Espelho
20 Capítulo 2O: SEM HONRA
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 2O: SEM HONRA
Ele e Hinata foram visitar Sakura logo pela manhã, Hinata teria que ir a uma missão simples daqui uma hora, mas mesmo assim decidira ir com ele ver Sakura.
Quando abriu a porta, algo pareceu quebrar-se dentro de si quando viu a amiga tão frágil naquela cama. Sakura estava acordada, ela deu um sorriso triste para Hinata e para ele.
— Podem... Chamar uma... Enfermeira? — Primeiramente não entendeu o porquê e nem porque Sakura estava falando tão pausadamente — Meu soro... Acabou...
Pensou que talvez ela estivesse com falta de ar, ou sua boca estivesse seca demais. Saiu pela porta olhando para os lados, achou uma enfermeira, ela veio até Sakura e trocou seu soro.
Observou o braço da amiga, ele estava cheio de marquinhas vermelhas, imaginou o quão difícil fora achar sua veia para colocar o soro.
— Como se sente Sakura-chan?
— Bem — Viu a rosada dar um sorriso triste, sua boca estava branca. Seu coração pareceu despedaçar-se.
A rosada pareceu perceber sua reação, e então sorriu novamente para ele, um sorriso fraco como se ela nem ao menos tivesse força para puxar o canto dos lábios.
— Então... Para quando é o casamento? — A voz dela ainda era lenta, até demais em sua opinião.
— Naruto-kun e eu resolvemos esperar você melhorar, queremos que você seja nossa madrinha, se você aceitar é claro.
— Oh! Eu adoraria! Mas... Talvez seja melhor você não esperarem, vocês podem se casar... Quer dizer... Tocar adiante a vida de vocês... E...
— Sem chance, queremos sua presença no nosso casamento! — Hinata disse — Esperaremos quanto tempo for necessário.
Sakura olhou para ele e com uma lerdeza absurda mordeu o canto do lábio. Pensou que iria colocar seu café da manhã para fora, com o jeito que seu corpo ficou. Uma moleza e uma preocupação absurda apossaram-se dele, medo de perder Sakura.
— Pedi para que algumas pessoas do meu clã fizessem o exame para ver se são compatíveis com você, alguns relutaram, mas estão dispostos a te ajudar, eu e Naruto-kun faremos também...
Hinata continuou falando com Sakura, mas ele não ouvia mais nada ao seu redor, o medo havia se apossado dele.
♦ ♦ ♦
Depois que Naruto e Hinata foram embora, foi que percebeu o quão debilitava estava. Seu corpo todo doía, seu braço estava praticamente paralisado por ficar tanto tempo parado na mesma posição onde o soro intravenoso passava.
Olhou para o lado, tentou mudar de posição, mas os fios não permitiam. O barulho irritante das máquinas ao seu redor estava lhe tirando do sério.
Bateram na porta, Tsunade entrou com mais duas enfermeiras vestidas impecavelmente de branco. Elas vieram até si, e começaram a tirar alguns dos fios que estavam ligados a si.
As máquinas foram desligadas. Seus ouvidos agradeceram.
— Contei para alguns investigadores o que está acontecendo, eles virão falar com você, sei que você não queria falar com ninguém sobre o que aconteceu... Mas sinto que tive de informa-los para que possamos provar sua inocência.
Algo dentro de si se remoeu ao pensar que mais gente ainda sabia de seu segredo.
— Não me diga que Ibiki virá me interrogar?
— Sinto muito, sei que vocês não se dão muito bem, mas Kakashi está em missão e também como vocês tem uma ligação ele não pode te interrogar.
Bufou, Ibiki lhe odiava. Ele sempre ia interrogar seus pacientes no hospital e muitas vezes ele acabava torturando seus pacientes em recuperação. Muitas vezes ela usara sua força, entrara nas salas e fez com que ele saísse de lá.
Por esse motivo ele a abominava tanto quando ela a ele.
Tsunade a examinou novamente, uma das enfermeiras trouxe uma cadeira de rodas, e levando o soro pode tomar um banho rápido. Escovou os dentes com a escova que Tsunade havia comprado para ela e depois vestiram mais uma vez a camisola ridícula nela.
As enfermeiras com a ajuda da loira pegaram-na e a colocaram novamente na cama. Quando olhou, o soro havia escapado de seu braço, uma enfermeira voltou, e a furou duas vezes até que encontrasse sua veia.
Bateram na porta. Tsunade fez uma careta e ela pode imaginar quem era. Pela porta passou o corpo alto e cheio de cicatrizes. Ele fez uma referência para a Godaime, mas nem sequer olhou para ela.
As enfermeiras saíram. Ele estava com uma prancheta na mão, imaginou que anotaria ali o que ela falasse. Seu estômago deu voltas.
— Podemos começar? Não quero perder tempo.
A voz grossa dirigiu-se a ela com uma rispidez impressionante. Mesmo ali na frente da Hokage ele estava lhe dirigindo a palavra desse modo. Também não era para menos, ela já interrompera muitas vezes o trabalho dele no hospital.
Balançou a cabeça em afirmação mecanicamente. Viu Tsunade se levantar, seus olhos se arregalaram, tremeu de medo.
— Aonde você vai shishou?
— Tenho que deixar vocês sozinhos, já contei tudo que sei para ele. É sua vez.
— Oh!
Não queria ficar sozinha com ele, sabia a tortura que ele usava com as pessoas para extrair informações delas. Muitas vezes ouvia seus pacientes gritarem de dor, e era sempre por esse motivo que ela acaba invadindo a sala e atrapalhando o trabalho dele.
Por mais que ele pudesse ajudar ela a se livrar da acusação, não gostava da ideia de que ele poderia a torturar.
— Volto mais tarde para vê-la.
E a loira saiu pela porta. Viu o homem puxar uma cadeira e se sentar perto da cama onde ela residia, seu corpo tremeu.
— Quem diria em? A encrenqueira, a garotinha que quer lutar para que ‘os pacientes em recuperação não sejam torturados por Morino Ibiki’ e que atrapalha totalmente meu trabalho não tem mais honra nenhuma?
Mordeu o lábio em irritação, se pudesse daria um bom soco na cara dele. Porém sabia que tudo o que ele falava era verdade. Suas bochechas coraram, mas dessa vez era de sentir a humilhação debatendo-se sobre si.
— Hum hum, a como eu gostaria de ter descoberto isso antes. Tsunade deixou isso muito em baixo dos panos em? Sabe, é isso que se ganha em se intrometer no trabalho alheio, e expor os outros ao ridículo expulsando-os do quarto dos pacientes.
Quis tampar os ouvidos e não ouvir mais a voz dele.
— Agora, infelizmente tenho que fazer meu trabalho e talvez acabar lhe ajudando, mas fazer o que se a loira bêbada gosta de você.
— Se for para fazer como um favor vá embora.
— Não me dê ordens! Não é como se você ainda tivesse moral para isso.
— Minha moral continua a mesma.
— Se eu pudesse espalharia para essa vila inteira, o quão suja e nojenta você é.
— Não fale assim comigo!
— Ande logo, fale o que se lembra!
— Não.
Viu ele se levantar e segurar um de seus braços. Eles doeram pela força exposta ali. Gemeu de dor quando ele apertou-o ainda mais.
— Conte logo.
— Não.
A dor se intensificou e algumas lágrimas caíram. Amaldiçoou-se por estar chorando na frente dele.
— Olha a garotinha assustada, está até chorando.
— Que droga! Largue-me. Saia daqui.
— Caso eu chegue ao escritório de Tsunade sem um relatório completo, ela vai acabar comigo, então fale logo.
— Diga a ela que eu não quis falar nada e saia daqui.
— Garota idiota! Acha que eu posso perder meu tempo assim?
— Saia daqui! Ande!
— Eu poderia te fazer uma boa tortura e te fazer contar, mas não vou ficar perdendo meu tempo para ajudar alguém que não merece.
Viu o aperto em seu braço ir se desfazendo aos poucos. Encolheu-se quando ele se levantou, só pode respirar finalmente quando ouviu a porta sendo fechada.
Virou para o lado com dificuldade, seu braço ainda doía pela pressão exercida nele. Percebeu que ainda chorava, mas não conseguiu cessar o choro, colocou uma de sua mão livre na boca, o choro engasgado em sua garganta saiu.
Soluçou, sentiu seu coração acelerar. Bateram na porta, e em seguida viu Sasuke passar por ela. Ele olhou rapidamente para si, para a marca vermelha em seu braço e para seu rosto banhado em lágrimas, mas não disse nada.
Ele se sentou no sofá e ficou olhando para a parede, ouvindo em silêncio seu choro. Com a presença dele ali tentou se recompor o mais rápido que conseguiu. Secou suas lágrimas ainda assustada com a presença dele. Depois de tudo que acontecera em sua casa, sentiu-se corar pela lembrança.
— Você... Você veio.
Sua voz ainda estava embargada, sentiu-se insegura quanto a falar. Ele olhou para ela, e depois olhou novamente para a parede, não respondeu.
— Eu... Sinto muito... Pelo o que aconteceu em minha casa. Eu... Não deveria ter te beijado daquele jeito... Nem...
Seus olhos negros se arregalaram, ela estava mesmo colocando a culpa nela? Quando ele nem ao menos sabia se foi ele ou ela quem havia começado? Sabia que ele também tinha uma parcela, uma grande parcela, de culpa.
— A culpa não foi sua.
— Foi sim.
Não respondeu.
— Hum... De ambos talvez? – A médica perguntou incerta.
Acenou positivamente com a cabeça, observando-a frágil na cama.
— Então... Está tudo bem entre nós?
Não gritaria com ela, nem brigaria, Sakura já estava cheia de problemas e não queria fazer igual Naruto, até porque ela parecia tão frágil que qualquer coisa parecia lhe atingir de um modo inexplicável.
Acenou novamente positivamente com a cabeça, vendo-a dar um sorriso fraco.
Fale com o autor