Notas iniciais
Feliz Ano Novo atrasado, semideuses!! Espero sinceramente que gostem dessa, beijos!!

– Miranda. — Katie chorava, e mesmo depois da irmã tentar acalmá-la de todas as formas possíveis ela continuava chorando. Uma péssima maneira de passar o Ano Novo.

– Sim? — A mais nova acariciava os cabelos ruivos da outra, tentando fazer com que ela esquecesse a cena que presenciara.

– Sabe por que eu chamo isso — mostrou a caixa de bombons de cereja para a irmã — de bombons de emergência?

– Não, por quê? — Miranda limpou uma lágrima que escorria pela bochecha da conselheira-chefe enquanto essa abria outra embalagem do doce, colocando a trufa na boca.

– No meu primeiro Natal aqui a única coisa que eu queria era ficar sozinha, sabe, num canto. — A irmã não a interrompeu. — Ai os Stolls me arrastaram para uma guerra de bolas de neve, foi minha primeira, entende? — Sorriu fraco. — Eu nunca tinha brincado com crianças antes. — Miranda não pode evitar sorrir também. — E aí, quando eu voltei para o chalé na noite eu encontrei... Abra a gaveta. — Acenou para o criado-mudo, e a mais nova obedeceu. — Colado na parte de cima, um envelope, pode abrir. — Ali dentro tinha uma embalagem cuidadosamente dobrada e um bilhete, que Miranda leu e não evitou o riso fraco. — Foi o único presente de Natal que recebi naquele ano, e aquela trufa foi a única coisa que me fez sorrir e suportar o réveillon. — Katie suspirou olhando para o teto. — Mas agora não está funcionando. Bateu na caixa de bombons jogando a no chão, somente dois ainda não tinham sido comidos. — Eu não acredito que ele me deixou. — Olhando para Miranda com os olhos marejados balbuciou a frase que acompanhou todo o dia das duas. — Ele foi embora, Mi, ele me abandonou no Ano Novo.

– Não foi culpa dele, Katie, ele não pôde evitar.

– Ele podia... Ele devia! Ela não estava aqui quando ele chorou a morte do pégasus favorito! Ela não estava aqui quando Connor foi sozinho para uma missão! Ela não estava aqui para fazer uma festa surpresa pra ele! — Miranda rapidamente juntou um bombom do chão e Katie mordeu agradecida. — Ela só apareceu aqui e levou ele de mim! Do nada!

– Kay, você tem que entender... — Ela também sentia falta de Connor, mas entendia. Por que para Katie era tão difícil?

– Não é o que você está pensando, Mi... — Soluçou a mais velha. — É que ele me prometeu, no dia 1° daquele ano, que eu nunca mais ia ficar sozinha no ano novo.

– Você não está sozinha, eu estou aqui com você. — Acariciou os cabelos da irmã, mesmo sabendo que o consolo era inútil.

– Ele disse que eu sempre poderia bater nele no Ano Novo. Era uma tradição Miranda! Eu o batia todo Ano Novo! — Fechou os olhos encostando a cabeça na cabeceira da cama. — Nosso primeiro beijo foi no Ano Novo. — Ela sorriu a lembrança. — Eu fui bater nele e ele pegou minha mão, eu ri e antes que pudesse perguntar qualquer coisa ele estava me beijando. Era assim todo ano desde então, eu dava um tapinha em seu ombro e ele me beijava. — Sentou na cama. — Eu queria tanto que ele estivesse aqui...

– Ele vai estar no ano que vem e em todos os outros, e se contarmos os anos bissextos esse não é o Ano Novo de verdade, vocês podem comemorar quando quiserem.

– Eu o amo, Miranda. Ela não ama ele como eu o amo. — Olhou para a irmã com sinceridade e a dor da traição brilhando nos olhos. — Ela nunca foi mãe dele. Nunca.

– Isso se chama espírito natalino, nele temos incluso o perdão. — Miranda sorriu de lado e puxou Katie da cama. — Por que você não fica feliz e tenta conhecer sua sogra quando ela voltar?

– E se ele não quiser voltar? É a mãe dele, afinal, eles podem querer ficar com ela. — Novas lágrimas voltaram a escorrer pela sua face. — Ele já tem treinamento suficiente para se virar no mundo mortal, pode querer ficar por lá, de qualquer forma. — Então era isso que a incomodava. Não era o fato de tê-la trocado na noite de Ano Novo pela companhia da mãe, era o risco de serem separados. Isso fez com que a mais nova sorrisse ternamente.

– Ele te ama, Katie, não tem amor maior do que aquele que a gente tem por opção do coração, e não obrigação do sangue. — E limpando uma última lágrima que escorria completou. — Ele vai voltar, ele sempre vai voltar.

Foi a pior noite de Ano Novo que Katie já passou em toda sua vida, mas foi o melhor dia 4 de todos, quando no alto da colina ela chorou abraçando o rapaz que amava, enquanto ele a segurava forte contra si. Quando por fim se soltaram a filha de Deméter bateu tanto nele que ele teve que se proteger o rosto para não deixar marcas.

– Nunca. — Disse ela apontando o dedo em riste. — E eu disse nunca mais me abandone no Ano Novo, entendeu Stoll? — E então se beijaram apaixonadamente, até que Travis interrompeu o momento com um sorriso.

– Nem no Ano Novo nem em qualquer época do ano, Garnder. — E sussurrando contra sua boca completou. — Nunca mais.

Notas finais
Como foi o Ano Novo de vcs?? Estão gostando do Especial?? Vai até o dia 15 e ainda tem gente que não apareceu hahahah