Espelho
27 Capítulo 27: OLHAR VIDRADO
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 27: OLHAR VIDRADO
— Como... Se sente?
— Estou bem Naruto.
Viu-a sorrir fracamente. Ela estava absurdamente pálida.
“Ela não vai aguentar por muito tempo.”
Uma voz em sua cabeça falou. Coçou o cabelo loiro.
— Irei me casar com a Hina-chan na próxima semana... Gostaria que você estivesse lá.
— Eu gostaria de estar lá Naruto. Mas desejo toda a felicidade do mundo para vocês.
— Desculpe.
— Ãhn?
– Quero te pedir desculpas. Eu... Não... Fazia ideia do que você estava passando e eu fui egoísta, não deixei que você se explicasse, eu sinto muito.
— Está tudo bem Naruto.
— Não, não está.
— Está sim.
— Sério Sakura-chan, eu sinto muito mesmo, eu... Fui um idiota em gritar com você daquela maneira.
— Está-...
— Tsunade nos disse o porquê você estar tão estranha, que você estava fazendo aquilo para proteger eu e a Hina-chan. Sinto muito.
Achou melhor não dizer a ela que sabia sobre o estupro. Não queria que ela lembrasse novamente.
Observou-a sorrindo fracamente, tão pequena, tão delicada. Seu coração se partiu em perceber que ele não havia a protegido como deveria, não havia cuidado dela.
— Está tudo bem Naruto, eu deveria ter te contado. Mas calma, já passou, está tudo bem.
— Sinto muito Sakura-chan.
— Sei que sim.
Pegou a mão dela que descansava ao lado do seu corpo e a segurou, embora ela ainda estivesse sem sensibilidade nas mãos, ela lhe sorriu. Apertou ainda mais a mão dela dentro da sua. Pensando que as coisas poderiam dar certo.
— Sasuke está em uma missão. E eu tenho que experimentar meu terno, se importa de ficar um pouco sozinha?
— Tudo bem Naruto. Vocês não precisam ficar vinte quatro horas atrás de mim. Vá provar seu terno, passe um tempo com Hinata, arrume as coisas do seu casamento, ficarei bem.
— Certeza?
— Sim.
— Certo, eu vou então. Assim que puder eu volto aqui, Sasuke deve voltar logo também.
Viu a expressão dela mudar quando ele pronunciou “Sasuke” pela segunda vez.
— Sakura-chan você ainda gos-...
O medo de perguntar se ela ainda gostava do moreno e acabar a machucando mais ainda fez as palavras congelarem em sua boca.
— O que?
— Nada, deixa pra lá. Vou indo. Qualquer coisa mande me chamarem.
— Está certo Naruto.
Quando Tsunade entrou no quarto, minutos depois de Naruto ter saído, pensou no pior que ela falasse que ninguém era compatível com ela, mas não soube o que era pior, não ter ou ter um doador, e no caso ele ser Naruto.
— Não quero atrapalhar o casamento de Naruto.
Tsunade olhou nervosa para ela, por que o compatível tinha que ser justo Naruto? Porque não poderia ser outra pessoa que não estivesse com o casamento marcado?
— Posso esperar até depois do casamento dele.
— Sakura... Os remédios estão acabando com você.
— O casamento dele é daqui sete dias, posso esperar até depois, eles vão voltar logo da lua de mel.
— Sakura...
— Eu vou aguentar até lá shishou, já esperei até agora.
— Sakura, estive conversando com Shizune, achamos que por causa da Kyuubi Naruto conseguirá se recuperar na metade do tempo.
— Não quero correr o risco de estragar o casamento dele.
— Sakura! Pare de ser tão inconsequente tão cabeça-dura pelo menos uma vez na vida! Você não está vendo que está por um fio?
Viu a cerejeira fazer uma careta.
— Sinto muito.
— Estamos todos aqui desesperados, correndo atrás de um jeito de te salvar, e é isso que você vai fazer? Simplesmente recusar sua cura?
— Não estou recusando, estou adiando.
— Sakura! Pare de brincar, você é médica, sabe a gravidade da situação.
— Não precisa me lembrar de que vou morrer.
Disse por fim, suspirando. Sua cabeça latejava, seu coração estava disparado e sua boca seca, resultados da discussão que para uma paciente do modo como ela estava era no mínimo estressante.
Apenas erguer alguns níveis sua voz, fez com que ficasse arfante, seu coração pulsava disparado, quase saindo pela boca. A dor na sua cabeça se intensificou e ficou zonza mesmo estando sentada.
♦ ♦ ♦
Enquanto pulava de árvore em árvore, com Shikamaru há alguns metros de si, lembrava no que Kakashi havia dito a ele antes de ir.
— Fui levar o relatório da missão para Tsunade, e ela me disse que você tem ido visitar Sakura, hum?
Não respondeu.
— Eu a visitei ontem, está bem fraca — Kakashi comentou.
— Eu sei.
— Você... Sabe que ela pode não sobreviver né?
— Ela vai.
— Tenho medo por você, dela não resistir.
— Hum?
— Tenho medo de você não aguentar outra perda.
Não respondeu nada, seu estômago deu voltas.
— Você a odeia?
— Nunca a odiei.
— Ela ainda gosta de você.
— O que quer dizer?
— Deveria fazer algo, antes que seja tarde demais.
— Uchiha? — O Naru o chamou.
— Hum?
— Como está Sakura?
Diabos, hoje todos iam lhe encher por causa dela?
— Está mal.
Não teve a delicadeza de mentir, ou fazer um eufemismo do estado de saúde da companheira de time, foi direto. Afinal eles não haviam tido delicadeza em abandonar a rosada quando ela sumiu por meses.
Todos tiraram conclusões precipitadas e simplesmente pararam de falar com ela. Observou o ninja ao seu lado afirmar com a cabeça e não dizer mais nada, apenas continuou pulando de galho em galho ao seu lado.
Quando chegou a vila, se despediu do companheiro com um aceno de cabeça. Ainda com o relatório da missão nas mãos, andando rumo a sua casa, passou em frente ao hospital.
Não soube dizer quanto tempo ficou em frente a grande estrutura, segundos, minutos, talvez.
Ficou irritado quando colocou os pés na escada de concreto, rumo à recepção, assinou a ficha na entrada, seu nome estava várias e várias vezes na lista, assim como o de Naruto e duas vezes o de Kakashi.
Andou nos corredores, subindo pelo elevador, até chegar ao quarto já conhecido. Alguém falava alto dentro do quarto, mas não conseguiu identificar quem.
Bateu duas vezes e abriu a porta, ficando admirado do número de pessoas que estavakm lá dentro, Tsunade e quatro mulheres vestidas impecavelmente de branco trabalham sem parar.
Só quando viu o corpo pequeno e esquio, se remexendo inquieto na cama, balbuciando palavras que ele não entendia foi que percebeu a gravidade da situação.
Um homem, claramente um ninja médico chegou as suas costas, segurando o seu braço com força.
— Você não pode ficar aqui agora.
— O que está acontecendo? — Sua voz se elevou, Tsunade percebeu sua presença.
Seu coração acelerou e sua boca ficou seca, alguém entrou com um desfibrilador nas mãos, mas tudo que ele via em sua frente eram borrões e cabelos róseos.
Sakura estava encolhida, agora já não se mexia mais, com os olhos grandes e verdes vidrados em algum ponto que ele desconhecia, colocaram uma máscara de oxigênio no seu nariz e parte da boca.
— Pare! — Disse irritado quando o homem tentou puxa-lo para fora do quarto — O que está acontecendo? Sakura!
Uma enfermeira passou carregando uma maca grande tentou se desvencilhar do ninja, mas suas forças pareciam esvaídas.
Pela primeira vez não pediram a ajuda dele, rapidamente se juntaram em volta da cama, e passaram à enferma – e os milhares de fios ligados a ela – para a maca.
O corpo pálido estava mole, não estava entendo nada, a única coisa que sabia era que seu coração estava aponto de sair da boca.
— Vai carregar o desfibrilador?
— O coração ainda está batendo — Tsunade disse olhando para uma das enfermeiras.
— Ela comeu algo?
— Está desde ontem sem comer.
— Ótimo, leve-a para a sala de cirurgia.
— Mas, agora? — Outra enfermeira perguntou.
— Sim, chamem Naruto, rápido! Quero-o aqui agora.
— Ainda nem contamos para ele, nem fizemos os exames necessários.
— Não temos tempo! Chamem-no logo.
Tentou novamente sair do aperto do ninja médico, mas ele colocou mais força. Claro que se quisesse poderia facilmente se desvencilhar do aperto do homem em volta de seus braços, mas suas forças pareciam ter sumido.
A maca estava sendo empurrada pelas enfermeiras e pela Godaime, mas ele somente se ficou no tufo de cabelos roseos amarrados em um rabo mal feito e com a cabeça pálida virada para o seu lado, naquele momento pensou ter visto os grandes olhos verdes olhando para si.
Fale com o autor