Espion Noir
28 XXVIII.
O corpo de Arabella vagou como um zumbi, sem rumo, pela noite fria e gélida, parando a poucos passos do parque próximo a sua casa.
Os olhos esverdeados encararam todas as estruturas presentes nele, como o telhado e os brinquedos espalhados ao longe. Era como vê-lo pela primeira vez, mas sem o calor do primeiro dia.
O vento soprou e os galhos das árvores próximas balançaram a convidando a se aproximar. Lentamente ela o fez, entrando debaixo da coberta, e sentando-se no primeiro banco que encontrou.
Sua cabeça ainda girava em trezentos e sessenta graus com todas as informações se embaralhando e vez ou outra a machucando novamente.
Dentro de si a sensação era de vazio e remexendo os pés inquietos ela suspirou pela décima quarta vez. Sentiu o frio lhe tomar os ossos e encarou um ponto fixo, buscando esvaziar os pensamentos.
Arabella suspirou depois de um bom tempo se encostando a uma pilastra atrás de si. Os olhos pousaram sobre a fraca iluminação de um poste próximo e foi quando ela percebeu que se encontrava sozinha naquele lugar tão soturno.
Quanto tempo havia se passado desde que Alex a expulsou? Quantas horas se passaram desde que ela quebrou seu coração?
Seu sobretudo tremeu e a mão de Arabella correu por ele, pegando o celular que vibrava em seu bolso. Sem olhar a tela a garota o atendeu.
— Alô?
— Irmã?
A voz do outro lado fez Arabella estremecer. Era sua irmã mais velha.
— Sim.
— Arabella agora, não é? – a voz melódica riu – É um bom nome, pode me chamar de Bia aliás, só para os íntimos. Acredita que não me mandaram para o Alasca? Foi por pouco! Estou aqui na Califórnia curtindo um pouco de praia, bronzeada até demais!
Silêncio rondou o telefone.
— Como conseguiu meu número?
— Tenho meus contatos – a garota riu novamente do outro lado – e então, como andam as coisas por aí?
— Péssimas.
Arabella suspirou encarando o chão.
— Pode começar o relatório, estou na escuta.
Por breves segundos a jovem ponderou sobre contar suas desventuras a sua irmã. Mas com um suspiro pesaroso decidiu que não faria mais diferença. Ela precisava colocar aquilo para fora.
Então lenta e gradualmente Arabella contou tudo que vinha acontecendo, sobre Alex, sobre a missão, sobre seus sentimentos. A garota do outro lado, ou Bia, como se denominava, a ouviu atentamente sem a interromper e ao final, com mais um suspiro cansado da garota, sua irmã se manifestou.
— Nunca pensei que isso fosse acontecer com você.
— Nem eu.
— Um garoto mexendo com você – murmurou perplexa.
Arabella estalou a língua numa confirmação quase silenciosa.
— Por que me contou tudo isso?
A voz de sua irmã a fez rever, em pensamento, tudo o que lhe contara e com um maneio da cabeça, imperceptível para a garota do outro lado, ela soltou:
— Porque eu estou cheia. Cheia de toda essa droga que é esse trabalho. Essa minha vida. Quem diabos eu sou afinal? Que merda estou fazendo indo nessas missões? Por dinheiro? Eu não preciso de dinheiro! Estou cansada de tudo, tudo.
A fala de Arabella minguou e a garota riu através linha, fazendo-a franzir as sobrancelhas instantaneamente.
— Eu sempre gostei de você, sabia?
Arabella riu com falsidade.
— Sério? Não me diga!
Sua irmã fez um chiado de resmungo do outro lado e a garota quase conseguiu visualizar uma careta em sua face.
— Estou falando sério! Eu vi você nascer e crescer garota! – bufou indignada – Vi cada passo seu desde o início! Apesar de realmente não parecer... – resmungou – sou uma irmã tão ausente! – ela suspirou – Você se tornou uma ótima profissional nesse meio tempo... e orgulhou toda a nossa família, um exemplo a ser seguido. Mas sempre soube que você não seria como nós.
— Sempre soube? Como nós?
— Sim, não sei se consigo te explicar – houve um breve silêncio no aparelho – é algo voltado a sua energia. Você tem alguma coisa que não se encaixa com tudo isso. Você é diferente de nós e sabe disso.
— Tudo que sei é o que vocês me ensinaram.
— E esse Alex, não lhe ensinou nada?
— É diferente.
— Não meu amor, não é. Eu sei que nunca fui uma irmã de verdade para você e sinto muito por isso, mas você deveria ter entendido no momento em que ele a fez enxergar você mesma. Nós a ensinamos a ser uma espiã profissional, ele a ensinou a ser humana.
Arabella se calou ainda ouvindo um chiado baixo vindo do outro lado da linha.
— Ei, olhe para o céu.
Os olhos esverdeados obedeceram e encaram a lua enorme acima de sua cabeça, quase sozinha na imensidão azul, com algumas poucas e dispersas estrelas lhe fazendo uma precária companhia. O céu noturno nunca lhe pareceu tão triste.
— Eu estou nesse momento na praia observando o mesmo céu que você, fantástico não acha?
— Onde quer chegar com isso?
A garota do telefone riu.
— Você não perde nada, hein? A verdade é que em uma das minhas missões ouvi de uma senhora que o céu é o mesmo para todos, mas o significado dele quem dá é cada pessoa.
— E...?
— Quem sabe se o céu vai ter um significado diferente para você daqui alguns dias?
— O que está querendo dizer?
— Eu sou péssima com essas coisas, não sou?
Arabella riu baixo, sem força.
— Eu só queria dizer para você deixar as coisas se acalmarem para ele e para você também.
— Mas ele está correndo perigo – suspirou – e eu...
— E você é a melhor profissional da organização pronta para salvar o cara que ama, não é?
Arabella sorriu genuinamente.
— Sim, eu sou.
— Isso aí garota!
— Por que ligou para mim? Quero dizer, exatamente agora? Quando tudo isso acabou de acontecer...
Houve um murmúrio inaudível do outro lado.
— Sabe que não sei? – ela riu – Apenas pensei, por que não?
Arabella sorriu ainda com os olhos voltados ao céu, examinando cada constelação. Sua irmã havia sido tudo que a jovem precisava naquele momento e internamente a mesma agradeceu a força espiritual por detrás daquilo.
Soou um barulho de briga na linha.
— Agora eu vou ter que desligar, está tendo uma briga maravilhosa aqui e não posso perder.
A jovem riu.
— Tudo bem, obrigada por me ouvir.
— Não foi nada, não é isso que irmãs mais velhas fazem?
— Você sempre foi uma péssima irmã mais velha.
Bia riu.
— Você não precisa me lembrar disso sempre – fez um chiado – e lembre-se, não importa o que nossa mãe fale, você é uma pessoa completamente diferente dela.
Um chiado mais alto soou.
— Senti que devia ter dito isso a você a vida inteira. Mas agora está dito. Não se submeta a ela como sua marionete.
— Certo, pode deixar.
— Então, tchau! – cantarolou.
Poucos segundos antes da ligação ser desligada Arabella se sentou ereta no banco.
— Posso te pedir um favor?
A garota do outro lado riu, animada com o tom de voz mais firme da irmã.
— Claro.
— Poderia me enviar a localização dele?
Um breve silêncio soou no aparelho.
— Sim, eu posso.
— Obrigada.
— Fique bem por aí, ligo em breve.
A ligação caiu e Arabella encarou a tela por minutos a fio, com um tímido sorriso no rosto. Sua irmã lhe fez abrir os olhos para tudo que ela precisava. Lidaria com seus sentimentos mais tarde, haviam coisas mais importantes a serem feitas, e ela não podia simplesmente ignorar como Alex o estava fazendo.
Dando uma última olhada na praça ela se levantou e rumou ao seu edifício, entrando rapidamente no apartamento.
Com uma olhada breve para a decoração do local e lembrando-se dos momentos que tivera ali, ela respirou fundo. Sabia o que precisava fazer e o faria. Iria proteger Alex e sua família, ainda que isso lhe custasse caro.
E ela sabia que custaria.
Em movimentos rápidos ela deslogou todas as câmeras da casa do garoto da televisão e se livrou dos códigos de acesso as nanôcâmeras, escutas e sensores ao longo da casa.
Com praticidade juntou todos os papéis do caso de Alex e, pondo-os dentro de uma lata de lixo, encharcou-os com álcool e colocou fogo.
O resto da limpeza foi rápida e tão logo terminou, nenhum rastro ou informação sobre Alex podia ser encontrada no apartamento. Ela mesma hackeou o laptop deletando permanentemente as informações e se livrou do mesmo após resetar todo seu sistema operacional.
Ninguém saberia nada além do que a empresa disponibilizaria, que não chegava perto de um terço do que Arabella construiu naquelas semanas.
No quarto, sobre a cama, ela jogou uma bolsa de costas larga e funda, empreendendo uma caça as roupas em seu armário. Além das poucas roupas que colocava a garota também lançou os principais equipamentos que utilizava, e claro, sua pistola de bolso.
Feita a mala principal ela abriu o fundo falso do guarda-roupa e de lá tirou fuzis e munição. Escolhendo cuidadosamente ela depositou duas das armas, as que possuía mais facilidade, na mala e guardou novamente as outras.
Objetos como seus documentos de identificação também foram depositados na mala, assim como os do seu carro.
Com a mala sobre o balcão e a casa já quase abandonada Arabella abriu a geladeira tomando um longo gole da última caixinha de suco. Fechando a porta da geladeira, do apartamento e do elevador ela chegou ao estacionamento. Depositando a mala no banco traseiro do carro ela ligou o mesmo saindo para a pista.
O trânsito estava vazio e entre uma curva e outra a mesma recebeu em seu celular uma mensagem de sua irmã com coordenadas. A jovem agradeceu mentalmente por ter se lembrado de desvincular o aparelho do servidor da organização e agora tinha certeza de que, ao menos por algum tempo, estava segura de seu monitoramento.
Um sorriso de lado surgiu em seu rosto e acelerando ela percebeu que nunca estivera tão próxima de sua irmã. As conversas que sempre tiveram eram sobre trabalho, ou, no máximo, sobre as matérias que ela lhe ensinara em casa.
Pensando nisso Arabella percebeu que não se lembrava claramente sobre as aulas com sua outra irmã, a do meio. Se o contato com a mais velha já era precário quanto mais com a do meio, que sequer a via fora dos encontros ao final das missões, e mal se falavam por telefone.
Com um sorriso tímido a jovem concluiu para si que sua irmã mais velha realmente sempre estivera consigo. Ela se lembrava dela reclamando sobre as respostas erradas nas atividades ou as posições imprecisas ao segurar uma arma.
Fazendo uma careta Arabella riu sozinha no veículo, quase sem forças, ao notar que em nenhuma lembrança ela aparecia sem ter alguma reclamação na ponta da língua, ou uma cara feia para algo que ela fazia.
Toda a sua instrução foi seguida de disciplina severa e por mais que quisesse, essas lembranças longínquas a remetiam a uma única coisa: seu trabalho. Todo seu passado e toda a sua infância se resumindo a isso.
E por mais que agora conseguisse lembrar e rir dela, aquelas eram memórias que doíam em um ponto muito dolorido de sua vida. Na forma com que ela tinha sido manipulada até ali. A forma como fora moldada para ser a profissional que era.
No final, tudo sempre se resumia a ser uma espiã.
As ruas passavam como raios pelas janelas do carro e toda a concentração de Arabella jazia fora do automóvel, na estrada, buscando afastar os pensamentos que insistiam em voltar a Alex e a angustia que sentia em deixá-lo lá, sofrendo.
No final, ela fez a mesma coisa de sempre: o machucou. Assim como o havia feito com tantas outras pessoas antes dele, em tantas outras missões. Ela já não se admirava por conseguir agir da forma que agiu, passando por cima dos outros, destruindo pessoas e acabando com suas vidas.
Arabella fora criada para aquilo, não havia nada que ela soubesse melhor.
Mas agora era diferente e ela também sabia disso.
Quando o carro parou de frente aos enormes portões de uma mansão na área mais isolada e verde da cidade, Arabella respirou fundo tomando coragem. Após mostrar a identidade de representante da organização ela entrou e dirigiu com cautela até o estacionamento do pátio.
Desceu calmamente e seguiu até a porta com a larga bolsa em suas costas. O lugar era vazio e gigantesco, com uma espaçosa área verde tomando o percurso do portão até ali, com grandes árvores, esculturas enormes e fontes espalhadas. A construção principal era coberta por um tom madeira escuro e bastante espaçosa, aparentando entretanto ter apenas um primeiro andar.
Arabella se lembrou da última vez que visitou uma das exorbitantes construções daquele homem: uma enorme piscina-casa num terreno árido. Tudo era sempre tão irreverente.
Depois de bater duas vezes a jovem foi atendida por um homem alto, gordo velho e careca. Ele possuía um bigode ralo e branco como neve, vestido em um robe de tom vermelho sangue, com um charuto apoiado em sua boca.
O homem sorriu ao ver a jovem e, com seus olhos tão verdes quanto os dela, puxou o fumo dos lábios, receptivo. Ela o correspondeu de imediato com um sorriso.
— Voltei, vovô.
•••
— A que devo a alegre visita?
O velho jazia sentado em sua poltrona de couro, na gigantesca sala de estar de sua mansão. As paredes, cobertas de um tom soturno e avermelhado, possuíam pouco espaço, sendo preenchidas de quadros e outras decorações suspensas.
No centro do cômodo, tomando todo o chão, se mantinha um tapete felpudo e negro, achatado por dois grandes sofás e a poltrona em questão.
Arabella estava de pé próxima a um dos quadros, aparentemente o avaliando, enquanto girava entre os dedos seu cartão da organização que usara para entrar. Ela fitou o homem com cautela ao ouvir sua pergunta e caminhou até o sofá.
— Tenho algo que quero pedir.
— O que deseja?
— Proteção – sentou.
O velho ergueu a sobrancelha confuso.
— Proteção? Você está correndo perigo?
— Ainda não, mas em breve com certeza.
Ele riu e puxou da mesinha ao seu lado o charuto acesso.
— Você está realmente sempre pensando na frente – deu uma baforada – o que está acontecendo?
Arabella respirou fundo duas vezes antes de contar ao homem a situação em que se encontrava. O grisalho a observou atento enquanto ela lhe resumia, de forma prática, que a partir da meia-noite estaria traindo sua organização em prol de Alex, um de seus alvos.
O homem puxou o charuto mais três vezes enquanto a ouvia. Sua expressão era serena e tranquila, e mesmo quando a jovem parecia abalada, ele se quer demonstrava qualquer emoção.
Terminando seu relato Arabella se encostou ao assento, cruzando as pernas e virando em sua direção com os olhos mais penetrantes que aquele velho já vira.
— Então preciso de um lugar para ficar e aqui parece ideal. Eles não viriam atrás de você.
— E eu tão pouco deixaria barato se eles viessem – resmungou o velho apagando o fumo.
— Por isso você é a pessoa perfeita para isso.
O homem abriu um sorriso de lado se inclinando para a jovem a partir de sua poltrona.
— Você sabe que não consigo dizer não a minha netinha, não é?
Arabella sorriu, rindo em seguida.
— Você é um péssimo familiar, por que se importaria comigo?
— Verdade, não me importo nem um pouco. Mas adoro ir contra aqueles malditos.
— Sabia que podia contar com você – ela piscou.
O velho riu de forma exagerada e se forçou a levantar do assento.
— Depois que você se aposenta, os passatempos passam a ter muito mais significado. Principalmente quando você é acostumado com um pouco de ação.
Ele caminhou numa marcha lenta em direção a uma das mesas laterais e só então a jovem percebeu, sobre ela, três garrafas cheias de whisky.
— Não consegui me dar bem com os outros aposentados. Eles queriam jogar xadrez e dormir o dia inteiro, era um saco.
Arabella riu.
— E você, o que queria fazer?
— Não é óbvio? – ele encheu dois copos com a bebida – Queria chutar uns traseiros e disparar minhas queridinhas em filhos da puta.
A jovem riu novamente, desta vez mais alto. Seu avô sempre fora assim: extravagante e viciado em adrenalina. Ela o vira poucas vezes em sua vida, todas em casas diferentes tanto em localização quanto em decoração, variando muito pouco em estranhabilidade.
A arma de bolso que levava consigo havia sido dada por ele que quando ainda era um agente a presenteou com a mesma em seu aniversário de quinze anos.
Mas a verdade era que tudo isso não passava de mera formalidade: passar algum objeto de família para a próxima geração.
Nunca houve sentimentalismo naquela família e não seria por um mero objeto que ela iria começar.
Apesar de Arabella ter tido, boa parte de sua vida, uma grande admiração por seu avô.
Ele havia sido um dos agentes mais famosos da organização, sempre batendo recordes em suas missões. Mas toda essa idealização se desfez quando ele se aposentou.
Ele havia se aposentando da organização faziam poucos anos, por motivos medíocres, que levaram a neta vê-lo de uma outra forma. Porém o homem nunca deixou realmente de lado seus afazeres e, acima de tudo, odiava com afinco a organização.
Era o parceiro perfeito para Arabella, mesmo ela sabendo que era perigoso estar junto dele. O velho não tinha qualquer medo do perigo e se jogava com tudo em qualquer plano.
O homem virou-se para a garota, chamando sua atenção, e elevou um dos copos preenchidos, lhe sorrindo convidativo.
— Aceita?
— Claro.
O velho riu novamente, animado, voltando aos assentos e, desta vez, sentando-se próximo a jovem.
— E então, nesse seu plano, qual minha parte para proteger o garoto?
Arabella fitou os olhos esverdeados do homem e tomou um longo gole da bebida, sentindo-a rasgar sua garganta.
— Vou protegê-lo eu mesma, quanto a isso você não precisa se preocupar. Só quero que disponibilize alguns homens para proteger sua família e amigos, da forma mais discreta possível.
— Protegê-lo sozinha? Não acha muito extremo?
A jovem sorriu.
— Olha quem está falando.
Ele lhe retribuiu o sorriso.
— Eu sou cauteloso apesar de tudo, minha neta. Imagine o que seria desse velho se ele só se lançasse em fogo cruzado sem ajuda?
— Eu consigo lidar sozinha com os que forem atrás de Alex.
— A não ser que tudo saia do controle – o homem bebericou do whisky.
— Se sair do controle, aí sim você terá sua parte.
— Nunca imaginei que aquela garota certinha bateria na minha porta no meio da noite me pedindo uma loucura dessas.
— Quem está na sua frente não é mais aquela garota – retrucou a jovem entornando a bebida.
— Então quem está?
Arabella o encarou no fundo dos olhos e lhe estendeu a mão.
— A partir de agora, sou Arabella Turner.
O homem sorriu e tomou a mão da jovem na sua, apertando-a.
— E você, quem é?
— Sou Bill Thompson, minha querida, desde o momento em que me aposentei.
Seus olhos se encontraram e eles se olharam cúmplices.
— Aceita mais?
Os olhos esverdeados encararam o copo vazio na sua mão e ela abriu um sorriu melancólico.
— Com certeza.
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