Espelho

8 Capítulo O8: ROSAS BRANCAS


ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO O8: ROSAS BRANCAS

Andava pelas ruas pensando sobre o que Sakura havia lhe dito. Ainda não conseguia acreditar no que a médica havia contado, era algo que não lhe entrava na cabeça. Como aquilo tinha acontecido com ela? Com Sakura? Tão frágil e delicada... Como? E por que Naruto não havia lhe contado?

A menos que... Naruto não soubesse. Era isso Naruto não sabia, não sabia de nada, ele não ficara sabendo de nada que havia acontecido com Sakura antes dela partir.

Balançou a cabeça várias vezes inconformada, não podia contar isso para ninguém, era um segredo, o segredo de Sakura, mas ela precisa falar com alguém, precisava contar e pensar em algo para ajudar a nova amiga, só não sabia quem nem como.

♦ ♦ ♦

Segundo Hinata havia lhe dito antes de partir Naruto e Sasuke estavam em missão. Já havia passado mais um dia sem ninguém aparecer. Não tentou tomar mais os remédios, Hinata ia leva-los embora, mas saiu tão assustada que os esqueceu ali no chão. Guardou-os de volta na caixa e colocou no guarda roupa novamente.

Mentirosa! Sua mente gritava. Porque não contou para Hinata quem realmente havia feito aquilo consigo? Medo? Pavor? Preocupação? Talvez, não queria meter a herdeira dos Hyuuga nisso, Hinata era boa demais e se eles ficassem sabendo que ela contou para mais alguém, ela estava perdida.

♦ ♦ ♦

Já conseguia andar sem ter que se apoiar em tudo. Sorriu. Tudo bem que ainda andava feito uma lesma, mas pelo menos não precisava mais se apoiar nas paredes e móveis. Passou mais alguns dias sozinha.

A solidão era triste. Antes vivia sozinha, mas ainda tinha o seu trabalho, se distraia e conversava com seus pacientes, agora ficava trancada naquela casa, mofando e sem dizer uma palavra.

Agora que estava um pouco melhor, — ainda não tinha seu precioso chakra de volta, nem estava em condições de trabalhar, — mas pelo menos podia andar um pouco pela vila, talvez até pudesse ir visitar Naruto, sorriu com a ideia.

Queria ir visitar seus pais, resolveu que talvez pudesse ir ao cemitério e com sorte ainda pudesse passar na casa de Naruto, já que ele já deveria ter voltado da missão.

Talvez ele até a perdoasse e eles voltassem a serem amigos. Seu sorriso ficou ainda maior. Foi até o quarto ainda de toalha pelo banho que acabara de tomar e abriu o guarda roupas.

Olhou as roupas sem ver muitas opções, seu guarda roupa estava cheio de peças brancas – usadas no hospital – e poucas roupas para que pudesse sair. Colocou uma calça jeans que achou no fundo de uma gaveta e uma blusa branca, já que elas eram a maioria em seu guarda roupa sem graça.

Penteou os cabelos róseos com calma. Não pegou bolsa, colocou uns trocados para as flores no bolso, e fechou a porta da casa colocando a chave também no bolso.

Sorriu ao sentir os fracos raios de sol batendo em seu rosto, sentiu-se como uma criança ao ter seu contato com o mundo lá fora pela primeira vez. Não, nem uma criança se sentiria tão extasiada e feliz como ela se sentia naquele momento.

Ninguém reparou nela, passou na floricultura e comprou um buque de rosas brancas e seguiu rumo ao cemitério. De longe viu uma cabeleira loira, Naruto.

Ele parecia distraído, até o momento que seus olhares se cruzaram. Ele desviou o olhar primeiro, emburrado e cada vez mais perto passou do seu lado, não lhe cumprimentou, foi como se não a conhecesse.

Depois do choque inicial de ter sido totalmente ignorada pelo seu melhor amigo, virou para onde ele havia seguido.

— Naruto...

Mas o loiro já havia se misturado entre a multidão de civis e ninjas que levavam seus filhos na escola, iam trabalhar ou iam rumo à torre da Hogake.

Suspirou, seus olhos marejaram, mas se segurou, não queria chorar ali no meio da rua. Começou a andar novamente, rumo à parte mais afastada e menos movimentada da vila onde ficava o cemitério.

Será que ainda deveria ir ver Naruto? Irritou-se, por mais que quisesse fazer as pazes com o loiro, o comportamento dele estava no mínimo infantil. Ela não havia contado nada, apenas para protegê-lo...

Ouviu o baque surdo de quando caiu no chão. O molho de chaves em seu bolso fez um tintilar suave, e sentiu suas costas no chão de terra gelado. Algumas pedras pequenas cravaram na pele de seu braço exposto.

Não conseguia raciocinar, nem pensar no que estava acontecendo, seus ouvidos aos poucos foram se acostumando, assim como seus olhos, estava a no máximo dois metros do cemitério, alguém perguntava algo, mas não entendia.

Até que seus ouvidos começaram a reconhecer e entender o que cerca de três pessoas falavam próximos de si.

— Muita sorte te encontrar aqui bonitinha.

Tremeu, não, não, de novo não.

— Ouviu algo? — O cara que a prensava no chão perguntou com uma voz que a fez tremer — Responda! — A dor foi latejante em seu estômago quando o mesmo o socou com força.

Tentou sair do aperto férreo em seu corpo, tentou concentrar chakra em suas mãos, mas não tinha nem de longe a quantidade que precisava, socou o rosto do seu agressor, sua mão latejou pelo dor do choque, estava sem chakra.

O homem de cabelos oleosos apenas se moveu poucos centímetros pelo soco e resmungou coisas que ela não entendia. Apertou mais ainda seu corpo contra o dela.

— Ouviu alguma coisa? Responda! — Dessa vez sentiu o filete de sangue escorrendo de seu rosto, seu maxilar doeu com o soco vindo do homem de cabelos oleosos.

Queria chorar. Não estava entendo nada. Eles... Eles de novo, e perguntando algo que ela não entendia.

— Não ouvi nada! — Disse em um murmuro — Não sei do que estão falando.

— Acha que ela diz a verdade? — Ele olhou com duvida para o garoto de cabelos laranja.

Estava tremendo. Estava com medo. Maldita hora que decidira sair de casa.

— Deixe-a ela é muito bonitinha para você ficar machucando-a.

O aperto perto de si se dissolveu. Levantou-se com dificuldade, sua barriga doía pelo golpe e seu lábio também, ainda não entendia como não havia quebrado nenhum de seus dentes.

Tremeu, queria sair correndo. Sabia que não tinha chances, estava sem chakra e não tinha forças para correr, não podia gritar, estava em uma parte afastada da vila, ninguém lhe ouviria e eles a matariam antes que sequer começasse a gritar.

— Não acredito que é realmente você! É muita sorte! Então você realmente voltou daquela sua missão idiota?

— É... Por que não voltou antes gracinha? Estava com medo? Você sabe que ele foi assassinado, querida.

— Acho que ela estava é com medo da gente, talvez ainda se lembre da ameaça.

— Podemos pagar agora. Se você colaborar.

Não distinguia as vozes dentre os três. Olhou para o chão, um deles pisou nas rosas de seus pais, sujando-as e as despedaçando. Um deles tentou a abraçar por trás, deu um passo para frente e conseguiu socar um deles. Socaram seus ombros, a dor era latejante.

Estava desesperada, estava sem chakra, estava sem ninguém... Estava em desvantagem numérica, estava sozinha, estava acabada.

— Alguém pode chegar, tinha pessoas no cemitério quando passamos.

— Tem razão, a Godaime chutaria nossos traseiros.

— Ah! Mas eu queria tanto brincar com a rosadinha. Da última vez apenas a capturamos e ainda tivemos apenas que assistir o que aquele idiota fazia com ela, estou morrendo de vontade de fazer o mesmo.

— Outro dia, está cedo, é perigoso.

Não sabia se falavam com ela ou entre eles, optou pela segunda. Alguém se aproximou dela e a segurou pela blusa a amassando, alguém passou a mão em sua coxa, mas ela não sabia se era a mesma pessoa, sua visão estava embaçada pelas lágrimas. Tentou se mexer, mas não conseguiu.

— Voltaremos ainda para você gracinha, não sinta nossa falta, um dia desses, iremos brincar com você — Mais um se aproximou dela.

— Da ultima vez que te falamos isso, você sumiu por meses. Se fizer isso de novo, já sabe o que vai acontecer...

Seus olhos se arregalaram pelo o que ele cochichou em seu ouvido. A mesma ameaça de antes, só que agora estendida.

Soltaram sua blusa a empurrando para trás. Caiu sentada, as pedras pequenas a machucaram mais uma vez. Sua barriga, seu ombro e suas costas doíam. Limpou o filete de sangue que escorria da sua boca. Respirou fundo quando viu eles se afastarem ainda rindo. Havia se livrado de um há algum tempo atrás, mas outros três ficaram.

Soluçou, precisava ir para casa, rastejou até o tronco de uma árvore, e usou-o como apoio, levantou sentindo seu corpo latejar. Limpou novamente o lábio da melhor maneira que conseguiu, se tivesse sorte, as pessoas não percebiam seu estado. A última coisa que viu, antes de sair mancando dali foi as rosas brancas (ou o que restara delas) amassadas no chão. Tão sujas e tão machucadas quanto ela.

Enrolou-se melhor no cobertor, seu corpo latejava. Alguém havia batido na porta há algumas horas atrás, mas não deu importância, com a dor que estava não conseguiria levantar-se para atender a porta.

♦ ♦ ♦

— Fui ver Sakura, mas ela não atendeu a porta, acho que estava lá, não sei...

— Tem certeza que ela estava lá Kakashi-sensei?

— Ouvi uma respiração pesada, mas resolvi não insistir, talvez você devesse ir lá Naruto.

— Ok, ta bem... Passarei lá.

♦ ♦ ♦

Bateram na porta três vezes. Irritou-se, estava com dor, não queria atender a porta. Levantou-se do sofá com dificuldade.

— Naruto?

— Por que seu lábio está inchado? Por que esta encolhida e com a mão no estômago? O que aconteceu? Por que esta com manchas roxas nos braços?

— Naruto... Você veio...

Ele entrou lhe puxando e lhe jogando no sofá.

— O que aconteceu Sakura?

— Nada... Eu só cai.

— Vou te levar para o hospital.

— Não! Hospital não Naruto, por favor, hospital não!

Estava tudo rápido demais, o jeito que ele falava, o jeito que ela respondia, não conseguia acompanhar direito o que estava acontecendo.

— Teimosa! Medrosa! Diga-me o que diabos está acontecendo droga! — Ele pegou-a pelos braços finos. Encolheu-se. — Vamos para o hospital.

Desvencilhou-se dos braços de Naruto. Praguejou, estava chorando novamente.

— Não vou para o hospital.

— Claro que vai.

— Por que se importa? Não somos mais amigos esqueceu? Você mesmo disse isso!

Pensou que o loiro iria explodir. Arrependeu-se no mesmo instante em que aquelas palavras saíram da sua boca. Tremeu o que deveria fazer?

— Olha Naruto, descul...

— Se vire então Sakura! Nunca mais me procure, nunca mais fale de mim. Esqueça que eu existo, porque já me esqueci de você!

Ouviu o som da porta batendo, e de si despencando no sofá, colocou a cabeça entre os joelhos e praguejou baixinho, seu corpo estava dolorido. Estava desesperada, queria voltar atrás, queria que tudo fosse diferente, queria poder contar para Naruto.

Então se lembrou do que haviam dito para si logo de manhã, o que o homem de cabelos oleosos havia sussurrado em seu ouvido. A lembrança e fez tremer.

“Se contar para alguém o que aconteceu naquele dia, ou o que aconteceu hoje, acabamos com aquele seu amigo loiro, e agora, com a namoradinha dele também.”

Preferia que Naruto a odiasse, a vê-lo morto.

Notas finais
Finalmente algumas coisas começam a ser reveladas. Se não entenderam algo não se preocupem, as coisas serão explicadas no próximo capítulo. Assim que puder trarei um novo capítulo para vocês! Obrigada quem lê e comenta! ♥