Espero que sim

3 This is Gospel | Panic! at The Disco


Notas iniciais
Heeey! ♥ Como prometido, não abandonei novamente a fanfic. Boa leitura a todos Espero que gostem >

— É bom vê-lo acordado — a voz atrás de si ressoou com certo carinho.

— Não posso dizer o mesmo — soltou num tom entre sarcasmo e de quem tinha acabado de acordar; por isso estava grogue de sono.

Loki sentou-se na cama de seu quarto hospitalar, olhando em direção a Odin, qual observava o diagnóstico do filho deixado em uma mesa por uma das curandeiras.

O Pai de Todos dirigiu-se a uma poltrona, sentando-se de frente para o feiticeiro. Loki achava quase estranho vê-lo sem sua armadura dourada e imponente. Mas era ainda mais estranho vê-lo em seu quarto.

— Como se sente?

— O mesmo de sempre — mentiu. — Desde quando importa-se? — Questionou com um sorriso zombeiro e uma sobrancelha erguida, embora realmente fosse uma dúvida.

— Desde o momento qual você provou que merecia atenção e apoio de sua família — respondeu tranquilamente, folheando o relatório.

— E que momento foi esse que não me lembro? — Apoiou sua cabeça em sua mão direita, olhando atentamente o homem a sua frente.

Odin soltou um riso baixo e leve, como de alguém que já tinha passado por muitas coisas e perdido muita gente. Viu em seu olhar peso por tudo que aguentou em toda sua longa vida, mas ao mesmo tempo certa felicidade. E embora o feiticeiro não soubesse, o motivo dessa alegria momentânea foi ter seu caçula ali, perto de si outra vez.

Levantando-se e parou em frente ao filho; qual estranhou o ato e recuou um pouco.

— Mais tarde terminamos esta conversa, por enquanto descanse; terá um logo dia de exames e consultas — deu um rápido afago em seus cabelos antes de retirar-se do quarto.

Loki ficou estático, processando o gesto de carinho.

— Tanto faz — murmurou, antes de levantar-se para ir ao banheiro que ficava no mesmo cômodo.

— Meu pai?

Odin virou-se, avistando Thor no fim do corredor.

— Sim? — Parou de andar para o outro alcança-lo.

— Posso ter um tempo com o senhor? Preciso conversar sobre algo. — Pôs-se a andar ao lado d'O Pai de Todos em direção ao salão principal.

— Diga-me.

— É sobre meu irmão — iniciou —; o tempo na Terra ao lado dos Vingadores o fez bem, mais do que esperávamos... embora ele tenha adoecido. Mas não acho que seja o lugar que o fez mudar e sim as pessoas de lá. Seguindo essa linha de raciocínio, o trazer para cá, mesmo que necessário, seria algo--

Thor tentava arranjar as melhores palavras para convencer seu pai, mas não era bom com isso.

— Não enrole, Thor — o reprovou.

— Perdão — abaixou de modo disfarçado a cabeça, envergonhado. — Acredito que seria uma sábia decisão trazer os heróis midgardianos para cá durante seu tratamento — parou, virando-se para Odin, que também encerrou sua caminhada.

O rei olhava para o nada, pensando no que o filho tinha lhe proposto.

— Antes de qualquer decisão, pergunte ao seu irmão o que ele pensa disso — virou seu olhar para o mais jovem —; se ele concordar, conversarei com o conselho. — Thor fez menção de contrariá-lo, mas o impediu com um rápido gesto com a mão, dando continuidade a sua fala: — É necessário. Se eu tomar essa decisão sem consultar o conselho, pode haver consequências. Há muitas coisas para se avaliar — sabia que seu filho não gostava de burocracias, mas era preciso lhe explicar para que não tomasse nenhuma atitude impulsiva — Midgard ficará desprotegida sem seus companheiros por lá. Teremos hospedes importantes para abrigar; se qualquer coisa lhes acontecer durante suas estadia, nós ficaremos responsáveis por isso. Compreendes?

— Sim, meu pai. — Respondeu com má vontade, porém com respeito.

Observou o rei se retirar, se sentindo contrariado. Pôs-se em direção ao quarto onde seu irmão estava, pensando que era a única coisa que poderia fazer a respeito era o que Odin lhe requisitou: perguntar a Loki o que achava da ideia. Provavelmente este seria o único horário em que conseguiria conversar com o mais novo, sabendo que em poucas horas começariam a examiná-lo.

Parou em frente ao quarto, batendo na porta e esperando permissão para entrar, qual não veio. Franziu os cenhos.

— Irmão? — Chamou, para então bater uma outra vez.

Novamente, sem respostas.

Abriu a porta com receio, olhando para dentro do cômodo. Estranhou não avistá-lo na cama e entrou, fechando a porta atrás de si. Seu instinto interior de "mãe" desaprovou ele estar já de pé, mesmo não estando tão bem.

Deu passos curtos em direção ao centro do ambiente, olhando ao redor, procurando sinais do mais novo, até ouvir um som estridente de vidro se quebrando de dentro do banheiro.

— Loki? — Chamou, indo em direção a porta fechada — Está tudo bem aí dentro?

O outro nada disse, começando a preocupá-lo. Impeliu novamente por alguma resposta, sem sucesso.

Tentou abrir a porta, mas a mesma estava trancada.

— Deixe-me em paz — finalmente o feiticeiro o respondeu, com a voz baixa e soturna.

— O que está acontecendo aí? — Ignorou o pedido. — Se não me responder vou ter que chamar um dos guardas, Loki — Sabia que isso era golpe baixo, pois o irmão tinha uma má relação com qualquer soldado do reino.

— Não!... — estava difícil para o trovejante ouvir o que o outro murmurava —Apenas me deixe sozinho. Prometo que não estou tramando nenhum plano maligno contra o reino ou qualquer coisa parecida — Disse amargurado, e Thor teve a impressão de ouvir o som do outro estar chorando — Não que você acredite em qualquer coisa que eu diga.

— Isso não é verdade — respondeu com certa indignação, mas logo suspirou, tentando não entrar em desespero — Irmão, o que está acontecendo?

Loki ficou em silêncio e novamente Thor ouviu o som de vidro, porém desta vez era como se estivesse mexendo nos cacos no chão. Não haveria problemas do feiticeiro mexer nos vidros caso não estivesse em sua forma humana — poderia facilmente se machucar. E ele não gostava nada da ideia de ver o caçula machucado.

— O que quer que esteja fazendo, pare agora e por favor, abra a porta!

Passou-se longos momentos em puro silêncio e Thor não sabia o que estava acontecendo ou o que fazer; até que por impulso, se jogou de lado contra a porta com força, quebrando a fechadura e a abrindo tão rápido como seu corpo permitia.

O ato assustou Loki que não esperava que o outro insistisse em entrar no banheiro. Os irmãos se encararam, ambos em estado de choque.

O mais jovem estava sentado no chão da parede oposta, com os cacos de vidro do espelho quebrado ao seu redor. Seus olhos estavam inchados, dando a entender que estava chorando até pouco tempo, como suspeitava; seus cabelos estando completamente bagunçados e sua mão direita machucada por ter quebrado o espelho com um golpe.

Mas o que fez Thor não saber como reagir foi ver o que ele tinha feito com o vidro. Loki fez cortes profundos em seus pulsos, manchando sua roupa e formando pequenas poças de sangue ao seu lado. Seus braços estavam cobertos com cicatrizes antigas, umas recentes e os cortes grotescos jorrando sangue — porém estes em ordem diferente. Ele pretendia cometer suicídio.

Piscou algumas vezes, desnorteado, sentindo um aperto no peito, antes de ir em direção ao feiticeiro.

— Mas que droga, seu estúpido — murmurou, o abraçando. Loki demorou a retribuir, se agarrando com certa força ao irmão, chorando em seu ombro.

O mais velho sentia sua roupa começar a manchar bruscamente onde o outro se segurava, mas ele não dava mínima para esse detalhe.

O mais velho continuaria o abraçando, mas não dava por enquanto. Cessou o abraço, tirando com a mão os cacos de vidro de perto do outro para que este pudesse se levantar sem machucar seus pés, que estavam descalços.

O pressionou para que se erguesse do chão e o guiou até a cama, o sentando. Pegou uma das toalhas do banheiro e enrolou no braço do irmão, para que controlasse o sangramento até que chamasse alguma curandeira para tratar devidamente do ferimento.

— Eu... não sei o que te levou a isso e muito menos sei como te ajudar — disse, sentando-se de frente pra ele — mas... eu me importo com você e o amo. Saiba que eu sempre vou estar aqui para te apoiar — enrolou-se no que dizia, temendo que só piorasse o estado dele.

Aquilo surpreendeu o moreno, o fazendo encarar o irmão. Não achava que alguém realmente fosse se importar. Deu um sorriso fraco de canto, agradecendo; envolvendo os braços contra si mesmo, sentindo-se fraco pela perda de sangue e sua última refeição ter sido a um tempo considerável.

Thor dirigiu-se a porta do quarto, a abrindo e chamando um dos guardas que passava por ali, pedindo para que chamasse uma curandeira.

Voltou-se para o irmão, fechando a porta e o abraçando novamente. Ficaram ali abraçados um bom tempo até Shouka, uma de suas curandeiras, adentrar no cômodo.

Explicou a situação sem entrar em muitos detalhes, respeitando a privacidade do irmão.

Assim que Shouka terminou de tratar do ferimento, aplicou um calmante que faria Loki dormir — o que seria o mais seguro no momento. Thor ficou no quarto sentado na beira da cama até o irmão cair no sono, sem trocar palavras com o mesmo; entendendo que este queria ficar em silêncio.

Só então saiu do quarto, pedindo que ficassem o vigiando; e com seu coração apertado, dirigiu-se aos aposentos de seu pai.

Notas finais
Então, eu sei que """não parecia""" muito que o Loki estava com problemas emocionais e psicológicos nos capítulos anteriores. Mas eu fiz isso de propósito, tentando mostrar que nem sempre pessoas com depressão transparecem o que sentem; e as vezes, descobrimos muito tarde. Mas sim, irei me aprofundar nisso em capítulos futuros