Espelho
37 Capítulo 37: RETRIBUINDO FAVORES
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 37: RETRIBUINDO FAVORES
— Pai, eu preciso falar com você.
— Estou sem tempo Hinata.
— Pai, eu realmente preciso falar com você.
— Mais tarde...
— Agora!
Olhou em dúvida para a filha. A doce e delicada Hinata jamais se atreveria a erguer o tom de voz para ele. Jamais.
— Eu vou me mudar.
Ela disse, de repente.
— O que? Está louca? Quem pôs isso na sua cabeça? Aposto que foi aquele muleque-raposa sem...
— Naruto não tem nada haver com isso, a decisão foi minha. Eu sinto muito pai, mas eu não posso... Não consigo... Não quero...
— Como não vai morar aqui, sendo que precisa ser líder do clã?
— Não quero a liderança.
— Hinata, não brinque comigo.
— Não estou brincando pai, nunca falei tão sério em minha vida. Não quero morar aqui, não quero a liderança do clã.
— Hinata! Eu vou matar aquele idiota por colocar essas coisas na sua cabeça.
— Já disse que Naruto não tem nada haver com isso. Eu não quero pai.
— Está... Renunciando o clã?
— Você sabe que eu amo o clã, amo você pai, e gostaria de com sua permissão continuar no clã, só não quero a liderança.
— Preste atenção no que fala Hinata, nas decisões que faz. Se não quer a liderança, é porque não quer o clã. Se você renunciar a liderança, estará renunciando tudo.
— Eu renuncio.
— Hinata! Se quiser continuar com isso, esqueça que é minha filha, esqueça que um dia pertenceu a um clã, se continuar com isso, você vai embora daqui para nunca mais voltar.
— Eu... — Observou os olhos marejados da filha — Eu sinto muito papai.
Viu algumas lágrimas caírem e em seguida ela lhe deu as costas, andando até a casa que estava morando com o Uzumaki. Viu-a abrir a porta, pegar três malas pequenas e sair dali, grávida e sozinha. Por mais que seu coração tenha se encolhido, não voltou atrás, sentia a raiva fluindo dentro de si.
♦ ♦ ♦
Ouviu duas batidas leves na sua porta. Levantou-se do sofá, guardando o livro da estante e andando até a porta.
Quando abriu a porta, Hinata estava em pé, carregando três malas, com o semblante abatido, chorando e com o rosto vermelho.
— H-Hinata?
— Oh Sakura-chan!
Sentiu a morena desabar, abraçando-a. Ela agarrou sua blusa, chorando, as malas caíram no chão, ela parecia desesperada.
— Hinata, entre, Hinata acalme-se isso vai fazer mal para o bebê...
Com a menção do bebê, ela pareceu entender, ela se endireitou, limpando as lágrimas com as costas da mão. Ajudou-a, abaixou-se pegando as três malas, e colocando-as para dentro. Em seguida guiou Hinata até o sofá.
— Acalme-se, respire fundo e me conte o que aconteceu, sim?
Viu a morena respirar várias vezes, encolhida no seu sofá.
— Eu vou fazer um chá, enquanto você se recupera, para que possamos tomar, enquanto você me conta.
Viu-a acenar positivamente com a cabeça.
Quando voltou com o chá, Hinata ainda fungava, limpando as lágrimas. Entregou uma xícara para ela, segurando a outra e sentando-se ao lado da amiga.
— Eu... Falei com o meu pai.
— Oh! E?
— Ele me expulsou, de casa, e do clã.
— Oh! Hinata... Eu... Eu... Sinto muito.
— Tudo bem...
— Olha, eu tenho certeza que ele vai voltar a trás, ele com certeza ele vai se arrepender, e vai ficar tudo bem.
— Eu não sei... Meu pai não é de voltar atrás da palavra.
— Ele vai Hinata, ele vai.
Rezava mentalmente para que ele realmente voltasse atrás.
— Eu... — Viu a morena corar — Será que eu...
— Pode ficar aqui? — Completou vendo a Hyuuga ficar ainda mais vermelha.
— É... Bem... Só hoje... Eu vou arrumar... Um... Hotel... E logo Naruto... Arrumará uma casa e...
— Pode ficar quanto tempo precisar Hinata. Será ótimo tem alguém aqui comigo! E sei que Naruto vendeu a antiga casa dele, então se ele quiser ficar aqui, a gente pode dar um jeito, arrumar algum colchão não sei e você pode dormir na minha cama.
— Não de jeito nenhum!
— Você está grávida. Mas não se preocupe com isso agora, vamos dar um jeito.
Passou mais algumas horas conversando com Hinata, a morena parecia mais calma e disposta a seguir em frente.
— Hinata eu vou ter que ir trabalhar, realmente queria ficar com você, mas voltei para o trabalho faz pouco tempo e...
— Tudo bem Sakura-chan. Pode ir, ficarei bem.
— Ótimo, fique a vontade. Avisarei Naruto que está aqui caso eu o veja.
— Obrigada.
Ajeitou a roupa branca no corpo e pegou a bolsa sobre a poltrona.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa, Tsunade tem colocado babás à noite para mim, agora de dia está claro e têm muitas pessoas na rua.
— Entendo.
Sorriu e despediu-se de Hinata caminhando rumo ao hospital, rezando para que a amiga ficasse bem.
Depois de atender uma série de ninjas sentou na cadeira cansada. Levantou logo, quando ouviu batidas leves na porta.
Abriu a porta, vendo uma garota sorrir envergonhada.
— Eu preciso de uma ajuda com o meu braço e Shizune-san me mandou vir aqui, disse que você poderia me ajudar.
— Oh claro, entre! Sente-se — Disse apontando para a maca.
— Com licença.
— Nunca lhe vi por aqui antes — Comentou enquanto colocava as luvas brancas, passando a examinar o braço machucado.
— É eu não saio muito.
— Não me lembro de você na academia — Comentou enquanto preparava gazes e soro fisiológico para limpar o ferimento.
— Eu não era daqui — Viu a garota sorrir tímida, e tremer quando colocou o liquido gelado em contato com a pele.
A garota era bonita, com longos cabelos castanhos, e olhos também castanhos feito chocolate. Podia notar um olhar triste além das bochechas coradas.
— Você é Sakura certo?
— Sim — Sorriu para ela, enquanto jogava o algodão molhado no lixo.
— Prazer, sou Mayumi. Ouvi falar muito de você.
— Oh! O prazer é meu.
Viu a garota sorrir e tremer quando preparou a linha e a agulha.
— Pontos?
— Sim, se eu fechar com chakra, não ficara bem curado por dentro. Mas não vai doer, vou aplicar uma anestesia.
Pegou a anestesia aplicando-a dentro do corte, a garota tremeu, mas logo relaxou. Pegou a linha e a agulha em seguida, vendo a garota que deveria ser da mesma idade que ela fazer uma careta. Conversou para distraí-la enquanto dava pontos no corte de praticamente quinze centímetros.
— Estava em missão?
— Oh! Sim, eu fui ajudar uma companheira, acabei me distraindo... Fizeram isso com uma kunai.
— Eu acho que não vai ficar nenhuma cicatriz, é por isso que está triste? Com medo de ficar marcado? — Perguntou vendo a garota olhar atentamente para o braço machucado.
— Não — Ela deu um sorriso triste — Estou sofrendo como a maioria das mulheres por aí por um amor não correspondido.
Viu a garota sorrir triste e suas bochechas corarem ainda mais.
— Sei como é. Espero que você consiga superar, eu não consegui até hoje.
Deu um sorriso triste pensando em Sasuke.
— Eu gosto tanto dele sabe... Mas ele jamais gostaria de alguém como eu.
— Não fique triste por isso, aposto que vai encontrar alguém que goste de você e que possa lhe fazer feliz — Tentou conforta-la.
— Espero que você também encontre.
A garota sorriu triste para ela, enquanto acabava de encerrar os pontos. Cortou a linha, e ajudou a garota a descer da maca.
— Vou receitar alguns remédios, tente tomar nos horários certos para que possa fazer o efeito correto.
Viu a garota acenar positivamente com a cabeça. Escreveu os remédios no papel, e assinou em baixo, entregando para a morena.
— Venha daqui uma semana e meia tirar os pontos, estou aqui praticamente em todos os horários.
— Ok, obrigada Sakura-san. Boa sorte com o homem que você gosta.
Viu a garota lhe sorrir gentil. Abriu a porta, sorrindo também.
— Boa sorte com o seu também.
Viu a garota corar e sair em seguida. Suspirou, bem que gostaria de ter sorte com Sasuke.
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