Espelho
30 Capítulo 3O: PEQUENOS PASSOS
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 3O: PEQUENOS PASSOS
“Eu te amo tanto que não aguento!”.
As palavras ditas por uma voz fina e infantil ecoou pela sua mente várias e várias vezes. Olhou em volta do quarto escuro, apoiou os cotovelos nos joelhos e deixou a cabeça entre as mãos.
O que estava acontecendo? Por que o único pensamento que vinha em sua mente, tinha cabelos róseos e olhos verdes?
Sua cabeça latejou.
Ouviu um barulho na janela, levantou, andou até a janela emperrada e fez força para abri-la. Uma ave de rapina em tons de marrom estava postada na beirada da janela.
Um bilhete, um pergaminho, estava nas garras do pássaro. Pegou o bilhete, a ave não voou, continuou ali fazendo um barulho irritante e bicando o vidro da janela, bufou.
“Teme-“
Por que Naruto mandaria uma ave de rapina?
“Sei que está preocupado comigo-“ – De onde o loiro tirava aquelas ideias idiotas?
“Mas quero que saiba que estou bem, a lua de mel está legal. Volto na próxima semana. Como a Sakura-chan está? Espero sua resposta, cuide bem dela, Naruto.”
Coçou a cabeça irritado. A ave esperava pela resposta. Andou até a escrivaninha de mogno, achando um pedaço de papel, escreveu somente como Sakura estava e entregou para a ave, que pegou o bilhete com as garras afiadas e saiu.
Voltou para o bilhete, havia alguns erros de grafia violentos. “Cuide bem dela” desde quando cuidar de Sakura virara sua obrigação?
Bufou irritado, jogando o bilhete sobre a cama.
♦ ♦ ♦
TEMPOS ATRÁS
— Preciso de alguém para me divertir.
— Hum, prostitutas, talvez?
— É chefe, podemos conseguir aquela morena que... —
— Não. Quero algo diferente.
— Tipo?
— Algo mais... Algo... Diferente. Uma kunoichi, talvez.
— Está louco? — Viu o homem fazer uma cara desgostosa — Certo...
— Não, ele tem razão, é perigoso, dependendo de qual poderá te matar e...
— Acha mesmo que são capazes de me matar?
— Ok, qual delas? De qual vila?
— Daqui, oras.
— E você acha que a garota ficara de boca calada?
— Faremos ficar. Ou posso mata-la depois.
O homem de cabelo laranja sorriu maliciosamente.
— A namorada do menino loiro, aquele que todos veneram é muito bonita.
— Ela é do clã Hyuuga, vive sempre rodeada de paparicos, não vai dar certo.
— Quem então? — Um homem de cabelos escuros e oleosos lhe perguntou.
Andou até a janela, algumas pessoas que chegavam de missão ou civis passavam por ali. Pôs-se a observar.
— Ela.
— Quem?
— Aquela.
Apontou para a garota, alta, esquia. Conhecia-a, sabia quem era.
— A de cabelos róseos?
— Sim. Ela se chama Sakura ou algo assim. Era do time sete, o antigo time de Naruto e do traidor.
— Ela é muito bonita — Um de cabelos oleosos comentou, passando a língua nos lábios.
— Não é... Nova demais?
— Claro que não. Pelo o que ouvi há tempos atrás, ela tinha uma influência interessante sobre o traidor, segundo me falaram. Não que ele vá voltar ou ficar sabendo, mas seria interessante saber o que ele acharia disso.
Viu os três homens ao seu lado sorrirem maliciosamente.
— Ela é pupila da Hokage — Um deles comentou.
— Estão com medo dela? Ela é realmente forte, mas são três contra um. Ela sai muito tarde do hospital, geralmente com pouco chakra.
— Então nós...?
— Peguem-na, podem sugar o resto de chakra ou façam com que fique sem. Tragam-na para mim.
— Sim chefe.
Sorriu minimamente, olhando a garota já longe, andando distraída.
♦ ♦ ♦
— Hokage-sama?
— Sim Shizune.
— O que faremos com o caso daqueles ninjas? Seu prazo com Hiashi já acabou há tempos.
— Eles não vão voltar, sabem que estão sendo caçados. Já mandei duas equipes ANBUS atrás dele, uma não voltou, foram dados com mortos. A outra equipe regressou, mas nem chegaram a vê-los.
— Então o que vamos fazer?
— Podemos tirar os reforços das fronteiras, eles não vão voltar. E falarei com Hiashi para que ele coloque seus homens atrás deles, não quero perder mais ANBUS.
— Entendido Tsunade-sama. Falarei com os ninjas da fronteira e com Hiashi.
— Faça isso Shizune.
Viu a morena fazer uma referencia, e fechar a porta silenciosamente. Colocou as mãos nos cabelos loiros. Quantos problemas...
♦ ♦ ♦
Quando estava a dois passos da porta do quarto, pode ouvir vozes. Não soube distinguir a quem pertenciam. Não bateu, entrou silenciosamente colocando a cabeça pela fresta da porta.
Sentiu o canto de seus lábios se elevar minimamente, diante a cena. Tudo bem que ela ainda usava uma camisola ridícula, mas dessa vez não era aberta nas costas. Agradeceu por isso.
Sakura estava em pé, sendo amparada por três enfermeiras, duas mais novas, e uma senhora de meia idade que sorria a incentivando em andar apenas alguns passos.
Ela pareceu perceber sua presença e olhou para a porta, pela primeira vez em muito tempo os olhos verdes estavam brilhantes novamente, nada comparado ao brilho radiante que tinham antes, mas já era um começo.
— Estou conseguindo andar Sasuke-kun!
Ela sorriu para ele, acenou positivamente com a cabeça, entrando completamente no quarto e se se encostando à parede.
— Estou sentindo meus pés novamente!
A voz dela ainda era um pouco fraca e ela andava apenas com os auxílios das enfermeiras, em passos incrivelmente pequenos e incertos, feito uma criança que estava aprendendo a dar seus primeiros passos.
Novamente seus lábios se curvaram, ela pareceu perceber e sorriu ainda mais.
— Não se esforce muito querida. Podemos andar um pouquinho todos os dias agora que vimos que a sensibilidade voltou, creio que logo poderá ir para casa.
Viu-a sorrir e com a ajuda das enfermeiras sentou na beirada da cama. O soro que a enfermeira segurava nas mãos foi posto no lugar, ela não estava mais conectada nos fios, nem na sonda urinária, apenas o soro intravenoso estava no seu braço direito.
— Vamos ver os outros pacientes, se precisar de algo toque a campainha.
— Sim, obrigada.
Observou as três mulheres saírem do quarto, fechando a porta com um baque suave. O silêncio retornou ao ambiente.
— É... Obrigada pelo sorvete de ontem.
— Deixaram você tomar?
— Sim — Ela sorriu — Estava delicioso.
Acenou mais uma vez com a cabeça e se sentou na cadeira mais próxima de onde ela estava sentada.
Ela olhou para ele e desviou o olhar envergonhado, e depois se pôs a observar algo pela janela. Os cabelos róseos estavam bagunçados e ele podia sentir o cheiro de hidratante.
— Me sinto vazio.
Ela o olhou, rapidamente, com os grandes olhos verdes arregalados. Primeiramente ela pareceu não entender sua frase. Alguns segundos depois ela acenou positivamente com a cabeça e deu um sorriso triste.
Não entendeu quando ela dobrou o tronco da cama alta e estendeu a mão em sua direção. Só percebeu o que ela queria quando a mão dela livre do soro, tocou a sua mão.
A mão dela estava gelada, diferente da sua. Alguns segundos depois, ela pareceu perceber o que havia feito, como se antes tivesse feito aquilo sem pensar, sem medir as consequências.
Quando ela pareceu querer puxar sua mão, não soube o porquê, nem o que o levou a fazer aquilo, mas apertou a mão pequena dentro da sua.
— Espero que melhore — Ela disse, provavelmente sobre sua sensação de vazio.
— Eu também — Sussurrou encostando-se na cadeira e relaxando, sentindo a temperatura da mão dela mudar.
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