Esperando...

1 Capítulo 2


Bexiga corria entre os becos e atirava, eu pulava o muro e tentava me abrigar, e ao mesmo tempo tentava visualizar o paradeiro da minha presa. Sem sucesso, perdemos o rastro de Bexiga.

O mundo da muitas voltas, e em algum momento vamos trombar de novo.

Os meses se passaram, e Bexiga era visto pela vizinhança, sempre feliz... O "negócio" ia de vento em poupa, sua esposa estava grávida de 6 meses, seu primogênito estava encaminhado, na comunidade ele gritava aos 4 cantos que mandava e que policial não tinha vez: "quem aparecer eu mato!". Para ter mais respaldo, arranjou um comparsa que dava apoio na segurança, ficava como olheiro na entrada do beco, também ficava armado.

Nossos dias de trabalho eram sempre movimentados, mas nada de empolgante acontecia. Queríamos o confronto e nem sempre conseguíamos. Eis que numa bela manhã, um vizinho incomodado ligou e avisou: "ele anda fazendo muita bagunça aqui, no mesmo lugar de sempre..."

Duas viaturas e seis policiais foram o suficiente, já sabíamos por onde ele fugia, bastava alguém espantar, fomos três policiais por um lado e três por outro. Seu comparsa foi o primeiro a correr e se quer avisou o companheiro.

Quando desci, a casa de trás estava trancada, com um corta cadeados liberei a primeira porta, onde a nossa frente existia um extenso corredor. Fizemos uma espécie de "leque" e esperamos atentamente nossa presa, no outro lado os três policiais faziam barulho e atiravam pra espantar a presa, que atendeu prontamente ao chamado. Correu em nossa direção, ouvimos os passos dele, sua respiração ofegante, ele havia pulado dois muros, e correu, no corredor ele não conseguia nos ver, apenas um vão livre era o que ele via... Quando chegou na metade do corredor, um dos policiais se agachou frontalmente no corredor e de posse de uma CTT .40 ( Carabina da Tauros ) efetuou 3 disparos, um no peito, um na altura da cintura que arrancou seu dedo e um no ombro. Bexiga ainda conseguiu efetuar um disparo, que não atingiu ninguém.

Nesse momento, fui revista-lo no chão, ele transpirava e gemia, seus últimos batimentos estavam acelerados e o gemido dava lugar a voz.

Coelho: É mais difícil matar um policial quando ele tá esperando o ataque.

Bexiga: Não... Não, meu Deus...

Coelho: Vai pro inferno, tua alma já vai ser coletada... Espera mais um pouco.

O cheiro de ferro ( do sangue ) exalava na casa e a felicidade que senti era inenarrável, Bexiga havia matado dois PM's, um Policial Civil e um Guarda Municipal. Sendo que a arma do último era a que ele estava usando no dia de sua morte. As batidas do seu coração ainda continuavam, esperávamos o último suspiro, entretanto, já começamos a prestar os primeiros socorros.

Aqui começa apenas a faísca de uma série de acontecimentos grotescos envolvendo a morte de um bandido temido e enaltecido pela comunidade local.

Continuará...

Notas finais
Desculpem os erros, costumo redigir o texto do celular e geralmente quando estou de serviço na viatura (quando ela para).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.