Espero que sim

5 Wainting for The End | Linkin Park


Notas iniciais
Espero que gostem ♥ Pelo menos eu gostei muito de ter escrito :v

— Eles vão vir... — repetiu baixinho, quando já estava sozinho no quarto, fitando seus pés. Estava um pouco tonto, as mãos agarrando sua blusa onde por baixo estaria seu coração, batendo fora de ritmo.

Quando lhe disseram que alguns dos Vingadores viriam ao reino, não pode acreditar.

Pelo menos durante poucos segundos, se sentiu feliz. Por que, por alguns segundos, pensou que — finalmente — tinha amigos. Afinal, eles estariam indo até Asgard por ele, certo?

"Errado", logo sua mente sabotadora lhe gritou. Os poucos segundos de felicidade se esgotaram tão rápido que mal pôde aproveitar a sensação.

Obviamente eles estariam o acompanhando até Asgard pois representava perigo, por que no fundo ninguém acreditava que ele não era um vilão; pensou. Eles viriam para ajudar Thor; caso o atacasse, caso tudo fosse um plano.

A alegria de antes se tornou em frustração. Sentiu vontade de chorar, como sempre. Mas não se permitiu chorar, como sempre. Estava cansado, sem perspectiva ou esperança. Para si, todos os poucos gestos de carinho que lhe dirigiam, pareciam ensaiados. Pareciam falsos. Como se estivessem tentando manter a besta sob controle.

Olhou para a enorme janela que tinha do outro lado do seu quarto.

Ela pareceu convidativa.

Certamente não sobreviveria a uma queda daquela altura, não enquanto fosse humano.

Afastou os lençóis de cima de si, e jogou suas pernas para fora da cama. Nesses poucos movimentos, notou a falta de força em seu corpo.

O contato dos seus pés descalços com o mármore gelado lhe deu um estimulo a levantar. Gostava do frio. Não sabia se era por simplesmente gostar ou por sua natureza de gigante. E também não fazia questão de saber.

Quando se pôs de pé, a tontura lhe bateu, por levantar rápido demais. Respirou fundo algumas vezes, mantendo o equilíbrio. Caminhou com cuidado até a janela, sentindo seu corpo sem energia e sem força, mas o suficiente para se manter de pé.

Com mãos rápidas, destrancou e abriu a janela. Tomou cautela para não fazer barulho. Não queria alertar os guardas, que à essa hora da madrugada estavam bem atentos, vigiando os corredores do palácio. Certamente tinha um perto de sua porta.

O ar gélido preencheu seus pulmões. Fechou os olhos aproveitando a sensação. Aquilo o livrou das sensações ruins que antes o pareciam prestes a sufocá-lo até a morte.

De repente a sua antiga paixão pela natureza e o ar livre se fez presente. Sorriu, sentando-se na janela com as pernas para o lado de fora, balançando de leve, apoiando suas mãos ao lado de seu corpo. Não iria se jogar, sabia disso. Por mais que quisesse dar um fim a tudo; algo — que não sabia exatamente o que era — o impedia.

Talvez não fosse corajoso o suficiente, pensou. Por breves instantes, sentiu que todas as sensações e pensamentos negativos de antes o invadiriam novamente. Balançou a cabeça, fechando os olhos com força, tentando impedir.

Olhou para o céu estrelado que cobria o reino. A visão e o silêncio da noite lhe deu a calmaria que precisava no momento. Respirou fundo, deixando que o ar frio limpasse os rastros de sua melancolia anterior. Precisava de algum momento de alivio, ou sentia que iria surtar, perder o controle.

Sentia-se cansado. Muito cansado. Psicológica, emocional e fisicamente.

Ficou observando a paisagem. Não sabia mais a quanto tempo estava ali. E teria ficado até amanhecer, mas ao olhar para baixo, viu que um dos guardas que fazia a ronda do jardim estava parado olhando para cima, pois teria notado a sua figura na janela.

Viu outro soldado saindo correndo do jardim e indo para dentro do castelo, gritando alguma ordem à outro guarda, incompreensível para si à aquela distância.

Acharam que iria se jogar e alertaram os demais guardas.

— Merda — murmurou, saindo de pressa dali e voltando para dentro de seu cômodo.

Não podia deixar que os guardas chegassem até ele. O que fariam se deduzissem que estava tentando suicídio pela segunda vez em menos de três dias? Iriam sedá-lo e mantê-lo vigiado 100% do tempo. Iriam considerá-lo um perigo para si mesmo — sendo que já o consideravam um perigo para os demais. Fora os olhares e as piadas que surgiriam. Não, não, não...

Não queria isso, já se sentia sufocado o bastante só por estar em Asgard. Teve vontade de chorar, de se jogar daquela janela. Por que tudo sempre dava errado?

O desespero estava o consumindo, a cada segundo os guardas se aproximavam. Teria um minuto e meio no máximo até chegarem ali — considerando o tamanho daquele lugar.

Teria que escolher entre deixar que o sedassem e o amarrassem, e entre se jogar. Mas não conseguia fazer nenhum dos dois. Sua mente estava a mil por hora por causa da angustia e da ansiedade. Olhava para todos os lados a procura de alguma ajuda, de algum sinal.

Foi então que olhou para a porta.

Se arrependeria, sabia que sim. Mas correu até ela e abandonou seu quarto, sabendo que seria muito pior se ficasse.

O guarda parado perto de sua porta se assustou, indo até ele devagar.

— Aconteceu algo, majestade? Precisa de algo?

Ele ainda não teria recebido o alerta dos demais guardas. Sua voz demonstrava preocupação, e isso quase impediu de dar continuidade com o que estava prestes a fazer. Quase.

— Sim, preciso — Loki respondeu, ofegante, com os olhos lacrimejando por causa da agonia.

Puxou a adaga presa na cintura do guarda, o acertando na coxa com a pouca força que ainda tinha, e puxando-a de volta. Ele gritou de dor e caiu de joelhos; o som de sua armadura e sua lança batendo no chão ecoou por todo o lugar.

— M-me desculpe...

O príncipe saiu em disparada pelos corredores, na direção oposta da qual os guardas viriam, sem olhar para trás. Já estava feito.

Fugia o mais rápido que podia, seus pés descalços contra o chão gelado. Virava de corredor em corredor sem hesitar. Mas de nada adiantava conhecer com a palma da mão o labirinto dourado que aquele lugar era, se não tinha em mente para onde iria.

Sem saber seu possível destino, parou. Se escondeu entre algumas colunas, esperando um soldado que fazia a ronda no fim do corredor sumir de vista. Estava muito tonto, tremendo e suando frio, prestes a desmaiar. Sabia que não aguentaria muito mais, por causa de seu estado de saúde comprometido.

Se sentia um animal perdido e assustado. Precisa encontrar suas passagens secretas que tinha feito quando ainda morava no castelo. Era sua única chance. Tinha que sair do reino.

Ouviu os gritos dos guardas ao longe e voltou a correr, em alerta; trilhando o caminho que sabia que tinha menos soldados fazendo rondas.

Era um guerreiro treinado. Desde que nasceu criaram ele e Thor para serem os melhores. E seu treinamento com Thanos só o fortaleceu. Em seu estado normal, ele sem sombra de dúvidas era três vezes mais rápido e ágil que qualquer guarda naquele castelo.

Mas ele mal conseguia respirar. Seu corpo o guiava inconscientemente, tendo aquele caminho gravado em sua memória. Segurava a adaga suja de sangue com toda força que sua mão permitia. Mesmo fraco, nenhum guarda conseguia ser rápido, disse a si mesmo, esperando ser verdade.

Tinha que ser.

Por Ornn, seu corpo doía como o inferno, mas só pararia de correr quando desmaiasse. O desejo de escapar era maior que qualquer coisa. Trombou com diversos vasos e mesas de decoração durante o caminho, quebrando alguns no processo.

Então, quando estava começando a achar que não conseguiria, ele parou de correr quando viu o enorme quadro no fim do corredor que acabará de entrar, onde ficava uma das passagens para Niflheim.

Só ele poderia entrar, sabia que mesmo sem seus poderes a magia presente na passagem o reconheceria e não deixaria ninguém o segui-lo dali em diante.

A esperança o alcançou, misturando-se ao desespero, deixando-o surdo para os gritos de todos os guardas que se aproximavam. "Ele foi por ali!", alguém berrou, o tirando do transe.

Pôs-se a correr pelo extenso corredor, um mínimo sorriso brotando no seus lábios, em contraste com as lágrimas que ainda desciam pelo seu rosto.

Escaparia daquela prisão que chamavam de castelo.

Ninguém poderia o sedar e trancar assim que passasse. E quanto mais se aproximava, uma luz verde acendia na falsa pintura, reconhecendo seu criador e formando um portal diante de seus olhos. Esticou a mão que estava livre, querendo logo tocá-lo e sumir dali.

E quando estava à poucos metros de distância, perdeu o fôlego.

Sentiu um peso enorme o agarrando e caindo sobre si, o levando ao chão.

A adaga escorregou por sua mão e passou pelo portal, o fechando.

Sentiu que a consciência lhe escapava por causa da dor causada pelo peso e pelo tombo. Sua visão escureceu por um momento.

Sua mente gritando, anunciando outro fracasso seu. Iriam sedá-lo por ter tentado se matar; iriam puni-lo por ferir o guarda; iriam o prender por tentar fujir.

Nenhum soldado era mais rápido que ele. Sabia que não. Como o alcançaram?!! Movido pelo desespero, tentou inutilmente se livrar dos braços que o prendiam; chorando descontrolado, pedindo que o largasse.

— Calma, eu não vou te machucar.

E então, ele se tocou.

Realmente, nenhum guarda era mais rápido que ele.

Mas Thor sim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.