Notas iniciais
Olá tratie shippers! Primeiramente: FELIZ NATAAAAAAL, ESPERO QUE TENHAM GANHADO ÓTIMOS PRESENTES Eu não ia escrever uma tratie de natal, ok? Mas eu vi as meninas (acho que todas são meninas) postando ones de natal aqui e eu estava animada, então, comecei a escrever hoje de madrugada. Postem reviews, bando de malandrões e malandronas, eu to de olho, entenderam? Boa leitura!

É Natal. Mas eu não me importo. Papai Noel não existe.

Olhei através da janela embaçada pela neve todos aqueles campistas retardados vestindo suéteres com motivos natalinos estranhos e rindo de uma bobagem qualquer.

Connor entra, vestindo um suéter verde com uma estampa de rena de nariz vermelho. Super original, hein.

— Você não vai sair de cima desse beliche nunca?

— Você não vai perceber que esse suéter é patético e que você é mais patético ainda nunca?

Ele me olhou irritado e apoiou os pés na cama de baixo, segurando-se na minha cama:

— Cala essa boca seu filho de uma puta! — nós não somos filhos da mesma mãe, seu idiota? — Levanta essa bunda gorda da cama e vamos pra ceia!

O encarei com desdém. Sério? Sério mesmo?

— Connor. Por favor. Até parece.

Ele revirou os olhos e riu sacana.

— Você é um bundão, sabia?

Sentei na cama, com as mãos apoiadas e ergui uma sobrancelha.

— Só porque a jardineira te deu aquele chute, não, melhor, aquela voadora quando você a chamou para ser o par dela, não quer dizer que você não precisa ir.

Sabe aquela vontade de socar alguém até que ela se engasgue com os próprios dentes e então os dentes mastiguem seu interior? É isso que eu estou sentindo agora. Eu poderia socar Connor, se para isso, não consistisse levantar da cama. Mas como faz parte do processo, apenas um olhar mortal deve servir de recado.

— Olha aqui imbecil, não é nada disso, ok?

— Então o que é, meu bem? — Connor riu, enrolando um cacho daquele cabelo seboso com os dedos, como aquelas malditas filhas de Afrodite que ele andava se enrolando.

Abri a boca pra responder e o cara das respostas legais estava sem nenhuma.

Ele deu aquele risinho maldoso e pulou para o chão, ajeitando a barra do suéter.

— Vamos lá seu trouxa! Vai haver garotas, bebida e quando você cansar pode voltar para o chalé e ouvir sua Adele, chorar contra aquele seu travesseiro fedido e lastimar o dia que Katie nasceu.

O olhei de cara feia.

— Você não sabe nem o que significa lastimar, seu panaca.

Connor pegou uma escova de cabelos que estava sobre a cômoda e cantou, com aquela voz de pato fanho dele:

— NEVER MIND, I’LL FIND SOMEONE LIKE YOOOOOOOOOOOOOOOUUUUUUUUU...

O que eu fiz para merecer isso?

Fui até o baú e peguei uma roupa social. Jeans, camisa e blazer, porque aquela ceia ainda era um evento formal. Mas eu vou de all star, EU VOU.

Connor pigarreou e me virei para olhá-lo. Lançou um embrulho na minha direção e eu o encarei confuso.

— Seu presente, viado. E você é obrigado a usar, se não, espalho suas fotos daquela vez que você se vestiu de mulher e saiu desfilando pela casa.

E o mesmo saiu desfilando aquela bundinha arrombada para fora do chalé.

Suspirei derrotado, encarando o embrulho vermelho em minhas mãos. Quer merda ele planejou?



Só pra deixar bem claro pra vocês. Connor é um cara bem idiota. Tipo, idiota mesmo.

Como se não bastasse me arrastar pra um jantar que eu não quero ir, ele quase — quase — me igualou a todos aqueles retardados vestindo trajes com estampas natalinas.

O maldito presente era um suéter cinza. A droga de um suéter cinza com um rosto de raposa bem no meio do peito. Era tão grande que não tinha jeito de esconder, nem que eu fechasse o blazer.

Eu vou bater no meu irmão.

To pensando em usar essa merda de suéter do avesso.

Caminhei até o pavilhão, fazendo de tudo para que ninguém visse a estampa do meu suéter.

— Olá Fox, onde está a Megan? — riu Connor erguendo uma taça de plástico com um líquido avermelhado dentro.

O fuzilei com o olhar, desejando uma morte lenta e dolorosa para aquele feioso tão parecido comigo — só que eu sou mais bonito.

— Espero que isso tenha uma dose bem grande de álcool — reclamei apontando para a taça dele, e depois a arranquei da sua mão e entornei.

Fiz uma careta, mas não porque a bebida desceu rasgando e sim porque aquela merda estava gelada pra caramba. Acho que meu cérebro congelou.

— Desculpa, não dessa vez, cara.

Dei de ombros e lhe devolvi a taça vazia.

— Não vão batizar nada esse ano? — perguntei com as mãos nos bolsos da calça.

— Sr. D está no acampamento e só de mencionar o fato de misturar alguma coisa alcoólica nas bebidas, ele pareceu. Nem arriscamos.

Meneei com a cabeça e seguimos para uma mesa onde nosso grupo habitual estava. Todos podiam sentar-se à mesa que quisessem porque era uma confraternização e blá-blá-blá.

Sentei na ponta do banco, no lado de Thalia, no lado triste da mesa. Connor sentou do lado oposto da mesa e na outra ponta, a parte animada da mesa.

E lá estava Katie. Com o cabelo trançado. De vestido vermelho de mangas longas. E com aquele sorriso lindo.

Que maricas.

Coloquei no prato um pedaço grande de porco assado, algumas fatias de abacaxi e batatas assadas. E hoje não precisávamos fazer oferenda. Não me pergunte por quê.

O porco estava temperado no ponto e extremamente macio e delicioso. As batatas tinham um gosto suave de alecrim e o abacaxi era um doce anestésico para meus lábios.

Ok, isso foi realmente muito gay.

Eu nem sei direito o que é alecrim.

— Está tudo bem, Stoll? — a punk questionou, levando um pedaço de brócolis até a boca.

Ergui os ombros, sorrindo sem emoção.

— Acho que sim. E com você?

Thalia deu de ombros e voltou à atenção para seu prato.

Levantei, pegando minha taça de plástico com refrigerante de morango e segui rumo à praia. O clima estava realmente frio, a neve tinha dado uma trégua.

Fiquei parado em pé, apreciando as ondas quebrarem calmas na areia.

Eu estou menos mal-humorado — o que a comida não faz por uma pessoa? —, mas não menos irritado. Eu estou bastante irritado. Com Connor, Katie, meu pai, minha mãe. Principalmente com Katie.

Connor me fez usar aquele suéter idiota e me chantageou. Mas não é a primeira vez.

Papai não mandou nem um cartão de feliz natal ou qualquer sinal de vida para mim, ou para qualquer um dos meus irmãos. Mas também não é a primeira vez.

Mamãe finge que não existimos. Que não ficamos nove meses em sua barriga, a engordando e fazendo suas costas doerem. Finge que nunca foi mãe. E sim, não é a primeira vez.

E Katie.

Ah Katie.

Ela e eu parecíamos começar a nos acertar, depois de anos de brigas e discussões. Eu estava cada dia mais feliz com a sua presença cada vez mais constante no meu dia-a-dia. Estava cada dia mais viciado em seu sorriso, em sua risada, em suas frases irônicas, em tudo que viesse dela.

Estava cada dia mais apaixonado por Katie.

E daí eu a convidei para ser meu par hoje. Como amigos, sabe.

E ela me disse não. Um não bem grande. Com todas as malditas letras.

Ela ia ir com Pólux.

Com o Pólux.

COM O PUTO DO PÓLUX.

Ela detesta aquele imbecil. Tem nojo das brincadeiras maliciosas dele, dos abraços cheios de mãos bobas, daqueles sorrisinhos sacanas quando meninas bonitas passam por ele. O cara é um completo pervertido.

E ela aceitou o pedido dele.

Não o meu.

Ela me disse não. Um não.

Vocês não estão entendendo, ELA ME DISSE UM NÃO.

Ok, compostura cara.

Tomei um gole do refrigerante e sentei na areia.

Katie não me deu uma droga de satisfação sobre isso. Apenas disse que ia com Pólux. Não me explicou por que e nem nada. Apenas foi.

Não conversamos mais desde aí. E eu nem fiz questão de ir atrás dela. Apesar de estar sentindo muito a falta dela e da sua risada — e de tudo mais, pra assim, ficar menos maricas.

Eu queria muito falar com ela. E abraça-la. E beija-la. E tudo mais.

Mas eu sou não assim. As pessoas que vem atrás de mim. Atrás de coisas, de favores, de beijos. Nunca eu.

Suspirei, observando uma onda quase tocar a sola dos meus tênis. Fui um pouco mais para trás e larguei a taça na areia novamente.

Apoiei o rosto nas mãos e fechei os olhos.

— Acho que é tarde demais para ser religioso, ladrãozinho.

Virei o rosto na direção da voz e lá estava Katie, sentando-se na areia ao meu lado.

— Nunca é tarde demais para nada — isso pareceu uma indireta?

Ela concordou com a cabeça e ficamos encarando as ondas, em silêncio.

Passou uma brisa gelada por nós e Katie se encolheu.

— Está frio, não é? — esfregou os braços para se esquentar.

— É — ajeitei o blazer, e acho que pareceu que ia oferecê-lo, porque ela ficou me olhando esperançosa. — Pode ir tirando o cavalinho da chuva, também estou congelando aqui.

Katie revirou os olhos e bateu no meu braço.

— Vem cá — estiquei o braço, para que ela pudesse se acomodar em mim.

Ela abraçou minha cintura e deixei minha mão em suas costas.

O cheiro do seu cabelo era uma coisa realmente boa.

Eu gostava muito de Katie. Adorava passar meu tempo com ela, zoando das pessoas que passavam e das vezes que ela não conseguia pronunciar uma palavra difícil.

Eu ria das suas piadas mal contadas, porque vê-la tentando lembrar qual é a razão da piada ser engraçada era o ápice da graça.

Eu brincava com seu cabelo, lhe fazia cócegas, ficava com ela todo o tempo possível porque sabia que essa era uma das dicas para garota perceber que o cara está interessado.

Mas ela não percebeu.

Eu gosto de Katie. Não era um gostar do tipo “eu gosto de ir ao shopping”, era um gostar do tipo “eu gosto de pizza”.

E eu amo pizza.

E acho que a Katie também.

Não sei se estou sendo suficientemente claro.

Acho que sim.

Resolvi jogar as cartas na mesa.

— Kat-kit — ela me olhou sorrindo e eu pensei em derreter. — Porque você veio com Pólux?

Ela suspirou, olhando para as mãos.

— Eu... Eu não sei. Ele pediu e eu pensei “se eu não aceitar, eu vou acabar indo sozinha”.

Franzi as sobrancelhas.

— Você sabe que essa foi uma das coisas mais idiotas que você já disse? — ela riu sem graça. — Sério, vai direto pra lista “coisas idiotas que Katie diz”.

— Eu sei. Mas, eu pensei... — deixou a frase morrer.

— Pensou...? — incentivei.

— Pensei que você fosse ir com alguma filha de Afrodite. Ou Apolo.

Juro que estou vendo o rosto da Katie ficar mais vermelho. Será que realmente não batizaram o refrigerante?

— Ok Katie, outra coisa que vai direto pra lista. Dois itens em menos de cinco minutos, isso é um novo recorde! — sorri e ela me sorriu, ainda sem graça.

As mãos dela deveriam ser uma coisa bastante interessante porque ela não parava de encara-las.

Ah doce Katie.

— Ei, olhe para mim — puxei o queixo de Katie, e ficamos muito perto.

Encostei nossos lábios.

Uma coisa que eu simplesmente detesto: gloss. As filhas de Afrodite amam aquilo. Aquela coisa gruda na tua boca e parece que o beijo não flui da maneira que tem que ser.

Mas Katie não usa gloss. Nem batom. Só meus lábios.

E ela pode usar quando quiser. Sem pedir, aliás.

Separamos-nos e ela segurava meu rosto.

— Agora, até eu estou tentando entender porque aceitei o convite de Pólux — Katie sussurrou em meu ouvido.

Ri e a beijei de novo. E mais uma vez. Consegui sentir o gosto de morango na boca dela. Isso é normal de filhos de Deméter?

— Você comeu morangos? — perguntei com os lábios dela na minha boca.

Ela assentiu e aprofundou o beijo. Menos mal.

Sério, perdi a conta de quantas vezes nos beijamos.

Deitamos na areia, sorrindo como tontos. E eu estava um pouco. Tipo falta de oxigenação no cérebro. Ou sei lá.

— Jardineira.

— Hm?

— Eu gosto de você — ela me olhou, mordendo os lábios. Não faça isso — Talvez eu até te ame, sabe. Mas só um pouquinho.

Ela riu. E me beijou mais uma vez — isso poderia virar rotina.

— Acho que também te amo, ladrãozinho.

E me beijou.

— Aliás, adorei o suéter.

Como essa garota me beija.

É Natal. Eu continuo não me importando. Continuo não acreditando em Papai Noel ou coisa parecida. Mas não estou mais mal-humorado. E agora, eu tenho a Katie.

É, caras, eu tenho Katie!

E um suéter horrível que ela adora.

Obrigado Connor e seu maldito suéter.

Notas finais
Gostaram? Não esqueçam de deixar reviews, ok? Não só na minha história, como na das meninas também! Reconhecimento nos faz escrever muito mais rápido e com mais vontade, então, colaborem criançada (isso ficou muito sessão da tarde?) Aproveitem o resto do feriado, beijo