Espelho
2 Capítulo O2: REALIDADE DOLOROSA
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O2: REALIDADE DOLOROSA
Rolou para um lado, rolou para o outro abrindo os olhos sem vontade. Os pássaros cantavam e o sol entrava pela janela acordando-a (ela realmente precisava de cortinas mais grossas). Levantou vendo a caixa amarela jogada no chão, provavelmente fora chutada a noite, fechou a caixa e a colocou no guarda-roupa prometendo a si mesma que não a abriria novamente.
Fez sua higiene matinal, tomou uma ducha e colocou uma roupa qualquer. Bebeu um copo de leite gelado, — ela não gostava de leite gelado -, mas não se importou com isso. Pegou uma bolsa com o relatório da missão para levar até Tsunade e pôs-se a caminhar.
As ruas tinham um leve movimento, mães levando crianças para academia ninja, comerciantes abrindo suas lojas e algumas crianças menores brincando no parque. Subiu até o escritório de Tsunade batendo na porta.
— Entre.
Abriu a porta e paralisou ao ver quem estava ali, Naruto, seu melhor amigo loiro e hiperativo estava ali de costas para ela. Seu coração deu um pulo. Ele lhe parecia igual, talvez alguns centímetros mais alto, mas nada que fizesse diferença. Depois de alguns segundo ele parecera perceber sua presença e se virou. Ela congelou.
Nem ao menos percebeu quando Tsunade saiu da sala sabendo que os dois jovens precisavam conversar sozinhos.
— Naruto... — Sua voz estava tremula devido à surpresa de vê-lo ali.
Caminhou até ele com passos lentos e incertos e quando estava a menos de um passo de distancia abriu os braços finos e brancos para enlaçá-los em um abraço, porém Naruto se desviara, dando um passo para trás deixando-a assustada.
— Narut...
— Como você pode fazer isso Sakura? — Sua voz estava repleta de raiva — EU PENSEI QUE FOSSEMOS AMIGOS! — Gritou — E QUANDO EU MAIS PRECISAVA VOCÊ FOI EMBORA! VOCÊ ME DEIXOU SOZINHO SAKURA! SOZINHO!
— Naruto... — Pronunciou assustada com os olhos arregalados.
— Agora você vai me ouvir Sakura, vai ouvir tudo que eu tenho para falar! Afinal como você acha que eu me senti esse tempo todo? Eu fui abandonado pelo meu melhor amigo e de repente minha melhor amiga também me abandonou! Você foi para aquela missão prometendo voltar logo e mesmo quando a missão acabou você não voltou! Você não respondeu minha carta, não me deu noticia alguma, eu fiquei preocupado! Você tem noção do que é ter que implorar por noticias sobre sua melhor amiga para a Hogake de meses em meses? Sabe?
— Naruto, acalme-se! — Ele a ignorou.
— Ele tinha razão Sakura... Quando dizia que você era fraca, Sasuke tinha razão, você pode ter ficado mais forte fisicamente mais continua a mesma garotinha fraca e assustada de antes! Você acha que eu também não estava sofrendo? Você acha que também não doía em mim? Você foi egoísta! Deixou todos os seus amigos preocupados enquanto tentava fugir de um problema ao invés de enfrentá-lo!
— Naruto, por favor, pare — Implorou com a voz tremula enquanto sentia seus olhos marejados.
Mas ela foi novamente ignorada.
— Você ficou igual ele Sakura, você ficou incapacitada de pedir ajuda! Eu pensei que fossemos um time! Ele foi embora e você foi também! Pensei que fossemos uma célula tripla, mas na primeira oportunidade você me deixou sozinho! Você não sabe como eu me senti esse tempo, eu não tinha noticias dele, não tinha noticias suas... Vocês eram minha família Sakura, e quando ele foi embora a única família que eu tinha era você...
Ele estava tão tremulo quanto ela.
— Nar...
— Você foi embora como uma garotinha assustada tomando como desculpa aquela missão. Você estava sofrendo, você estava com dor, mas eu também estava Sakura! Você se afastou de tudo e de todos por egoísmo! — O loiro fechou suas mãos em punhos. — Medrosa. — Ele levantou o rosto que estava banhado por lágrimas — É isso que você é: uma medrosa.
Viu ele se afastar abrindo a porta e a fechando com força, ela queria ir atrás dele, sabia que devia desculpas, mas ela não conseguia nem ao menos sair do lugar, não conseguia fazer nada. Tentou dar um passo e suas pernas falharam, caiu no chão e abraçou seus joelhos escondendo seu rosto banhado de lágrimas neles.
Naruto fora duro com ela, mas ele tinha razão, tinha toda razão do mundo por ficar bravo com ela, entretanto seu coração parecia não perceber isso. Tsunade não voltara e ela perdeu a conta de quanto tempo ficara sentada ali apoiada na parede.
Trêmula, ela estava trêmula. Precisava de seus remédios urgentemente, abriu a bolsa que estava ao seu lado procurando pelos costumeiros comprimidos, os tomou a seco. Não tinha forças para levantar, as lágrimas ainda desciam involuntariamente.
— Sakura — Ela não havia percebido que Tsunade havia aberto a porta.
A loira a segurou a colocando-a de pé e levou-a até a cadeira a sentando ali, a garota parecia uma boneca seu corpo estava sendo controlado por ela, mas sua mente parecia estar em outro lugar longe dali.
A rosada chorava como uma criança, frágil e desprotegida. Sua blusa estava molhada pelas lágrimas e a loira não fazia a mínima ideia da conversa que eles tiveram, Shizune havia a dito que Naruto saíra de lá correndo, no mesmo estado que a rosada, chorando.
— Shii. Acalme-se Sakura.
Passou as mãos no cabelo de sua pupila confortando-a.
— A d-or está-me su-focando — Disse com a voz trêmula.
— Shii calma, já vai passar... Já vai passar.
♦ ♦ ♦
Imaginou ser cerca de oito horas quando viu Sasuke sentado em uma das mesas do Ichikaru. Sentou ao lado do amigo que já havia pagado sua pena e agora podia fazer o que quisesse livremente por Konoha.
— Teme — Cumprimentou.
— Dobe.
Sentou-se ao lado do moreno, seu melhor amigo. Finalmente ele tinha seu melhor amigo de volta.
— Que cara é essa? — A voz de Sasuke parecia distante (como sempre).
— Eu vi a Sakura-chan...
— Hn.
— Eu... Eu falei com ela e acho que talvez eu tenha sido duro demais.
— Tch — Ele fingia desinteresse, mas ele sabia que o moreno estava o ouvindo.
— Bom, na verdade eu falei o que queria isso mesmo. Ela mereceu ouvir o que eu tinha para falar, é isso, ela mereceu.
— Você está arrependido?
— NÃO! Claro que não.
O Uchiha olhou novamente para o loiro.
— Talvez um pouquinho, só um pouquinho.
— Ora, peça desculpas, Sakura sempre teve um coração mole vai te perdoar.
— Não, eu não estou arrependido, não mesmo, ela mereceu.
— Tch — Tomou um gole de seu sakê.
— É que ela parecia tão frágil... Tão sozinha...
— O que diabos você disse para ela?
— Só o que ela merecia ouvir. E desde quando você fala Sasuke?
Não respondeu.
Mesmo Naruto falando que não se importava o ex-nukenin via em seus olhos, ou melhor, estava escrito em sua testa o arrependido, mas também estava estampada sua raiva e sua magoa. Ele não sabia o que ela tinha feito nem ele, mas os dois deveriam estar se machucando à toa.
TRÊS DIAS
Ela não vira Naruto depois daquele dia, nem Sasuke. Soube por Shizune que os dois haviam saído em uma missão e havia voltado há pouco. Sua vida havia se resumido ao hospital. De casa para o hospital e do hospital para casa.
Novamente ela estava acreditando que se sobrecarregar de trabalho diminuiria sua dor pelos seus pais, por Sasuke e pela sua recente briga com Naruto. O loiro tinha razão, ela era fraca, egoísta e medrosa, ela fora embora para que seus amigos não vissem seu sofrimento e não sofressem junto, ela ficara naquela pequena vila para não se machucar, mas acabou machucando quem menos queria magoar.
Naruto era uma pessoa boa demais para ficar magoado. Sempre tão atencioso, tão gentil, prestativo... Sempre tão amável, e ela havia o machucado, justo a ele, aquele a quem ela não queria fazer mal algum...
— Sakura? Sakura? — Percebeu que a enfermeira falava consigo — Está tudo bem? Quer que eu chame outro médico para fazer a cirurgia? Você está há cinco minutos com o bisturi na mão.
— Ah! Não Amaya está tudo bem, desculpe-me eu só estava distraída.
Na verdade cortar pessoas era o que ela menos queria fazer agora. Ela queria ir atrás de Naruto, pedir desculpas, pedir perdão, mas ela não sabia qual seria a reação dele. Concentrou-se no seu trabalho novamente.
Saiu da sala de cirurgia exausta. Tsunade a esperava encostada-se à parede verde-clara do corredor.
— Vá para casa.
— Ãh?
— Vá para casa, Shizune me disse que você está aqui há muito tempo, vá descansar.
— Tsunade-sama, não precisa, eu estou bem e...
— Sakura você mal tem se alimentando direito! Você acha que eu não vejo seu cansaço físico? Suas olheiras estão maiores que seus olhos! Seu chakra está baixo. Vá para casa.
— Estou indo — Murmurou derrotada.
— É para o seu próprio bem Sakura.
— Claro — Sua voz saiu mais irônica do que esperava.
Tirou a roupa branca que estava por cima da sua e pegou sua bolsa pondo-se a caminhar rumo a sua casa. Só quando chegou em casa e foi para cozinha, abrindo a geladeira foi que percebeu há quanto tempo não cozinhava e não comia algo que prestasse.
Resolveu cozinhar, pelo menos a distrairia. Fez muita comida, comeu pouco (ela sempre comia muito pouco). Notou que emagrecera, mas não dava bola para isso, ela estava de pé e era isso que importava.
Talvez o que tirasse sua fome eram os remédios que tomava. Remédios fortes que não deviam ser tomado com frequência, mas ela os tomava praticamente todos os dias, ficara dependente deles, só tomando os remédios é que ela conseguia se acalmar, eles faziam sua dor ficar menor e a faziam dormir. Ela sabia que devia parar de tomá-los, que deveria jogar os compridos fora e esquecer que ela sequer os tomara um dia, mas ela não conseguia... Simplesmente não conseguia.
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