Espelhos (Percabeth)
5 Capítulo 4 - Conversas e mudanças.
Notas iniciais
Annabeth arregalou os olhos. Seu corpo paralisou. Ele disse Caçadora de Ártemis? Como ele sabia?
Ela levantou os olhos e encarou os verdes de Perseu.
– Você disse Caçadora? – perguntou ainda sem acreditar.
– Sim, eu perguntei se você é uma Caçadora de Ártemis.
– Como você sabe sobre isso?
– Ah, eu sei de muitas coisas, mas isso não importa agora. Só quero que me responda: Você é uma Caçadora? – perguntou em tom imperativo, como se falasse com uma criança.
Annabeth franziu a testa. Como ele ousa falar com ela daquela forma?
– Baixe seu tom comigo Perseu. – ela respondeu. – Embora eu não saiba se isso diz respeito a você, mas sim, eu sou uma Caçadora.
Ele arregalou os olhos.
– Minha vez de obter respostas. – Annabeth disse em tom crítico. – Como você sabe sobre nós?
– Digamos que você não a única que é filha de deuses. – Percy disse simples e Annabeth arregalou os olhos. – E não se faça de desentendida. Eu sei que você é filha de Atena. Seus olhos dizem isso. E respondendo a sua próxima pergunta: Eu sou filho de Poseidon. – Disse desafiando a loira a criticá-lo.
Ela não criticou. Apenas se virou e seguiu seu caminho. Perseu, claro, seguiu-a.
– Devemos conversar.
– Eu e você? – Disse Annabeth, com falsa surpresa. – Acho que não. Se você não sabe, nossos pais são praticamente rivais. E não se aproxime de mim. Não gosto de sua presença.
Ele rindo, aproximou mais seu corpo do dela. Annabeth ameaçou puxar seu arco.
– Ei, calma! Eu só estou brincando.
Ela revirou os olhos.
– Fale logo o que você quer, por favor. Eu estou com pressa.
– Só quero dizer que precisamos conversar, e que meus amigos também são semideuses. – disse Percy.
Annabeth mordeu o lábio.
– Semideuses?
– Há mais de nós do que você pode imaginar. – Perseu respondeu.
– Claro que há. Mas tudo bem. Nós podemos conversar depois. – Annabeth murmurou. – Agora preciso ir. A gente se vê por aí.
– Eu... A gente se vê por aí. – Perseu repetiu, e saiu andando também.
Annabeth se virou, se dirigindo para a casa de sua madrasta. Abriu a porta, seus olhos procurando por Marisa.
– Annie? Já voltou? – Disse Marisa, que estava no sofá, vendo TV.
– Não vou demorar. – Disse rapidamente, subindo as escadas.
– Explique-se! – Marisa exigiu.
– Eu vou para a casa de meu pai. – Annabeth murmurou pegando o telefone. Digitou os números de seu pai. Ele atendeu no segundo toque.
– Alô?
– Oi pai. Sou eu, a Annie.
– Querida! Que saudades! O que aconteceu?
– Eu estou indo morar com você. Isso é, se eu puder morar com você. Pode vir me buscar?
– Claro que pode querida! Eu chego em duas horas. Ainda estou no trabalho, sabe? Quando chegar, conversamos. Acho que temos muita coisa para por em dia.
– Também acho. – Annie disse e riu. – Tchau. – E desligou.
Marisa não sabia o que dizer. Encarou Annabeth durante toda a ligação. Depois, saiu do quarto sem dizer nada.
– Ok, — Annabeth murmurou para si mesma. – Tenho duas horas até papai chegar.
Começou a puxar suas malas que estavam dentro do guarda-roupa, e puxou todas as roupas do armário, pondo dentro da mala. Em uma hora e meia, tudo o que precisaria levar estava devidamente empacotado. Pegou sua toalha e se dirigiu ao banheiro. Tomou outro banho, e vestiu um short jeans, uma camiseta branca com o símbolo da paz e um tênis Nike roxo.
Penteou seus cabelos, e reorganizou sua mochila. E fim, estava pronta. Sacou seu celular, conferindo que faltavam dez minutos para seu pai chegar. Desceu as escadas, trazendo suas malas consigo. Marisa estava na cozinha. A garota deixou suas malas próximas ao hall.
– Marisa, eu... Sinto muito, PRECISO ir morar com meu pai. É ordem dos olimpianos, eu tenho que ser criada por meu parente mortal, e você é quase uma... Desconhecida. Desculpe-me. – Ouviu uma buzina. – Preciso ir agora. Eu amo você. – Beijou a bochecha da madrasta e se afastou.
Andou até a sala, pegando suas malas e se dirigindo até a porta da frente. Seu pai estava com o punho no ar, como se fosse bater. Ao ver Annie, baixou a mão e sorriu, abraçando-a.
– Querida! Que saudades! – Sorriu, e depois se desvencilhou do abraço e olhou para dentro de casa, focando em Marisa. Seu corpo enrijeceu, e sua voz se tornou mais mecânica. – Olá Marisa, já faz muito tempo.
– Olá Frederick. Sim, muito tempo. – Marisa respondeu no mesmo tom.
– Bom ver você. Agora vamos Annie. Telefonei para sua madrasta e ela está ansiosa para vê-la. – disse, pegando as malas e pondo-as no carro.
– Pode parar de fingir que Marisa é minha mãe. Minha mãe é Atena e eu sou uma semideusa. – Annabeth murmurou, cruzando os braços.
Frederick arregalou os olhos. Depois sorriu.
– Hm, parece que Atena te visitou. – Falou, rindo. – Bem, vamos. Kate quer vê-la. Adeus Marisa.
– Adeus Frederick. Adeus Annabeth.
– Adeus... Marisa. – Respondeu com a voz embargada.
Frederick e Annabeth entraram no carro.
– Então, descobriu que é uma semideusa. – Frederick disse enquanto dava a partida no carro.
– Não poderiam esconder isso pra sempre. – Annabeth rebateu.
– Sabíamos que não. Mas estávamos esperando o momento oportuno. Não podíamos simplesmente chegar e dizer: Annie, você é uma semideusa.
Annabeth riu, acompanhada por seu pai. No resto do caminho, conversaram sobre bobagens. Logo, chegaram a uma casa enorme de dois andares, com um jardim bem cuidado na frente. Frederick estacionou o carro na garagem e tirou as malas de Annabeth do carro.
Entraram em casa e logo Annabeth foi sufocada num abraço.
– ANNIE! – Kate, sua verdadeira madrasta gritou. – Que saudades, querida.
Annabeth retribuiu o abraço.
– Eu também estava com saudades Kate. Quanto tempo! – Annabeth dizia enquanto a madrasta assentia, eufórica.
– Venha, vamos levá-la ao seu quarto. – Disse empurrando-a até a escada.
Subiram e levaram Annabeth até uma porta no meio do corredor do segundo andar. Ela abriu a porta e sorriu. Seu quarto era cinza e rosa, cores preferidas de Annabeth. A harmonia das cores era fantástica. Havia uma cama de casal no meio do quarto, e ao lado dela um closet, que ficava ao mesmo tempo do lado da porta. Na parede em frente à cama, uma TV de LED. E embaixo dela, uma escrivaninha com um MacBook. Do outro lado da cama, a varanda, com portas de correr e cortinas nas mesmas. E do outro lado do closet, uma pequena porta que levava ao banheiro.
– É... Lindo! – Annabeth disse, com os olhos brilhando.
– Que bom que gostou querida! – Disse Kate sorrindo. – Agora vamos deixar você se instalar. O almoço estará pronto em meia hora. Matthew e Bobby estarão lá.
Matthew e Bobby eram os irmãos mais velhos de Annabeth. Matthew tinha 17, Bobby 16 e Annie 14.
– Onde eles estão? – Annie perguntou interessada.
– Matthew está dormindo e Bobby está na casa de Jason, um vizinho, jogando videogame.
– Ah, obrigada Kate.
– De nada querida. Se precisar de mim, estarei na cozinha.
Annie apenas assentiu.
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