Esperança
1 Capítulo Único
Notas iniciais
NÃO TEM DRAMA, só amor e fofura.
Ter um filho era algo que, sem dúvidas, não estava nos planejamentos de Hayley... e muito menos Klaus. Mas depois de Hope ter nascido, é como se a vida dos dois, e de toda a família como consequência, tivesse mudado. E mudado para melhor.
O carinho e cuidado que todos tinham para com o bebê era evidente e chegava a ser tocante para alguém de fora, que somente os via como monstros. Hope era a pequena esperança deles, a pequena chama de humanidade que sempre os manteria com os pés no chão, apesar de todas as dificuldades que encontrassem pelo caminho.
Mas com tantos pontos positivos, obviamente também vinham os negativos.
Por Hope ainda ser um bebê e ser tão frágil, o cuidado e a preocupação com ela eram constantes. Além de procurarem sempre evitar que a filha de Klaus presenciasse atos de violência e agressividade... algo que era considerado até comum entre a família Mikaelson.
Mas era pensando nisso que Klaus e Hayley se encontravam em um grande impasse naquele dia.
Ambos precisavam comparecer com urgência em uma reunião envolvendo os vampiros e lobisomens – cada um iria representar um lado. No entanto eles estavam completamente cientes de que aquele tipo de reunião não era um ambiente adequado para um pequeno e inocente bebê estar, ainda mais sabendo que poderia resultar em confusão e um banho de sangue para todos os lados com qualquer passo em falso que tomassem. Reuniões como aquelas eram sempre tensas e raras as vezes em que terminavam bem.
Então... com quem deixar Hope?
A opção mais lógica seria Freya, e era exatamente isso que fariam se a irmã mais velha dos Mikaelson também não estivesse ocupada com Elijah naquele momento. Ambos estavam no cemitério de New Orleans, resolvendo algum atrito entre as bruxas da região. Elijah sempre fora o mais politizado entre os irmãos, e Freya, como bruxa, achou melhor não deixá-lo ir sozinho.
E com isso Klaus e Hayley estavam completamente de mãos atadas, sem saber o que fazer.
— Que tal Cami? — Hayley sugeriu, com Hope em seu colo.
— Está trabalhando o dia inteiro no bar.
— Se ao menos Rebekah estivesse aqui... — Hayley suspirou, buscando soluções e falhando — Não temos escolha, eu ficarei então e cuidarei dela.
— Não, os lobos precisam de você, é a líder deles. — Klaus gostava de comandar todas as situações, mas ele já havia aprendido que quando se envolvia com lobisomens, era melhor deixar Hayley como encarregada.
Os dois ficaram em silêncio por um momento então, pensando no próximo passo que deveriam seguir, visto que ambos não poderiam abrir mão da reunião e de forma alguma deixariam a filha deles correr perigo desnecessário indo para lá.
— Tsc... vocês dois discutindo me dão dor de cabeça — Os dois híbridos se viraram apenas para encontrarem Kol deitado no sofá confortavelmente.
Com o dilema em suas mentes, eles nem haviam notado a presença do outro Mikaelson na sala de estar.
E em apenas um segundo, Kol se levantou e rapidamente se postou a frente de Hayley, olhando para Hope.
— Vamos lá, eu posso tomar conta dela por um tempo — disse, esboçando um sorriso para sobrinha — Obrigado por se esquecerem de mim enquanto pensavam em uma solução, aliás. Realmente reconfortante.
É verdade que desde que voltara dos mortos, Kol havia mudado. Ele estava mais controlado e disposto a ajudar.
Se isso era tudo graças à Davina, Klaus não sabia dizer.
Mas certamente ele enviaria seus cumprimentos à pequena bruxa assim que a visse novamente.
Klaus colocou o braço no ombro do irmão, sorrindo.
— Bem, parece que isso facilita bastante as coisas agora.
— Eu não sei... — Hayley murmurou, sem saber o que pensar. Ela não conhecia o irmão mais novo de Klaus e nunca havia visto o vampiro interagindo com Hope antes. Ou com qualquer outro tipo de criança. E como mãe, não podia deixar de se preocupar.
Por outro lado, Klaus já parecia bem mais tranquilo, como se houvesse encontrado a luz para seus problemas.
— Hayley, love, não se preocupe com isso. Kol é meu irmão, certamente cuidará bem de sua adorável sobrinha, não é mesmo?
Kol concordou com a cabeça, estendendo as mãos para Hayley e ela logo sentiu Hope abrir os braços, aceitando o colo do tio sem qualquer tipo de reclamação.
Hayley mordeu o lábio inferior, ainda um pouco desconfortável com aquela situação, mas com uma ideia para lhe tranquilizar de vez.
— Certo... bem, ao menos ligue para Davina e peça que ela venha te ajudar, tudo bem? — Não é que ela não confiasse em Kol, ela apenas não o conhecia o suficiente para isso. Mas Hayley conhecia Davina, e sabia que apesar da garota já ter passado dos limites com ela e com os outros Mikaelson, no fundo ela era uma boa pessoa e de certa forma até mesmo uma amiga.
Certamente Davina saberia ajudar Kol com tudo que fosse necessário para os cuidados do bebê.
— Ajudar em que? — E foi somente mencionar o nome dela, que Davina apareceu à porta da casa, logo se aproximando do namorado.
Ela olhava para Hayley e Klaus um pouco receosa, visto que sempre que pediam sua ajuda, nunca era para algo bom ou fácil. E Davina realmente queria distância de problemas naquele dia.
— Kol irá cuidar de Hope por algumas horas — Klaus foi quem esclareceu tudo, surpreendendo Davina — E sua ajuda será bastante apreciada, little witch.
— Se você não se importar — Hayley completou, tentando não pressioná-la.
— Ah, eu adoraria! — Davina sorriu para o bebê no colo de Kol. Hope a observava com olhos curiosos e a bruxa se sentiu aliviada pelo pedido não ser nenhum problema maior dessa vez.
Após isso, não demorou muito para Klaus e Hayley saírem às pressas para a reunião. Eles já estavam atrasados de qualquer forma. De modo que Hayley apenas deixou algumas rápidas instruções para o casal que cuidaria de sua filha, como onde estava o pacote de fraudas, entre outras coisas.
Ela também deixou claro que não demoraria muito a reunião e logo estaria de volta.
— Mas se acontecer alguma emergência, não hesitem em me procurar.
— Hayley! — Klaus a chamou pelo que deveria ser a terceira vez, e estava claro em seu tom de voz que sua paciência estava se esgotando.
Mas não precisou de uma quarta vez para a mulher entender e finalmente se despedir do casal, depois deles alegarem que tudo ficaria bem.
— Bem pequena, parece que somos só nós três agora. O que quer fazer, hein? — Davina finalmente falou assim que Hayley se afastou, pegou Hope dos braços de Kol, balançando-a carinhosamente em seu colo. — Quer falar como seu pai é malvado e cruel?
Hope abriu os bracinhos, rindo. Davina e Kol riram junto diante da reação da garota.
— Só não deixe Nik te ouvir falando assim com a filha dele.
— Ela não vai contar nada, não é mesmo? — Davina continuou brincando com Hope que parecia ter se afeiçoado à bruxa.
Kol não pode deixar de sorrir ao ver a cena.
Ele conhecia bastante daquele lado meigo de Davina, mas vê-la agir assim com uma criança era ainda mais encantador do que o normal.
— Sabe, vê-la assim me faz pensar em como será quando ficar mais velha. — A morena comentou, pensativa.
— Ah, tenho pena de todos os rapazes que ousarem se aproximar dela — Kol exclamou — Nik era extremamente ciumento até mesmo com Rebekah, certamente será muito pior com Hope.
Davina arqueou o cenho diante da fala do namorado.
— Vai me dizer que você também não tinha ciúmes quando Rebekah tinha algum namorado?
— Não, Nik era o ciumento — Kol deu de ombros — Eu apenas gostava de provocá-la um pouco.
— Um pouco. — Davina sorriu de lado, desconfiada, já imaginando o que aquilo significava.
— Mas com essa pequena aqui não será fácil. — O vampiro ergueu suas mãos, pegando Hope do colo de Davina, que aceitou de prontidão, se acomodando confortavelmente nos braços do tio. — Quando começar a namorar não terá que convencer somente o pai, mas todos da família também.
Davina esboçou novamente um sorriso, vendo agora como Kol agia com Hope. Ele balançava o braço livre chamando atenção da pequena para o relógio em seu pulso, esta batia as palminhas em sua mão de modo atrapalhado, rindo.
— Você gosta de crianças? — Davina finalmente perguntou depois de um tempo em silêncio. Ela ainda não sabia muito sobre Kol, sobre sua história, seus gostos, sua longa vida até aquele momento. E vê-lo interagir com a sobrinha lhe fez surgir esse questionamento em sua cabeça.
— Essa é a primeira vez que tenho de fato um contato decente com uma. — Foi o que Kol respondeu, ainda distraído com Hope. De qualquer forma, ele não queria contar muito sobre aquilo para Davina. Não queria contar que suas únicas aproximações com crianças ou bebês antes foi apenas no intuito de matá-las logo depois.
Davina sabia que ele tinha um passado obscuro, mas o vampiro não estava disposto a contar a ela detalhes sobre isso.
A morena, no entanto, pareceu não se incomodar com a resposta. Ela esboçou um sorriso ao ver Hope se erguer e firmar seus pequenos pés nas pernas do namorado, enquanto ele a segurava de forma firme para não cair. Se continuasse assim, não demoraria muito para aquela menina começar a andar.
Depois da pergunta de Davina, Kol refletiu sobre como Hope conseguira o conquistar em tão pouco tempo. Antes de morrer – pela segunda vez – não sabia muito sobre a criança, além do fato dela estar viva e Klaus ter ocultado isso por um bom tempo.
Mas depois que Kol retornou, vira Hope apenas por poucos instantes, geralmente na presença de Freya ou Hayley, portanto nunca se aproximou muito.
E agora, estando com ela em seus braços, ele pode entender um pouco do sentimento de ser um tio. Kol podia ver como aquela menina era realmente parte de sua família e não mediria esforços para protegê-la de todo e qualquer perigo.
Incrível como um simples bebê teve o poder de derreter os corações dos mais obscuros vampiros de todos os tempos.
— Ela é especial. — Davina comentou, observando e colocando em palavras exatamente o que Kol estava pensando no momento. — É como se houvesse um brilho diferente nela... Não me surpreende que tantas pessoas queiram protegê-la. — Era até surpreendente que um bebê tão lindo e tão puro tivesse sido gerado por Klaus. Davina riu internamente com a constatação.
Mas observando Hope de perto, ela agora percebia que o fato de todos serem super protetores e atenciosos com Hope, não se devia ao fato dela ser filha do temido Klaus Mikaelson. Devia-se ao fato dela mesma emitir uma aura que conquistava todos a sua volta.
Ela era, de fato, especial.
E como se Hope pudesse entender suas palavras e até mesmo a sua mente, a pequena criança esboçou um enorme sorriso enquanto olhava para Davina, parecendo feliz, pulando no colo de Kol, que também sorriu diante da reação inesperada da sobrinha.
Depois daquilo, Kol descobriu que não era uma enorme dificuldade cuidar de Hope por algumas horas. Ela era mais calma do que imaginava que um bebê seria, sem chorar sequer uma vez, passando a maior parte do tempo olhando tudo a sua volta ou dormindo.
Ela havia pegado no sono nos braços de Kol, enquanto ele e Davina conversavam distraidamente. Depois de ele perceber que a sobrinha ficara muito tempo quieta em seu colo, foi que se deu conta de que a pequena havia adormecido.
— Você leva jeito com ela — Davina comentou, sorrindo.
Kol também sorriu, olhando para Hope.
— Antes de se tornar vampiro... você já pensou em ter filhos?
— Nunca me importei muito com isso — Ele respondeu, pensativo. Em seguida ergueu sua cabeça para Davina — Além do mais, na época não tinha conhecido você.
A bruxa sorriu, sentindo o rosto esquentar levemente.
— Quer dizer que se pudesse, hoje em dia teria comigo?
— Quero dizer que nada nos impede de tentar.
— Vejam só, fico duas horas longe de casa e quando volto, encontro meu irmão falando coisas indecentes com a sobrinha em seu colo! — A voz de Klaus foi ouvida no batente da porta, fazendo o casal se virar para ele, vendo-o se aproximar com um sorriso no rosto.
— Grite bastante Nik, irá acordar sua filha. — Kol retrucou à provocação, sentindo a mão de Klaus em seu ombro.
— Melhor ela acordar com meus gritos do que com essa conversa indecente. — Ele respondeu afiado, com bom humor.
— Onde está Hayley? — Davina quem perguntou, notando a ausência da mulher que saíra junto com Klaus.
— Conversando com os lobos, não deve demorar muito.
— Ah, vejo que já voltou de sua reunião, excelente. — A voz de Elijah também surgiu, ele logo se aproximando com Freya em seu encalço.
— Aparentemente chegamos juntos, irmão. Como estão as bruxas?
— Basta apenas dizer que irão sobreviver. — Freya murmurou, parecendo um pouco irritada. Daquilo Davina entendia bem, lidar com os bruxos do Quarteirão nunca foi fácil. E era exatamente por isso que tudo o que ela mais queria era distância de tudo aquilo.
— Kol ficou cuidando de Hope?
— Não entendi o seu tom de surpresa, Elijah. — Kol comentou, se levantando com cuidado com Hope ainda adormecida em seu colo.
Klaus se aproximou mais dele, erguendo os braços para pegar devagar sua filha, tentando não acordá-la.
— Não fiquei surpreso, apenas... curioso. — Elijah se esquivou, sorrindo.
— Bem, como todos já chegaram, não tenho mais nada a fazer por aqui. — Kol falou, pegando a mão de Davina — Tenho mais coisas a fazer, vamos love.
Ninguém protestou diante daquilo, de modo que logo o casal saiu de mãos dadas da casa dos Mikaelson.
Klaus olhou enquanto se afastaram, não deixando de esboçar um sorriso.
Elijah ao seu lado parecia compartilhar do sentimento do irmão mais novo.
— Ele está diferente. — Elijah comentou, também sorrindo — Suponho que ter se apaixonado tem feito bem para o Kol.
— Terei mesmo que enviar meus agradecimentos à little witch. — Klaus completou, voltando então sua atenção para Hope que ainda estava em seus braços.
O que eles não sabiam é que, mesmo que Davina tenha sido uma grande influência na vida de Kol, havia outra pessoa que tinha ajudado a fazê-lo agir de forma diferente.
Iluminando seu coração, enchendo-o de esperança de se tornar uma pessoa melhor.
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