Espelhos (Percabeth)
13 Capítulo 12 - O voo mais longo do mundo.
Notas iniciais
– Vocês podem partir ao amanhecer. – Ártemis falou e nos encarou.
– Temos um limite de tempo? Por que sabe, viajar por terra até a Grécia vai demorar no mínimo uma semana. – Percy disse e eu concordei.
– E quem disse que vocês devem viajar apenas por terra? – Atena nos olhou com um sorrisinho.
– Mas... Ele não pode viajar pelo céu. Zeus o explodiria em um milhão de pedaços. – Eu intervim.
– Realmente papai faria isso. Se eu não o tivesse convencido de que por céu seria mais rápido. – Atena deu um sorriso mais largo.
– A propósito Percy, não, vocês não tem um limite de tempo, mas vocês precisam fazer isso o mais rápido possível. – Ártemis disse e nós assentimos.
– Mas por onde começaremos? – Indaguei. – A Grécia não é uma cidade, é um país inteiro! Como vamos achar essa guia e pra onde iremos quando chegarmos lá?
– Vocês vão encontrar uma pequena ajudinha lá. Então não se preocupem com isso. – Ártemis disse com um sorriso misterioso e Atena assentiu.
– Uma pequena ajudinha? – Repeti.
– Sim, vocês descobrirão quando chegarem lá.
– Tudo bem. – Falei desconfiada. – Nós partiremos logo no começo da manhã. – Falei e as duas deusas assentiram.
– Boa sorte, minha filha. Que os deuses estejam com você. – Atena me disse, e logo depois sorriu novamente. Franzi a testa.
Quinze minutos depois, estávamos de volta à praça. Percy se mantinha calado e eu do mesmo jeito. Ninguém tinha vontade de interromper o silêncio.
– Vamos comprar uma passagem para a Grécia no primeiro avião de amanhã, certo? – Eu falei de repente.
– Claro. No começo da manhã? – Percy indagou.
– Depende. Eu vou pra casa agora e vou ver quando sai o primeiro avião de amanhã pra lá. E aí eu te aviso ok?
Ele apenas assentiu.
Eram sete de manhã e eu já estava no aeroporto. Eu havia vindo com meus irmãos e meus pais. Kate tinha ficado em casa, embora eu tivesse me despedido dela. E agora, eu estava sentada nas cadeiras, esperando o meu voo ser chamado.
Peguei minha mochila e procurei meu celular, sem tentar bagunçá-la.
Ontem a noite, depois que eu cheguei em casa, eu havia comprado as nossas passagens para a Grécia – as minhas e as de Percy – no primeiro avião de hoje. Havia também feito as malas.
Eu havia pegado minha mochila e colocado quatro mudas de roupas, meu laptop, escova de cabelos, escova de dente, um cobertor, alguns pacotes de comida e garrafas d’água, um cantil de néctar, um saquinho com vários quadradinhos de ambrosia, minha adaga e meu pai havia me deu duzentos dólares, caso eu precisasse, e alguns dracmas, as moedas dos deuses. Ou seja, tudo o que eu precisaria.
Ambrosia é a comida e Néctar a bebida dos deuses. Em excesso para um meio-sangue, poderia deixá-lo com muita febre. Já para os mortais, é fatal. Transformaria seu sangue em fogo, seus ossos em areia e então eles estariam mortos. Eu sei, dá medo né?
Avisei a Percy logo depois e ele também fez as malas. Ele tinha uma mochila azul marinho nas costas.
Nosso voo sairia às 7h40, e já eram 7h20. Bati o pé impaciente. Matt percebeu.
– Hey, calma loirinha. Eu sei que você tá impaciente e provavelmente nervosa porque vai salvar o mundo, mas se acalma. – Olhei pra ele incrédula e ele riu. – Vai dar tudo certo.
– Espero que sim. – Falei e desviei o olhar.
De acordo com o que eu sabia, um voo de NY para a Grécia durava aproximadamente 10 horas de voo. Em alguns casos, podiam ser até 12 horas.
10 minutos mais tarde, uma voz soou no aeroporto.
– CHAMADA PARA O VOO 1236 COM DESTINO A ATENAS, GRÉCIA. EMBARQUE NO PORTÃO 12. – Uma voz monótona disse. Na minha humilde opinião, parece que a pessoa engoliu um tijolo e ta morrendo engasgada.
Levantei-me num salto e mordi o lábio. Uh, e agora, o que seria? Pegar um avião e tipo, salvar o mundo?
Não é fácil sua mãe, que é uma deusa, simplesmente chegar pra você e dizer: Oi filha, tudo bem? Então, eu sei que você tem apenas 14 anos, mas você precisa ir até a Grécia, catar em algum lugar um espelho que pode destruir o mundo.
– Muito bem, está na hora. – Papai me disse. – Boa sorte, querida. Eu sei que você vai conseguir.
– É loirinha, é agora. Mas sério, não se preocupe. No fim vai dar tudo certo. – Bob disse, e me abraçou.
Percy desviou o olhar para um ponto longe de nós. Eu me aconcheguei mais em Bobby. Matt sorriu e me puxou, me abraçando.
– Colocou tudo na mochila né? – Papai me perguntou e eu assenti. Ele sorriu. – Agora você tem que ir. Perder o avião seria péssimo.
– Tudo bem. – Falei e respirei fundo. – Me desejem sorte.
– CHAMADA PARA O VOO 1236 COM DESTINO A ATENAS, GRÉCIA. EMBARQUE NO PORTÃO 12. – A voz engasgada com um tijolo gigante soou novamente. Respirei fundo de novo e coloquei minha mochila cinza nas costas.
– Vou tentar entrar em contato o mais rápido possível. Eu amo vocês. – Meus irmãos e meu pai sorriram pra mim. Percy ainda parecia distante. – Vamos, Percy? – Chamei-o e ele me olhou.
– Claro. Vamos logo, o nosso voo já foi chamado duas vezes. – Ele respondeu, pondo a mochila azul nas costas.
Meus irmãos pareceram finalmente notá-lo.
– Ah, hey Jackson. – Bobby falou e os dois encolheram os ombros. – Ahn, tente ser útil nessa missão, sim? Ela é realmente importante.
– E, por favor, tente não atrapalhar nossa irmã. – Matt completou e eu pensei ter visto Percy engolir em seco.
– Meninos, parem com isso. Estão deixando Percy nervoso. – Papai disse e sorriu para Percy. – Boa sorte, Jackson.
– Obrigado, senhor Chase. – Disse, e logo depois olhou pra meus irmãos. – Vou tentar não estragar tudo. – Disse e saiu andando. Depois de um breve aceno para a minha família, eu o segui.
Paramos no portão 12 para deixar a atendente conferir nossos passaportes e depois entramos. Colocamos nossa mochila na esteira para que fosse conferida. Depois, nos dirigimos à sala que dava acesso ao avião.
Entramos e procuramos nossos assentos. Percy, naturalmente, sentaria ao meu lado. Achamos, e eu descobri que sentaria na janela. Sorri satisfeita.
Colocamos nossas mochilas no compartimento acima de nossas cabeças e sentamos. Esperei as outras pessoas entrarem e logo o avião estava cheio. A aeromoça andava pelos corredores, conferindo os passageiros.
– Senhores passageiros, por favor, apertem os cintos e se preparem para a decolagem. – Ai senhor, mais uma que engoliu um tijolo e ta morrendo engasgada. Será que não tem ninguém com uma voz normal nesse aeroporto? Ou alguém com juízo, que entenda que tijolos gigantes não são comestíveis?
Mesmo assim, coloquei o cinto e encostei minha cabeça no banco. Ao meu lado, Percy apertava o cinto dele.
E então aconteceu.
O avião começou a decolar.
Acho que essa foi uma das cenas mais engraçadas da minha vida. Vou explicar por que: Imagine a seguinte cena, Percy agarrado ao braço do banco e praticamente se cagando de medo.
Sim, aconteceu exatamente isso, porém não foi só isso.
Além de quase arrancar o braço da cadeira, se cagar de medo, Percy ainda murmurava palavras do tipo:
– Ai meus deuses, eu vou morrer. Socorro. Alguém me tira daqui. O avião vai cair. Socorro. Eu não quero morrer não.
E enquanto isso, o que eu fazia?
Apenas tinha crises histéricas de riso, atraindo a atenção das pessoas atrás de nós e ao nosso lado.
– Hey, calminha Jackson – falei, enquanto tentava conter o riso.
– Pra você é fácil falar. – Ele disse com a voz esganiçada. – Não é você que é filho de um rival do senhor do céu.
– Realmente, eu sou neta dele. – Soltei uma risada, mas depois tentei ficar séria. LERAM DIREITO? EU DISSE “TENTEI”. – Mas é sério Jackson, fica calmo. Mamãe nos garantiu que o avião não vai cair. – Falei e Percy me olhou, mas não afrouxou o aperto no braço do assento.
– Apenas por via das dúvidas. – Ele disse e só aí eu me toquei que o avião havia decolado.
– Jackson, o avião já está no ar. Pare de se comportar como uma criança medrosa. – Eu disse suspirando. Ele respirou fundo, e soltou um pouco o braço do assento, mas ainda segurando-o.
10 minutos mais tarde, eu senti alguma coisa bater no meu ombro. Virei e quase comi cabelos. Sim, senhoras e senhores, Perseu Jackson estava dormindo no meu ombro. Detalhe importantíssimo: Ele estava com a boca aberta. Não demorou, e eu ouvi roncos.
É, o voo seria longo até demais.
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