Especial de Halloween
2 Parte 02 de 04
Notas iniciais
Inuzuka Kiba chegou à empresa às onze horas da noite em ponto. E Aburame Shino já estava por lá, esperando à frente do grande prédio de vinte e oito andares. O homem vinha com os misteriosos trajes de sempre: casaco cinza longo, gola alta e óculos escuro; uma visão um tanto sinistra se comparada ao jeito desportivo de Kiba: jaqueta com pelos na gola e nas mangas e calça moletom preta.
Eram meados de outono. Konoha costumava ter um inverno rigoroso e logo na estação antecedente já se percebia a promessa de um frio desafiador vindo por aí. Kiba era especialmente fraco para o frio. Ele nasceu como um homem do verão, que amava calor, dias longos e quentes, banhos de rio e a liberdade de usar roupas leves. Em resumo, odiava frio, como revelava a ponta do nariz avermelhada, os olhos um tanto lacrimejantes por causa do vento cortante e a touca de lã colorida sobre os cabelos castanhos rebeldes.
Em contrapartida, Shino parecia a elegância em pessoal, alguém nascido para viver bem com as roupas de inverno, combinando demais com a estação gelada.
— Boa noite — cumprimentou ao chefe e fungou o nariz que escorria. Frio de merda.
— Boa noite, obrigado por vir me ajudar.
— E qual o problema que tirou o patrão da festa da empresa?
— O fantasma que está preso no terraço do prédio.
— Ah.
Foi a única coisa que Kiba se atreveu a dizer, enquanto mil coisas desfilaram em sua mente em questão de um segundo. Seria uma brincadeira? Teriam câmeras escondidas? Estava sendo punido por mentir para o chefe? Alguém achava graça de pegadinhas assim? Se fosse parar na internet ficaria famoso?
— Na crença popular, onze horas da noite é um horário místico. O número representa um portal aberto, então em teoria dois mundos podem se conectar.
— Ah.
A pequena silaba escapou de novo. Shino era um excelente ator, falando daquela baboseira em um tom sério e com uma expressão misteriosa no rosto, como se realmente acreditasse no que disse.
— Você afirmou que fica mais sensitivo na noite de Halloween, eu nunca pensei em tentar exorcizar o fantasma nessa noite.
— Calma, espera! — Kiba agitou as mãos, saindo do torpor — Então você está me dizendo que tem um fantasma no prédio, no terraço? E que você tentou exorcizar essa coisa antes? E... eu entendi bem?
— Sim — um aceno de cabeça veio confirmar as teorias — Desde que meu avô comprou o prédio, o terraço tem ficado trancado por isso. No começo sofremos uma série de acidentes inexplicáveis. Já contratei videntes, monges e sacerdotes, nada resolveu. Como o seu clã tem afinidade com fantasmas e você é um funcionário há algum tempo, talvez seja mais efetivo.
“Acidentes inexplicáveis”? Kiba nunca ouviu nada a respeito! Mas lembrou-se que o vigésimo oitavo andar estava sempre trancado. E ninguém tinha permissão de ir ao terraço nem para fumar, prática comum em outras empresas.
Nunca soube nada sobre pessoas vindo ali abençoar o prédio. E olha que pouca coisa é mais rápida do que a velocidade da fofoca! Dentro do ambiente de trabalho então. A “rádio peão” parecia ser o único setor que nunca tirava folga ou férias, funcionando em tempo integral (às vezes até em tempo real...).
— Shino, digo, chefe, eu disse que vejo fantasma. Daí você deduziu que sou capaz de espantar esse bicho?! — de repente um arrepio gelou a nuca do rapaz e Kiba esteve a um passo de contar a verdade.
O dono da empresa não teve certeza da adequação de se referir à uma assombração como “bicho”, embora o detalhe não fizesse diferença na resposta:
— Sim. A afinidade do seu Clã...
— Fique tranquilo — Kiba cortou a explicação, acertando um tapa amistoso no ombro alheio — Sou capaz de evaporar com esse problema! — garantiu o cara que nunca viu um fantasma na vida e não exorcizava nem as contas atrasadas.
Em seguida ele ergueu o rosto e observou o prédio alto, um dos maiores da área, que ocupava praticamente todo o quarteirão. Notou uma luz lá no alto piscando antes de apagar de vez. Hesitou meio segundo antes de sorrir exibindo os dentinhos afiados e exclamar:
— Vamos por esse Poltergeist pra correr! — não acreditava em fantasmas. Talvez devesse fazer um teatro, ganhar uns pontinhos com o chefe e ficar bem na fita!
Shino ajeitou o óculos no rosto.
— Se trata de um Poltergeist? — ficou surpreso de não ser simplesmente um espirito preso ao térreo — Eu não vejo fantasmas, mas de vem em quando posso senti-los. O Clã Aburame já controlou kikaichuu místicos no passado. Herdamos certa clarividência, mas é quase insignificante.
Então Kiba desfez o mal entendido acertando um segundo tapa nas costas alheias:
— Foi só um jeito de falar! Mostre o caminho para o térreo, chefe. Vai ser rápido e fácil resolver esse problema!
Ele garantiu com toda a certeza do mundo, mal sabendo que não. Não seria rápido, muito menos fácil enfrentar o que vinha pela frente! E ele passaria por tudo completamente inconsciente...
Fale com o autor