Espelho
13 Capítulo 13: PESADELOS ATIVOS
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 13: PESADELOS ATIVOS
Arrombaram a porta da sua casa, ela se quebrou em vários pedaços de madeira branca e despencou no chão. Ela estava na cozinha, picando cenouras – não gostava de cenoura – quando ouviu o barulho que faziam na sua casa.
Hinata estava lá também, olhando para si com muita decepção no olhar. Naruto veio até ela, deu um tapa forte em seu rosto e se por acaso se olhasse no espelho sabia que estaria os cinco dedos do loiro lá.
Pegaram-na e colocaram algemas de chakra no seu pulso, fez força, mas não conseguiu se soltar, não tinha mais força, as algemas sugaram todo seu chakra.
As lágrimas quentes escoriam pela sua bochecha. O trio de idiotas ria da cara dela, sentado os três no seu sofá com Sasuke do lado. O moreno olhou para ela com indiferença.
— Você disse que acreditava em mim... — Sua voz saiu fraca.
Foi difícil ouvir a voz no moreno em meio de toda aquela confusão. Vários ANBUS reviraram sua casa, como se procurassem algo. Três kunais envenenadas foram achadas no seu quarto.
— Olhe isso Godaime! — Um dos ANBUS gritou.
Concentrou-se em Sasuke novamente.
— Sim eu disse, e esse foi o eu maior erro, acreditar em você Sakura.
A voz dele era fria como gelo. Alguém apertou mais as algemas em seus pulsos. Choramingou, mas ninguém lhe deu atenção.
— Essas kunais não são minhas!
O trio riu novamente de si. Tudo estava uma bagunça, as vozes se misturavam e não conseguia entender nada direito.
— Levem-na para a prisão.
— Tsunade-sama, não! Não fiz isso! Não fiz! Foram eles shishou eles não eu.
— Pare de acusar os outros Sakura, assuma seus erros.
— Podem leva-la.
Empurram-lhe até a saída. Desceram as escadas atrás dela, sentia-se humilhada. Quando saíram na rua os cidadãos de Konoha a vaiaram, estavam todos lá, com olhares reprovadores, olhando para ela como se ela não valesse nada.
Novamente tentou se soltar, não conseguiu, queria seus remédios, precisava deles, ou iria simplesmente enlouquecer. Jogaram algo nela, mas ela não sabia o que era. Naruto andava ao seu lado, com as mãos fechadas em punhos.
Chorou, tudo o que queria era novamente acordar, e saber que tudo não se passara de um sonho.
Acordou.
Seu coração estava a ponto de sair pela boca. Suas roupas estavam amassadas e ela totalmente suada. Suas costas reclamaram imediatamente pelo mau jeito, havia dormido no sofá, ainda vestia as mesmas roupas de ontem.
Olhou para o relógio – nove e vinte e três – não fazia ideia de quanto tempo dormiu. Levantou do sofá, os cacos de vidro da noite passada ainda estavam ali, no chão da sua sala.
Andou até o banheiro, se observou no espelho, seu rosto não estava vermelho, Naruto não havia a batido. Suspirou, seu coração parecia não perceber que tudo havia sido um sonho, ainda estava acelerado.
Algo lhe subiu pela garganta. Correu até o vaso, pôs para fora seu jantar da noite anterior – já não se lembrava mais o que havia comido. Sua boca ficou amarga.
Escovou os dentes duas vezes, mas nada tirava o gosto ruim da sua boca. Deixou a porta do banheiro aberta – não viu necessidade de fecha-la – tirou peça por peça, havia recuperado um pouco de seu corpo na semana passada, mas parecia que estava emagrecendo novamente.
Tirou sua calcinha e a jogou junto com as outras peças de roupa. Abriu o chuveiro, colocou a mão duas vezes na água para verificar a temperatura colocou o pé, e depois entrou em baixo da água morna.
Seus músculos relaxaram. Pegou o shampoo e esfregou os cabelos rosados. Pensou no sonho, o que havia sido aquilo? Já não sonhava há tanto tempo...
Nem se lembrava de qual fora a ultima vez que sonhara.
Depois de um longo tempo embaixo da água, desligou o chuveiro. Sua mão estava enrugada pela água. Secou-a na toalha felpuda e depois a puxou para seu corpo.
Secou parte por parte. Andou até seu quarto, seus pés molharam o chão do corredor, não deu importância. Pegou a mesma calça jeans de dias atrás. Pegou uma blusa azul clara – não gostava daquela blusa – mas a vestiu.
Esfregou a toalha nos cabelos e depois os penteou lentamente. Precisava ir atrás de Tsunade, e precisava ir agora, antes que falassem mais coisas ainda contra si.
♦ ♦ ♦
— Entre — Olhou para a porta — Sakura?
— Tem tempo para conversarmos?
— Sim, sente.
— Não fui eu.
— Acredito em você.
— E mesmo assim vai deixar me prenderem?
Olhou para pupila. Pela primeira vez há muito tempo – desde que Sakura fora para aquela missão – a rosada tinha um olhar determinado, gostava daquilo em Sakura.
— Porque decidiu vir se defender ao invés de empurrar tudo com a barriga?
— Não vou deixar que eles me acusem por algo que não fiz. Não quero ficar mal vista por todos por algo que não cometi. Quando faço algo eu assumo meus erros, mas agora não fiz nada, Naruto já me odeia agora – a maioria das pessoas me odeiam agora – não vou deixar que me odeiem ainda mais a ponto de me mandarem para a guilhotina.
— Não temos nenhuma guilhotina Sakura.
— Naruto mandaria fazer uma.
— Está aqui para se defender ou para tentar reatar sua amizade com Naruto provando sua inocência?
— Ambos.
Estava determinada. Foi como se aquele sonho – horrível por sinal – tivesse aberto seus olhos. Não deixaria que fizessem o que bem entendessem com ela – não mais -, não daria aquele gosto para os três, não deixaria que fizessem o que bem entendessem consigo. Iria provar sua inocência custe o que custar.
— Foram eles — Disse por fim.
— Como sabe que foram eles?
— Apenas sei.
— Apenas saber não é suficiente Sakura, você não tem prova alguma.
— Danem-se as provas! — Levantou-se irritada — Que provas eles tem contra mim? — Ergueu as mãos para o alto — Agulhas envenenadas não provam nada!
— Sakura...
— Eu realmente ia envenenar alguém. Eu ia matar sim, minhas agulhas não estão envenenadas para ‘dar um susto’! Elas estão com você, pode analisá-las... Eu ia matar, mas não era Hinata, Tsunade-sama... Eram eles.
Viu a pupila desabar na cadeira. Algumas lágrimas caíram dos olhos verdes. Sakura limpou as lágrimas com raiva, era visível que se achava fraca por chorar.
— Por que ia mata-los?
— Eles me ameaçaram.
— Por que ameaçariam você?
— Eles ajudaram quando... Quando me molestaram.
Abriu a boca duas vezes e se remexeu na cadeira. Uma mecha de cabelo loiro caiu em seu rosto, colocou atrás da orelha junto com seu rabo de cavalo baixo.
— Tinha me dito que não se lembrava de quem havia feito isso com você.
— Eu lembro, na época ele era perigoso e podia causar estragos a muita gente. Mas isso não vem ao caso, eles ajudaram. E esses tempos atrás me ameaçaram novamente.
— E ao invés de me contar ia mata-los?
— Eu ia contar para você...
— Depois de mata-los?
— Eles iam matar pessoas inocentes.
— Claro, e aí você quis dar uma de heroína e se virar sozinha?
— Ameaçaram Naruto... E Hinata.
— Eles estão grandes, sabem se proteger sozinhos.
— Claro, tanto que Hinata está no hospital.
— Naruto pode cuidar dela.
— E eu posso cuidar dele.
— E deixar eles te ameaçarem?
— Eu ia falar para você! No dia em que cheguei aqui eu ia contar tudo... Mas eles estavam aqui e... Acusaram-me... Droga!
— Certo... Vou analisar tudo o que me disse. Farei algo.
— Entendi. Espero que realmente faça algo shishou. Não quero ser presa.
♦ ♦ ♦
Passou os dedos nas têmporas. Não via a hora de Naruto assumir como Hokage, — iria arrumar os papéis para que ele fosse seu sucessor – tinha certeza que ninguém reclamaria do loiro. Estava cansada daquela vida, precisava jogar e beber.
Shizune entrou no seu escritório poucos minutos depois que Sakura saiu. Deixou que Sakura visitasse Hinata desde que ela fizesse isso com discrição e que o mínimo de pessoas possíveis ficasse sabendo.
— Ela estava nervosa — Comentou Shizune.
— Sim, ela quer que eu faça algo.
— Imaginei.
— Mal sabe ela que já estou fazendo algo há muito tempo.
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