Esperando o Amanhecer
15 Capitulo 14 – Sem Esperança - 2hrs para o amanhecer - Jessica
Notas iniciais
Acordo com minha cabeça latejando, meu corpo inteiro dói como nunca doeu antes, percebo que estou pendurada de cabeça para baixo, sinto que ela vai explodir, minha visão esta embaçada.
Consigo ver um homem na minha frente, ele está de costas para mim, parece estar mexendo e afiando alguns cutelos e facas num daqueles negócios que giraram usados para amolar armas brancas. Ao meu lado, tem o que parece restos do que um dia foi um porco, ele está pendurado de ponta cabeça assim como eu, está sem a cabeça e com a barriga completamente rasgada, suas tripas estão espalhadas pelo quarto todo. Estou com medo.
Esta tocando uma musica, parece ser “Stormy Weather” da Etta James, porra, odeio essa musica. Mas o cara na minha frente parece gostar, ele esta dançando-a de forma sutil enquanto amola suas facas. Felizmente, ele ainda não percebeu que acordei, está concentrado na musica.
O homem veste uma roupa feita de pele de porco que estão completamente ensanguentadas, ele tem a cabeça raspada e cheia de cicatrizes, é moreno e me lembra um índio, o índio mais assustador que já vi.
Tento conter minha respiração, estou ofegante por conta do medo, mas não posso deixa-lo perceber que acordei. Talvez consiga me soltar e ter uma chance de fugir desse açougue do inferno, a porta esta aberta...
–Life is bed… Gloom and misery everywhere…. – Ele começa a cantar, sua voz é grave e baixa, ela me da um frio na espinha. Ele provavelmente torturou aquele porco que ainda estava com vida, só para ouvi-lo gritar de dor, isso deve ser uma espécie de diversão para ele... Doentio!
Meus braços felizmente estão soltos, estou presa apenas pelos pés. Talvez se eu conseguir alcançar a corda que me prende no gancho, e assim solta-la... É isso o que faço.
– The blues came in and met me – Ele continua cantando.
Enquanto tento que soltar, o gancho pelo qual estou presa faz um barulho que não esperava, percebo que o homem ouve esse barulho, antes que se vire em minha direção, finjo que ainda continuo desmaiada.
Estou de olhos fechados, ouço a musica parar de repente, ele deve tela pausado, ouço um grunhido assustador , estou com muito medo, mas não posso demonstrar emoções, ele não pode perceber que acordei. Sinto uma lagrima correrpela parte direita do meu rosto, torço para que ele não perceba. Ouço seus passos, eles parecem estar ficando cada vez mais próximos, estou de olhos fechados, não consigo ver onde o maníaco está. Sinto então, sua respiração no meu rosto, o desgraçado está me cheirando! Ele faz barulhos parecidos com os de um porco, e mesmo que eu queira, não posso me mexer.
Por sorte ele desiste de me cheirar e parece voltar para o lugar onde estava antes. Ouço novamente o som da musica, abro os olhos e continuo com meu plano. Numa situação de vida ou morte, você consegue fazer coisas que nunca imaginou conseguir fazer.
De repente, graças a deus, o homem parece ouvir algo estranho do lado de fora, ele pausa a música, e sem olhar para onde estou, pega um machado com o cabo branco e sai do quarto para ir verificar o que era. Essa é minha chance.
Finalmente consigo me libertar, meu corpo cai com força no chão, mas não sinto dor. Devo estar tão machucada que aquilo não me faz sentir nada. Levanto-me e corro até a mesa onde o homem amolava suas armas, pego um cutelo que encontro ali.
–Ok Jessica, fica calma, você vai conseguir sair dessa! –Digo tentando me encorajar.
Saio da sala onde estava. Percebo que estou dentro de uma escura caverna, foi por aqui que o desgraçado me carregou, lembro-me de Mike tentar vir me salvar... Espero que ele esteja bem.
Continuo andando, tento fazer o mínimo de barulho, encontro uma porta que ainda não tinha visto, tomo coragem e abro-a. Já no lado de dentro, percebo que ela não leva para saída nenhuma, apenas para uma sala cheia de picaretas e capacetes de mineração.
–Merda sem saída, preciso voltar para a caverna. – Sussurro para eu mesma.
Nesse instante, ouço um grito raivoso vir lá de fora, parece que ele percebeu que não estou mais lá. Estou sem saída agora, ele já deve estar me procurando. Fico abaixada ao lado da porta que da para caverna sem fazer barulho algum, apenas ouvindo os passos do psicopata. Esses passos estão cada vez mais altos, ele parece estar se aproximando do quarto onde estou escondida, merda, já deve saber que estou aqui.
Fico olhando a fresta de luz de uma lâmpada na caverna que passa por baixo debaixo da porta, é a única “iluminação” no quarto onde estou. Vejo então, a sombra de dois pares de botas surgir... Ele esta aqui. Coloco a mão na boca para tentar abafar o medo em minha respiração, meus olhos estão fixados na maçaneta da porta, tranquei-a assim que entrei. Mas ela infelizmente começa a se mexer, o desgraçado está tentando entrar, agora ele não tem mais duvidas de que estou escondida aqui. O silencio é quebrado pela ponta do machado que vejo atravessar a madeira da porta, não consigo me segurar e começo a gritar, ele continua quebrando-a com seu machado, deixando um buraco enorme nela.
–Olha eu aqui! – Ele diz colocando a cabeça dentro do buraco que acabara de abrir. Sem pensar duas vezes, enfio o cutelo que estava em minhas mãos no olho do desgraçado, fazendo-o gritar e se afastar da porta.
Destranco a fechadura, abro e começo a correr, ele ainda estava gritando no chão, parecia estar muito puto pelo o que fiz no olho dele.
–EU VOU TE PEGAR SUA PUTINHA! – Ele diz enquanto se levanta, minha única opção é correr na escuridão da caverna e rezar para sobreviver.
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