Espelho
19 Capítulo 19: RESPIRAÇÃO LENTA
Notas iniciais
Dedico também esse capítulo para o meu pequeno hamster que faleceu hoje de manhã. Sei que ele não lê, mas enfim, sendo Kate, Tifanny ou Greicekelly, para sempre o melhor rato do mundo. Onde quer que você esteja, saiba que a mamãe te ama.
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 19: RESPIRAÇÃO LENTA
O barulho insistente das máquinas ao seu redor era ensurdecedor. Era constante, barulhento, irritante. Mas apesar daqueles barulhos lhe irritarem profundamente seu maior medo era que os barulhos cessassem.
Olhou para a enferma na cama, ela nem se mexia – não que os milhares de fios ligados a ela permitissem que ela se mexesse. Uma máscara de oxigênio posicionada bem no meio do seu rosto lhe ajudava a respirar.
Estava pálida, amarelada na verdade. Fraca. Desviou o olhar, não conseguia olha-la desse jeito, muito menos depois do que acontecera na casa dela.
Naruto estava sentado em uma cadeira bem ao lado da cama, o arrependimento era tão visível em seus olhos azuis que chegava a assustar, o arrependimento de ter brigado tantas e tantas vezes com Sakura quando ela fizera tudo para proteger ele e sua namorada.
Fazia um dia e algumas horas que Sakura estava naquela cama branca, sem nem ao menos dar sinal que estava bem (não que os aparelhos irritantes conectados a si não fizessem o trabalho de lembra-los que ela continuava viva).
Tsunade fizera alguns exames de urgência antes de trazê-la para cama, ela estava esperando o resultado dos exames, assim como ele e Naruto. A Godaime havia vindo vê-la e dissera que duvidava que ela tivesse só aquilo, que só fora uma parada cardíaca.
Que animadora – pensou. Acenou para Naruto e saiu do quarto do hospital. Passou pelo corredor de paredes verdes, precisava ir para casa e tomar banho.
Mais uma vez havia a encontrado de uma maneira que não imaginava e novamente ela estava doente, suspirou.
Depois de ir para casa, tomar banho e comer decidiu voltar para o hospital, não que gostasse daquele lugar ou que tivesse obrigação de ficar lá, mas imaginou que talvez Naruto quisesse ir para casa tomar banho ou comer algo.
Quando entrou no quarto Sakura estava com os olhos abertos, mas não falava nada, Tsunade estava no quarto ao seu lado, achou estranho o fato das mãos da loira estarem entrelaçadas com as mãos de Sakura.
Naruto olhava para o lado. Pode ver lágrimas se formando em seus olhos azuis, mas não soube dizer o que estava acontecendo. Encostou-se a parede de fundo do quarto branco do hospital e continuou observando a cena, somente Naruto pareceu perceber sua presença.
— Ela... Vai morrer? — Naruto perguntou olhando para Tsunade, a voz do loiro estava embargada.
Somente a menção de Sakura, e da palavra morrer na mesma frase, fizeram seu estômago dar voltas. Sentiu-se enjoado. Olhou para ela, estava do mesmo modo de cedo, frágil, mas agora algumas lágrimas escorriam de seu rosto.
– Não se acharmos um doador. Eu já a coloquei na fila de espera para o transplante de fígado, mas a fila é muito grande. Seria mais fácil se ela tivesse uma família, geralmente parentes são compatíveis. Mas vou pedir para que algumas pessoas façam o teste também, o fígado é um órgão que se regenera, por isso precisamos apenas de um doador, e não de um doador morto.
— Você não pode apenas dar remédios para ela?
— A doença está em uma fase muito adiantada Naruto, remédios não adiantariam em nada. Quando a doença está em fase inicial ou até em uma fase mediana temos como controla-la, mas agora não.
Aquela conversa estava lhe enjoando. A menção daquelas palavras como transplante, vivo, morto, morrer e remédios faziam sua cabeça latejar.
— Sakura está com hepatite medicamentosa. — A loira explicou olhando para Naruto.
— Geralmente essa doença, se cura com medicamentos, mas a de Sakura está em um estágio avançado demais, onde já não tenho mais controle da doença.
Naruto chorava como uma criança.
— Não precisa chorar Naruto, daremos um jeito...
Viu a voz de Tsunade morrer enquanto falava. Sabia o quão grande e longa eram essas filas para transplante, ainda que algumas pessoas da vila pudessem fazer o teste e ver se eram compatíveis com Sakura as chances eram mínimas.
Naruto não respondeu a Tsunade. Saiu correndo do quarto e sumiu entre os corredores do hospital, acenou para Tsunade e foi atrás de Naruto antes que ele fizesse alguma besteira.
Correu atrás do loiro, quando ele finalmente parou, estavam no antigo campo de treinamento do time sete. Algo dentro de si novamente se remexeu, desta vez não era seu almoço.
— DROGA! — Viu o loiro gritar com raiva e chutar uma pedra.
O loiro andou até um dos troncos de treinamento que ainda tinha ali. O Uzumaki socou-o várias vezes. Teve impressão que ele quebraria sua mão, mas não vez nada, o deixou descontar sua raiva.
— DROGA, DROGA, DROGA!
Ele continuou a bater, depois de um tempo viu que as mãos do loiro sangravam, ele chutou o tronco que já estava fagulhado.
— Como... Isso pode acontecer com alguém como ela? COMO?
Não respondeu, não teve ideia se o loiro havia percebido que ele estava ali.
— Ela foi sempre legal, tão boa, tão... Generosa. Sempre colocando a felicidade dos outros antes da dela, colocando a felicidade de um idiota como você Sasuke, antes da dela.
Se ele tivesse tido isso em outro momento, teria andado até o loiro e o socado até que ele desmaiasse, ou até quebrar metade dos ossos dele, mas naquele momento sabia que ele precisava desabafar.
— Ela nunca fez mal a ninguém, ela se tornou médica para poder ajudar os outros... E é isso que ela ganha em troca? Viver metade de sua vida em um hospital, fazendo tratamentos e esperando um órgão? Enquanto milhares de pessoas ruins pintam e bordam por aí?
Viu o loiro chutar o último pedaço restante do tronco, o pedaço de madeira voou longe.
— E agora o que acontece? Ela morre sem nem ao menos conversarmos? Sem eu nem ao menos pedir desculpas pelo jeito que a acusei injustamente?
As mãos do loiro sangravam, viu-o cair no chão sentado, chorando, muito. Algo dentro de si novamente se remexeu.
— E você? Não vai fazer nada? Não vai falar nada? Você não tem nem ao menos um pingo de pena ou de resentimento? Ela sempre te amou Sasuke, e agora você fica aí parado, sem reação alguma?
— Não fale sobre o que não sabe Naruto. Eu não preciso sair quebrando coisas para demonstrar que sinto algo.
O loiro andou até si. Viu o punho dele vir em seu encontro. Seu rosto doeu pelo soco, mas não revidou.
— Seu bastardo! — Naruto gritou.
Não respondeu, deu as costas para ele, ouvindo Naruto falar palavrões, tinha certeza que o loiro se arrependeria depois. Não olhou para trás, continuou andando.
Ouviu o som de algo caindo, podia apostar que era o loiro. Mas não olhou para trás, colocou as mãos no bolso, pensando aonde iria agora.
Quando entrou novamente no quarto, Sakura estava sozinha. Tinham tirado a máquina de oxigênio, mas as outras ainda continuavam em volta de si.
Ela estava dormindo, serena, calma. Ele podia ouvir sua respiração suave e delicada. Seu peito se apertou quando pensou na possibilidade da respiração cessar.
Sentou-se no sofá de dois lugares que havia no quarto e suspirou, hoje seria um longo dia.
♦ ♦ ♦
Encontrou o namorado no antigo campo de treinamento do time sete, estava há muito tempo procurando o namorado, ele tinha dito que ia ao escritório de Tsunade há um dia e algumas horas atrás e até aquele momento ainda não havia aparecido.
Quando o olhou melhor seu peito de apertou, as mãos do loiro sangravam, ele estava encostado no tronco de uma árvore e tinha vestígios de lágrimas secas nos olhos.
Andou até ele e ajoelhou ao seu lado. Ele percebeu sua presença, mas não disse nada. Viu-o chegar mais perto de si, ele apoiou a cabeça loira em seu ombro, descansando ali, fechou os olhos azuis e respirou fundo.
— O que aconteceu?
Ele não respondeu de imediato, alguns minutos se passaram, até que ele desencostou-se do seu ombro, passou a mão pelos cabelos e finalmente levantou.
Percebeu que ele caminhava rumo a casa dele. Levantou e o acompanhou.
— Sakura-chan... Está doente.
— De novo?
— É mais sério agora Hina-chan, ela teve uma parada cardíaca, e depois a vovó fez alguns exames nela, ela está com... Não lembro o nome, mas ela precisa de um órgão... — A voz do loiro não estava barulhenta como estava acostumada a ouvir.
Quando chegaram à casa do loiro, ele se jogou no sofá. Andou até a cozinha e preparou chá. Seu coração se apertou em preocupação em pensar em Sakura.
Naruto bebeu o chá em silencio.
— Ela não tinha contado nada para proteger nós, Hina-chan.
Seus olhos se arregalaram.
— Um homem estava ameaçando ela, eu não entendi muito bem o motivo, afinal não deu tempo de a vovó contar tudo, mas me pareceu algo sério.
No momento em que ele disse ela imaginou a razão de tudo isso. Sua língua coçou, mas não disse nada, continuou em silêncio, ouvindo o loiro contar o que havia acontecido.
Permaneceu calada, aquele não era o momento certo para contar ao loiro que estava grávida.
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