Espelhos (Percabeth)
2 Capítulo 1 - Meu primeiro dia de aula.
Notas iniciais
Em meu sonho, eu corria.
Corria como nunca. Como se minha vida dependesse daquilo. Como se eu fosse morrer se não apressasse o passo.
Senti a presença de duas pessoas atrás de mim. Permiti-me ver quem eram. Ao que parecia, eram um garoto e uma garota. Mas não pude identificá-los. Seus rostos estavam embaçados.
– Conseguimos despistá-los. – A voz do garoto disse, de forma satisfeita, mas ela era estranha, como se fosse gravada.
Eu estava confusa. Despistar quem?
– Não por muito tempo. – Agora era a garota quem estava falando. Sua voz era como a do garoto, gravada, e demonstrava certa preocupação.
– Temos que continuar correndo. – Meu eu do sonho falou. – Não podemos nos dar ao luxo de que eles sigam nosso cheiro.
As duas figuras que estavam comigo assentiram.
E então eu acordei.
Minha mãe batia na minha porta.
– Levante querida! É o primeiro dia! Você deve estar ansiosa. – Ela dizia.
Levantei-me preguiçosamente. Esfreguei os olhos.
– Claro! – Gritei de volta. – Estou ansiosa.
Fiz minha higiene matinal e me vesti. Uma calça jeans, um tênis Adidas e a blusa do colégio. Penteei meu cabelo e prendi o mesmo em um rabo-de-cavalo.
Peguei minha mochila cinza e desci as escadas. Comi uma maçã na cozinha e subi rapidamente escovando os dentes. Quando saí de casa, eram 07h15. Minha escola não ficava muito longe. Cheguei quando o sinal estava prestes a bater e entrei na sala. Talvez eu visse meus irmãos hoje. Talvez não.
Sentei-me no fundo da sala, razoavelmente próxima de algumas pessoas que pareciam novatas. Refleti por um momento sobre a ideia de fazer amizades. Então o professor entrou na sala e fez os absurdos das apresentações. Não quis ouvir. Deixei minha mente vagar. Mas apurei os ouvidos nas apresentações dos novatos.
– Eu sou Perseu Jackson.
– Thalia Grace.
– Grover Underwood.
– Rachel Elizabeth Dare.
– Tyson McLean.
Então chegou a minha vez.
– Meu nome é Annabeth Chase. – Falei com uma voz de desdém e algumas pessoas olharam pra minha cara.
Aquela aula era de Geografia. Foi rápida e calma. Os novatos murmuravam algo em voz baixa, e de vez em quando olhavam pra mim. Tentei não dar importância. As aulas seguintes eram Física e Filosofia.
Na hora do intervalo, os novatos sentaram juntos, próximos à mesa que eu estava. Uma das pessoas, uma garota ruiva, não parava de me lançar olhares de nojo. Ignorei aquilo.
Abri minha mochila, que estava em na cadeira vazia à minha frente e peguei o livro “Não conte a ninguém” de Harlan Coben. Abri na página em que havia parado e voltei a ler. Ou tentei, já que quando eu leio, as letras flutuam para fora da página e começam a dar voltas na minha cabeça. Sim, eu era diagnosticada com dislexia.
O resto do dia foi normal e calmo. Mas também foi intrigante. O novo grupinho me olhava de vez em sempre, embora Jackson sempre olhasse mais do que os outros. E isso estava me irritando. Qual era o problema dele?
Fui pra casa aliviada quando tudo terminou. Coloquei os fones do meu iPod enquanto caminhava. Eu amava música, principalmente cantores como Katy Perry, Demi Lovato, Ed Sheeran e etc. Música é o que me dá paciência pra aguentar certas coisas, ou evitar que eu exploda.
Cheguei em casa e joguei minha bolsa em cima da cadeira do computador. Fui pro banheiro, tomando um banho gelado que me fez relaxar bastante. Coloquei uma roupa qualquer e me joguei na cama.
– Annie, venha almoçar querida! – Marisa, minha mãe, gritou. Desci as escadas em um rompante, sentando-me à mesa. – Então, como foi seu dia?
– Foi bom. – Respondi. Não tinha necessidade de mencionar os olhares estranhos de Jackson. – Foi calmo. Sem stress.
Minha mãe sorriu.
– Alguém novo?
– Algumas pessoas. – Respondi. – Talvez eu tente socializar esse ano.
Então ela se sentou também. Mudamos de assunto e almoçamos conversando sobre bobagens. Mais tarde, minha mãe foi para o trabalho e eu fiquei em casa sem fazer nada. Bufei. Eu não moro com meu pai, só com a minha mãe. Eles estiveram juntos até os meus oito anos, quando começaram a discutir, e acharam melhor se separar. Mas pelo menos, eles são “amigos”.
Subi para o meu quarto e liguei o computador. Meu papel de parede era uma foto que dizia Força em latim (opprimere). Sorri involuntariamente. Passei a tarde usando o computador e depois fui estudar. Minha mãe chegou por volta das oito e fomos jantar. Depois disso, tomei outro banho, li um pouco de “Não Conte a Ninguém” e dormi.
Acordei com o meu celular apitando. Suspirei e desliguei o despertador. Levantei-me e me arrumei como sempre. Desci e comi algumas torradas com um copo de suco. Depois segui pra escola escutando música.
Minhas duas primeiras aulas foram de história. Assunto: Mitologia Grega. Eu amo esse assunto, e amo a matéria. Em Mitologia Grega e Romana, tudo me fascina. Os mitos, os deuses, os espíritos, os heróis, os monstros...
Minha nova professora era estranhamente como a história contava. Cabelos loiros, e olhos cinza-tempestade. Sacudi a cabeça rapidamente. Era coincidência, só podia! Mas o mais estranho é que eu parecia com ela.
Ela parecia analisar-me com cuidado. Mas podia também ser bobagem minha. Ela tinha uma voz segura e tinha olhos de mil anos que pareciam ser extremamente sábios.
– E vamos parar por aqui. – Ela sorriu. – Agora o dever de casa. – Ela disse e murmúrios indignados foram ouvidos. — Quero que vocês façam um trabalho sobre a mitologia. Prazo de entrega: Sexta-feira. Individual. Dois assuntos por pessoa. Pode ser digitado. – Ela continuou e os murmúrios aumentaram um pouco. A professora ignorou. – SILÊNCIO! Sem reclamações. Quem não fizer, fica sem nota.
Dei de ombros enquanto anotava as exigências do trabalho. Sorri imaginando mil e uma coisas que eu poderia colocar no meu.
Mais tarde, em casa, comecei a fazer meu trabalho. E fiz digitado. Depois de muito tempo pensando, eu achei que poderia falar sobre os deuses e Hércules. Liguei o computador e comecei a pesquisar. Li algumas coisas e resumi, colocando no trabalho. Coloquei também algumas coisas que eu sabia de cabeça. Mas na internet, teve uma coisa que chamou minha atenção: o Juramento para se tornar uma Caçadora de Ártemis.
“Eu me comprometo com a Deusa Ártemis, dou as costas para a companhia dos homens, aceito a virgindade eterna e me junto à caçada”.
Tive uma súbita vontade de repetir o Juramento. Sentia algo especial e divino nele. Mas não o fiz.
Terminei meu trabalho e fui estudar outras matérias. Fiz todos os exercícios que já foram passados e descansei ao terminar.
Tomei banho, e desci, pegando algo pra comer na cozinha. Quando subi novamente, fui até a sacada do meu quarto. Peguei meu iPhone e fiquei jogando.
Acho que você deve estar se perguntando agora: Annie, você é antissocial por acaso? E a resposta é simples. Não, não é que eu seja antissocial. O caso é que ninguém faz questão de se aproximar de mim, com exceção dos meus irmãos e dos meus pais. E eu também não faço questão de me aproximar de ninguém. Veja bem, antigamente eu tinha uma “amiga” chamada Lorena. Mas ela fingia ser minha amiga. No fundo, ela só estava procurando uma razão para me humilhar na frente da escola inteira. E ela conseguiu, quando jogou um balde cheio de tinta e penas em cima de mim, em seguida me chamando de galinha e imitando o cacarejar de uma galinha.
Não entendi o motivo de ela ter feito isso, mas fiquei mal por umas duas semanas. Então decidi que isso era ridículo. Mudei. Parei de me importar. E não me arrependo.
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