Espelho
10 Capítulo 1O: VIDA ALHEIA
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 1O: VIDA ALHEIA
Quinze minutos antes de Sasuke chegar havia tomado três comprimidos. Os remédios lhe acalmaram, pela choradeira que estava um dia antes por Naruto. Abriu a porta estupefata, e depois percebeu que não havia porque, Sasuke jamais desconfiaria que ela tinha voltado a tomar os remédios.
Depois que ele entrou e não fez nenhum comentário, relaxou, é claro que ele não perceberia, nem tinha como ele perceber, viu quando ele olhou para o seu lábio cortado e depois para seus braços – e se amaldiçoou mentalmente por não ter colocado uma blusa de manga comprida.
Agradeceu quando ele não fez nenhum comentário, era claro que ele não faria comentário algum, ele era Sasuke, afinal, já era um milagre ele estar em seu apartamento, ele falar seria um milagre maior ainda.
Não sabia como nem porque havia desabafado com Sasuke, poderia esperar até Hinata vim lhe ver e contar algo para a morena, mas Hinata não havia vindo mais desde sua mais recente briga com Naruto, e talvez ela nem viesse, por ela ter brigado com o seu namorado novamente.
Sasuke ouviu suas lamurias em silêncio, não reclamou, não se meteu no meio nem a culpou nem julgou, era um bom ouvinte – apesar de nunca expressar sua opinião – sentiu-se melhor depois de falar com ele ou jogar seus problemas em cima dele.
No momento em que ele agradeceu pelo curativo e foi embora, algo dentro do seu peito se apertou, solidão? Também, mas o sentimento que sentia era de perda, medo talvez, medo de Sasuke ter saído por aquela porta e não vir mais, não vir lhe ver, não vir lhe visitar e dar a graça do seu silêncio.
Por mais que houvesse tentado, por mais que tivesse lutado contra aquele sentimento depois de tantos anos, e de estar cheia de problemas no momento, percebeu que seu coração ainda acelerava quando o via ou quando ele dirigia uma mínima palavra que fosse a ela.
A verdade era incontestável, ela ainda gostava dele, e mesmo com seus problemas com Naruto, no momento em que ela o viu ela se esqueceu de todos eles, tendo em sua mente apenas o rosto indecifrável e o olhar misterioso. Ela ainda o amava... Com todas as suas forças.
♦ ♦ ♦
— Sasuke-teme!
Acenou com a cabeça, entrando no apartamento de Naruto, por mais incrível que parecesse à casa de Naruto estava arrumada (obra da namorada dele com toda certeza).
— Pensei que não fosse mais voltar daquela missão chata, não te vi mais depois que voltamos daquela missão juntos, e logo você foi para outra sem avisar...
— Não tive tempo de avisar, Naruto. E não sou casado com você para ficar lhe avisando o que faço — Sentou-se no bar da casa de Naruto.
O balcão tinha duas tigelas de ramén sujas. Naruto tirou a louça suja e jogou na pia, voltou e sentou do seu lado.
— Ainda bem que não sou casado com você, alias eu...
— O que aconteceu entre você e Sakura?
Naruto fechou a cara em uma carranca e resmungou três vezes um muxoxo. Remexeu-se na cadeira, e abriu a boca duas vezes antes de responder.
— Desde quando liga para isso?
— Fui à casa da Sakura quando voltei da missão, estava lá em frente e resolvi entrar. Ela está muito mal...
— Eu também estou.
— Lembre-se que você tem Hinata, e infelizmente (para mim) tem a mim, e ela só tem (ou tinha) você.
— Hinata também vai visita-la.
— Se ela ia visita-la, não foi. Sakura parecia bem sozinha.
O loiro fez mais uma carranca. Olhou para a cara do amigo três vezes repetidas até que seus olhos se encheram de água.
— Eu fui lá tentar conversar com ela... E ela me disse que não somos mais amigos, que eu havia dito isso.
— Mas você disse, Naruto.
— É, mas ela deveria entender que eu estava nervoso.
— E você por acaso entendeu que ela também estava nervosa? Alguma vez você tentou entender o que estava acontecendo com ela antes de brigar?
Naruto olhou para baixo, não lhe respondeu de imediato, somente algum tempo depois foi que abriu a boca duas vezes antes de responder.
— Tem razão.
— Eu sempre tenho.
— É talvez eu tenha sido um pouco imaleável, pensarei no que disse, teme.
— Ótimo, agora admita que você não faz a mínima ideia do que significa imaleável.
Viu o loiro ficar vermelho, sem graça e coçar a cabeça algumas vezes, deu um sorriso de canto.
— Hina-chan disse isso semana passada, achei uma palavra legal, eu usei-a certo não é?
— Usou, embora você tenha sido totalmente imaleável, e não só um pouco. — Levantou-se – Tenho ir para casa, tomar um banho.
— Agora descobri o que está fedendo na minha cozinha...
Fuzilou o loiro com o olhar.
— A única coisa que fede aqui é você dobe.
Parou diante da porta.
— Sasuke-teme, espere!
Olhou para o loiro, as lágrimas haviam sumido de seus olhos e ele abriu um sorriso.
— Eu pedi a Hina-chan em casamento!
Arregalou os olhos, ele podia visualizar Naruto hogake, mas não podia ver Naruto se casando. Sorriu de canto feliz pelo amigo. E olha que antes podia jurar que ele se casaria muito antes de Naruto.
— Fico feliz dobe, parabéns.
— Você deveria fazer o mesmo Sasuke-teme, já está na hora de reconstruir seu clã, e Mayumi do seu grupo ANBU é muito bonita. Aposto que ela não irá recusar qualquer coisa que você pedir.
Viu o Uzumaki dar um sorriso malicioso.
Sorriu de canto e saiu pela porta, pôs-se a andar rumo a sua casa, Naruto tinha razão, precisava se casar ter uma família, e realmente sua companheira de time da ANBU Mayumi era muito bonita, era uma ótima ninja e daria uma ótima mãe para os seus filhos, era calma, silenciosa e protegeria seus filhos caso precisasse.
♦ ♦ ♦
— Tsunade-sama?
Ficou surpresa quando viu Tsunade na porta do seu apartamento. Tremeu, será que Sasuke havia descoberto que ela tinha tomado mais remédios e contado para a loira?
Olhou para sua shishou e viu que ela não tinha o olhar bravo, então respirou fundo em alivio, supondo que ela não sabia de nada.
O medo que descobrissem que ela havia voltado a tomar os medicamentos era absurdo, se descobrissem a levariam de volta ao hospital, a desintoxicariam novamente e a deixariam semanas e mais semanas de molho.
Por mais que quisesse não conseguia viver sem aqueles remédios, eles eram sua causa, o motivo para que ela aguentasse ficar viva a cada dia.
Desde a visita de Sasuke havia se passado três dias, seu chakra estava melhorando – na medida do possível – sabia que os remédios que voltara a tomar estavam atrapalhando seu fluxo de chakra, já era para ele ter voltado totalmente.
Seu lábio já estava normal, apenas um corte mínimo era visto, e ela tinha certeza que ninguém mais repararia, sua barriga – estômago – estava melhor mesmo depois do soco e seu ombro também.
Conseguia andar normalmente, estava um pouco mais animada, apesar de sua recente briga com Naruto, talvez Tsunade até a deixasse voltar para o hospital.
— Entre shishou. Quer beber algo?
— Você não tem sakê, tem?
— Hum, sinto muito shishou, não tenho sakê.
— Certo, então não quero nada. Como está?
— Bem melhor.
Não comentou nada sobre o que havia acontecido próximo ao cemitério. Não se sentiu a vontade para falar sobre aquilo com Tsunade, se ela soubesse que estavam ameaçando-a por Naruto ela diria que Naruto sabia se cuidar, e que ela não precisava protegê-lo.
Mas eles eram três... Eram tão poderosos e tão... Assustadores. E também tinha Hinata, ela era tão frágil e tão delicada, que tinha medo de a encurralarem e mesmo que não a matassem de fazerem com ela o mesmo que fizeram consigo. Tremeu com a ideia, não Hinata não merecia aquilo, mulher nenhuma merecia.
— Meu chakra está melhor, shishou.
— Sim, estou vendo, mas não entendo, já era para ele ter voltado totalmente...
— Ah, é que tem sido uma recuperação difícil Tsunade-sama...
Ela pareceu não acreditar na sua resposta, mas acenou positivamente com a cabeça. Pegou a ficha que havia trago, e anotou algo abaixo, depois assinou e entregou uma das folhas para ela. Sorriu pegando sua alta das mãos de Tsunade.
— Eu posso trabalhar, não posso?
— Deixarei que vá para o hospital, pode consultar, fazer curativos, e curar ferimentos de pequeno porte. Por enquanto não a deixarei fazer cirurgias, sim? Pelo menos até seu chakra voltar ao normal.
Animou-se — Certo shishou! — Mesmo que seus problemas com Naruto continuassem o mesmo, ela poderia ter um de seus prazeres de volta, poderia trabalhar, poderia salvar vidas, mesmo que não conseguisse salvar a sua própria.
♦ ♦ ♦
Andou animada passando as mãos pelo jaleco branco várias vezes. Sua sala continuava como deixara, estava limpa, porém as coisas estavam no mesmo lugar. Jogou sua bolsa em um dos sofás da sua sala do hospital, e saiu pela porta, estava de volta.
Depois de consultar meia dúzia de civis, algumas crianças ninjas que haviam se machucado na academia e visitar alguns de seus antigos pacientes que infelizmente ainda continuavam internados, se sentia cansada.
Mas não deu bola para isso, ignorou quando seu corpo protestou quando usou seu chakra novamente para curar um ANBU que havia acabado de voltar de uma missão. Logo isso passaria, seu corpo estava reclamando por que tinha se desacostumado da rotina, sabia disso.
Andou até sua sala novamente, encontrando uma pilha de papéis que provavelmente Shizune havia deixado ali, era a ficha de alguns pacientes, sentou irritada, nesse aspecto puxou para Tsunade, odiava aquelas pilhas de papéis.
Quando levantou uma flor pesada – feita de algo parecido com mármore – que usava para prender os papeis, achou um bilhete escrito em uma das folhas de seu bloco de anotações, arrancar folhas de seu bloco para escrever bilhetes era a cara de Tsunade, e até mesmo de Naruto.
Abriu a folha rasgada e torta, animou-se pela ideia de que pudesse ser uma carta de Naruto, ou algo assim.
Passou os olhos pela folha cor-de-rosa, e sentiu seu corpo congelar, a saliva esvaiu-se de sua boca, o bilhete caiu na mesa, a cor sumiu de seu corpo e a única coisa que queria fazer agora, era sumir.
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