Espada sem bainha
1 The story of a sword is inked in blood
Notas iniciais
Espada sem bainha
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Eu tenho me esquecido, huh?
Me esquecido de algumas batalhas. De algumas lutas travadas. De algumas memórias. De algumas pessoas. Minhas recordações são nubladas, mescladas de cinza e branco em minha mente atordoada. Como a lâmina e sangue, do jeito que foi moldado o meu destino.
O qual eles moldaram. Do mesmo modo no qual me mataram em suas mentes diversas vezes apenas com a furtiva ideia de traição. Traição vinda do vento. Traição que não foi escondida. Que foi berrada aos quatros ventos e que foi ouvida por todos. Por todos aqueles que não conhecem a verdade. Como uma bela mentira para os ouvidos tolos. Como uma bela profanação admirada apenas por aqueles que podem respirar tranquilamente.
O meu suspiro já foi calmo. Este corpo já foi descontraído, e essas mãos já foram amáveis. Foram compreensivas, elas entendiam bem sobre a palavra honra. Eu nunca serei desonrado. Honra é muito mais que uma palavra, está além de simples atos e mais além de simples ideologias. Honra é algo daqui de dentro, e algo que ninguém tira.
O que o destino me reserva é apenas um caminho de terra com buracos do qual não se passa. É apenas um quarto a prova de som onde a loucura me domina e ninguém me escuta. Nos últimos anos a solidão veio em forma de vento, e eu a aceito de braços abertos. Às vezes, à noite, observo o farfalhar das árvores e escuto o sussurrar do vento, me dizendo as palavras que quero ouvir. Confortando-me nos braços de uma loucura silenciosa e vagarosa, que em breve me consumirá por inteiro.
É como um bicho subindo pelas minhas pernas, causando um certo incomodo, mas depois os arrepios se tornam uma carícia. Mas aqueles arrepios que sinto durante a noite não são nada menos que minha fraqueza. Apenas como a lembrança que eu não esqueço. O modo como fui fraco ao acreditar em ser o culpado. O modo como eu – cegamente – acreditei que talvez aquela escuridão que existe dentro de mim fosse realmente capaz de matar aquele a quem eu deveria proteger.
Mas com o tempo, o vento me ensinou que a única coisa a me restar seria minha espada. O vento trouxe o futuro gélido e doloroso, igual o gume de minha katana. E não há nada com ela que eu não possa resolver. Nada que eu possa perder e nada do que eu possa fugir. O seu brilho é o que me dá esperanças de encontrar a pessoa dos olhos âmbares. É o brilho de sua lâmina que perfurará o corpo daquele que saciará minha sede de vingança. Seu sangue escorrerá por ela cruzando novamente o meu destino, e assim eu poderei me afogar na loucura trazida pelo vento.
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