Notas iniciais
Oie :3 Como passaram o Natal? E o Ano Novo?

Acreditar nele foi a pior coisa que eu já havia feito. Eu deveria saber que eu nunca quebraria as barreiras dele e eu jamais deveria ter deixado-o quebrar as minhas.

Eu estava numa rotina desde então: Acordar, pegar um livro na estante, ir a cafeteria e tomar um chá — sim, eu prefiro chá — enquanto observo as pessoas em seu trajeto de início de dia.

Hoje, porém, estava diferente. Não havia todas aquelas pessoas correndo. A decoração de natal ainda permanecia nas ruas, apesar de já ter passado. Todos estavam em suas casas quentinhas tomando chocolate quente e aproveitando o novo ano que chegara.

Hoje eu não trabalhava, mas ele sempre começava mais tarde. Eu gostava de acordar cedo e tomar um chá, enquanto lia parte dos livros. Na verdade eu tinha dislexia, mas era meio fraca, por isso não era tão complicado.

Minha rotina acabou ficando melhor com um certo moreno que ia todos os dias no mesmo horário na cafeteria. Seus cabelos eram bagunçados, mas ao mesmo tempo organizados. Estava sempre vestido socialmente.

Me sentei na mesma mesa de todos os dias e acenei para a garçonete. Ela já conhecia o meu tradicional pedido. Coloquei o livro em cima da mesa e o abri. Segundos depois alguém pigarreou ao meu lado. Ergui os olhos e encontrei o cara do terno.

— Posso me sentar? — eu acenei em afirmação. Ele sorriu e tomou a cadeira à minha frente. — Sou Travis. Travis Stoll. E você é...?

— Katie Gardner. — falei em tom baixo. Ele sorriu. Pela primeira vez reparei nele, pois até ali só havia reparado em seus cabelos. Travis tinha olhos azuis travessos. Seu sorriso era incomum e eu tinha que admitir: Travis era charmoso.

— É um nome lindo. — Era óbvio que está me cantando. A garçonete chegou com o meu pedido e o dele, que também era chá.

— Obrigada. — respondi a mulher. — Você gosta de chá? — perguntei curiosa e animada. Sabia que a pergunta era óbvia, já que é isso que ele está bebendo. Ele soltou uma leve risada, como se pensasse o mesmo que eu, mas respondeu educadamente:

— Sim. Eu fico muito agitado ao beber café. — ele se aproximou da mesa como se fosse contar um segredo. — Não ria de mim, mas eu tenho TDHA.

— Por que eu faria isso? Eu também tenho. — Ele me olhou surpreso e feliz ao mesmo tempo.

— Sério? Isso não é tão comum. Não é como seu eu encontrasse uma mulher bonita que gosta de chá e que não vá se afastar, pois eu possuo algo que é classificado como uma doença. — pela primeira vez em dias eu me permito sorrir.

— O que te faz pensar que eu não vou me afastar? — ele me olhou travesso e com um toque de “Eu sei mais que você” me respondeu:

— Você poderia ter feito isso no momento que eu parei ao seu lado, mas preferiu me conhecer. Dá pra perceber Gardner. — eu acabei rindo. — Vamos lá, me fale mais alguma coisa sobra você. Eu quero te conhecer melhor.

— Eu tenho dislexia. — falei tamborilando os dedos inquietos na mesa. Ele me olhou novamente surpreso e feliz.

— Eu também. Mesmo assim trabalho em um escritório. — ele afrouxou o nó da gravata que parecia incomodá-lo. — Minha vez: Eu sei falar grego antigo. — disse ele.

— Parece que somos bem parecidos. — Travis bebeu um pouco de seu chá e eu fiz o mesmo. Observei-o um instante e me lembrei que era minha vez de falar alguma coisa. — Eu amo plantas. Tenho um jardim enorme no fundo da minha casa.

— Por onde você se escondeu por tanto tempo? — eu ri e ele logo me acompanhou. Decidi guardar meu livro, já que obviamente eu não o leria. Nesse momento eu quero apenas curtir o clima com Travis. — Eu tenho uma mania de aprontar com as pessoas. Eu gosto muito de fazer pegadinhas.

— Talvez você seja filho de Hermes. — ele me olhou espantado, mas mão era como se não conhecesse isso. Era diferente. Ele estava surpreso por EU conhecer isso.

— Conhece mitologia grega? — perguntou colocando a fina porcelana em seu lugar. Acenei com a cabeça, concordando. — Por essa eu não esperava. Seguindo seu raciocínio, eu acho que você talvez seja uma filha de Deméter. — Eu sorri e tomei o último gole do chá. Ainda estava cedo de modo que pedi outro. — Eu não acredito. — falou depois de um tempo.

— Em que? — perguntei comendo um pedaço do bolo de baunilha que havia pedido.

— Em como eu demorei a criar coragem e falar com você. Eu juro que achei que teríamos um silêncio constrangedor, mas não. — ele pegou um garfo e pediu com olhar um pedaço do meu bolo. Eu acenei com a cabeça em concordância. Ele colocou o pedaço de bolo na boca e o aproveitou. Eu ri de sua expressão. — Sério, por onde você se escondeu tanto tempo?

— Eu terminei um noivado há algumas semanas. — Não havia nada em minha voz ou expressão dizendo que estava incomodada com o assunto. Travis levou isso como uma oportunidade para continuar.

— Por quê? — eu suspirei, mas realmente não me importava.

— Ele não me amava realmente. Tom era muito superficial. Cheio de traumas do passado. Ele terminou comigo pelo medo de assumir um compromisso tão sério.

— Eu não sei se bato nele ou o cumprimento por te deixar livre para eu tentar te conquistar. — eu ri, mas corei. — Mas que homem idiota! Quem não iria querer se casar com você?

— Você quer se casar comigo? — perguntei. Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele instante. Alegria, surpresa e confusão, mas em momento algum eu tive medo. Minhas barreiras ainda estavam fracas, mas eu não me importaria se Travis entrasse na minha vida naquele momento.

— Talvez não agora, mas tenha certeza que você seria uma esposa perfeita para mim. — eu sorri mesmo sem querer. — Mas não tenho certeza quanto a resposta.

— Talvez eu não recuse. Mas depois de um tempo, é claro. — Travis me olhou com um fio de esperança. Ele acenou para a garçonete pedindo a conta. O moreno pegou um guardanapo e marcou um número e um endereço.

— Se você quiser me encontrar. — falou me entregando o pedaço de papel. Tomei a caneta de sua mão e marquei meu número em seu braço.

— Se você quiser me encontrar. — repeti suas palavras com um sorriso brincalhão. Travis riu e fez questão de pagar a conta.

— Vamos dar uma volta? — perguntou estendendo a mão. Olhei para ela e mordi o lábio inferior. Talvez minha vida mude agora. Talvez essa seja a oportunidade para inovar. Eu preciso agarrá-la antes que fuja.

— Adoraria. — falei aceitando sua mão.

Notas finais
Espero que o ano seja especial pra vocês :3 Se tiver algum erro me avisem :3