Espelho

25 Capítulo 25: TRATAMENTO INTENSIVO


Notas iniciais
Capítulo dedicado a "Thaylane Rodrigues", pela linda recomendação, obrigada querida, me emocionou muito! Boa Leitura!

ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 25: TRATAMENTO INTENSIVO

— Espero que não tenha ficado magoado pelo o que meu pai te disse.

— Já me acostumei.

— É sério Naruto-kun, eu sinto muito...

— A culpa não é sua Hinata.

Ela lhe deu um sorriso triste.

— Sei que não quer morar nas casas no clã.

— É como se ele pensasse que eu sou tão ruim que não tenho condição o suficiente para comprar uma boa casa.

— Eu sei.

— Eu tenho ganhado bem pelas missões. E estou em treinamento para ser Hokage, eu sei que no momento eu não poderia comprar uma mansão como a casa que você mora, mas nós podíamos nos mudar mais para frente...

— Eu sei Naruto-kun...

— Mas com esse negócio de liderança, o jeito é morar lá mesmo.

— Não quero ter a liderança do clã.

— O... O... Que?

— Eu... Não quero... Estou treinando, mas estou fazendo isso somente para agradar meu pai. Eu não quero isso Naruto-kun...

— Hina-chan... — Ficou boquiaberto.

— Eu... Iria conversar com o meu pai, mas não tenho coragem.

— Ah! Ele iria lhe matar.

— Mas eu não quero Naruto-kun, não acha que eu sou adulta o suficiente para tomar minhas próprias decisões?

— Eu acho, mas temo que o seu pai não.

— Eu não quero...

— Você poderia ganhar o selo.

— Eu não me importo. Talvez Hanabi possa liderar em meu lugar.

— Eu...

— Realmente Naruto-kun, não é isso que eu quero para minha vida, eu gosto de ser uma Hyuuga, mas não quero a liderança, sem falar que daqui a algum tempo serei a senhora Uzumaki... E...

— Repita isso.

— Isso o quê?

— A última parte.

— Não quero a liderança, daqui a —

— Não, a outra parte.

— Vou me tornar a senhora Uzumaki?

— Essa mesma — Sorriu abertamente.

Em seguida abraçou a noiva, confortando-a da melhor maneira que pode.

♦ ♦ ♦

Quando bateram na porta, pensou que fosse Naruto. Mas pela porta passou o corpo alto, de cabelos cinza e com uma máscara tampando metade do rosto.

— Kakashi-sensei!

— Olá, Sakura. E não sou mais seu sensei.

Sorriu com o comentário. Ele estava com a farda suja e com um curativo no braço. Ele pareceu perceber seu olhar.

— Shizune-san fez o curativo para mim, alias, ela é muito bonita não?

Riu com as palavras do ex-sensei.

— Sim ela é.

— Sinto muito por não ter vindo lhe ver antes, estava há alguns meses em uma missão, acabei de chegar.

— Tudo bem — Deu um sorriso fraco.

Ele se sentou no sofá.

— Como se sente?

— Estou bem.

— Claro que está. Conversei com Tsunade, ela disse que os resultados dos exames estão para chegar. Se nenhum der certo, tirarei junto com a próxima leva.

— Obrigada kakashi-sen...

— Ok, eu não ligo que me chame assim. Talvez faça com que eu me sinta um tanto velho, por ser sensei de uma mulher adulta, mas darei um desconto porque você está no hospital.

Riu com as palavras do mascarado. Nas mãos dele, incrivelmente não estava o famoso Icha Icha Paradise.

— Eu perdi — Ele disse parecendo perceber o que ela procurava — Subestimei o inimigo, e ele despencou de um desfiladeiro. Não consegui encontra-lo. Já estou sentindo a abstinência a cada segundo.

Deu mais um sorriso, ficou feliz com a visita de Kakashi, ele falava coisas sem sentido e lhe fazia rir. Com a falta das piadas de Naruto, ela não ria mais há um bom tempo.

— E você e Sasuke, hum?

— O... O-o-o-quê?

Sasuke havia contado para Kakashi sobre aquele dia na casa dela?

— Tsunade me disse que ele tem vindo lhe visitar.

— Naruto tem o obrigado — Suspirou quando se deu conta do que se tratava.

— Acredite Uchiha Sasuke não faz nada que não queira, mesmo que o loiro lhe obrigue.

Ficou sem saber o que dizer.

— Sabe, vocês deveriam se resolver logo. Estão ficando velhos e depois de velhos vocês não terão mais pique para...

— Kakashi! E alias, eu não estou velha.

— Claro. Tenho que ir Sakura, preciso tomar um banho, estou fedendo. Tento voltar antes de Tsunade-sama me mandar para outra missão.

— Tudo bem. Foi bom lhe ver sensei.

— Melhoras.

Antes que pudesse agradecer, ele já tinha saído pela porta. Alguns segundo depois bateram novamente na porta, e Sasuke a abriu. Corou terrivelmente, será que... O Uchiha tinha escutado o que Kakashi dissera a ela?

Sasuke não entrou, ele ficou com metade do corpo para dentro do quarto e a cabeça olhando para algo no corredor, apoiando seu peso no batente da porta. Não demorou três segundos para que ele entrasse totalmente, balançando a cabeça.

— Kakashi está com Shizune?

Riu da pergunta, então era isso... Kakashi estava cantando Shizune dentro do hospital. Sasuke olhou para si, com os olhos negros, ele pareceu olhar para sua face, para seu sorriso e depois sentar-se no sofá.

Ele não disse mais nada durando longos minutos. O silêncio lhe incomodou.

— Como se sente?

Olhou diretamente para ele, porém ele não lhe olhava, ele fixava seu olhar em um ponto qualquer na parede atrás dela.

— Estou bem...

— Seus pés... — Ele não completou.

Embora ele estivesse falando um pouco consigo, sua voz era fria e seca.

— Tsunade-sama disse que é um efeito colateral dos remédios, também não sinto minhas mãos, ela disse que logo voltara ao normal.

Ele acenou positivamente com a cabeça, e não disse mais nada. Remexeu-se inquieta, a sonda urinária¹ entre suas pernas a incomodava muito. Havia tirado aquilo, mas agora que ela não sentia seus pés, teve que coloca-la novamente.

A enfermeira, uma senhora de meia-idade que estava lhe ajudando muito em seu tratamento, chegou com a bandeja metálica, com a seringa dentro, para lhe aplicar o remédio usado contra a hepatite².

Ela deixou a bandeja em cima do criado mudo, e veio até ela, colocou o esfigmomanômetro³ e o estetoscópio no seu braço, estavam medindo a pressão dela de hora em hora e anotando em sua ficha. Ela também colocou um termômetro em baixo de sua axila.

— Consegue se levantar querida?

— Eu ainda não sinto minhas mãos nem meus pés.

— Oh! Certo. Sua pressão está boa — Ela comentou quando acabou de medi-la.

O termômetro começou a fazer um barulho irritante.

— Está com um pouco de febre, sabe qual foi a última vez que tomou remédio para febre?

— Não...

— Certo, olharei lá em baixo e lhe trarei um. Sente dor?

— Um pouco de dor de cabeça e no corpo.

— É efeito colateral. Esses remédios são fortes de mais.

Acenou com a cabeça. A senhora colocou os braços atrás das costas dela, tentando levanta-la, mas não conseguiu. Não que ela estivesse pesada – pelo contrario -, mas a senhora já estava de idade e era uma civil, não tinha muita força, apenas a força normal de uma senhora de idade avançada.

— Querido? — Sasuke demorou alguns minutos para perceber que ela falava com ele.

— Hn?

— Sei que já a ajudou a leva-la no banheiro aquele dia, mas será que pode coloca-la sentada para mim? Meus braços não são mais os mesmos há muito tempo.

Ele não respondeu, apenas levantou e caminhou até ela. Ele colocou as mãos atrás de suas costas enfiando-a por de baixo do cochão. E a outra perto de seus joelhos tomando como apoio para coloca-la sentada.

Quando ele estava a levantando do seu estado deitada, ela gemeu de dor. Ele parou com ela nos braços. Depois de um tempo acenou com a cabeça avisando que o mal estar tinha passado e ele colocou-a sentada.

A senhora agradeceu, enquanto ele dava dois passos para trás. A enfermeira levantou uma parte da camisola dela, deixando metade da coxa direita exposta. Pode ver as várias marcas vermelhas ali, provavelmente de outras injeções.

Ela passou o algodão cheio de álcool diversas vezes e depois preparou a seringa. Quando ela aplicou a agulha sobre a pela pálida da coxa de Sakura, ela pulou, e soltou um sussurro de dor.

— Shii... Está acabando — A senhora tentou conforta-la.

Quando acabou Sakura pareceu relaxar, pensou ter visto algumas lágrimas passarem sobre os olhos fechados, mas não verificou, apenas deu mais uns passos para trás até encontrar o sofá.

Seu estômago congelou. Não gostava de vê-la daquele jeito, tão frágil e sofrendo tanto. Aquilo não combinava com ela. Não com a doce e delicada Sakura.

— Mandarei que tragam seu almoço, para depois tomar a riberavina. Quer que tragam algo para você querido?

Acenou negativamente com a cabeça, ainda perdido nos seus pensamentos. Nada desceria em sua garganta, não depois de ficar dia após dia assistindo o sofrimento dela.

Notas finais
¹ Para quem não sabe, sonda vesical de demora é um aparelho usado em hospitais, quando o paciente vai fazer uma cirurgia ou quando ele não pode levantar para ir ao banheiro. . ² E novamente para quem não sabe, são usados dois medicamentos para hepatite o Interferon e a Ribavirina. O que a senhora vai aplicar nela é Interferon que é aplicado na superfície ou na parte interna da coxa ou até mesmo no abdômen. Esse é o principal remédio que causa os efeitos colaterais que ela tem sofrido nos capítulos anteriores. . ³ Esfigmomanômetro é o aparelho usado para medir a pressão. Estetoscópio é usado geralmente para medir os batimentos, mas também é usado juntamente com o aparelho de medir pressão. E termômetro é o aparelho usado para medir a temperatura. . Devem ter percebido que demorei para postar e peço desculpas, ainda estou me acostumando novamente com a rotina da escola e acabei tendo uns problemas pessoais e não estava em clima para escrever, mas bem estou de volta e postarei o mais rápido possível. . E tcharam, como devem ter percebido Kakashi apareceu, para as leitoras que estavam reclamando da falta dele! *o* . Bem, acho que é só isso, não lembro se eu tinha mais algo para falar, mas qualquer coisa falarei no próximo. Obrigada por lerem, beijos. ♥