Esperando o Amanhecer
17 Capítulo 17 – 0 Amanhecer - 1hr para o amanhecer - Mike
Notas iniciais
Essa noite parece não ter fim. Nunca achei que o amanhecer seria algo tão aguardado. Mas antes que ele chegue, preciso achar Jess, não posso deixar outra pessoa morrer e não fazer nada, de novo não. Preciso fazer algo, preciso salva-la.
Decido voltar á sala onde encontrei Sam amarrada, lá tem um corredor que é um tipo de ligação entre a mina e a parte secreta do porão no casarão dos Washington, provavelmente, Josh nunca entrou lá por conta do grande risco de desabamento na estrutura da mina, pelo o que sei, esse também foi o motivo dela ser abandonada, talvez alguns mineradores tenham ficado presos e morrido lá dentro...
Chegando na sala onde havia encontrado Sam, vou até a porta que tinha trancado, abrindo-a, saio e me vejo novamente naquele corredor apavorante. Ele parece estar diferente, as luzes pareciam estar mais fracas...
Continuo andando, sinto como se nunca estivesse tão sozinho, meus passos estão sincronizados com as batidas do meu coração, seguindo-as, eles ecoam pelo lugar todo, até parecem outros passos. Ouço um barulho fraco do que parece ser a mesma goteira que ouvira nas minas antes, conforme eu adentro cada vez mais fundo no corredor, este som vai aumentando, até finalmente as paredes virarem uma mistura de rocha bruta com vigas de madeira e o chão ficar irregular e úmido, estou de volta na caverna.
As rochas que desmoronaram, bloquearam o caminho para onde Jessica e o maníaco provavelmente estão, tenho que achar outra forma de entrar nesta parte da mina. Chegando no local exato onde ocorreu o desabamento, sigo as rochas que caíram, adentrando na escuridão, procuro por algum tipo de brecha...
–Maldição, é impossível chegar do outro lado. Essas merdas pedras que caíram salvaram minha vida, mas tirou a da Jessica...
Continuo andando até que finalmente percebo o que parece ser um pingo de esperança...
–De novo uma luz...
Não é a primeira vez que vejo uma “luz no fim do tunel” nessa droga de lugar, espero que essa realmente possa me ajudar... Me aproximo e percebo que ela vem de cima de uma das pedras que caíram, é uma fresta que leva direto para o outro lado, mas ela é muito pequena e alta, não sei se vou conseguir escalar para chegar ao outro lado.
Ouço então, um grito agonizante ao longe, é a Jessica, só pode ser, em seguida ouço também um som de passos na agua, eles estão se aproximando , novamente o grito de Jessica gela minha espinha e finalmente sinto uma mão puxando-me pelo ombro...
–Mike! – Era a louca da Sam, não acredito que ela me seguiu até aqui.
–Samanta sua maluca,não era para você estar aqui!
–Eu estou por minha conta e risco assim como você. Não podia deixar você sozinho aqui.
–Obrigado mamãe, estou bem. Agora, se a gentileza, pode ir embora.
–Nunca.
–ok, ok... – Enquanto digo isso, ouço de novo, ouço o som dos gritos da Jessica...
–Mike, ouviu isso?!
–Sim, é a Jess, os gritos estão vindo do outro lado dessa droga de pedra.
–Talvez se eu te der pesinho, você consiga passar...
–Boa! Mas me aguenta?
–Queridinho, eu sou uma atleta, pratico alpinismo, te levantar até ali é café com leite. – Ela diz convicta.
–Nossa, desculpe então senhorita atleta, agora anda logo, a Jess esta correndo perigo lá dentro.
–Ok, depois que você passar, eu escalo e passo também.
–Não. Primeiro que sua bunda não vai passar nunca ali, segundo que é muito perigoso para você. E isso, não esta em discussão.
–HÁ-HÁ-HÁ, muito engraçado senhor “brinco com a cara do perigo”...
–Eu estou falando serio Sam!
–Ok, ok – Ela diz com insatisfação – eu te espero aqui então, ok?
–Ok. – Sam me levanta e com sua ajuda, subo até a fresta na rocha, é estreito e difícil de passar, mas com algum esforço consigo.
Machuco-me um pouco “descendo” para o outro lado, mas ignoro a dor. Pegando o facão que joguei para este lado da mina antes de passar a fresta na rocha que caiu, continuo em direção á luz que tinha seguido da ultima vez que estive aqui. Estou sem lanterna agora, e tento fazer o mínimo de barulho possível andando na fina camada de agua barrenta no chão.
Pela primeira vez, chego realmente no local de onde vinha aquela luz, ela saia de uma espécie de poste/viga com uma lâmpada na lateral que esta em frente a duas salas, uma delas esta com a porta completamente estourada e a outra completamente aberta. Ouço uma musica vir de uma dessas destas salas, era “Winter” das Quatro Estações de Vivaldi, havia estudado isso na aula de música, mas nunca gostei muito de musica clássica, principalmente agora.
Entro numa das salas, ela é uma espécie de açougue diabólico, tem um porco com o bucho rasgado aqui, ele esta pendurado num gancho de frente para uma mesa onde encontro uma pedra de amolar e vários tipos de facas, cutelos e serras...
–Mas que merda estava acontecendo aqui?
Ouço novamente o som de passos correndo junto com os gritos de Jessica, estão bem próximos dessa vez, de repente, ela surge na porta na porta da sala onde estou, esta completamente ensanguentada e cansada, consigo ver o medo e o desespero em seus olhos...
–Jessica?! – Pergunto surpreso.
–Mike... – Assim que ela fala meu nome, um machado vindo de fora, parte seu crânio ao meio, bem na minha frente, seu sangue espirra no meu rosto.
–Jessicaaaaaa! – Grito cheio de dor e angustia.
Um grunhido assustador e grave vem logo em seguida, os violinos da música que ainda toca ao fundo, estão agitados e raivosos . O filho da puta arranca o machado da cabeça de Jess e seu corpo cai sem vida no chão.
–Jessica... – Digo inconformado.
Ele entra na sala, seus paços são pesados e lentos, parecem seguir o ritmo agora calmo da musica, o safado tem um cutelo enfiado bem no meio do seu olho direito que sangra muito, deve ter sido Jessica, ela lutou até o final, e eu não pude fazer nada.
–Seu lixo, olha o que você fez com ela! – Grito com ódio para o maníaco.
Ignorando-me ele se aproxima levantando o machado com uma das mãos, a musica segue num ritmo raivoso e angustiante, tento enfiar o facão que esta em minhas mãos na barriga do assassino, mas com a sua mão livre, ele o segura arrancando-o de mim.
–Parece que vou matar mais um porquinho hoje! – Ele diz com sua voz rouca e baixa, ela quase se camufla com a musica...
Chuto o saco do desgraçado e desvio-me rolando no chão do golpe de seu machado, isso me da tempo de levantar e correr para fora da sala. Ele vem logo atrás e esta com raiva.
Desarmado, corro do maldito, mas logo fico sem saída assim que chego nas pedras que desmoronaram. Vejo ele aproximar-se de mim, ele esta vindo contra a luz que vem das salas a minha frente, seu andar é calmo e assustador, não tenho para onde ir, ele sorri, a musica esta no seu clímax final e ele levanta o machado com as duas mão para dar o ultimo golpe...
–Ghrrrr – Não consigo ver o rosto do maníaco porque ele estava contra a luz, mas mesmo assim, percebo o tom surpreso e tenso em sua voz fúnebre, ele larga o machado e junto com os últimos acordes da música, cai morto á minha direita.
–Sam?! – Não conseguia ver o rosto da silhueta de mulher que acabara de me salvar, mas sabia que era ela.
–Mike, foi por pouco!
Vejo um cutelo que acertou bem na parte de trás do crânio do assassino que estava caído...
–Onde conseguiu isso?
–Peguei naquela sala que mais parece um açougue ali atrás, logo depois que vocês dois saíram.
–Ca-ra-lho, você é tipo, muito, muito, muito ninja!
–Eu sei. E para sua sorte minha bunda passou naquela fresta. – Ela diz enquanto abraço-a.
–E a Jessica... Sinto muito Mike. – Sam ficou tão mal quanto eu.
–Eu também, ela estava bem na minha frente e...
–Você não podia fazer nada, veio até aqui e arriscou sua vida para salva-la, seja onde ela estiver, ela esta feliz por ter feito isso.
–Droga, essa noite não acaba nunca. – Digo segurando as lagrimas, não posso chorar.
–Na verdade, ela j esta acabando, o resgate pode chegar a qualquer momento, temos que voltar e levar os outros para afrente do casarão, ai tudo isso vai acabar. – Aquilo faz-me encher de esperança e alivio, pego o machado que caiu das mãos do assassinos e seguimos o caminho de volta.
Voltamos o mais rápido possível para onde os outros estavam, o caminho até lá é silencioso, ainda estamos chocados pelo o que aconteceu a Jassica. Chegando lá, encontramos felizmente, todos juntos e seguros...
–Sam, Mike?! – Diz Ashley, Josh corre e abraça Sam, não cofio mais nele, depois do que esse maluco fez, tenho que ficar de olho. Também não gosto dele com a Sam.
–E a Jessica? – Chris me pergunta, eu apenas olho para baixo e não falo nada como resposta. Ele entende.
–Sinto muito... –Diz Emily que estava ao lado de Chris.
–Pessoal, temos que voltar logo para o casarão, os helicópteros devem estar chegando...
Todos ficamos aliviados com aquilo, Emily é a primeira a sair da sala para voltar ao casarão, todos nós vamos logo atrás. Ela passa em frente a sala onde havíamos deixado o outro maníaco preso, nesse momento, a porta se abre com um forte tranco, e o desgraçado sai lá de dentro, ele enfia uma chave de fenda nas costas de Emily que estava virada para o outro lado...
–Emily! – Grita Sam.
Sem pensar duas vezes, avanço e acerto o assassino com o machado que por sorte peguei do maluco que a Sam matou nas minas. Ele segura meu pescoço com força enquanto morre, o sangue escorre da sua cabeça em litros, parece não parar, até que ele finalmente cai sem vida.
Sam corre para o corpo de Emily no chão...
–Emily?! Fala comigo! – Ela diz.
–Merda, ele usou a chave de fenda que Josh enfiou no ombro dele para sair da cadeira... – Digo enquanto olho horrorizado para o homem que acabara de matar.
–Sam? –Uma voz fraca sai da boca de Emily...
–Emily? V...você esta bem? – Pergunta Chris enquanto corre para ajudar Sam a levantar Emy.
–Estou ótima idiota –Ela responde com seu sarcasmo tipico.
–Você consegue subir as escadas que levam para o casarão Emy? – Sam pergunta.
–Se você me ajudar sim. – Ela responde.
–Eu te ajudo também. – Responde Chris.
–Então por favor, me levem com vocês de volta para o casarão. – Emily parece estar sentindo muita dor, mas como todos nós, o que ela mais quer é sair dessa droga de montanha.
Finalmente voltamos para o casarão, agora não existe mais nada tentando nos matar, pelo menos eu espero que não... Sam, Ashley, Emily, Josh, Chris e eu somos os únicos que sobreviveram, perdemos Matt e Jessica essa noite, todos estamos tristes por isso, mas saber que conseguiremos finalmente sair desse lugar nos deixa muito aliviados. Vamos para o lado de fora do casarão, onde ouvimos o som de hélices de um helicópteros que aproximam-se ao longe.
Todos nós olhamos para o sol que nasce atrás das arvores cobertas de neve, parece fazer anos que não o vejo. Ashley e Chris finalmente se beijam, achei que nunca veria aquilo. Josh vai ajudar Sam a colocar Emily sentada na neve, e depois disso, eles se abraçam. E eu, assisto ao nascer do sol mais belo que já vi.
–Enfim, o amanhecer.
FIM?
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