Espelhos (Percabeth)
7 Capítulo 6 - Chase x Jackson
Notas iniciais
Já que seria totalmente estranho andar na rua com uma adaga em mãos – ou o que quer que os mortais vejam –, Annabeth escondia a mesma na blusa. Levantou a camiseta, puxando a faca, sem nem passar pela sua cabeça a ideia de usar o arco.
Respirou fundo antes de se jogar em cima do Minotauro.
Com a faca em mãos, atacava-o. Porém, o monstro parecia ser esperto. Desviava-se e a atacava, mostrando seus enormes chifres brancos com pontas amarronzadas.
A mente da filha de Atena procurava desesperadamente uma estratégia, mas apesar de sua movimentação inicial e de seu peso, o monstro desviava-se com rapidez.
“Eu tenho que pensar em algo” repetia em pensamento várias vezes.
Matthew e Bobby tentavam a todo custo entrar na briga, mas uma careta ameaçadora de Annabeth os fez ficar no mesmo lugar.
Annie deu dois passos para trás e varreu a rua rapidamente com os olhos, tentando desesperadamente achar algo que a ajudasse, não encontrando nada.
Deu mais alguns passos para trás, tentando atacar o Minotauro com a adaga, mas ele não parecia ter medo. Arrastava-se até Annabeth como um fantasma.
Algo deu errado, no fim. De tanto ir pra trás, Annabeth sentiu um muro atrás de si e percebeu que fora encurralada, sem contar que estava muito distante de seus irmãos.
Arregalou os olhos e agindo sem pensar, pendeu o corpo para frente e tentou espetar o monstro, que se desviou no último segundo.
O Minotauro já estava com o corpo enorme sobre Annabeth. Fez um som estranho, um tipo de mugido, como uma risada e cravou as unhas no braço direito de Annabeth, fazendo-a gritar de dor e fechar os olhos.
Matthew e Bobby corriam e já estavam quase alcançando o monstro quando algo aconteceu. O monstro urrou. O som parecia ser de dor. Annabeth abriu os olhos e viu que no meio da barriga do monstro havia um algo que parecia ser um chifre. Olhou rapidamente para cima e viu que os dois estavam lá, intactos.
Então percebeu que não era um chifre. Era a ponta de uma lâmina.
Em questão de segundos, o monstro explodiu em uma nuvem de fumaça, o que por um instante, chocou Annabeth.
Depois de respirar fundo mais uma vez, correu os olhos procurando seus irmãos, achando que fora eles quem a tinha ajudado. Achou-os a poucos metros dela. No entanto, eles estavam tão pasmos quanto ela.
Correu mais uma vez os olhos pela rua até achá-lo parado e ofegante. Ela nunca imaginaria. Parado, ofegante, com a espada em mãos e a poucos metros dela, estava ELE. Perseu Jackson.
Mas o quê? Que diabos! Tudo bem, ela estava aliviada por vê-lo matar o monstro, porém esperava que fosse um dos seus irmãos. Nunca imaginaria que ele se daria ao trabalho de ajudá-la.
Mas ele o fez.
E mesmo surpresa e tentando entender o motivo de ele estar ali, ela estava feliz. No fundo, estava.
Mas nunca admitiria isso. Orgulho era seu defeito fatal.
– Obrigada. – Foi o máximo que conseguiu.
– Só isso? – Ele a olhou.
– Só isso o que? – Perguntou sem entender.
– Só um “obrigada”? Eu salvei sua vida! – Jackson parecia indignado.
– O que quer que eu diga? Já agradeci! – Annabeth retrucou.
Matthew e Bobby se aproximaram.
– ANNABETH! – gritaram em coro. – Você está bem?
– Estou ótima. – Respondeu de imediato. – Eu acho. – falou, e se lembrou de seu braço.
– Ih, olha isso. Tá horrível. – Bobby falou.
– Nossa, obrigada Bobby. – Disse sarcástica.
De fato, Annabeth estava horrível. O cabelo estava despenteado, as roupas sujas, o braço com arranhões, que pareciam – e eram – profundos.
– Chase’s. – Percy falou com desgosto na voz.
– Jackson. – Matthew falou sem emoção. – Estava quase agradecendo pelo tempo que ficamos sem vê-lo.
– Não são os únicos. – Jackson respondeu. – Agradeci a Zeus hoje pela manhã, mas ele jogou essa praga na minha vida.
Trovões soaram no céu ensolarado da tarde de sábado.
– Perdeu seu tempo matando o Minotauro porque quis. Ninguém o obrigou a isso. – Bobby disse com a voz ácida.
– Achei que isso ia me render alguns pontos com Zeus e Atena. Não que eu precise, é claro. – O moreno disse com um sorriso zombeteiro.
Matthew praguejou.
– Não gosto de sua presença, Jackson. Não confio em você. – Matthew disse. – E não confiarei até que me prove o contrário.
– Então vai morrer esperando. Não devo nada a você. – O moreno retrucou.
– Graças a Zeus. – Matthew rosnou.
– Matthew! – Annabeth o repreendeu.
– O quê?
– Já chega né?
– Mas Annie...
– Mas nada! – Disse ameaçadora, enquanto Bobby permanecia sabiamente em silêncio. – E Jackson... Obrigada. Estou realmente agradecida. Você salvou a minha vida.
– Disponha, Annabeth. E ah, eu não esqueci. Temos muita coisa para esclarecer.
Annabeth rolou os olhos.
– Eu também não esqueci. E teremos muito tempo para fazer isso, certo? Pelo que eu me lembro, estudamos na mesma sala.
Percy deu de ombros.
– É, acho que sim.
Annie deu um mínimo sorriso.
– Precisamos ir. Eu estou horrível. – Ela disse e riu. Jackson também riu, concordando.
– Com certeza está. Mas eu também preciso ir. A gente se vê. – Percy disse e se foi.
Annabeth respirou fundo antes de se virar para seus irmãos.
– Annabeth Chase, o que foi isso? – Bobby disse.
– Convenhamos Bobby, não seria agradável ficar brigando com um cara que salvou a minha vida né? – Disse enquanto guardava a adaga e dava meia-volta, indo pra casa.
– Você não precisava dele. Nós íamos te ajudar.
– Bobby, colabora tá? Eu também esperava que VOCÊS me ajudassem, mas se ele apareceu, eu não posso fazer nada além de agradecer. – Ela respondeu.
– Você sabe quem ele é?
– Perseu Jackson, estuda na minha sala e provavelmente um filho de Poseidon, que é rival de nossa mãe, Atena. É, acho que sei quem ele é.
– Exatamente! – Matthew se intrometeu. – Poseidon é rival de Atena.
– E o que isso tem a ver? Eu não liguei pra ele pedindo que ele me salvasse. – Ela retrucou.
Matthew e Bobby a olharam indignados.
– Não adianta fazer essa cara. Também não é minha culpa se vocês foram mais lerdos que ele. – Ela disse risonha. – Agora vamos. Eu quero ir pra casa tomar um banho, fazer um curativo nesse corte que está ardendo e me deixando louca e voltar pra sorveteria.
– O quê? – Seus irmãos perguntaram indignados. – Depois de tudo que passamos hoje você ainda quer sorvete?
– Claro que sim. – Ela disse como se fosse óbvio.
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