Espelho
17 Capítulo 17: TEMPO TODO
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 17: TEMPO TODO
— Ela... Não vai acordar?
Ouvia uma voz ao longe. Não entendia muito bem o que a voz queria dizer. Alguém tocou em si, ouviu seu próprio muxoxo. Tentou mover seu corpo, mas não conseguiu.
Suas pálpebras estavam pesadas. Tocaram novamente em si e colocaram algo em sua testa, não soube dizer quem nem o que. Abriu os olhos com dificuldade, fechou-os novamente pela forte luz que os invadiu.
Novamente alguém lhe disse algo, lhe perguntou algo, mas não entendeu. Tentou abrir os olhos mais uma vez. Eles doeram pela claridade, alguém pareceu perceber e a luz foi apagada.
Ainda sim estava claro pelos raios de sol que entravam pela janela, mas a pessoa não a fechou. Pode ver um cabelo loiro, não, não era Naruto.
O cabelo loiro estava arrumado em um rabo de cavalo baixo. Tsunade.
— Acho que ela não está ouvindo.
Não soube dizer quem havia dito aquilo.
— Ela me parece mal.
— Não.
— Deveríamos leva-la ao hospital.
— Ela está bem Naruto.
Conseguiu entender por partes o que as pessoas falavam, olhou para a janela, estava no seu quarto, agradeceu eternamente por não estar no hospital.
— Pode me ouvir Sakura?
— Re-mé... – Sua boca estava seca.
Alguém trouxe um copo de água e entregou para Tsunade. A loira levantou seu tronco e apoiou seu pescoço nas mãos, bebeu a água que lhe era oferecida.
Engasgou e tossiu duas vezes. Sua mente não conseguia calcular o que estava acontecendo.
— Remé-d...
Tossiu novamente. Apesar da água sua boca ainda reclamava, sua garganta doeu.
— Sakura o que você quer?
— Meus... — Suspirou, o ar parecia lhe faltar — Meus... Reméd-ios.
Alguém gritou em irritação.
— Não acredito que ela ainda toma aquilo!
— Está na cara que ela toma Naruto — A voz que respondeu era rouca, máscula, Sasuke.
— Eu... Preciso... Deles.
Tsunade lhe olhou com reprovação. Foi aí que entendeu o que estava acontecendo, sua conversa com Naruto... O noivado dele. Sua luta. Morte.
— Não você não precisa. Bem, pelo jeito você tirou a kunai envenenada a tempo, há pouco veneno no seu organismo e ele será retirado do seu corpo por si próprio. Quero que vá para o hospital assim que se recuperar, quero fazer exames mais detalhados em você. Preciso voltar para a torre, antes que sintam minha falta. Naruto vai lhe fazer companhia.
Assentiu. Tentou sentar na cama, Naruto veio lhe auxiliar enquanto via a Hokage passar por Sasuke que estava encostado no batente da porta e sair de seu apartamento.
O loiro lhe ajudou a levantar, mas não disse nada. Ela também não ousou fazê-lo. Viu Sasuke olhar para os dois e sair do batente da porta. Ele acenou com a cabeça para Naruto, até que ela ouviu o barulho da porta se fechando.
♦ ♦ ♦
No tempo que Naruto passou em sua casa eles não falaram sobre nada. Exceto coisas como ‘está com fome?’ ou ‘está com dor?’, fora isso nenhum assunto sobre eles.
Antes dele sair, havia lhe dito que alguém voltaria em seu lugar. Aquilo deixava claro que Tsunade havia mandado tratá-la como um bebê. Amaldiçoou mentalmente aquela besteira, ela não precisava de babás.
Dois dias depois já estava bem recuperada. Hinata tinha ficado com ela por um bom tempo nos últimos dias, apenas de não gostar daquilo ficava feliz por não ficar mais sozinha.
A morena não tocou no assunto sobre sua ‘revelação’, e ela também não, ainda se arrependia por ter contado aquilo para Hinata. Quer dizer, Hinata era uma moça centrada o que pensaria sobre ela depois daquilo? Não que ela tivesse tido culpa – não foi como se ela quisesse que isso acontecesse – mas era humilhante.
Tsunade tinha vindo lhe ver, havia jogado os potes de remédios que estavam no armário do seu banheiro fora, mas agradeceu por ter guardado alguns dentro na caixa azul marinho e por tê-la escondido dentro de um fundo falso de uma gaveta funda do seu guarda-roupa.
A loira havia dito que ela podia voltar a trabalhar quando se sentisse melhor, resolveu ir fazer o turno dessa noite, ainda estava com medo de andar sozinha à noite, mas poderia pedir para que sua próxima babá lhe levasse.
Imaginou que seria Naruto quando bateram na porta. Quando abriu e deu de cara com Sasuke, quase gritou. Ele não havia vindo nenhuma vez desde o dia em que acordou.
Não precisou dizer para ele entrar, já que ele entrou e se sentou no sofá. Ele estava com a cara fechada, não soube dizer se era por Naruto tê-lo obrigado a vir ver como ela estava ou se era por outro motivo qualquer.
Os cabelos dele estavam úmidos, e ele usava roupas civis. Olhou para sua roupa, ela usava um short jeans e uma blusa rosa amarela ridícula.
— Naruto lhe mandou vir aqui não foi?
Ele maneou afirmativamente com a cabeça. Sentiu suas bochechas corarem por Naruto tê-lo obrigado a fazer algo tão ridículo, como olhar uma adulta como se ela precisasse de uma babá.
— Você... Não precisava ficar.
Ele não disse nada.
— Eu... Estava pensando em ir para o hospital, trabalhar um pouco. Já que Tsunade não quer que eu saia sozinha, você pode me levar até lá? Assim você se livra de ficar aqui.
Novamente ele maneou com a cabeça em afirmação. Murmurou um “vou me trocar” e saiu do campo de visão dele. Correu até o quarto e abriu à gaveta, algum objeto caiu no chão, um pente.
Levantou correndo e olhou para o corredor, pode ver a perna de Sasuke e seu sofá, concluiu que ele ainda estava sentado na sala. Voltou e procurou correndo pelos comprimidos. Achou, abriu os potes, suas mãos tremiam pelo medo de ser pega no flagra – que ideia idiota Sasuke nunca se preocuparia em vir até ali.
Pegou três comprimidos de cada e os levou até a boca. Antes que pudesse chegar com as mãos até os lábios seu punho foi segurado com força. Os comprimidos foram arrancados de sua mão e jogados para longe com raiva.
— Que droga! Pare com isso Sakura!
O tom de voz dele lhe fez tremer. Que ideia idiota! É claro que ele desconfiaria que ela os tomaria. Tola! Sua mente gritou.
— Devolva! — Levantou tentando tirar os potes que ele também havia pegado.
— Droga Sasuke devolva! Não aja como se você se importasse!
Ele lhe lançou um olhar gélido, tremeu e percebeu a idiotice que havia falado.
— Desculp-e. Eu... Sinto muito.
— Tch.
— Sinto muito... Eu... Você tem sido legal, vindo me visitar ou em aceitar o que Naruto lhe pede, não merecia ouvir isso, desculpe.
— Tudo bem.
Desistiu de tentar pegar os comprimidos. Sentou na borda da cama sentindo-se derrotada, ainda podia sentir o olhar dele sobre si.
— Quem era aquele cara?
— Ãh?
— O cara de sexta-feira, quem era?
— Oh! — Não soube o que dizer, talvez pudesse contar, não do que acontecera com ela claro, mas de algumas coisas como da chantagem, mas optou por ficar quieta até falar com Tsunade — Ninguém importante.
Viu-o assentir como se entendesse, mas sabia que não. O que ela falara nem ao menos fazia sentido, afinal ela tinha matado o homem, não tinha como não ser ninguém importante. Droga! Sentia-se mal, sentia-se humilhada por Sasuke estar vendo-a daquela maneira, frágil.
— Por que está chorando Sakura?
Quando ouviu a voz rouca foi que percebeu que as lágrimas caiam em sua roupa. Amaldiçoou-se por estar chorando novamente na frente dele. Que humilhação.
Viu-o chegar mais perto de si. Ele agachou, ficando com os olhos no rumo dos dela, não soube dizer por quê. Mas quando ele pegou o único frasco que ainda residia vazio em suas mãos, sentiu que deveria estar corada. Havia pensado em tantas... Coisas e possibilidades... Com o rosto dele tão próximo...
Ele levantou rapidamente como se estivesse assustado com algo. Levantou-se rapidamente secando as lágrimas que ela nem sabia por que estavam ali, algo em seu peito se retraiu.
Olhou para o rosto centímetros acima do seu. Algo se retraiu em sua mente e novamente em seu peito, seus pensamentos ficaram confusos.
Só percebeu o que estava acontecendo quando seus lábios estavam pressionados sobre os de Sasuke, nada mais em sua mente fazia sentido, tudo estava confuso, seu coração acelerou-se no momento em que a língua quente de Sasuke percorreu sua boca.
Seu corpo se arrepiou instataneamente e algo se aqueceu em seu peito, a sensação de vazio havia sido substituída.
Não soube dizer quem havia começado aquilo.
Não sabia como agir, seu corpo ficou relaxado, e, finalmente descansou suas mãos no pescoço e na nuca, tocando os fios do cabelo úmido do Uchiha. Não se separam quando o ar faltou, respirou profundamente por um segundo e logo tinha seus lábios pressionados novamente.
Não soube novamente quem havia recomeçado, se era ela, ou ele. Preferiu acreditar que fosse ela, Sasuke nunca faria algo do tipo, mas mudou de ideia sobre esse pensamento quando sentiu as mãos dele na sua cintura.
Uma quentura subiu em pelo seu corpo, seu sangue pulsava nas veias parecendo trazer aquela quentura para si. Tudo ao seu redor ficou quente. Aquilo estava errado, sabia que estava, ele era Sasuke... Seu antigo-ainda amor, era seu ex-companheiro de time, o garoto que um dia lhe abandonou, o homem agora, o homem que ainda amava.
Acabaria se machucando mais e nem tinha ideia do por que aquilo estava acontecendo, nem porque ele estava lhe beijando com tanto... Fervor, muito menos por que ela estava correspondendo aquilo.
Quis tirá-lo dali, afastar o corpo dele do seu, mas seus braços, seu corpo, não correspondiam com seus pensamentos. Alguém gemeu, não soube dizer quem.
Tremeu dos pés a cabeça quando sentiu as mãos dele na barra de sua blusa. Parou o beijo abruptamente, mas não olhou para ele, não conseguiria olhar. Porém, as mãos dele continuavam na barra de sua blusa, sabia que Sasuke não seria ruim o suficiente como foram com ela, mas o medo apossou-se de si novamente.
Ele pareceu não perceber isso, dessa vez ela soube quem recomeçou o beijo novamente, foi ele, Uchiha Sasuke começara um beijo com ela e nesse momento sua blusa passava pela sua cintura, pelo seu dorso, pelo seu pescoço, pelos seus braços para finalmente descansar em algum lugar do seu quarto.
Não entendia mais nada. Depois que passou por aquele incidente, havia pegado um medo absurdo de homens, e não podia imaginar-se fazendo aquilo novamente, ainda mais com Sasuke, o cubo-de-gelo-Sasuke.
Ela pegara tanto medo, tanto medo de se deitar com um homem e o mesmo fazer a mesma coisa que fizera com ela, a machucar novamente... Porém com Sasuke ali, na sua frente, ela não sentia medo. Sentia-se segura.
E agora lá estava ela, beijando Sasuke, vestida com um short e um sutiã preto. Sentiu o sangue subindo nas suas bochechas e a deixando-as mais vermelhas do que já estavam – se é que isso era possível.
Não sabia o que estava fazendo, por que diabos estava beijando Sakura, sua companheira de time. E ainda para completar ela estava sem blusa.
Fazia tanto tempo que não ficava com uma mulher... Que o desejo percorreu todo o seu corpo. A ereção dentro de suas calças se intensificou quando sentiu os peitos dela pressionados sobre o seu, cobertos apenas pelo sutiã e pela sua camisa fina.
“Você é jovem Sakura, bonita, tem uma vida toda pela frente, não pode destruí-la desse jeito, você é inteligente, pode arrumar um bom homem, alguém legal... Se casar e ter filhos... “
Sasuke passou a mão pela sua cintura exposta, e desceu até suas pernas parando em sua coxa exposta pelo short curto.
“Está na hora de recomeçar Sakura, talvez encontrar alguém, ter encontros, toda mulher quer ter uma família Sakura.”
Colocou as mãos pequenas na barra da blusa de Sasuke, mas não teve coragem de puxá-la, tinha medo da reação dele.
“Eu não posso... Não posso me casar.”
O interior de suas calças doeu ainda mais, quando sentiu as curvas delicadas da cintura de Sakura sobre suas mãos, ela estava magra, talvez magra demais, mas ainda sim conseguia fazer com que ele sentisse aquele desejo insano.
Sua mente estava confusa.
A mente dela estava confusa.
“Não posso me casar Hinata, nenhum homem jamais irá querer casar comigo, não posso me casar, não posso... Não sou pura Hinata, não mais...”.
Não sabia mais o que pensar, aquilo era tão... Errado, como olhariam um para o outro depois daquilo, o que... Aconteceria depois daquilo?
“Alguns meses antes de eu sair para a missão que me deixou longe daqui por vários meses...”.
No momento em que as lembranças atingiram sua mente podia sentir as mãos de outro tocando seu corpo. A língua exigente em sua boca lhe tirou dos seus pensamentos de parar aquilo.
“Eu fui estuprada Hinata... Eu não queria Hinata... Não queria.”
Foi aí que finalmente uma luz acendeu-se em sua mente. Separou-se dos lábios de Sakura, abrindo os olhos e ofegando, foi aí que pela primeira vez, vendo o colo nu de Sakura, coberto apenas pelo sutiã pode ver uma marca, praticamente antiga, de algo que não pode identificar.
A marca ficava acima de seu seio direito, uma marca um pouco mais escura do que sua própria pele e foi como se aquela marca ligasse com seus pensamentos em sua mente, foi ai que dessa vez imaginou outro homem tocando Sakura.
Ela tentou beija-lo novamente, confusa pela sua pausa repentina. Desviou. Ela parou e o olhou com os olhos verdes. Percebeu que ele olhou para a cicatriz em seu corpo, foi como se sua mente ligasse todos os fatos.
Sentiu ele se afastando mais de si, o fogo sumiu como se tivesse recebido um banho de água fria, cambaleou até a beirada da cama, sentando desajeitada enquanto as lágrimas se formavam em seus olhos e escorriam pela sua bochecha.
Então naquele dia... Enquanto contava tudo para Hinata, não fora uma pessoa qualquer que ouvira sua conversa como ela tinha pensado, havia sido Sasuke. Sasuke sabia de tudo. O tempo todo.
Estava humilhada. Ficou daquele jeito até que percebeu que Sasuke não estava mais no seu quarto, levantou e quando estava prestes a chamá-lo ouviu a porta da frente do seu apartamento sendo batida com força.
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