Espelho

35 Capítulo 35: FEBRE ALTA


Notas iniciais
Capítulo dedicado a BloodMary pela linda recomendação, obrigada querida. Boa Leitura! ♥

ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 35: FEBRE ALTA

Sakura não vai gostar disso.

Uma voz parecia martelar em sua cabeça enquanto se trocava para encontrar Mayumi.

Isso vai magoa-la.

A voz repetiu pela centésima vez, quase o fazendo desistir.

Quando colocava a camiseta preta ouviu um barulho na sua janela. Era uma ave, uma mensagem residia em seu bico, ela lhe entregou e não esperou resposta, apenas continuou voando, era uma carta de Hinata.

Sasuke-san eu sei que...

♦ ♦ ♦

— Sakura-chan, está se sentindo bem?

— U-uhum.

Não teve certeza se era uma resposta afirmativa ou negativa.

— Ela vai ficar bem, tenho que voltar pra torre — Comentou a loira, enquanto tentavam inutilmente arrumar Sakura no sofá.

— Eu também preciso ir pra casa, meu pai não quer que eu fique fora até a noite, ele disse que não fica bem para uma mulher casada.

— E quem vai ficar aqui?

— Mandei um aviso para o Sasuke, eu não queria chamá-lo, mas foi minha última alternativa, já que Naruto está em missão. Eu também preciso descansar, vou sair para aquela missão as quatro da manhã... Ele deve chegar logo.

— Certo, tenho que ir.

Minutos depois, ouviu o som da campainha. Andou até a porta abrindo, dando de cara com os olhos negros assustadores.

— O que aconteceu?

Ele parecia preocupado. Ele não esperou que ela falasse para ele entrar, apenas entrou, andando até o sofá onde Sakura estava deitada murmurando coisas incompreensíveis.

— Ela está com uma infecção séria. Está com muita febre e delirando.

— Hum.

— Sinto muito em lhe chamar, sei que ia sair hoje, mas tenho que ir pra casa antes que meu pai fique bravo, e tenho uma missão amanhã de madrugada, é simples, mas ando cansada por causa da gravidez. Pode ficar aqui com ela? Tsunade disse que você só tem uma missão na quinta.

— Eu fico.

— Obrigada Sasuke-san. Os remédios estão todos na bancada da cozinha, tanto os da infecção quanto os da cirurgia, ela já tomou dois remédios de febre, mas ainda não fizeram efeito, os horários estão marcados nas caixas.

Acenou positivamente com a cabeça, vendo Hinata pegar a bolsa sobre a poltrona e andar até a porta.

— Vai sozinha? Quer que eu te leve lá?

— Está tudo bem Sasuke-san, ficarei bem. Qualquer coisa procure Tsunade.

Acenou novamente com a cabeça vendo a morena fechar a porta em um baque suave. Suspirou observando Sakura, ela estava jogada no sofá, movendo-se para um lado e para o outro e murmurando coisas que não entendia, provavelmente pelo efeito da febre.

Sentou-se na poltrona ao lado, fechando os olhos.

Não soube quanto tempo passou. Sakura abriu os olhos, mas parecia ter o corpo mole e ainda falava coisas sem sentido. Andou até ela, sua testa parecia queimar.

Olhou-a de mau jeito no sofá e pegou-a em seus braços, andando até o quarto.

— Sasuke-kun? — A voz dela era fraca, e até seu halito parecia queimar.

— Sim, sou eu.

— Você veio... Você... Você tinha um encontro, o que está fazendo aqui?

Perguntou-se como diabos Sakura sabia que ia sair com Mayumi.

— Desmarquei o encontro.

— Oh!

Ela não disse mais nada. Só sussurrava coisas sem sentido e se remexia. Deitou-a na cama, cobrindo com o lençol o corpo suado.

Andou até o banheiro achando algumas toalhas, as molhou, colocando sobre a testa e sobre o colo, tentando inutilmente abaixar a febre.

— Sasuke-kun?

— Hum?

— Obrigada.

Não soube pelo o que ela agradecia. Provavelmente por estar lá com ela. Ela tinha os olhos fechados e tremia de frio.

— Obrigada — Ela repetiu de novo — Você me salvou duas vezes.

Não disse nada, uma sobrancelha negra estava arqueada.

— Me salvou mais de duas, mas quando digo salvar, digo salvar mesmo.

As palavras pareciam desconexas e parecia não fazer sentido em sua mente.

— Você já me salvou na floresta da morte, eu sei, e em missões, mas você e Naruto me salvaram aquele dia, aqui em casa.

Estremeceu, sabia do que ela estava falando.

— Eu nem sei por que estou te falando isso — Ela riu, ainda de olhos fechados — Da primeira vez, eu não queria sabe, afinal quem quer? — Ela riu novamente, a risada foi triste e pausada — Eu estava sozinha, estava voltando do hospital, naquele dia eu havia feito cinco cirurgias a tarde, um grupo de ANBU’s chegou ferido, e eu gastei todo o meu chakra.

— Sakura não precisa...

— Preciso sim... Eu...

A voz dela falhou, colocou a mão na testa, ainda fervia de febre. Não queria que ela falasse mais, sabia que ela se arrependeria depois, quando a febre passasse, e o clima entre eles ficaria pesado de novo.

– Eu... Sempre voltava sozinha para casa, quase sem chakra, mas nada errado nunca aconteceu e eu pensei que não seria diferente dessa vez. Mas... Mas eu não sei... Eram três, três contra mim, eu estava sem chakra, cansada, com sono e sem comer. Eu só queria... Só queria chegar em casa, tomar um banho, comer alguma coisa e dormir.

— Sakura...

— Eu quero falar!

Pessoas geralmente ficavam quietas quando estavam com febre, mas Sakura não, Sakura tinha que ser uma maldita exceção para querer falar e contar coisas que não deveria.

— Eu tentei lutar, eles me cercaram, eu tentei lutar, tentei correr e sair de lá, mas eles sempre me alcançavam. Eles me bateram, até que eu cai no chão, me aplicaram algo no braço, doeu, meu corpo ficou mole, eu não tinha mais forças pra falar, nem pra me mexer.

— Sakura você está com febre, vai se arrepender disso depois. Eu vou fazer algo para você comer e...

— NÃO! — Ela abriu os olhos, as pálpebras pareciam moles — Eu preciso te contar, isso está sufocado na minha garganta, preciso que saiba e...

Desfez os passos que tinha dado, aproximando-se da cama novamente.

— Eles me pegaram no colo. Eu rezava para que alguém passasse ali, para que alguém visse aquilo e me tirasse dali, mas ninguém passou.

A bile parecia querer subir de qualquer maneira.

— Eles me pegaram no colo, estava escuro e o que me aplicaram parecia fazer cada vez mais efeito. Eu queria apagar, desmaiar, mas embora meu corpo estivesse mole, minha mente turva continuava trabalhando. Andaram tanto, tanto, que perdi a noção de onde quer que estivessem me levando.

— Sakura...

Ela não lhe deu atenção.

— Quando me colocaram no chão, meus sentidos voltaram, eu começava novamente a sentir as coisas, mas não conseguia ter nenhuma reação, eu estava assustada, desesperada...

“Então alguém chegou, ele ria, e no começo eu não consegui perceber quem era. Estava escuro, mas alguém acendeu uma vela, eu não soube dizer quem. No momento em que eu o vi eu pensei que estava salva, embora a reputação dele não fosse a melhor, eu pensei ‘ele viu e veio me ajudar’. Mas eu estava enganada. Ele virou o meu maior e pior pesadelo. Eu tentei levantar, eu tentei bater, socar, mas não conseguia fazer nada. Ele arrancou minhas roupas, eu estava com vergonha, estava com medo — Ela soluçou —, ele, passou aquelas mãos sujas e nojentas em mim, me apertou, e ele dizia coisas horríveis. A última coisa que eu lembro é da dor, a dor parecia me rasgar ao meio, eu pensei que eu morrer, eu rezei para morrer naquela hora, para não passar aquela dor novamente.”

Ela soluçou, tentou sentá-la na cama, mas o corpo dela estava mole feito gelatina. Ela segurou seu braço, encostando-se em si, sabia que ela cairia na real no próximo dia e não falaria mais com ele de vergonha.

— Eu sempre me perguntei por que não me mataram, sabe, teria sido melhor, pra eles, e pra mim...

— Não diga isso.

— Ainda dói, não fisicamente, quero dizer, mas minha mente repete isso todos os dias, como um filme, quando eu me deito para dormir, quando eu levanto... Ela repete, repete e repete, sem parar — Ela soluçou mais cinco vezes seguidas.

— Quem fez isso Sakura?

— Você o matou...

— Me diga o nome, me diga quem.

Viu-a morder os lábios, receosa. Quando ela respondeu, sentiu imediatamente o sangue fluir rapidamente pelo seu corpo — Danzou — Ela sussurrou baixinho.

Notas finais
:o . Obrigada ao carinho de todas as leitoras, que tem tirado um tempo para comentar, e tido paciência com minha demora. E boas-vindas para as novas leitoras, que também deixaram lindos comentários para me incentivar. Obrigada queridas.