Espelhos (Percabeth)
16 Capítulo 15 - Uma garota punk.
Notas iniciais
POV Percy.
Andamos um bom tempo por Atenas. O sol brilhava forte – obrigado, Apolo! –, e o céu estava azul, embora isso fosse um pouco escondido pelas nuvens.
Annabeth havia me acordado para podermos sair e procurar a tal guia. “Pesquisa de campo”, segundo Apolo.
Ok, eu odeio ter que admitir isso, mas se eu dissesse que Annabeth não estava linda, eu estaria mentindo. Ela estava com um short jeans, uma camiseta de um ombro só e um par de Vans nos pés.
Que desperdício ter virado uma Caçadora.
Eu não estava de todo o mal. Estava confortável. Eu vestia uma bermuda jeans, uma camiseta azul marinho e um Adidas pretos nos pés. Ajeitei meus óculos escuros na minha cara.
Apolo estava vestido de um jeito que estava parecido comigo, simples, mas ainda assim chamava a atenção feminina. Usava uma bermuda branca, uma camiseta vermelha e um tênis no pé.
Atenas, definitivamente era diferente de tudo o que eu sempre imaginei. Era uma cidade moderna – eu sempre imaginei que Atenas nunca tivesse evoluído, que fosse sempre uma cidade antiga –, cheia de shoppings, outdoors e restaurantes. Mas claro, tinha suas referências e homenagens à Atena.
No meio da cidade, havia uma enorme montanha e várias vezes eu me perguntei se aquele era o Monte Olimpo da Grécia.
Bom, acho que eu devo ressaltar aqui que Atenas evoluiu sim, com o passar do tempo. Mas ainda conservava sua parte antiga. Como eu descobri isso?
Annabeth.
Andamos cerca de dez minutos, até ela parar e nos arrastar até o Parthenon.
Foi tipo assim:
– Vocês sabem que não vai ser fácil, né? – Ela começou. – Pensei em andarmos procurando expressões de inocência total, mas acho que não vai dar certo. As aparências enganam.
– Mas como vamos achar essa tal criatura? – Perguntei e Annabeth pareceu pensar.
– Não sei. Mas ei, antes de começarmos, vamos visitar o Parthenon, tudo bem? — Ela pediu e eu e Apolo olhamos pra ela. – Por favor! Quem sabe quando eu poderei voltar até a Grécia?
– Claro, se tivermos sorte, lá pode ter pelo menos uma pista. – Apolo disse e eu concordei. Annabeth sorriu.
– Obrigada! Agora vamos. – E fez sinal para um dos táxis que estavam na rua. Apolo entrou primeiro, depois eu entrei e por último Annabeth. – Parthenon, por favor. – Ela disse ao taxista que assentiu, e deu a partida.
Não demorou muito até chegarmos ao Parthenon. Mas foi divertido. Annabeth, ansiosa, batucava sua perna e vez ou outra, olhava para a janela.
– Por Zeus, estou tão ansiosa. – Ela disse se virando pra mim.
– Dá pra perceber. – Eu disse, rindo.
– Percy, eu só vi o Parthenon em fotos. Mas algum dia eu vou fazer algo como ele.
– Você quer ser arquiteta? – Franzi a testa. Ela assentiu, e suas bochechas coraram um pouco.
– Sim. Atena espera que seus filhos criem coisas, não as derrubem. Isso é o trabalho de um certo deus dos terremotos.
Desviei o olhar.
– Desculpe. – Disse Annabeth. – Isso foi maldoso.
– Não dá pra gente trabalhar juntos? – Implorei. – Quer dizer, Atena e Poseidon não poderiam colaborar um com o outro?
Annabeth teve de pensar a respeito.
– Eu acho... a carruagem. – Disse ela, hesitante. – Minha mãe a inventou, mas Poseidon criou os cavalos saídos das cristas das ondas. Então eles tiveram de trabalhar juntos para torná-la completa.
– Então nós também podemos colaborar um com o outro. Certo?
Annabeth olhou para fora por um momento, e parecia que estávamos próximos do Parthenon.
– Acho que sim. – Disse, afinal.
Um minuto depois, o carro parou. Eu e Annabeth saímos, enquanto Apolo pedia que o taxista esperasse. O taxista sorriu simpático e assentiu, ligando o som do carro e aumentando um pouco o volume.
Foi engraçado. Annabeth estava tão concentrada no monumento que quase não piscava. Apolo olhava como se não fosse nada demais. Eu o observei por um momento – ele era incrível, admito –, mas depois passei a observar a loira.
Annabeth andava em torno do Parthenon e em nenhum momento tirava os olhos dele.
Um piado me tirou dos meus pensamentos. Era uma coruja cinza. Suas penas eram alinhadas e seus olhos davam a impressão de que aquela não era uma coruja comum. Algo me dizia que aquela coruja era totalmente racional. Aquela era... Atena?
A coruja pousou nos ombros de Annabeth, e sacudiu um pouco as penas. Annabeth sorriu para ela, e eu achei ter escutado um “oi mãe” baixinho. Logo a loira voltou a olhar o monumento.
– É... Fantástico. – Annabeth disse admirada e eu juro que vi a coruja assentir.
– Não sei o que você vê de tão fantástico assim, Annabeth. Pra mim, é um monumento comum. Lindo, mas comum. – Apolo disse com desdém. A loira e o animal em seu ombro viraram a cabeça pra ele. Apolo se encolheu um pouco. – Bem, digamos que seja apenas porque eu já estou acostumado.
– Como eu disse antes, é fantástico. – Annabeth disse e a coruja voltou a olhar pra ela. – A arquitetura... Os entalhes nas colunas, os desenhos, os degraus de pedras... Por Zeus!
Apolo riu, e eu senti o sol um pouco mais quente. Olhei para Apolo, que tinha uma expressão normal, e então olhei para o céu. Ou era impressão minha, ou as nuvens de repente se afastaram um pouco, deixando à vista o céu azul e o sol brilhante.
– Muito melhor assim! – Apolo gritou para o céu, e um trovão soou. O deus riu.
Sacudi a cabeça e voltei minha atenção para a coruja cinza que ainda estava no ombro de Annabeth.
– Ei loira, essa aí... Hã, essa aí é a sua mãe? – Perguntei.
Annabeth sorriu.
– Ela mesma.
– Nesse caso, oi Atena. — Falei e a coruja deu um piado em resposta. Em seguida, a coruja fez uma espécie de carinho com uma parte do bico em Annabeth e saiu voando em seguida.
– Bem, vamos? Precisamos achar a tal guia. – Annabeth chamou.
Voltamos ao táxi e pedimos que ele nos levasse ao hotel em que estávamos hospedados. Quando o carro parou, Apolo tirou algumas notas de dinheiro mortal e deu ao motorista. O carro partiu novamente, dessa vez sem nós.
Começamos a andar. Deviam ser quase onze horas. Caminhamos por Atenas, até que quando deu meio dia e meia, paramos em uma lanchonete para comer.
Fomos até o balcão, e sentamos nos bancos que havia lá. Annabeth estava no meio, enquanto Apolo estava na direita dela e eu na esquerda. Ao meu lado, havia uma garota punk.
Ela vestia um short jeans com alguns rasgos, e uma camisa preta com uma estampa que eu não consegui identificar. No braço, tinha algumas pulseiras com spikes. Seu cabelo era castanho e ondulado.
A garota ao meu lado fez o pedido, e em seguida eu e Annabeth fizemos. Apolo alegou que não estava com fome.
– Oi. – Falei sem motivos me virando para a punk.
– Ah, oi. – Disse com uma voz cansada. – Quem é você?
– Sou Percy Jackson. E você?
– Agatha Phillips. Hm, você não é de Atenas, né?
– Não, sou de Nova York. Como sabe?
– Você não tem cara de quem é daqui.
– Obrigado, eu acho. – Eu sorri e ela deu um sorriso mínimo.
– Quem é a loira e o bonitão? – Ela indagou de repente e eu ri da forma que ela se referiu a Apolo, mas não parecia estar interessada.
– Annie! – Chamei e ela se virou pra mim. – Essa é Agatha. Agatha, essa é Annabeth.
– Oi. – Annabeth falou, mas não sorriu. A punk deu um aceno de cabeça, e franziu a testa.
– Nossa, seus olhos são... Tão cinzas. Lembram os olhos de Atena e Zeus, eu acho. – Agatha disse, parecendo admirada.
– Eu... Obrigada. – A loira murmurou e se voltou para nossos pedidos que haviam acabado de chegar.
– E o “bonitão”, – continuei, fazendo aspas e Agatha riu. – é Apolo. Um tio nosso. – De certa forma, não era mentira. Apolo realmente era tio de Annabeth, mas era apenas um primo meu.
– Estranho... Ela tem a mesma cor de olhos que Zeus e Atena, e ele tem o mesmo nome do deus Apolo... – Agatha disse.
– Coincidência. – Annabeth falou rapidamente, arregalando os olhos. Agatha apenas deu de ombros.
Vinte minutos depois, ainda estávamos na lanchonete. Obviamente, eu já havia terminado de comer, mas havia engatado em uma conversa sobre um assunto qualquer com Agatha. Annabeth havia virado o corpo, e agora se sentava com os cotovelos apoiados no balcão, e encarava a rua, pela porta da lanchonete – uma típica postura impaciente – e vez ou outra dizia algo a Apolo.
– Ei Agatha, o que acha de dar uma volta com a gente? – Pedi e ela negou.
– Nem pensar. E se vocês me sequestrarem? – Ela disse e eu sorri.
– Confie em mim, ninguém aqui vai sequestrar você, eu apenas simpatizei com você.
Agatha pareceu pensar um pouco.
– Um dos poucos. Mas tudo bem, eu aceito. Com uma condição.
– Qual? – Perguntei hesitante.
– Que eu possa comer mais alguma coisa antes de sairmos. – Ela disse me encarando com um sorrisinho e eu assenti.
– À vontade. – Falei e sorri também. Do meu outro lado, Annabeth revirou os olhos.
Fale com o autor