Correr, respirar, correr respirar.... Esme sentia-se tonta mas manteve as pernas correndo, precisava fugir para o mais longe possível dali.

Fora um erro ter ido procurar Johnny, óbvio que o marido ia pensar que ela estaria com algum familiar, o que ela precisava agora era ir para uma cidade que não conhecesse ninguém. Sim, era isso que iria fazer, pelo bem de seu filho ela precisava fugir dali e não contar a ninguém onde estava indo.

Uma cidade onde seria uma completa desconhecida seria a solução, ela seria só mais uma viúva e ninguém saberia nem questionaria seu passado.

Esme segurou com força a pequena mala nas mãos, dentro dela o macaquinho amarelo, o seu bem mais precioso. Seria pouco o que ofereceria ao filho quando este nascesse mas ela daria todo o amor que ele precisaria. A criança seria a mais feliz do mundo, ela faria qualquer coisa para ver o filho sorrindo.

Chegando na estação Esme pegou o primeiro trem que viu saindo da cidade e se sentou nos bancos da cabine com um suspiro de alívio. Quando chegou na estação final pegou outro trem e foi se afastando cada vez mais de Milwaukee. Fez essa troca de trem por uma semana e finalmente quando estava longe o suficiente desembarcou na sua nova cidade.

Era uma pequena vila, bem menor que sua cidade natal e Milwaukee, mas seria perfeita. Precisava pensar o que fazer agora, tinha pouco dinheiro guardado e só poderia ficar em uma hospedagem por alguns dias. Precisava urgentemente de um emprego.

Mas o que poderia fazer? Talvez ser faxineira de alguma casa? Olhou as casas ao redor e percebeu que ali na cidade não tinha nenhuma mansão, só casas simples. Provavelmente ninguém ali teria dinheiro para contratar uma forasteira.

Talvez o padre da cidade pudesse ajudá-la? Sim, isso! O padre com certeza deveria conhecer todos os moradores e saberia de alguma vaga de faxineira ou qualquer outra coisa.

Encontrou uma pequena hospedaria que parecia aconchegante e entrou no local, o tempo começava a esfriar e não era inteligente ela estando grávida permanecer na rua.

— Boa noite, bem vinda a Casa da Dona Dina, em que posso ajudá-la? – uma mulher bem gorducha disse aparecendo de trás do balcão.

— Eu gostaria de um quarto por favor, por uma semana se possível.

— Está sozinha? – a mulher perguntou desconfiada.

— Sim, meu marido morreu na guerra – Esme repetiu a história que tinha criado – e eu achei que seria bom mudar de ares, minha antiga casa me deprimia.

— Imagino – respondeu a mulher se solidarizando – meu marido também morreu na guerra. Mas se anime menina, como pode ver consegui me reerguer e agora tenho essa pequena estalagem. Mas venha! A levarei ao seu quarto, depois de instalada desça que o jantar é servido as sete.

— Muito obrigada senhora.

— Pode me chamar só de Dina, afinal aqui é a casa da Dona Dina.

Uma vez instalada Esme suspirou aliviada, estava com um bom pressentimento daquela cidade, dona Dina fora muito simpática e sentia que ela poderia vir a ser uma amiga sua. Mas, principalmente, o marido nunca a encontraria ali afinal aquela cidade ficava no fim do mundo e ela era uma total desconhecida.

Quando viu que batia sete horas Esme desceu para o jantar, o estômago revirava de fome. A mesa tinha sete pessoas além de Dona Dina, os inquilinos imaginou. Esme sorriu para todos e se sentou em uma das cadeiras.

Quando os pratos chegaram Esme devorou rapidamente a comida a sua frente, o bebê dentro dela certamente estava se revirando de contentamento.

Era isso, ali era seria feliz e dessa vez sentia isso, amanhã mesmo já procuraria emprego e em alguns meses seu pequeno estaria em seus braços. A vida não poderia ser melhor.