Notas iniciais
Bom se chegaram até aqui não irão se decepcionar, fui totalmente sincera na sinopse e espero que quem leia sinta o mesmo que eu quando escrevi e vi a cena entre meus pais.

Girei a chave da porta com lentidão, tinha feito de tudo para adiar minha volta para casa, mas mesmo assim justo hoje doze de junho eu não conseguia virar a noite com minhas amigas ou coisa do tipo, dia dos namorados e eu estava aqui sozinha.

Assim que o ar frio do apartamento me atingiu meu coração se apertou de saudade, segurei as lágrimas até pelo menos chegar à cama e tirei os saltos altos colocando-os no chão em seguida a bolsa foi parar no sofá também, caminhei para o banheiro retirando os cílios postiços e depois passando lenços para retirar a maquiagem carregada, desfiz o penteado puxado que me machucava e deixei meus cabelos caírem pelas costas, estavam quase em meu joelho depois de tanto tempo sem corte.

Mas eu não o cortaria, não sozinha.

Voltei para a sala e no caminho decidi mudar meus planos, normalmente em datas comemorativas eu vagabundeava o máximo possível e depois chorava sozinha na cama, mas hoje peguei um copo e um vinho da adega antes de me sentar no sofá. Eu sabia que ver televisão era uma péssima ideia, em dias como esse passavam apenas programas para casais, então somente bebi olhando para o nada refletindo sobre minha atual vida.

Meu noivo estava em guerra num país árabe tão longe de tudo que nem mesmo telefonemas ou cartas chegavam até mim, fazia um ano e meio desde que ele tinha partido e o espero até hoje, todo dia uma ansiosidade extrema rezando para não receber um telefonema do governo sobre seu óbito ou que ele seja o próximo em algum vídeo daqueles extremistas que capturam pessoas e as matam quando as quantias astronômicas que eles exigem não são atendidas. Sentia-me muito solitária, deus eu o amo tanto nem posso pensar em ficar com outro.

This heart, it beats, beats for only you/ This heart, it beats, beats for only you – cantarolei baixinho, nem gostava da música, apenas desse trecho, ele expressava tão bem minha situação que era impossível ignorar, realmente Jonathan era único pra mim, ele conseguia ser a parte firme e imutável onde eu conseguia me apoiar, ao contrário de mim sempre emotiva meu noivo era calmo e tranquilo, mas não era só isso ele também era romântico e selvagem.

As lágrimas vieram entre os goles de vinho tinto, a saudade era tanta, tanta que me esmagava, continuei bebendo enquanto algumas gotículas caiam dentro de minha taça. Era clichê, mas aquele sentimento não passaria, não até eu tê-lo novamente ao alcance de minhas mãos.

– Se eu soubesse, se eu soubesse que você partiria assim não teria brigado tanto – chorei falando baixinho – Teria te ouvido sempre, seria perfeita – falei jogando a cabeça para trás e cobrindo-a com meus braços.

Mais e mais lágrimas foram derramadas molhando minha pele e o sofá cinza escuro, já sabia que meu nariz estava vermelho e inchado como meus olhos, mas também sabia que não pararia até minha dor de cabeça vir e ficar insuportável, não estava chorando por algo bobo, estava chorando porque não tinha outra opção, mesmo os íntimos já cansaram da minha "ladainha" e me aconselhavam a conhecer pessoas diferentes. Estava sozinha com isso. E a dor continuava, um amor correspondido era o mais doloroso de todos porque eu sei, sempre soube com certeza que Jonathan sofre o mesmo que eu.

Larguei o copo e a bebida para deitar no sofá, agora sem chorar e com dor eu podia respirar em paz.

Ia fechando os olhos quando ouvi baralhos de chaves na porta, franzi o cenho só a minha mãe poderia abrir meu apartamento nessa hora com a chave e mesmo que fosse arrombamento eu duvidava da possibilidade devido à alta segurança do prédio.

– Mãe? – perguntei alto sentando e colocando minha mãe no apoio para não cair.

– Na verdade não – respondeu aparecendo no meu campo de visão.

Pulei instantaneamente no sofá completamente chocada, o rosto estava mais magro e o corpo maior, mais musculoso, o olhar mais travado e as linhas de expressão dos sorrisos tinham sumido, o cabelo preto estava desidratado, sem brilho e mais curto, ainda vestia o uniforme do exercito. Mas era ele. Era ele.

– Jonathan? Jonathan... Jonathan! – exclamei mudando meu tom pulando pelas costas do sofá e correndo em direção ao meu noivo.

– Agatha, meu amor – disse me abraçando e me rodopiando no ar, meu coração estava acelerado e eu conseguia sentir o dele batendo junto com o meu em alta velocidade.

– Isso é um sonho? Você está aqui mesmo ou estou tendo mais uma ilusão alcoólica? – perguntei já chorando novamente assim que ele me colocou no chão e ficou fitando-me com aqueles maravilhosos olhos castanhos e verdes.

Sem responder Jonathan foi se aproximando de mim com um olhar terno, apaixonado e desejoso, afastei-me dele, mas sua mão parou nas minhas costas e cintura me puxando para mais perto.

– Me deixa provar que nenhum de nós dois está sonhando – pediu permissão, ele estava tão próximo que seus lábios roçavam nos meus quando ele falava.

– Aqui – falei pegando seu braço e colocando em meu peito – Se isso for um sonho acho que acordarei no hospital – ri antes de terminar a distancia e selar nossos lábios.

Meus pelos se arrepiaram e eu fiquei na ponta dos pés sentido sua pele, seu toque, seu corpo novamente. O beijo estava diferente, não, tudo estava, sua saudade fez suas mãos passearem por meu corpo e seus dentes me morderem com diferentes níveis de força, gemi puxando seu cabelo para trás, mas, no momento, estava feliz demais para me sentir excitada, nem mesmo conseguia parar de sorrir.

– Você está mesmo aqui – contastei finalmente separando nossas bocas e virando minha cabeça para olha-lo nos olhos.

– Eu não ia morrer longe de você Agatha, nunca – prometeu beijando minha testa demoradamente.

– O que aconteceu? Eu sei que a guerra acabou então como? – questionei confusa.

– Um amigo casado meu que iria ganhar a dispensa, mas... Ele... Acabou falecendo e eu era o único que tinha família dentro do meu batalhão – contou sem mostrar dor alguma.

– Falando nisso eu trouxe um presente – lembrou saindo de perto de mim e abrindo a porta, de imediato corria até ele e segurei seu braço com desespero, foi um ato bobo que não pude controlar.

– Te trouxe flores e chocolates, é dia dos namorados – falou sorrindo compreensivamente mostrando o buque com margaridas amarelas e a caixa vermelha em forma de coração.

– Flores e chocolates, Jonathan? Eu estou tão feliz por você que meu coração pode explodir agora, nenhum presente em nenhum momento da minha vida vai conseguir me deixar mais feliz que isso – falei sorrindo tanto que minhas bochechas doíam, não era só a felicidade, o alivio e saudade finalmente "matada" também se misturavam, era um sentimento misto e único.

– Eu senti tanto a sua falta Agatha – relevou me abraçando.

– Você não fez nenhuma atrocidade enquanto estava longe, fez Jonathan? Diz pra mim que você não participou daquelas coisas ridículas como tortura, tirar fotos com presos ou até mesmo violentar mulheres – perguntei apoiando meu queixo em seu peito e olhando para cima.

– Se fizesse qualquer uma dessas coisas não conseguiria te abraçar mais, tampouco te beijar, venha a aqui me deixe fazer de novo – disse beijando-me com mais desejo apertando minhas coxas.

Dessa vez o tesão falou mais alto, meu deus foi um ano e meio sem nenhum toque com ninguém, nenhum toque com ele, uma eternidade, eu o queria, queria de todas as formas e jeitos possíveis.

Soltei um grito agudo quando meu noivo segurou minhas coxas e me levantou em pleno ar sem apoio algum.

– Está mais forte – murmurei separando-me minimamente sentindo suas palmas passarem para meu traseiro e apertarem fortemente.

– Não deveria estar feliz, pelos próximos dias você mal vai conseguir se mexer direito – disse eroticamente mordendo meu pescoço, senti a umidade na calcinha aumentar com a proposta indecente.

– Dias? Está tão ruim assim, estava esperando algo como semanas – provoquei mordendo sua orelha.

– Não brinca com fogo – falou olhando-me, não consegui deixar de sorrir.

– De hoje em diante, mesmo que não estejamos juntos quero que esteja comigo nos dias dos namorados, okay? – perguntei carente e esperançosa.

– Vai plantando as flores que eu te der, pois quando nossos filhos forem pequenos teremos uma história romântica para contar sobre o enorme jardim que você vai fazer aumentando a cada ano – concordou voltando a me beijar.

– Esse é um o melhor feliz dia dos namorados que eu já tive – falei entre o beijo.

Notas finais
Gostou? Acompanhe a história e depois marque que a leu, não leia e depois simplesmente feche a aba, escritores de oneshot também precisam de incentivo.
Comentários são sempre bem vindos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!