Espelho
36 Capítulo 36: MÃOS TRÊMULAS
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 36: MÃOS TRÊMULAS
A última coisa que ouviu foi o vaso de flores batendo na parede que ele mesmo jogou. Andou irritado na sala de estar, saiu do quarto para que Sakura não presenciasse sua ira. Tinha vontade de reviver Danzou, para estraçalhá-lo ainda mais. Maldito.
Ouviu um arrasto, olhou pelo corredor, Sakura estava em pé, quase caindo escorando-se na porta. Ela tinha os olhos arregalados e parecia que cairia a qualquer momento.
Quando viu as pernas dela se dobrarem, provavelmente pelo efeito da febre, andou apressadamente, a ponto de segurá-la e deitá-la na cama novamente. O corpo dela ainda estava mole, os olhos fundos e ela ainda chorava.
— Fique deitada. Sinto pelo vaso, vou limpar tudo.
— Tudo bem... Só... Só fique aqui comigo.
Acenou positivamente com a cabeça, indo até o banheiro e encharcando novamente as toalhas colocou-as sobre a testa quente e sobre o pescoço. Ela tremeu.
— Você... Acha-me ainda mais suja agora, não é?
Olhou-a ela tinha os olhos vermelhos, profundos e perdidos. As duas bolas verdes, estavam opacas. O sangue fluiu novamente sem rumo pelo seu corpo, sua cabeça começou a doer, fechou a mão em punhos, queria socar algo, queria descontar, mas não havia nada para que o fizesse.
— Nunca te achei suja Sakura, não foi sua culpa.
Ela mordeu o lábio duas vezes seguidas e soluçou novamente.
— Fica aqui comigo — Ela sussurrou novamente.
— Estou aqui Sakura.
— Fica aqui comigo.
— Estou aqui.
— Fica aqui comigo, não me deixe mais, por favor... Eu senti tanto sua falta...
Ela mantinha os olhos fechados, o suor escorria da testa e do pescoço e ela sussurrava isso com coisas desconexas, que ele não entendia.
Virou-se para ir até a cozinha, pegar mais remédios.
— Não vai embora... Posso ouvir você se distanciando.
— Não vou embora Sakura, vou pegar seus remédios.
Andou até a cozinha pegando os remédios e voltou para o quarto, ajudando-a a tomá-los.
DOIS MESES
— Sua barriga não está muito grande para três meses?
— É que pai... A médica me disse que o desenvolvimento do bebê está um pouco avançado... Achamos que é por causa dos... Dos... Genes de Naruto.
Amaldiçoou-se mentalmente pela desculpa esfarrapada. Seu pai olhou novamente para sua barriga, mas não disse nada. Ouviu passos e logo pode ver Naruto chegando, ele estava em uma missão há três dias.
— Naruto-kun! Como está?
Viu que ele tinha alguns arranhões, mas nada sério.
— Bem.
Viu Naruto acenar em um cumprimento para seu pai que respondeu por pura obrigação. O loiro se remexeu inquieto, sabia o quão desconfortável ele ficava perto de seu pai.
Pegou-o pela mão, fez uma pequena reverência para seu pai e saiu o puxando para a casa ao lado da casa principal. Quando estavam lá dentro, viu como Naruto olhava para os lados.
— Conte-me.
Ele pareceu entender e lhe lançou um sorriso triste.
— Eu... Não gosto de morar aqui Hinata — Acenou positivamente com a cabeça, sabia como Naruto odiava morar ali, em uma casa do seu pai.
— Vamos nos mudar.
Viu os olhos do loiro olharem arregalados para si.
— Não, seu pai iria ficar furioso, ainda mais porque você vai liderar o clã e...
— Eu não deveria ter aceitado isso desde o começo. Vou falar com ele, vou falar que não quero a liderança.
— Mas... A cerimônia é daqui três meses.
— Tempo suficiente para ele achar outra pessoa.
— Você está sendo treinada há anos Hinata.
— Eu já fiz muitas coisas que não gostava por causa do meu pai, não vou fazer isso e arrumar um carma para o resto da minha vida. Ele provavelmente vai me deserdar e me mandar embora de casa, então precisamos arrumar uma casa logo.
— Tem certeza disso? Eu não gosto de morar aqui, mas eu irei me acostumar com o tempo.
— Tenho certeza Naruto-kun.
Viu ele lhe abraçar como se lhe desse forças para a tempestade que estava por vir.
— Vou arrumar uma casa para a gente.
Sorriu verdadeiramente, retribuindo o abraço. Por mais que fosse terrível enfrentar seu pai, estava disposta a fazer isso por Naruto... Só por ele.
♦ ♦ ♦
— Está bem recuperada — Tsunade comentou quando acabava de lhe examinar.
Há um mês e alguns dias voltara a trabalhar, mas fazia apenas consultas, e agora a loira lhe examinava para que pudesse finalmente receber uma alta total e voltar a trabalhar como antes.
— Já disse que estou bem shishou.
— Está magra.
— Estou bem. E ficarei ainda melhor se puder voltar a fazer cirurgias.
— Certo, vou lhe liberar, mas por mais uma semana não quero que faça cirurgias extensas. Depois, pode voltar.
— Sim shishou.
— Quem lhe trouxe hoje?
— Naruto — Murmurou um muxoxo — Já disse que eles não precisam ficar me levando nos lugares, nem vir aqui à noite me levar para casa. Já consigo me defender muito bem sozinha.
— Não estou duvidando das suas capacidades de luta, Sakura. Mas não sabemos se o último quer se vingar, ou se ele arrumou mais ninjas, não sabemos seu nível de poder Sakura, é melhor não arriscar.
— Isso é realmente desnecessário.
— Ainda bem que não ligo para sua opinião.
Bufou, realmente não queria babás atrás dela.
— Pode voltar agora, pode fazer consultas, curar e fazer cirurgias de pequeno porte. Vou pedir para que alguém lhe busque a noite.
Bufou novamente com a última frase, fez uma referência e saiu fechando a porta atrás de si.
♦ ♦ ♦
Sentia seu corpo exausto, embora as três cirurgias que fizessem fosse de pequeno porte, ainda estava se acostumando com a rotina novamente.
Assinou a sua ficha no hospital e saiu pelas portas duplas olhando para os lados, não saberia se seria Hinata, ou Naruto que viria lhe buscar. Nesses dois meses os dois tinham se revezado, na maioria das vezes Naruto vinha lhe buscar, lhe deixava em frente a porta e depois ia embora.
Hinata só viera algumas vezes, umas sete, talvez, no começo, agora uma acompanhante grávida, acompanhando uma moribunda, não era exatamente o tipo de proteção eficiente.
Desceu as escadas, não encontrando ninguém, talvez Tsunade tivesse se esquecido dessa idiotice, ou finalmente reconhecido que ela poderia se cuidar sozinha.
Olhou novamente mais uma vez, pulando de susto ao ver Sasuke encostado na parede do hospital. Como não havia o visto antes? Ele desencostou-se da parede, e andou até ela, acenou com a cabeça como um cumprimento e saiu andando como se esperasse que ela o acompanhasse.
Demorou alguns segundos para que a ficha caísse, até que deu cinco passos apressados para acompanha-lo.
— Tsunade está exagerando.
Comentou sem graça, enquanto andava do lado dele. Pouco se lembrava da noite fatídica que jogara inúmeras informações sobre sua vida pessoal, — bota pessoal nisso -, em cima dele.
Ele pareceu não se importar nos dias seguintes, ele continuava lhe visitando, conversando quando ela lhe perguntava algo, e não tocou mais no assunto.
Embora por semanas consecutivas a vergonha abatesse sobre si, foi aos poucos se recuperando, esperava que ele tivesse a consciência que ela estava com febre e delirando, e que não queria na verdade dizer aquelas coisas a ele.
— Não é exagero — Ele comentou, enquanto andava com as mãos no bolso.
— Hum?
— Você sai do hospital praticamente sem chakra, é perigoso.
Ele deixou o olhar sobre ela uns três segundos, antes de desviar novamente e olhar para o caminho que seguiam.
— Tsunade o obrigou a vir?
— Não. Ela chamou Naruto, mas ele e Hinata estão passando por alguns problemas...
— Sim, ela me disse.
— Então... — Continuou depois de um tempo em que ele não disse nada — Ele te obrigou a vir no lugar dele... Olha realmente não era necessário e...
— Eu me ofereci — Ele pareceu arrependido assim que disse.
Ele a olhou novamente por alguns segundos, e desviou o olhar. Ela não desviou, continuou olhando-o. Ele subiu as escadas do seu prédio ao seu lado, e parou em frente a sua porta.
Olhou-o demoradamente, antes de procurar suas chaves. Quando ainda procurava pelas parafernálias da sua bolsa, ergueu a cabeça para dizer que ele podia ir embora.
Mas foi surpreendida. Sentiu as mãos dele na sua nuca, e os lábios dele colados nos seus. Ouviu sua bolsa cair no chão, provavelmente espalhando os vários itens pelo chão, mas não se importou. Ele lhe prensou sobre a porta ainda fechada, aprofundando o beijo.
Ele moveu sua língua dentro da sua boca, fazendo seu corpo inteiro se arrepiar. Quando ele finalmente separou-se de sua boca, para que pudesse respirar em um momento ele estava ali, bem na sua frente e no outro só pode ver o vulto negro, afastando-se e descendo as escadas.
Com as pernas bambas, abaixou pegando as coisas caídas junto com sua bolsa, e achando a chave. Demorou longos minutos para suas mãos que tremiam acertarem a fechadura, abrindo a porta.
Suspirou fechando a porta atrás de si, encostando-se nela, feito uma adolescente apaixonada.
— Boa Noite Sasuke-kun — Sussurrou baixinho, sabendo que ele provavelmente já estava em casa.
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