Notas iniciais
════════════════ ೋღღೋ ═════════════════════ Aqui estamos nós! Olá, aqui é a ANIKENKAI! Tive a idéia desta one enquanto lava a louça (*really*?), hahahaha! Bem, sempre quis explorar esse lado "obscuro" de Shun, apesar dele nunca ter mostrado indícios disso; afinal ele é o humano mais puro da Terra... Será mesmo? Enfim. Boa leitura! ♥ ════════════════ ೋღღೋ ══════════════════════

Seguro. Um porto seguro. Era tudo que eu queria. O sangue quente ainda escorre em minhas mãos, e os elos da corrente tremendo sob o efeito elétrico do Cosmo que ferve em minas veias. Meus olhos estão turvos... onde eu estou?

Sinto o líquido quente escorrer em meus dedos, e a pingar em minha roupa. O cheiro de sangue fresco.

... onde estou?

Vejo, com dificuldade, vultos espalhados pelo chão. Poças de algo vermelho cresce na terra ao lado deles. São... corpos. Pessoas mortas. Cavaleiros em treinamento. Que massacre horrível... quem os matou?

... onde estou?

Sinto as gotas de chuva cair sobre mim, e a água afasta a neblina negra que estava em meus olhos. Olho para os lados, lentamente. Estou ajoelhado na grama. As correntes pararam de se mexer. De longe... ouço gritos...

...onde estou? Onde está o assassino dessas pessoas?

Ouço um grito abafado de mulher. O rosto em pânico e pálido dela, e mais meia dúzia de pessoas ao seu redor. Meu mestre se aproximando, sem emetir um som sequer. Seus olhos abertos e a boca também, sem acreditar na cena que está vendo.

Onde estou? Onde estou? Onde...? Onde...?

E então... percebo minhas mãos. Minhas roupas, encharcados de sangue. Começo a tremer, com o colar que minha mãe me deu quando criança — o pentagrama — pesando em meu pescoço. Ouço de repente, o choro abafado de minha amiga, se afastando de mim aos passos para trás.

— June... me ajude... o que aconteceu?

— Você é um monstro. Um assassino. Se afaste de nós. Dessa ilha. De todos! — Ouço-a gritar, com ódio, nojo e medo misturados em seu tom.

Um assassino... eu sou... um assassino.

Eu...

(...)

Acordo, finalmente. Arfo, assustado, olhando para os lados, em busca de um relógio. 04:13 da manhã. Eu estava tendo outro pesadelo.

Esfrego meus cabelos, que estão mais longos do que antes. Minhas pálpebras doem. Sento-me na cama, tentando me acalmar, me mantendo no controle do que acabei de sonhar, do pesadelo horrível. Fingo meus dedos no colchão, de cabeça abaixada, inspirando fundo.

Me sinto péssimo. Na verdade, me sinto assim desde que Hades tomou meu corpo na Giudecca do Inferno, a tanto tempo atrás. Mesmo agora, não me recuperei. Pesadelos escuros e cada vez mais horrendos me assombram desde então. Minha cabeça dói cada vez mais.

Levanto-me, me esticando e caminhando até a porta. Preciso dar uma volta pela mansão Kido, para espairecer. Se eu voltar a ter outro pesadelo assim, baterei minha cabeça na parede até ela estourar. Qualquer coisa para essas imagens sumirem de vez.

Uma chuva começa a cair devagar lá fora. Caminho aos passos leves, para não acordar ninguém. Os corredores da mansão estão escuros, de modo que me guio através do céu claro de chuva torrencial das janelas de vidro. Descido ir até a sala principal, ler algum livro.

...

Um breve resumo dos acontecimentos.

Antes. Após a Guerra Santa...

...Saori, a deusa Atena havia decidido cuidar do corpo de Seiya de Pégaso, ferido gravemente pela espada das sombras de Hades no peito, permanecendo em coma. Saori, salva por Shun, foi levada também na companhia de Shiryu para a mansão Kido, de volta para o Japão. Porém, o Cavaleiro de Dragão, após um grande tempo, perdeu as esperanças que Seiya voltaria à vida, e resolvera partir para os Picos Antigos de Rozan; tomando o mesmo rumo que Hyoga e Ikki: buscando agora uma vida normal, longe das guerras divinas.

Porém, Shun permaneceu ao lado de Saori; que entrou em depressão.

Após buscas de soluções, a deusa obteve uma ideia. Levando o corpo de Seiya para Grécia novamente, decidiu a única solução de salvar Pégaso da trágica morte com Andrômeda ajudando-a: pedir ajuda para Ártemis, sua irmã. Assim, ambos partiram para o seu templo Lunar, sendo ambos friamente repelidos pela deusa.

Suas únicas esperanças estavam nas mãos de mais um deus: Chronos, deus do Tempo e avô de Atena.

Saori e Shun, juntos, se sacrificaram uma última vez, buscando ajuda do terrível deus de caos. Este, concordou ajudá-los, e lhes voltou no tempo dando-lhes uma ampulheta temporal, para a Guerra Santa anterior. Porém, Saori foi transformada em uma criança, e Shun precisaria subir as Doze Casas do Zodíaco mais uma vez, para salvá-la.

E lá, que as coisas começaram a se alterar, conforme suas ações....

Os Cavaleiros de Ouro, foram sendo enfrentados um por um, por Shun, Tenma — o Cavaleiro de Pégaso daquela era -, Ikki, Hyoga, Shiryu. Porém, chegaram tarde demais:

Saori já havia sido morta por Cardinale de Peixes, em função da Rosa Piranha. Ao perceber o que fizera, o Cavaleiro se amargurou brutalmente, suicidando pela mesma rosa. Hyoga, morto por Mystoria de Aquário, Shiryu pelo próprio mestre Dohko — que achava que era um invasor -, Ikki tendo a cabeça cortada por Cain e Abel de Gêmeos.

O pesadelo era horrível. E como haviam se atrasado, Seiya não resistiu à espada das sombras, e morreu.

Shun havia entrado em pânico. Pânico. Loucura. Estava agora preso no tempo, tendo os amigos e a deusa morta. Ele havia fracassado.

Em seu desespero, em último recurso, correu até o final do Santuário, com o próprio sangue e invocando, implorando a ajuda para o deus dos Mortos; em sua forma sob o domínio do receptáculo daquela época, Alone, pelo ajudando-o a quebrar a barreira enfraquecida que protegia o Santuário. Shun prometeu dar seu corpo como casca novamente para ele, permanentemente, se ele o ajudasse a desfazer tudo aquilo.

O deus, concordou, restaurando a areia da ampulheta do tempo para o Cavaleiro de Andrômeda, dando para ele uma segunda chance.

E assim... ele corrigiu os erros. Por cosmo, instruiu seus amigos ao que fazer. Derrotaram os Cavaleiros de Ouro, e recuperaram a pequena Atena. À tempo, destruíram a espada das sombras, e Shun traiu Hades, repondo a barreira sob o Santuário com Atena.

A vida de Seiya fora salva. De todos também.

Mas o deus dos mortos...

Não se esqueceria disso.

[...]

— O que faz acordado tão tarde? — Ele me questionou, se aproximando. Meu livro estava abaixado, de modo que pude vê-lo.

— Irmão. — Respondi. — Só lendo um pouco.

— Sem sono? — Ikki questionou, sentando na beira da minha poltrona.

— Sim. Tenho tido mais pesadelos. Eles tem ficado mais frequentes cada noite.

— Shun. Estou preocupado contigo. — Ele pausou, suspirando — Desde que voltamos, você tem estado diferente. — Ikki comentou, com uma careta para mim, como se tivesse provado algo amargo. — Você parece mais pálido... seus olhos, tem escurecido... e... tem deixado seu cabelo crescer.

— Sempre deixei. — respondo, com um leve sorriso.

— Me poupe das antigas tradições que aprendeu na Ilha de Andrômeda, maninho. — Ele ri, mas volta a ficar sério. — Digo, você não parece mais o mesmo.

— O que quer dizer? Me sinto bem. Está exagerando, e são apenas pesadelos.

— Ah, é? — Ele se levanta, ficando de frente para mim e cruzando seus braços. — Quantas noites mal dormidas tem passado? Acha que não sei dos seus enjoos vômitos noturnos? A mansão inteira consegue ouvir. Eu entrei no seu banheiro ontem. Puta merda, você tem vomitado sangue!

Fico meio irritado. É verdade: tenho expelido sangue pela boca por conta de meus enjoos frequentes após resistir cada noite mal dormida. Mas não queria que ele descobrisse isso, invadindo meu quarto.

— Está querendo dizer que estou... doente? — Questiono, com uma careta.

— Estou querendo dizer, que desde que pôs os pés naquele maldito futuro, só para salvar a vida do babaca do Seiya, você tem estado pior. Parece até, que está morrendo aos poucos.

Encosto minhas costas na poltrona, com minha cabeça voltando a girar. Ikki não sai de minha frente. Acho que ele apenas me aguardou vir para cá esta madrugada, para questionar o que me vem acontecendo. Achava que sabia disfarçar bem. Mas ele não me deixará em paz, até que eu lhe entregue uma resposta convincente que estou perfeitamente bem.

— Você não tem nada haver com minha vida. Não sou mais uma criança. Pare de me tratar assim. — Me levanto, encarando-o. — Sei muito bem o que eu fiz. Mas nem todos nos recuperamos totalmente após sobreviver duas Guerras Santas. Ainda mais eu. Agora, me deixe em paz.

— Claro que tenho haver. Sou seu irmão. De pai e mãe. Ou se esqueceu disso?

— Desde quando se preocupa com alguém, além de você mesmo? Some e aparece, sempre. Um milagre ter estado aqui na Mansão, desde que voltamos. — Digo, controlando minha voz. — Repito, por favor saia daqui,, e volte a dormir. Me deixe em paz.

— Shun. Eu só quero saber...

— SAIA DAQUI!

Explodo com minha voz, e um raio cai em algum lugar lá fora com a chuva, iluminando a sala. Arquejo, tocando na poltrona, virando o rosto de lado. Após me encarar por longos minutos, Ikki bufa e se vira, saindo da sala, finalmente e vencido.

Dor... sinto uma pontada de dor no meu coração. Gemo apertando minha camisa onde meu coração palpita, sentando-me de novo. Arfo. Parece que estou sem ar.

Fico assim por vários minutos até me controlar... não... de novo não... essa sensação estranha... meu tom de voz... violento. Isso. Isso não sou eu!

Largo meu livro para trás, correndo pelo corredor, com os olhos úmidos de lágrimas que agora caem, voltando para meu quarto. Ouço alguém murmurar, devo ter acordado alguém. Abro a minha porta, e entro, trancando-a e caindo com as costas deslizando pela porta, até o chão.

Não... ele não sabe o que eu passei. No desespero. Na dor aguda, mesmo que tenha sido treinado na Ilha da Rainha da Morte: nada se compara à ter sido casca do deus do inferno. Permito-me chorar, algo que não me permitia à muito tempo. A dor volta a bater com as pulsões de meu coração no peito. É alucinante. Gemo, sentindo a dor.

O som ecoe pelo quarto. Meus olhos se fecham. E tudo fica escuro... e turvo.

Apago, caído no chão.

(...)

Notas finais
════════════════ ೋღღೋ ════════════════ Infelizmente, precisei cortar a história. Apesar de inicio ser capítulo único, percebi que ficaria longo demais! Por isso será cortado em suas partes. Porém, os títulos continuarão. Um beijo! Não se esqueça do Review em! ♥════════════════ ೋღღೋ ════════════════
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.