Notas iniciais
Então, gente tem um monte de leitores que não comentaram çç comentem pra me motivas, poxas çç

Dez vítimas no total. Levei dez almas hoje. Não posso dizer que não estou surpreso com a quantidade. Esperava que mais pessoas morressem... mas talvez seja só um dia fraco.

Deixei-me vagar pelas ruas de Phoenix, vendo adolescentes se agarrando em becos, adultos saindo cansados de seus trabalhos, gente indo pra festas e finalmente, um pouco de calmaria.

Parei pra pensar, por um momento, o quão entediante era a vida da Morte. Era obvio que ela tinha muito trabalho, mas... provavelmente ficava entediante.

Parei de andar, finalmente e olhei ao redor. Estava na área industrial da cidade e ao meu redor, via apenas armazéns. Foi então que despertei para a realidade por conta de um grito agudo.

Deixei me levar até a origem do som o mais rapidamente possível. Irrompi pelo alçapão de maneira silenciosa, e fiquei alguns segundos em choque.

O lugar totalmente sujo e abandonado, ganhou uma faceta horrenda e terrível. Havia uma moça ruiva, quase nua e por cima, um ser fétido, já em decomposição tentando alcançar seu pescoço.

Ela gritava desesperadamente e então, como um estalo, peguei a arma que havia recebido da minha nova chefe e atirei. Duas, três, quatro vezes seguidas e com um gorgolejar estranho, ele desabou no chão com um estrepito surdo.

Virei para a moça que tremia sem parar e ela para mim. Não esperava que ela pudesse me ver, obviamente e foi com grande surpresa que ouvi sua suave voz.

– Ai. Meu. Deus. Muito, muito obrigada mesmo! Espera... Ai, Deus... Não. Não. Não. MERDA! – Ela começou a praguejar rapidamente e depois do terceiro palavrão decidi tentar parar de entender.

– Hm.., moça, o que há de errado? – Perguntei hesitante.

– Você é o que há de errado! Um maldito servo da Morte!

Automaticamente dei um passo para trás e a encarei. Seus olhos verdes brilhavam de raiva e ela deu um passo à frente. A blusa em retalho mal tampava os seios e a calça... bem, não havia mais calça. Antes que pudesse me conter, já a havia encarado e alto a baixo e ela corava furiosamente.

Tirei minha jaqueta e estendi para ela, que mesmo hesitante, decidiu pegar. Colocou a peça de roupa e me encarou por um breve momento, antes de suspirar.

– Sou Elisa. Elisa Shaw; e você deve ser a última aquisição da Morte, servo número 208, ou seja lá como ela te chama.

– Meu nome é Charles – disse fazendo uma careta – e você poderia ser mais educada, sabe? Eu salvei a sua vida.

– Você não devia. Não é natural. E agora eu estou com esse enorme problema.

– Seria se legal se você fizesse algum sentido pra mim, moça.

– Você. Você estar aqui, não é natural. Você não está morto. A Morte esta trapaceando, tornando tudo mais fácil pra ela. E ai, gente como você, que não tem nada a ver com a situação, é pego em sua enorme e sedutora teia de aranha e força gente como eu a caçar almas de pessoas como você e se não matar, forçar a voltar para o corpo o que pode não ser bom... – Ela finalmente parou para respirar e eu finalmente perguntei:

– Então, você caça almas?

– Almas de quem não morreu. – Ela enfatizou e em seguida mordeu o lábio. – Já devem ter detectado sua presença perto de mim.

– O que vai fazer? Me matar ou algo assim? Não quero voltar pro bendito hospital.

– Não posso te matar, imbecil. – Murmurou a contra gosto. – Tenho uma divida com você. Poderia deixar você solto, e estaria livre, mas eles iriam te perseguir e te matar e isso me faria ter ficado em divida com você.

– E então? – A questionei, já pensando seriamente em deixar o local.

– Vamos fugir. – Encarei-a atônito.

– Vamos? Nós dois? Ta doida menina? – Dessa vez ela me encarou em choque. – Eu tenho almas a recolher, sabia?

– Você prefere recolher almas ou salvar sua pele? – Estava prestes a dar uma resposta mal educada quando o já característico puxão se fez presente.

– No momento eu preciso recolher uma alma. – Falei trincando os dentes tentando permanecer ali por mais alguns momentos.

– Vou com você então. – Disse e simplesmente segurou meu braço.

– Não faço a mínima ideia se isso vai dar certo. – Murmurei. – Mas dane-se. Espero que você não morra ou algo assim.

Deixei-me levar pelo puxão. Fechei os olhos e quando vi, estava na sombra de um enorme prédio. Sem fazer a mínima ideia de onde estava, olhei ao redor e reparei em Elisa, apoiada na quina da contrução vomitando provavelmente tudo que tinha no estomago.

– Deus... como consegue passar por isso?

– Não preciso comer, então... e você precisa de roupas novas. Sabe onde estamos? – Ela assentiu.

– E sei também onde arranjar roupas. Estamos em Henderson, Nevada. Minha casa. – Ela franziu levemente as sobrancelhas e balançou a cabeça. – Vá pegar a bendita alma e me espere aqui, entendeu? – Concordei e fui fazer meu mórbido trabalho.

Como o homem havia sido atropelado, seu corpo jazia em meio a pelo menos 20 pessoas, porém, como não me enxergavam, foi bem fácil. Voltei para a marquise do edifício, sentei-me e fechei os olhos, tentando relaxar.

Fiz uma retrospectiva do dia, e percebi que tivera um encontro com a Morte, ganhara um emprego terrível e conheci uma gata que mata gente como eu.

– Que animador. – Resmunguei.

– Além de quase morto é louco? – Falou a voz da ruiva a qual estava preso.

– Engraçada você, moça. – Ironizei, e parei para olha-la. Ela, é claro, era linda quase nua, porém, tinha uma grande charme vestida. Antes que pudesse falar alguma coisa sobre o assunto, uma voz masculina grossa chamou por ela.

– Shaw? É você? – Ela empalideceu e agarrou minha mão. Com olhos arregalados, ela formou com os lábios rosados a palavra “corra”.

E foi o que fizemos. Percorremos rua após rua, desviando e fazendo voltar a torto e a direito e quando finalmente paramos em uma estação rodoviária, ela me olhou com ar assustado e sussurrou:

– Nos acharam.

Notas finais
Espero que gostem de cap 'u'
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.