Espelho
44 Capítulo 44: LÁGRIMA SOLITÁRIA
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 44: LÁGRIMA SOLITÁRIA
Sasuke havia a levado para casa de manhã, após acordarem no chão da sala dele, nus e com as roupas espalhadas pela sala.
Só de pensar sentia suas bochechas corarem.
Olhou no relógio, eram dezessete e quarenta e dois. Tirou o sapato com os próprios pés. Fora Naruto quem havia a buscado no hospital hoje. Ele parecia ter voltado ao normal, falava com ela coisas banais e descontraídas.
— Vocês não precisam mais me acompanhar até em casa.
Andavam juntos rindo.
— Eu precisava falar com você.
Até que ele tocou no assunto.
— Soube sobre você e Sasuke — Ele disse, ele não ria mais, estava sério.
— Eu... Eu... Não me julgue Naruto.
— Não estou julgando Sakura-chan.
— Eu sei que... Foi errado.
— Sakura-chan, você sabe como o Sasuke é, e espero que tenha pensado nisso antes de fazer qualquer coisa, só não quero que se machuque.
— Não vou Naruto... Não vou.
Não vou.
Repetiu para si própria enquanto sentava no sofá e passava as mãos pelos cabelos róseos. Suspirou.
Ela não havia pensado no que aconteceria depois, havia sido irresponsável, sabia, e agora teria que lidar com os seus erros. Sabia que Sasuke jamais iria querer algo mais sério com ela, e ela deveria aceitar isso.
Tinha que falar com ele, tinha que acabar com o que é que estavam tendo. Ou com o que não estavam tendo.
Mordeu o lábio inferior, tentando pensar em como faria aquilo.
Seu pensamento foi interrompido com batidas na porta. Andou até a porta ainda descalça, no caminho tirou o jaleco e jogou-o na poltrona.
— Hinata não está mais aqui.
Disse ao ver Hiashi, com toda sua imponência e elegância parado na porta de seu apartamento. Ele vestia uma roupa comum, calça e uma blusa, mas que pareciam de bom porte.
— Eu sei, vim falar com você.
Repassou em sua mente procurando algum motivo pelo qual Hiashi poderia querer conversar com ela, não encontrou nenhum.
— Acho que não temos nada para conversar.
— Eu penso o contrário.
Mordeu novamente o lábio e saiu de frente a porta dando espaço para que passasse.
— Entre, hummm... Quer algo para beber?
Perguntou por educação quando ele se sentou em seu sofá. Viu-o balançar a cabeça negativamente e observar o jaleco jogado na poltrona, os sapatos sujos no carpete e seus pés descalços.
Corou sentando-se no sofá em frente a ele, inquieta.
— Então...?
— Quando envenenaram minha filha, a Hokage me disse que você tinha algo a ver com isso, quero saber por quê.
— Eu não vejo necessidade, os homens que fizeram isso já estão mortos, não há motivo.
— Mas eu vejo, quero saber por quê.
— Bom... — Suspirou — Eles estavam me ameaçando, falaram que se eu contasse a alguém, matariam Naruto ou Hinata, eu tentei contar para a Hokage e envenenaram Hinata como forma de me assustar.
— E estavam te ameaçando por quê?
— Sinto muito, mas prefiro não falar sobre isso.
— Vamos, diga, agor—
Ele parou de falar no momento em que a porta foi aberta bruscamente. Sasuke tinha os olhos assustados, os cabelos úmidos e parecia em alerta.
Levantou-se.
— O que—...?
Observou ele ajeitar a postura, e parecer envergonhado.
— Senti o chakra, pensei que fosse alguém perigoso. Desculpe. Com liçen-
— Vamos, conte logo, não tenho tempo a perder — Hiashi interrompeu.
— Eu—
— Contar o que Sakura? — Ouviu a voz rouca de Sasuke.
— Ele quer saber por que me ameaçaram... — Sentiu suas bochechas queimarem feito fogo.
— Você não vai falar.
— Ah! Ela vai sim.
— Sasuke, não precisa eu—
— Você não pode obriga-la a contar uma coisa que ela não quer.
— É da vida da minha filha que estamos falando!
— Sim, a vida da sua filha que você não aceita! Que você expulsou do clã, grávida.
— Ora seu moleque!
— Sasuke, não, não, por favor.
Andou até Sasuke acalmando-o antes que ele e Hiashi rolassem pelo seu apartamento.
— Hiashi-sama, creio que não temos nada para conversar, eles estão mortos e eu realmente não o devo explicações.
— Veremos.
Viu ele passar por ela e Sasuke apressado, e bater a porta com força ao sair.
— Obrigada.
Disse abraçando Sasuke. Ele não a abraçou de volta, mas também não disse nada.
— Vem, vamos comer algo.
Ele disse por fim, abrindo a porta e saindo.
— Você não vem?
Ele perguntou quando viu que estava parada boquiaberta.
— Oh! Uh! Sim!
Andou pegando os sapatos sobre o carpete e os colocando. Pegou a bolsa sobre o sofá, e saiu seguindo Sasuke.
Na rua ninguém pareceu nota-los. Ele andava ao seu lado silencioso, uma coruja piou ao longe quebrando o silêncio.
Andaram mais poucos minutos, até chegarem ao Manzoku. O lugar era fechado, mas com enormes janelas de vidro, chão de madeira, e cheio de vasos de plantas artificiais.
Entraram juntos, o garçom, vestido impecavelmente, tentou – inutilmente – disfarçar a surpresa em vê-los ali. Em Konoha todo mundo se conhecia.
— Bo-a N-o-ite — O garoto disse sem graça quando Sasuke olhou para ele — T-e-m um-a m-e-e-sa ót-i-ma al-i.
Sorriu disfarçadamente seguindo Sasuke e ele.
Depois de sentarem e fazerem seus pedidos sentiu-se incômoda com o silêncio.
— Você foi a alguma missão?
O viu acenar positivamente com a cabeça.
Ainda pensou em mais três ou quatro coisas pra falar, mas nenhuma delas lhe parecia plausível, por isso optou por ficar calada.
Sasuke parecia aprovar e gostar do silêncio, mas ela o achava incômodo. Para ela o silêncio a fazia ter mais tempo para pensar e ela não gostava de ficar com muito tempo de sobra pra pensar, para ela o silêncio doía.
A comida chegou minutos depois. A comida era maravilhosa, e embora ainda comesse pouco se permitiu comer até que estivesse realmente satisfeita.
Sasuke pedira bolo de chocolate de sobremesa, uma fatia, apenas para ela. Não soube dizer como ele sabia que realmente gostava de bolo de chocolate.
Ele não comeu nada na sobremesa, apenas ficou observando enquanto ela comia silenciosamente. E no fim, apesar de insistir vezes seguidas para que ele a deixasse pagar metade, saiu fracassada, quando ele pagou toda a conta.
Depois saíram restaurante a fora, pelas ruas já escuras de Konoha, iluminada apenas pela luz dos poucos postes.
— Obrigada por me trazer jantar.
Disse enquanto andavam lado a lado. Queria dizer tantas coisas, mas agradecer foi à única que lhe pareceu adequada.
Observou Sasuke acenar positivamente com a cabeça.
— Nós... — Olhou no instante em que ele começou a falar — Não usamos proteção.
— Oh! — Sentiu suas bochechas queimarem feito fogo — Eu... Tomei pílulas.
Viu ele novamente acenar positivamente com a cabeça.
Quando pararam em frente ao prédio dela, ficou incerta quanto a convidar ele para subir, ou apenas se despedir. Afinal havia sido ela quem havia dito que eles não podiam continuar mais com aquilo, havia sido ela que estava cansada de sofrer, havia sido ela que apesar de amar Sasuke ainda mais intensamente do que antes sabia que o relacionamento deles não tinha futuro.
E incerta do que falar, continuou parada em frente ao seu prédio, com ele em sua frente. Ele parecia distraído, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa ele disse primeiro.
— Vou indo.
Acenou positivamente com a cabeça mordendo o lábio inferior. Ela deveria ficar feliz que ele havia tirado o peso de suas costas de ter de expulsá-lo de lá, não deveria? Ela deveria ficar feliz que não haveria mais sofrimento entre eles, não deveria?
Porém após acenar positivamente com a cabeça, a única coisa que sentiu ao vê-lo se afastar na rua negra foi uma lágrima solitária descendo pela sua bochecha.
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