu a amar e a confiar, algo que nunca sentiu enquanto vivia na dinastia Yue? Ela não conseguiria. Amava a família Wu demais para isso. E mais do que isso, ela nunca se perdoaria se quebrasse o gentil coração de Fan Li e tivesse que vê-lo morrer por sua culpa.” – Lex se levanta e volta a se aproximar do bar do quarto de Arnim. Ele coloca um pouco de whisky em um copo e toma a bebida com rapidez. O homem então bate o copo sobre o balcão do bar e volta a me encarar com aquele sorriso perigoso que somente ele tinha. – E sabe o que ela escolheu, agente Leonard Snart? Se você pensou em amor, está absurdamente correto.

“Xi Shi agiu de maneira egoísta e escolheu o amor. Não conseguiria matar o homem que ama. Ela conseguiria viver com o ódio de Fan Li, mas jamais com a culpa de saber que nunca mais o veria sorrir novamente. Por causa de sua escolha, a Dinastia Yue foi derrotada e unificada a Dinastia Wu.

No momento em que descobriram que Xi Shi era uma espiã, ela foi condenada à morte em praça pública. Fan Li não suportou lidar com a traição e a morte de sua amada e acabou se matando pouco tempo depois. E a moral da história é que o amor sempre fala mais alto que o dever, meu caro agente Leonard.” – Termina Lex, sorrindo confiante. – E é isso que vai acontecer. No final das contas, Sara não vai suportar perder mais uma pessoa que ama e escolherá sua vida ao invés do bem da missão.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara